sábado, 14 de maio de 2011

A imprescindível jornada

O TT só não foi cabrito por falta de tempo, mas externava sempre o desejo de pertencer à já famosa confraria
A Cultura cearense sofreu, nestes últimos tempos, a perda de três figuras emblemáticas. Primeiro, o inquieto Cláudio Pereira, eterno Secretário Municipal que, mesmo preso à sua afamada cadeira voadora, estava presente a tudo que fosse evento ou manifestação no âmbito das artes, literatura, política e, principalmente, a boemia, quando varava a noite fortalezense, batendo ponto nos oito selecionados botequins, roteiro ora refeito pelos amigos saudosos. Depois (ou foi antes?) viajou o Augusto Pontes, este, mais na dele, figura calada e circunspecta, de pouca badalação. Também foi Secretário de Cultura (Municipal e Estadual) e considerado guru de toda uma geração, mentor de um segmento da nossa música (anos 1970) que se convencionou chamar de Pessoal do Ceará. Agora nos deixa o agitadíssimo TT, publicitário pioneiro Tarcísio Tavares. Ultimamente ligado ao setor cultural da Oboé (atendia a conta e era mestre de cerimônias), incansável promotor do teatro, do rádio e da televisão. As folhas da cidade, blogueiros e tuiteiros, deram a essas personalidades imensos espaços e isto aqui é apenas um nostálgico registro, amigo que éramos desta trindade singularíssima.

Outros mais já haviam nos deixado na saudade como José Alcides Pinto, Blanchard Girão, os Lucianos, Barreira e Miranda, Marcus Belmino; tantas perdas que ameaçam este cantinho tornar-se o sarcófago da cultura, por ora parecendo uma coletânea de biografias inconclusas, mais chegada a um álbum de família. Mas são perfis interessantíssimos e pena que seus donos tenham resolvido partir mais cedo do que se esperava. Ademais, a certa altura do campeonato os amigos vão se tornando nome de rua e a gente tem mesmo é a obrigação de, se não homenageá-los, dar conhecimento ao público de sua profícua passagem por estes verdes gramados. E vieram juntos os tais ritos fúnebres que, decerto, agradariam ao Girãozinho, pois acaso ainda cá embaixo residindo estaria prestigiando esta malfadada etiqueta com seu modelito já de todos conhecido: paletó preto com botões dourados e cravo na lapela; arrematando o cerimonial da derradeira e refugada viagem de quem ele, muitas vezes, sequer conhecia.

E saibam os que esta lerem ou dela tiverem notícia que os notáveis vultos aqui citados, afora o Tarcísio, pertenciam ao Clube do Bode, agravante a deixar supersticiosos com as barbas de molho porquanto no mês passado houve a despedida do Coronel Evaldo, da vizinha patota do Flórida Bar. O TT só não foi cabrito por falta de tempo, era jurado de televisão no horário das reuniões do grupo, mas externava sempre o desejo de pertencer à já famosa confraria caprina, uma pena! No entanto é como se fosse, no livro organizado pelo jornalista Lustosa da Costa, TT das madrugadas, nada menos de sete cabritos, é verdade, contribuíram com textos alusivos à sua participação na vida cultural da cidade: Juarez Leitão, Inácio de Almeida, Gervásio de Paula, Dimas Macedo, o próprio Lustosa da Costa e este locutor que vos fala. Todos, ressalvamos, firmes no propósito de encompridar os janeiros neste mundão velho besta, com o intuito de coadjuvar melhor no esplêndido espetáculo da vida.

E tomara já pôr fim a este texto, assunto do qual não nos sentimos confortáveis (e imagine se) em abordar. Não obstante, só conhecemos duas pessoas que tratavam o tema com frieza, encarando a indesejada das gentes como um mero e inevitável desfecho do ciclo vital: Luciano Barreira e José Domingos, os quais, aliás, já não tocam mais no assunto. Outros companheiros se pelam de medo só em pensar na misteriosa dama. Nem a funerais comparecem, respaldados no dito popular: “Quem não é visto não é lembrado”. A propósito, você foi à missa de sétimo dia do TT?

Audifax Rios

Fonte: O Povo

As proezas do cordel no estrangeiro

Um dos principais divulgadores da arte do cordel fora do País, o norte-americano Mark Curran, relança o panorâmico estudo "Retrato do Brasil em Cordel"


Ainda que faça parte, permanentemente, da paisagem cultural de boa parte do Brasil, o cordel é capaz de provocar estranhamentos. Se encanta seus leitores habituais por converter em literatura seu cotidiano e seus valores, um outro tipo de leitor vê nele uma aparição, como se o passado irrompesse o presente e abrisse passagem para tradições antiquíssimas da poesia popular. Não são poucos os exemplos de pesquisadores europeus que, por ele, quedaram-se encantados.

Remetia-os à Idade Média europeia, com seus personagens a promover a intercessão entre o oral e o impresso. Trovadores, jograis e outros artistas da palavra; e também as folhas volantes, que haviam levado o invento de Gutemberg para além dos círculos nobres e burgueses. O espanhol Jesús Martin Barbero e o suíço Paul Zumthor foram alguns dos leitores encantados - este, um afamado medievalista, autor de uma sólida antropologia da voz; aquele, um dos nomes mais destacados no estudo das comunicações nos últimos 20 anos.


O estranhamento é devolvido. Estrangeiros a conhecer algo que é tão nosso - e que nossa própria academia ainda não dá o devido reconhecimento. Contudo, se deste círculo europeu há muito se fala, o mesmo não se dá a respeito da repercussão do cordel nos EUA. Registro deste outro olhar, talvez ainda mais distante da realidade da literatura de folhetos, é o livro "Retratos do Brasil em Cordel", de Mark Curran, professor de língua e literatura portuguesa e brasileira da Arizona State University (EUA). O livro foi lançado originalmente em 1998, pela Editora da Universidade de São Paulo, e, desde então, estava fora de catálogo. O título volta às livrarias, em nova e ilustrada edição, pela Ateliê Editorial.

O encontro
Em entrevista, por e-mail ao Diário do Nordeste, Mark Curran confirma este estranhamento. "Não sou perito nisso, mas acho que a cultura dos EUA não tem nada igual à tradição do cordel", conta o autor. "Há ´chapbooks´ (pequenos folhetos, também ilustrados com gravuras, contendo contos populares, baladas, poemas, comum entre os séculos XVI e XIX) da Inglaterra e uns poucos nos EUA, mas nada que se compare à grandeza do cordel", avalia.

O que mais estaria próximo de nossa tradição poética, de fortes marcas orais, é exatamente a poesia da voz. "As baladas de Appalachia, no Leste, muitas delas de origem irlandesa. Ainda mais, as baladas do ´faroeste´ americano - canções de bandidos, de índios ferozes que defendiam suas terras e, mais, a tradição do vaqueiro americano, também acompanhado de seu cavalo corajoso. A balada ´The Strawberry Roan´ tem muito em comum com ´O Boi Mandingueiro e o Cavalo Misterioso´ (de Luiz da Costa Pinheiro) ou até ´O Boi Misterioso´ (de Leandro Gomes de Barros). Há um filme de faroeste que sempre aponto: ´Monty Walsh´ (no Brasil, ´Um Homem Difícil de Matar´), a primeira versão, com Lee Marvin. Uma das cenas mais impressionantes é a do vaqueiro Monty tentando domar um cavalo tão brabo, tão épico, que dá muito a recordar ´O Boi Misterioso´ do cordel", enumera o pesquisador.

Tipos móveis usados na impressão de cordéis no passado: a tradição adotou técnicas mais modernas
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
Mark Curran lembra que seu primeiro encontro com a literatura de folhetos se deu em uma aula de literatura na Saint Louis University, St. Louis, Missouri, em 1965. Especialista na obra de Jorge Amado, a professora Doris Turner trouxe curiosos livrinhos artesanais para mostrar aos alunos do PhD. O aluno que teve a certeza de que aquilo era muito mais uma curiosidade acabou ganhando uma bolsa de estudo pela Fulbright. Fez sua pesquisa de campo no Brasil entre os anos de 1966 e 1967, para erigir uma tese sobre os pontos de contato da literatura popular em verso ("assim era conhecido o cordel daqueles dias") e literatura "erudita" brasileira. A cearense Rachel de Queiroz e o paraibano Ariano Suassuna foram alguns dos autores explorados neste estudo comparativo.

Traçando o mapa
De lá para cá, Curran já fez mais de 20 viagens ao Brasil, com roteiros cheios de proezas. "Um ano intenso de estudos em 1966-1967, leitura e pesquisa de campo através o Nordeste, a bacia do Rio São Francisco, a Feira Nordestina no Rio, Brasília e até em Belém do Pará e Manaus, no Amazonas, à cata de folhetos, romances de cordel, entrevistas com poetas e público. Foi isso o começo. Depois fiz mais de 20 viagens ao Brasil, sempre à cata do cordel", reconstitui o pesquisador.

O norte-americano se tornou dono de uma coleção "respeitável", adquirida em feiras, além de outro tanto copiado (por vezes manualmente), nos principais acervos de cordel do País, como aquele que pertence a Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro.

Foi através deste vasto material que Mark Curran estabeleceu um mapa, quase tão vasto, pelo qual passeia em seu livro. Aos invés de fazer uma história desta mídia da tradição popular, o autor encadeia núcleos temáticos. À maneira do xilógrafos, quando investe em obras mais extensas, com séries de gravuras, cada capítulo ganha o nome de álbum e traz tanto temas tradicionais como aparentemente incomuns, indo da religião popular à questões atuais de gênero.

Fique por dentro
A Voz do Verso
A francesa Martine Kunz caiu de amores pelo Brasil ainda nos anos 70, quando conheceu o Nordeste. Estudava clássicos de seu país, caso do poeta Charles Baudelaire e do romancista Marcel Proust, mas optou trilhar um novo caminho, o cordel. Professora da Universidade Federal do Ceará, Kunz é autora de obras consistentes sobre o tema, caso do breve e profundo "Cordel, A Voz do Verso", sexto volume da coleção Outras Histórias, no Museu do Ceará, e a antologia de poemas do poeta-jangadeiro Zé Melancia, editado pela Hedra.

Literatura
Retrato do Brasil em Cordel  
Mark Curran, Ateliê editorial, 2011, 368 páginas, R$ 70

DELLANO RIOS
 EDITOR

Fonte: Diário do Nordeste

Assentamento completa 13 anos e inaugura Casa de Cultura

Comunidade de Santa Rita, em Santana do Acaraú, organiza festejos

Por: Beth Rebouças

 O assentamento 29 de Maio - Santa Rita, em Santana do Acaraú, na Região Norte do Estado, festeja 13 anos, no próximo dia 27. Os mártires da terra serão lembrados e, será inaugurada a casa de Cultura, uma conquista dos trabalhadores.

O projeto foi financiado pelo Governo do Estado do Ceará através do Projeto São José Agrário. Já são no total de seis casas de cultura em seis assentamentos do Ceará, que ainda precisam ser equipadas para desenvolver inúmeras atividades culturais propostas.


Fonte: Ceará é Agora

Arquivo público lança exposição “Fontes para a História da Escravidão no Ceará”

 
 
Em comemoração aos 123 anos de abolição da escravidão no Brasil, o Arquivo Público do Estado do Ceará (APEC) lançou sexta feira (13), a exposição “Fontes para a História da Escravidão no Ceará”. Durante a exposição, que acontece até o dia 13 de junho, os visitantes poderão conhecer documentos dos poderes executivo, legislativo e judiciário relevantes para a história da escravidão no estado.

Entre os documentos da mostra estão a relação dos escravos libertados, em 19 de dezembro de 1883 no município de Sobral, a relação dos escravos matriculados na tesouraria de Fazenda do Ceará em 11 de janeiro de 1881 e o Estatuto da Sociedade Centro Abolicionista em 19 de dezembro de 1882.

Informações: 3101-2614

Serviço:
Exposição “Fontes para a História da Escravidão no Ceará”
Local: Térreo do Arquivo Público do Estado do Ceará – APEC
Data: de 13 de maio a 13 de junho de 2011
Horário: de segunda-feira à sexta-feira das 8h às 12h e de 14h às 17h

Coordenadoria de Comunicação da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará
Sonara Capaverde ( sonara.capaverde@secult.ce.gov.br / 85 3101.6759)

Fonte: Secult-Ce

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Acaraú ganhará novo pólo de lazer

No açude das Piranhas, em Acaraú/Ce, a Prefeitura está construindo um pólo de lazer, raro no Município. O espaço, cujas obras estão orçadas em mais de R$ 250 mil, conta com calçadões, quiosques e uma iluminação especial. As intervenções do Executivo Municipal passam a valorizar ainda mais o espaço.

O pólo tem uma previsão de estar pronto até o final do próximo mês. “O açude das Piranhas estava precisando de uma intervenção dessas, e o povo aprovou. Lá será um pólo importante de lazer em que as pessoas poderão se divertir aos finais de semana”, afirmou o Prefeito de Acaraú, Pedro Fonteles.

Além disso, o novo pólo, que embelezará o espaço e o vitalizará, atrairá turistas e consequentemente mais divisas para a região. “Esse pólo é muito importante. Vai tornar o local mais bonito e mais atrativo para as pessoas da região e nossos visitantes”, previu Pedro Fonteles.

O Sr. Vanderlei Terras de Sousa, estava com sua família visitando o espaço. “Venho com frequência aqui e acho que realmente esse espaço deve ficar ainda melhor com essas intervenções”, afirmou Vanderlei Terras.

Maria Áurea, acredita que a obra acaba valorizando ainda mais o ambiente e tornando o ambiente mais acolhedor aos frequentadores. “Vem muita gente da região pra cá fazer caminhada, tomar banho, pescar. Aqui tem mesmo que ter obras como essas para valorizar ainda mais o espaço”, defendeu.




No tempo dos rabos de burro

Os conflitos de geração e de gênero vividos pela sociedade fortalezense nos anos 1950 pautam o livro que a historiadora Lídia Noêmia Santos lança, hoje, na Livraria Cultura


Você sabe onde anda sua filha? - com essa interrogativa, o jornal cearense Gazeta Mercantil titulava, em 1959, uma campanha em que publicava fotos de jovens namorando, na tentativa de alertar os pais para o comportamento "impróprio" da nova geração. A publicação soa absurda nos referenciais de hoje, mas retrata os conflitos de uma década de mudanças sociais e culturais em todo o mundo, e que se reflete na Capital cearense estampada nos jornais, com os feitos e desfeitos da juventude da época.

Essa Fortaleza dos anos 50 ambienta o livro "Brotinhos e seus problemas", que a historiadora Lídia Noêmia Santos lança, hoje, às 19 horas, na livraria Cultura. A obra toma por base as publicações da imprensa local para analisar os conflitos de gênero e de geração que envolviam a pequena burguesia fortalezense nos que são chamados de "anos dourados".

O livro identifica e analisa o perfil de dois modelos de juventude próprios da época: as "moças casadoiras" - solteiras, com idade entre 15 e 25 anos, com dotes e habilidades que lhe valiam boas chances de casar; e os "rabos de burro", termo cunhado para identificar a variação alencarina do que, no Sudeste, era a juventude transviada.

O livro é baseado na dissertação de mestrado da autora, com o texto devidamente adaptado para atingir também o público não acadêmico e está sendo publicado por meio de um edital da Secretaria da Cultura do Ceará. O trabalho foi contemplado, em 2010, pelo edital Prêmio Literário para Autores Cearenses.

No estudo, Lídia destaca as mudanças sofridas nos principais centros urbanos brasileiros nos anos 50, com uma imprensa bancada pelo capital financeiro e integrando grandes conglomerados que incluíam emissoras de rádio e televisão, e eram a grande porta de entrada da cultura estadunidense. O texto jornalístico perdia espaço para fotografias e manchetes chamativas, ganhando força também as publicações direcionadas para mulheres.

Tendências
A juventude pós-guerra mundial era o alvo de um novo projeto social e econômico capitaneado pelo exemplo norte-americano. Daí surgem tertúlias, matinês, os clubes (a exemplo, em Fortaleza, do Ideal e Náutico), as lojas e espaços de socialização com atividades específicas para os jovens. "Com isso, novos modelos de juventude aparecem", conta a autora.

O colunismo social vai lançar para o público todas essas novidades. "A partir do momento que existe um grupo de pessoas promovendo essas ações, modificando jeito de se vestir, namorar, se encontrar, dançando rock, o jornal cria interesse de divulgar isso, porque modifica o cotidiano da cidade" diz a pesquisadora, explicando o interesse da imprensa em publicar comportamentos que muitas vezes eram mal vistos pela sociedade.

O livro aponta ainda a eleição da cearense Emília Correia Lima no concurso Miss Brasil de 1955 como um marco para a cultura jornalística da cidade. A partir daí, o colunismo social, o noticiário, a publicidade, a maioria dos veículos de imprensa passaram a dar conta de assuntos ligados à beleza feminina.

"Não vejo, no entanto, que essa imprensa não tivesse preocupação com a autonomia feminina. Apesar de não contestar o casamento, eles buscavam mostrar como a mulher pode ser mais independente, por meio de artimanhas e truques de sedução com os quais poderiam impor suas vontades aos pais, ao marido. Existe um estímulo a autoconfiança", avalia a historiadora Lídia Noêmia.

Se de um lado ganha espaço a figura de mulher mais independente, do outro, grupos de jovens contestadores e rebeldes são motivos de muitas dores de cabeça. Enquanto os Estados Unidos intensificavam a Guerra Fria com os países do bloco da União Soviética - marcada por uma política imperialista que demarcava território pela influência cultural, criando Hollywood e disseminando ícones da juventude como Marilyn Monroe, Elvis Presley e o recém-nascido rock´n´roll - no Ceará, o "terrível" Ivan Paiva, o James Dean da Parangaba, que chocava a pequena burguesia moradora do jovem bairro da Aldeota com seus atos delituosos estampados no noticiário.

Juventude
Ivan, segundo Lídia, foi o líder mais conhecido dos grupos que à época eram taxados como transviados, andando em lambretas e exibindo um visual com topetes e bigodinhos que feriam os padrões estéticos vigentes. Eram os já citados Rabos de Burro. "Tudo indica que o termo foi uma adaptação do apelido de um dos líderes para viabilizar a publicação nos jornais", explica Lídia. Existiam vários grupos de transviados, com destaque para a Turma do Pinduca, uma das mais violentas da época.

A historiadora defende a existência de duas gerações de rabos de burros. A primeira, protagonizava brigas de rua, confusões em cabarés, roubavam carros para praticar pegas, chegando a casos extremos de violência contra as mulheres. "Eles seduziam ou raptavam para estuprar e fazer curra. Acontecia de um dos rapazes namorar uma moça, que, no encontro mais reservado, estuprava", conta.

A segunda geração, a qual pertencia o grupo de Ivan Paiva, chocava mais pela questão estética e comportamental. "Tinham influência dos norte-americanos, na imagem do James Dean, uso de topete, palavras em inglês", diz. Ivan costumava posar para as fotos em quase todas as suas prisões, incluindo no episódio em que foi punido pela Justiça com um corte de cabelo e teve o seu topete destruído pelo barbeiro.

Anos 50  
Brotinhos e seus problemas  
Lídia Noêmia
Expressão gráfica, 2011, 219 páginas, R$ 25


FÁBIO MARQUES
ESPECIAL PARA O CADERNO 3

MAIS INFORMAÇÕESLançamento do livro "Brotinhos e seus problemas", de Lídia Noêmia, hoje, 19h, na Livraria Cultura (Avenida Dom Luís, 1010, Aldeota)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Coisa Nossa - Festival da Galinha Caipira dos Chorós


Quem é do interior sabe bem o valor que um bom prato de galinha caipira tem. Típica da culinária do sertão, esta iguaria vira agora a grande estrela do “I Festival da Galinha Caipira dos Chorós”, evento promovido pela Prefeitura de Cascavel em parceria com o Sebrae. O Festival acontece entre os dias 13 e 15 de maio e conta com uma programação, que vai reunir desde a degustação de pratos feitos à base de galinha caipira e outras comidas típicas, exposição de artesanato, apresentação de bandas de forró pé-de-serra e repentistas, humoristas, até brincadeiras pra lá de irreverentes, como corrida de jumentos, exposição de galinhas exóticas, campeonato do maior ovo, e até um “Galinheiro Eletrônico”, uma versão matuta das famosas tendas eletrônicas, garantindo muita diversão para os visitantes. O objetivo é resgatar os festejos populares da região enriquecendo as tradições culturais e ainda criar uma nova forma de movimentar a economia local através da criação de galinhas caipiras, já presentes no cotidiano dos moradores dali.

Segundo Edvar Soares, coordenador de Turismo de Cascavel, o evento vai ter ainda um impacto social muito importante. “A comunidade dos Chorós está sentindo sua autoestima resgatada, seu sertão valorizado. Os moradores estão orgulhosos de poder mostrar seus talentos, e isso é muito bom pra dar continuidade a esse projeto”, garante Edvar.

O Festival
A ideia do “Festival da Galinha Caipira dos Chorós” surgiu a partir de reuniões realizadas com 30 moradores daquela localidade, nas quais se discutiam alternativas de incentivar a geração de emprego renda para a comunidade. Foi quando eles deram-se conta de que a criação de galinhas caipiras poderia ser uma dessas alternativas. A ave, comum nos quintais do interior, é de fácil manejo e sabor bastante apreciado na culinária regional.

Além disso, a partir do momento em que a Galinha Caipira dos Chorós garantir espaço no roteiro gastronômico do Ceará, o potencial turístico local também poderá ser valorizado, já que trata-se de uma região rica em belezas naturais ainda não descobertas. Os Chorós são considerados um dos mais lindos sertões do litoral leste, com uma densa e encantadora floresta de carnaúbas.

Criadores
recebem orientação
Para garantir o sucesso do Festival da Galinha Caipira dos chorós, consequentemente, do projeto de inserção da comunidade no roteiro gastronômico cearense, uma série de ações foi realizada com as famílias da região. Uma delas, foi a realização de um curso de Empreendedorismo, ministrado por técnicos do Sebrae. A iniciativa foi fundamental para a organização das associações a fim de orientar os participantes, até então simples produtores rurais e donas de casa, sobre as perspectivas positivas de geração de renda. Além disso, o Sebrae ofereceu um curso de gastronomia que incluiu desde informações sobre manipulação de alimentos, até o refinamento de pratos e a elaboração de um cardápio à base de galinha caipira que será 
apresentado durante o Festival.

A Ematerce (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará) também teve um papel fundamental nesse processo. Além do acompanhamento técnico e as orientações sobre como melhorar o manejo, auxiliou os produtores a conseguir linhas de crédito junto ao Banco do Nordeste.

Peças arqueológicas são encontradas no Cariri

A história dos povos indígenas no Estado pode ganhar novo capítulo com acervo descoberto no Cariri

Catarina Borges, diretora do Centro Cultural Raimundo de Oliveira Borges, guarda as peças, consideradas diferentes
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
Achados indígenas, que poderão comprovar formação de aldeamento neste Município foram encontrados na cidade. São peças em cerâmica que foram vistas durante as obras do projeto de iluminação, no Estádio Moraizão. O material ficou guardado por alguns dias com um morador, até que ele decidiu repassar para o Centro Cultural Raimundo de Oliveira Borges. Esta semana, um grupo de técnicos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) estará em Caririaçu para examinar o material e verificar o local onde as peças foram localizadas.

O material cerâmico é grande e também pesado e se assemelha a bacias e panelas. Mas a maior delas poderá ter sido uma urna. Conforme e diretora do Centro Cultural, Catarina Borges Macedo, que está guardando as peças, é algo diferente do que se vê normalmente. Ela acredita que os achados arqueológicos poderão se tornar uma atração da cidade.

"A história de Caririaçu poderá ser elucidada por meio dessas cerâmicas", acredita a professora Catarina. Ela disse que há vários anos foi encontrado outro registro desse tipo de material, nas proximidades da Igreja Matriz de São Pedro, no Centro. Nada foi guardado e não se sabe o destino que foi dado à cerâmica na época da descoberta.

Logo que recebeu as peças de um amigo, Catarina decidiu consultar a arqueóloga Rosiane Limaverde, que há vários anos tem desenvolvido pesquisa na área, com a identificação de diversos sítios arqueológicos. A partir dos já identificados, a pesquisadora acredita que os aldeamentos cerâmicos ocorriam do sopé da Chapada do Araripe até o sertão dos Inhamuns.

Era nas áreas mais altas que os índios procuravam abrigo mais seguro, principalmente para se protegerem das inundações e porque eram locais mais próximos das fontes de água.

De acordo com a arqueóloga, foram formados vários núcleos de aldeias. São áreas de mais de 600 metros de altitude. O material que ficou nas áreas baixas acabou sendo arrastado pelas enxurradas. Os técnicos do Iphan farão uma notificação do material. A arqueóloga irá solicitar a guarda das peças para pesquisa no laboratório de Arqueologia da Fundação Casa Grande. Esse trabalho servirá para comprovar a autenticidade e origem do material. Quase 20 sítios arqueológicos já foram identificados na região.

Fique por dentro 

Região privilegiada
A região do Cariri é um dos locais importantes para a pesquisa científica nas áreas da Arqueologia e da Paleontologia. Antes da chegada do homem branco à região, no século XVII, o local era habitado por inúmeros indígenas. E não só as tribos, mas há mais de 100 milhões de anos, os céus do Cariri eram invadidos pelos pterossauros, répteis voadores, inspiração do cineasta Spielberg, dinossauros e outros animais pré-históricos. Segundo a arqueóloga Rosiane Limaverde, está comprovado que os índios seguiram o caminho das águas, isto é, entraram no Cariri, vindos da Paraíba, pelo Riacho dos Porcos, e caminharam no leito dos rios até os pés de serra. Os achados em Caririaçu poderão comprovar que essas tribos habitavam as áreas mais altas e com fontes de água.


Pesquisa urbana
Um dos recentes trabalhos do grupo da Casa Grande está sendo desenvolvido na cidade de Santana do Cariri, com acompanhamento de uma obra de saneamento. Pela primeira vez na região é realizada a pesquisa na área da Arqueologia Urbana. O material encontrado é encaminhado para o laboratório da fundação para ser examinado.

As peças de Caririaçu estão sendo motivo de curiosidade na cidade. Para Catarina, esse material poderá ser a comprovação da presença dos índios, de forma concreta. "É uma maneira de trabalharmos essa comprovação histórica não apenas nos depoimentos dos livros, mas com o que restou desse povoamento", diz ela.

Como educadora infantil, tem utilizado os achados para instruir as crianças. As pesquisas históricas na cidade também poderão ficar mais enriquecidas, conforme Catarina. A dona-de-casa Francisca de Oliveira Macedo está admirada com as peças. "Parece coisa de índio mesmo", ressalta. Ela considera as cerâmicas de grande importância para a cidade.

Têm sido constantes os achados arqueológicos registrados na região. Além disso, diversas inscrições rupestres já foram identificadas em sítios pela região. No caso de Santana do Cariri, quando é identificado algum vestígio, a prioridade é dos estudiosos, já que no local poderão ser encontradas peças que servirão de ponto de partida para elucidar a origem de cada lugar e do seu povoamento.

Autenticidade
A guarda do material para estudo deverá ser concedida pelo Iphan para a Fundação Casa Grande. Para Catarina Borges, é importante que todo esse material seja examinado, para posterior divulgação de análise, garantindo a autenticidade.

Será também uma maneira de educar a sociedade quanto à importância desse patrimônio. É algo que aparentemente, para a maioria das pessoas, segundo ela, pode parecer simples, mas que tem um grande significado para a civilização. É um criativo meio para conhecer o seu passado e melhor compreender o processo civilizatório.


Povoamento
"Os índios costumavam ficar em lugares altos e próximos de fontes de água, durante os aldeamentos"

Rosiane Limaverde
Arqueóloga e diretora da Fundação Casa Grande

MAIS INFORMAÇÕES
Centro Cultural Raimundo de Oliveira Borges, Av. Francisco Barros Sobrinho, 40, Santo Augustinho
Caririaçu, telefone: (88) 9912.4068

Elizângela Santos
Repórter

Jericoacoara entre destinos preferidos

  Foto: Divulgação
São Paulo. Conhecido como o mês das noivas, maio consequentemente também é o mês das viagens de lua de mel. E o Ceará ganha destaque como um dos destinos preferidos dos novos casais. Jericoacoara e Fortaleza estão na quarta posição do ranking da operadora de turismo CVC.

Segundo a lista elaborada pela operadora, os dois destinos cearenses só ficam atrás dos pacotes para Costa do Sauípe, para Fernando de Noronha (com passagem pela cidade de Natal-RN) e para Gramado.

Depois de Jericoacara e Fortaleza, a preferência dos noivos é viajar para Maceió, Natal (como único destino) e Porto de Galinhas. Quando a escolha do casal é uma viagem ao exterior, mas ainda na América do Sul, os destinos mais procurados são Buenos Aires e Santiago.

Jijoca de Jericoacoara é um dos destinos turísticos do Brasil que mais evoluem em termos de competitividade. De acordo com o Índice de Competitividade do Turismo Nacional (ICTN) - que inclui 65 destinos indutores do desenvolvimento turístico regional, a pontuação geral do município cearense subiu de 33,3, em 2008, para 41, em 2010, o que representa uma evolução de 7,7 pontos em dois anos, superando a média do Brasil (que foi de 3,9 pontos) e dos outros destinos "não capitais", cujo crescimento geral foi de 3,4 pontos.

O conjunto de indicadores que compõem o ICTN é fruto do estudo da competitividade dos 65 destinos indutores do turismo realizado pelo Sebrae, em parceria com o Ministério do Turismo, e executado pela Fundação Getúlio Vargas.

Por onde anda o ensino de Literatura Cearense no Ceará?

Pare. Pense. Reflita: você, cearense, já teve alguma disciplina no colegial que abordasse respectivamente sobre a Literatura Cearense? Os autores de nossa região? Quantos escritores cearenses você conhece?

É triste afirmar, mas o ensino de literatura cearense em nossas escolas ainda é bem restrito, ou basicamente nulo, pois a maioria das instituições escolares no Ceará, preocupadas em seguir à risca seus currículos, acabam não valorizando as obras dos autores cearenses, assim sendo, é praticamente impossível constatar disciplinas específicas que abordem a nossa literatura. Além do mais, as escolas tendem a seguir o programa dos livros didáticos e estes não tratam de autores e nem da literatura cearense, portanto as escolas acabam também não trabalhando. No máximo, os livros didáticos vêm a estudar as escolas literárias ressaltando apenas alguns escritores salientes no plano mundial e/ou nacional.

É perfeitamente observável que mesmo nas aulas de literatura, não são trabalhadas obras de escritores cearenses e, raramente, quando são, percebe-se que é abordada numa visão geral da literatura no contexto brasileiro (no plano nacional – escolas literárias brasileiras) e, assim, apenas alguns autores cearenses se destacam, um exemplo deles é José de Alencar, um dos expoentes do romantismo brasileiro, que é trabalhado nas nossas escolas cearenses sobre o panorama geral da literatura brasileira e não regional.

Entre estes escritores cearenses citados no plano nacional temos, Domingos Olímpio, José de Alencar, Raquel de Queiroz e alguns outros, que, como dito, quando são trabalhados nas escolas o são sob a concepção de escritores nacionais e não regionais. Vale frisar que os escritores mais conhecidos são aqueles que se mudaram para o Rio de Janeiro ou outro estado cuja literatura tinha efervescência e por lá publicaram suas obras.

Displicentemente quando a literatura cearense é estudada nas nossas escolas em seu caráter regional, seu “estudo” se dá a partir de projetos e feiras onde a metodologia utilizada é de pesquisa autônoma, ou seja, na maioria das vezes, os alunos são encarregados de buscar informação aleatoriamente sem o monitoramento do professor para tirar dúvidas ou promover debates. Em outras palavras, quando a literatura cearense é trabalhada nas escolas é sempre descontextualizada do cenário nacional e levada apenas como literatura regional.

Portanto, restam-nos inúmeros questionamentos do tipo: por que valorizamos todo tipo de literatura menos aquelas que são produzidas por autores de nossa terra? Por que os escritores cearenses são mais valorizados por leitores de outros estados ou países do que por seus conterrâneos? Por que o descaso das escolas em trabalhar escritores regionais?

Para estes questionamentos temos inúmeros pressupostos, no entanto, sempre temos que levar em conta a questão cultural, a cultura globalizada, ou melhor: algo chamado mais-valia, que dita que devemos importar coisas, pois o que é importado é sempre melhor do que as coisas nacionais. Assim, a mídia e os meios de comunicações globais não focalizam muito a esfera nacional diga lá a regional! Sempre nos deparamos com músicas estrangeiras, filmes estrangeiros, produtos estrangeiros e uma vasta prateleira de livros de escritores, também, estrangeiros nas livrarias. Talvez essa valorização às coisas importadas venha de nosso berço cultural, quando os primeiros índios que tiveram contato com os colonizadores, através do escambo. Desde o princípio houve uma certa valorização pelo que vem de fora. E hoje, diante de toda a globalização há a idéia de que devemos importar cultura, roupas, enfim, praticamente tudo e exportar nossos alimentos e riquezas naturais. Mas este é um outro ponto, que não se faz pertinente para ser abordado, pelo menos por enquanto.
Não obstante, estes são questionamentos de suma importância, pois nos fazem refletir sobre nossa postura perante nossa própria cultura. A valorização cultural deve partir das pessoas que compartilham a mesma cultura, para que ela seja valorizada por terceiros. Mas como mudar o panorama contemporâneo sobre a literatura cearense? Pois como percebemos a mesma é desvalorizada pelos próprios cearenses e, de certa forma, nossa literatura vem arraigada de preconceitos, ou seja, conceitos pré-estabelecidos por pessoas que não lêem obras cearenses, ou que a partir de uma experiência ruim de leitura, generalizam todas as obras cearenses.

Esta concepção, este preconceito, esta desvalorização precisam mudar. Mas como mudar algo quando o lugar por excelência criado para debates desse teor também negligencia a importância da literatura cearense, que é o que ocorre nas faculdades presentes no Ceará, onde em muitas delas a disciplina de Literatura Cearense não passa de uma disciplina opcional? Quiçá o ‘x’ da questão esteja basicamente aí, pois se os professores nas academias não estudam literatura cearense, por conseguinte não são preparados para ensiná-la nas escolas. No entanto, esta questão ainda precisa ser vastamente debatida.

Portanto, compete a nós, cearenses, nos posicionarmos favoráveis a nossa literatura, pois em nosso estado existem muitos escritores bons que não são reconhecidos. O primeiro passo para fazer com que nossa literatura desponte é lê-la. Assim sendo, quantos livros de escritores cearenses você leu no ano passado? E nesse ano?

Que possamos, a partir de agora, parar para pensar por onde anda o ensino de literatura cearense nas nossas escolas do Ceará, já que a literatura cearense segue seu curso: anda, anda, anda, mas dificilmente pára em alguma escola para ser ensinada.

Camila Márcia Vasconcelos Ferreira-Aluna da cidade de Bela Cruz, cursa o 6º período do Curso de Letras – Habilitação em Língua Portuguesa da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA – Sobral

terça-feira, 10 de maio de 2011

Joan, um contador de histórias

A noite já vai invadindo a madrugada, tenho já que me deitar pra num ter sono na viagem que farei com a Fernanda prum repouso praieiro durante o feriado, mas antes quero lhe apresentar um conto do meu amigo, cumpadre, camarada e conterrâneo Joan, sertanejo, nascido do meio pro sul do Ceará, conhecedor do chão e da alma cearenses e estabelecido hoje mais ao norte, ali na cidade onde nasci. Joan tá de livro novo, O Plantador de Borboletas,muito bem falado pelo também amigo querido Gilvan Paiva, em seu blog, e foi lá que busquei essa belezura que lhe convido a ler.

O cavalo cego

A cidade acordou ocupada.
Ao amanhecer tudo estava em poder deles.
Duas éguas baias, postadas à frente da igreja, revistavam as mulheres que se dirigiam à missa, cobertas pelas mantilhas. Cheiravam-nas e levantavam as suas roupas, sem levar em conta os seus protestos.
Quando o carteiro chegou ao prédio dos correios encontrou um ruço de passo miúdo a abrir todas as cartas, e a ordem seca, ríspida, para que sentasse e esperasse.
O cabo Valfrido e os dois soldados foram trancados por um casal de tordilhos de crinas encrespadas, que ficaram examinando as poucas armas, enquanto uma água rosilha jovem, ancas largas, chegada depois, dirigia-se á cela dos fundos onde dois prisioneiros, pivôs de toda a situação, aguardavam assustados o interrogatório.
Às nove horas o líder entrou na casa do Major. Todos os viram passar, um grande corcel negro, os cegos olhos refletindo os azuis da manhã, guiado por duas potrancas brancas e escoltado por uma guarda de potros alazães. 
Não se sabe o que conversaram durante aquela interminável hora, mas quando partiram as mães tinham motivos para chorar pelas três décadas seguintes.

O Plantador de Borboletas- Joan Edesson de Oliveira

Joan Edesson de Oliveira
O Poeta Joan Edesson de Oliveira está de volta. Agora traz, em seu bornal poético-literário, um belíssimo livro de contos, diga-se de passagem, seu melhor livro. Chega apresentado por dois mestres cearenses da palavra: o renomado contista Pedro Salgueiro e a escritora Ana Miranda. Mas nem precisaria o peso simbólico dessa companhia tão ilustrada para confirmar o que as rodas literárias já sabem. Sua poesia é altiva e por isso, certamente, tem arrebatado sucessivas premiações por onde passa, em Festivais de Poesia.

Mas a novidade é que surge o contador de histórias, esta que é uma das principais marcas desse Professor intinerante, que desde que o conheci, aprendi admirar sua destreza e habilidade no manejo dos versos. Talvez suas andanças e sonhos, tenha lhe ensinado o ofício da colheita de histórias. Muitas dessas histórias são fantásticas, no sentido literário, bebidas na realidade e recriada com maestria e  inventividade. É provável que voce também encontre nessas páginas muitos autores conhecidos desse mundo fantástico.

Acho que Joan conseguiu unir duas paralelas que não se encontram com facilidade na literatura: poesia e narrativa. Isso faz uma diferença enorme. Os relatos ganham a leveza dos pássaros ou das borboletas, que na sua obra aprenderam o ofício do colecionador. Vi também nesses microcontos - arte para poucos - uma forte influencia do escritor moçambicano, Mia Couto, que tem se destacado pela beleza poética de sua narrativa, sustentada na história e na vida do seu povo. Que boa companhia, Joan encontrou!

Temos uma obra que será, tenho certeza, ainda muito festejada. Claro, isso tudo deverá começar quando Joan nos brindar com o lançamento do seu livro, ainda sem data. Não me contive, precisava contar isso para vocês. Por enquanto tive a satisfação de ler em primeira mão. Vocês terão a oportunidade, em breve, de confirmar como o Poeta melhorou sua forma de contar a história de seu chão com mais poesia. Vocês verão... 

Seminário Entre Memórias: Museus e Comunidades

Em comemoração à 9ª Semana Nacional dos Museus, o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC) - Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), por meio do Memorial da Cultura Cearense (MCC), realiza um encontro entre museus e comunidade, abrindo o diálogo com pesquisadores do campo da museologia social, gestores de museus, lideranças comunitárias, educadores e, especialmente, os jovens das comunidades próximas ao Dragão do Mar. 
 Foto: Marina Cavalcante
As experiências do Museu da Maré (RJ), Museu da Pessoa (SP) e Memorial da Cultura Cearense (MCC), as investigações e ações museológicas nos espaços urbanos, as pesquisas no campo da museologia social e a participação dos demais representantes dos museus e das comunidades serão os principais eixos norteadores do debate. 

Dia 19 | Auditório do Centro Dragão do Mar
08h
Coffebreak

08h30
Abertura e apresentação do projeto "Museu e Cidadania Cultural"
Isabel Fernandes (presidente do IACC), Valéria Laena (diretora dos museus do CDMAC), Márcia Bitu Moreno (gerente do MCC e coordenadora do Projeto Museu e Cidadania Cultural)

10h
Panorama Mundial da Sociomuseologia
Paula Assunção (Diretora do Mestrado Internacional de Museologia de Reinhardt, Holanda)

11h
Museu da Maré: Resistências e Memórias
Luiz Antonio de Oliveira (diretor do Museu da Maré - RJ)

14h
A Sociomuseologia: Tensões e Impasses
Paula Assunção (Diretora do Mestrado Internacional de Museologia de Reinhardt, Holanda)

15h
Filme "Museu da Maré: Memórias e (Re)Existências" e debate
Mediação: Luiz Antonio de Oliveira (Museu da Maré - RJ)

Dia 20 | Auditório do Centro Dragão do Mar

09h
Museus Comunitários e Ecomuseus: Experiências Brasileiras
Paula Assunção (Diretora do Mestrado Internacional de Museologia de Reinhardt, Holanda)

10h
Museu da Maré: Motivações, Re-significações e Gestão
Luiz Antônio Oliveira (Museu da Maré - RJ)

10h30
Tecnologia Social da Memória aplicado a Museus - utilização da metodologia de resgate através das histórias de vida
Sônia Helena Dória London (Gestora e Líder da área de Formação do Instituto Museu da Pessoa) . 

14h
Grupo de discussão – O que queremos preservar, o que queremos construir?
Plenária de discussão e avaliação. Mediação: Sônia Helena Dória London, Luiz Antonio de Oliveira e Paula Assunção

Serviços: Seminário Entre Memórias: Museus e Comunidades, dias 19 e 20 de maio, no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Inscrições gratuitas aqui ou pelo telefone (85)3488 8621, das 9h às 18h

Exposição Ambientes Tapeba


A partir do dia 12 de maio, o público do Museu do Ceará poderá conhecer mais sobre a cultura, a história, o território e os ambientes aquáticos do Povo Tapeba. Até o final de junho, duas exposições que fazem parte do acervo do Memorial Cacique Perna-de-Pau, localizado no Território Tapeba, em Caucaia, estarão disponíveis para visitação no Museu do Ceará. As exposições “Encantados das águas - os Mitos das Águas Presentes nas Histórias do Povo Tapeba" e Ambientes Aquáticos Tapeba - avifauna", que ficará aberta ao público durante dois meses.

As duas exposições são realizações do projeto Tribo das Águas – cuidando das águas e dos ambientes aquáticos Tapeba que recebe patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental. O objetivo das exposições é apresentar ao público os ambientes aquáticos do Território Tapeba em toda sua complexa teia de relações simbólicas, culturais e sociais.

Programação de Lançamento

12/05 (quinta-feira)
18h - Lançamento das exposições “Encantados das águas - os Mitos das Águas Presentes nas Histórias do Povo Tapeba" e “Ambientes Aquáticos Tapeba – avifauna".
19h – lançamento do livro “Aves do Território Tapeba”:
20h – apresentações culturais: Boi da Jandaiguaba e Dança Guerreira Tapeba
20:30h - coquetel de confraternização

Serviço
Data: 12 de maio de 2011
Local: Rua São Paulo, 51 – Centro - Fortaleza – CE Fone: (0xx85) 3101.2610 / Fax: (0xx85) 3101.2611.

 Fonte: Blog da Joanice Sampaio

Desfile na praia divulga artesãs do Ceará

Projeto quer promover destino turístico por meio de diferenciais como a identidade das peças produzidas por grupos locais

  A coleção Mundo Jeri  DIVULGAÇÃO / INÊS MATOS  
Da Agência Sebrae de Notícias

Uma das praias mais bonitas do Litoral Oeste do Ceará vai ser palco de um desfile de moda diferente. Jericoacoara, a 300 quilômetros de Fortaleza, promoverá na próxima segunda-feira (16) a apresentação oficial do resultado da capacitação de 20 de suas artesãs dentro do Projeto “Vivências”.

Mais que uma mostra de moda, o desfile vai exibir a coleção de roupas e acessórios com a nova identidade visual da produção artesanal da praia, que tem por base trabalhos em crochê. A ideia é que, a partir do trabalho de crocheteiras e costureiras da comunidade, em parceria com designers e consultores, sejam produzidas peças diferenciadas, para atender à demanda de quem visita o destino, classificado pelo Ministério do Turismo como um dos dez de referência do País.

A iniciativa integra o Projeto “Destinos referência em segmentos turísticos”, desenvolvido pelo Ministério em parceria com o Sebrae no Ceará e terá início nesta terça-feira (10) com consultorias, aulas e reuniões, nas quais as artesãs vão reviver suas tradições, resgatar suas raízes culturais, se aprimorar na técnica e descobrir o associativismo. Numa etapa anterior, os designers integrantes do projeto já realizaram o diagnóstico das peças.

Artesãs de Jericoacoara    Foto: Divulgação
Foco na competitividade

Esta é a segunda vez que a Praia de Jericoacoara é palco de iniciativa do gênero. A primeira foi realizada em 2008 e resultou na marca "Mundo Jeri-Cultura, Natureza e Magia". Um novo grupo de artesãs vai participar da vivência, que continua com o mesmo objetivo: dar identidade a uma nova coleção de produtos confeccionados pelas artesãs da praia.

O projeto Destinos Referência em Segmentos Turísticos tem como objetivo criar uma estratégia de governança local a partir do fortalecimento e aperfeiçoamento de segmentos de mercado. Procura envolver, de forma participativa, toda a cadeia produtiva e instituições relacionadas ao segmento escolhido por meio de prioridades e estratégias definidas e com foco na competitividade.

O conjunto de ações busca a participação efetiva dos representantes locais para fortalecer as entidades públicas e privadas, o “trade” e as organizações não governamentais. Os participantes da iniciativa querem formar um grupo gestor para assumir o papel de líder do processo e garantir a continuidade das ações na área do turismo, resultados mercadológicos e a sustentabilidade do destino.

Encontros com a arte da gravura

A partir de hoje, o artista plástico Eduardo Eloy ministrará a oficina Encontros de Gravura. Serão cinco dias de atividades, no Ateliê das Artes do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Eduardo eloy: o artista plástico, pintor e gravador, foi um dos fundadores do Instituto de Gravura do Ceará
FOTO: THIAGO GASPAR
Figuras feitas em madeira, pedra ou metal, com base em incisões, corrosões e talhos realizados com instrumentos e materiais variados. A gravura é o caminho do trabalho de muitos artistas cearenses.

O Ceará é um celeiro de grandes nomes nesse campo, a exemplo dos mestres da tradição popular e de artistas visuais como Aldemir Martins, Francisco de Almeida, José Tarcísio, Sebastião de Paula e Eduardo Eloy. Este último, nas palavras da crítica de arte Lisbeth Rebollo Gonçalves, "cria, com sua arte, um universo de formas simbólicas, onde a fantasia pessoal revela-se o mais diretamente possível, deixando vir à tona o que a consciência registra".

Projeto
O artista plástico compartilhará um pouco de sua experiência, a partir de hoje, na oficina Encontros de Gravura, no Ateliê das Artes do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC). As atividades, gratuitas e destinadas àqueles que trabalham com gravura, vão acontecer também nos dias 12, 24, 26 e 31 de maio, das 14 horas às 17h30.

Segundo Eduardo Eloy, a proposta da oficina é ampliar e promover a troca de conhecimentos entre os participantes através da arte da gravura. Além de permitir ao público uma orientação para seus trabalhos por meio de contato com outros artistas. Durante os encontros, serão desenvolvidas atividades relacionadas ao entalhe, entintamento e impressão - etapadas da produção gravurista.

Os interessados devem levar às aulas um kit de goivas e matrizes em MDF. "A intenção é proporcionar uma ação continuada a todos que trabalham ou conheçam a arte da gravura. Queremos reunir essa tribo, para que as pessoas possam se encontrar e intercambiar suas vivências, e discutir seu processo de trabalho. Não adianta a pessoa fazer um curso e estocar o conhecimento em casa. É necessário fortalecer a continuidade desse processo", explica Eduardo Eloy.

A oficina é resultado da parceria do Projeto Gravura Oficinas em Rede com o Núcleo de Ação Educativa do Museu de Arte Contemporânea (MAC) do Dragão do Mar. As inscrições devem ser realizadas através do e-mail educativomac@dragaodomar.org.br.

ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER

MAIS INFORMAÇÕES

Oficina Encontros de Gravura.
Hoje e nos dias 12, 24, 26 e 31 de maio, das 14 horas às 17h30, no Ateliê das Artes do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar 81, Praia de Iracema). Inscrições pelo email: educativomac@dragaodomar.org.br

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Caminhos da Serigrafia comemora 50 anos de carreira de Zé Tarcísio

A exposição acontece de 28 de abril a 28 de maio no Museu do Ceará 

Próximo de completar 50 anos de carreira artística, José Tarcísio Ramos, mais conhecido como Zé Tarcísio, apresenta em Caminhos da serigrafia uma releitura de sua obra, especialmente aquela das décadas de 1960-1970. A exposição que acontece de 28 de abril a 28 de maio no Museu do Ceará, é uma parceria da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará(Secult) e Associação de Amigos do Museu do Ceará. O pintor, gravador, escultor, cenógrafo, figurinista e colecionador cearense Zé Tarcísio nesta mostra expõe 15 desenhos em serigrafias. Alguns em tom memorialista, relembra cenas de suas idas e vindas à Canindé e Juazeiro do Norte na infância, acompanhado de sua madrinha, Dona Luisinha (Bibi). Além de oferecer uma releitura de sua obra, Zé Tarcísio apresenta uma série assinada e numerada, tendo como impressor o profissional Oswaldo Barbosa, que conta a história do saber serigráfico.
Na mostra, o artista apresenta, por meio da serigrafia, o auge do período “pop” e da “nova figuração brasileira” quando sua produção surge no panorama das artes plásticas nacional, com a exposição Círculos, inaugurada no XV Salão Nacional de Arte Moderna, no Rio de Janeiro (1966) e com grandes painéis na IX Bienal Internacional de São Paulo (1967), onde obteve o Prêmio de Aquisição Itamaraty. São desse período os desenhos em autocontraste, retratando o desespero dos anos de chumbo e o terror da tortura que se alastrava pelo Brasil.

Sobre o artista - Nascido em Fortaleza em 1941, Zé Tarcísio já expôs em mostras internacionais na Europa, EUA, outros países da América do Sul e várias capitais brasileiras. Em 1971, foi um dos representantes do Brasil na VII Bienal de Paris, França. Sua obra mais famosa é “Regando pedras”, escultura que conquistou o Prêmio XXIII Salão Nacional de Arte Moderna, em 1974, no Rio de Janeiro. Em 1976, a obra se transformou em selo, editado pela Empresa de Correios e Telégrafos.
O artista realizou seus primeiros trabalhos na década de 1960. Incentivado pelo pintor Antônio Bandeira. Entre as exposições de que participou, destacam-se: Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, várias edições entre 1966 e 1974 (neste Salão, conquistou os prêmios Isenção de Júri, 1972; prêmio viagem ao país, 1973; e prêmio viagem ao exterior, 1974); IX e XV Bienal Internacional de São Paulo, 1967 e 1979 (Prêmio Aquisição, 1967); VII Bienal de Paris, França, 1971; Arte/Brasil/Hoje: 50 Anos Depois, na Galeria Collectio, São Paulo, 1973; Panorama de Arte Atual Brasileira, no Museu de Arte Moderna, São Paulo, 1975; 30 Anos: Atividades Artísticas, no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 1990; e Síntese da Fase Ecológica de Zé Tarcísio, Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, 1992.

Serviço:
Exposição: Caminhos da serigrafia
Artista plástico: Zé Tarcísio
Local: Museu do Ceará (Rua são Paulo, 51, Centro)
Período: 28 de abril a 28 de maio.
Oficinas com o artista: Agendadas para o dia da abertura, com alunos da rede pública de Fortaleza.

 Fonte: Secult-Ce

Contos que cortam

O médico Jesus Irajacy Costa lança, amanhã, seu livro "Contos farpados", no qual aborda temas que vão desde a morte ao amor lírico

Logo na primeira página o leitor é apresentado a um personagem: "Mariano Salgado colecionava preciosa variedade de conchas e búzios. Muitas vezes perdia-se nos cálculos, mesmo conferindo cada peça vagarosamente; dizia ter pouco mais de oito centenas. Talvez esse número fosse até onde soubesse contar. (...) O velho tinha como companhia as sombras dos coqueiros. Não se sabiam notícias de seus parentes e amigos. Falava-se que fora o único a escapar da febre desconhecida, que abateu todos os moradores da região, inclusive os pais e três irmãos, há sete décadas". O trecho, retirado de "O colecionador de búzios", incluído na coletânea "Contos farpados", do médico e escritor Jesus Irajacy Costa, mostra o sofrimento e a rudeza que unem os personagens presentes no livro. A publicação será lançada, amanhã, às 19h30, no Centro Cultural Oboé.

Segundo Jesus, não há um cenário único para as histórias, que se passam tanto em cidades como no campo, no litoral ou na serra. O conto mais longo, "Dunas", destaca o autor, dialoga discretamente com "Crônica de uma Morte Anunciada", livro de Gabriel García Márquez publicado em 1981. "Há muita violência, morte. Há uma semelhança com a obra de Márquez, mas quase não se percebe", diz.

O fato de haver sofrimento ligando quase todos os personagens, explica Jesus, pode ter relação com seu cotidiano de médico. "Os estudantes de Medicina, muito cedo, têm aulas com cadáveres. Logo precisam encarar a morte e o sofrimento dos pacientes. Eu ficava imaginando como seria a vida daquelas pessoas. Acho que a inspiração vem muito daí, dessa vivência", lembra Jesus. "Sangramentos, ferimentos são coisas que estão presentes em quase todas as histórias do livro".

O único que destoa é "Ondas", que trata de amor. "No texto é possível perceber muito lirismo, romantismo, fantasia", resume o escritor.

Alguns contos da obra já haviam sido premiados e publicados em antologias, revistas e suplementos. Outros são inéditos. A apresentação é feita pela escritora Ângela Gutierrez. O prefácio é do também médico e escritor Fernando Siqueira Pinheiro, para quem "os contos de Jesus Irajacy Costa mesclam tradição e modernidade; suas histórias são contadas com ritmo, tensão e concisão adequada". Já o posfácio é assinado pelo poeta Pedro Henrique Saraiva Leão, presidente da Academia Cearense de Letras e membro da Academia Cearense de Medicina. "Realmente, são contos farpados, pois ferem e deixam vergões na mente de quem os lê. De tão bem celebrados são sinceros, e o leitor fica acreditando na sinceridade do autor", escreveu Saraiva Leão.

Para a escritora Tércia Montenegro, "estes contos são farpados mesmo, porque ferem, laceram o comodismo. Falam de vidas espinhosas, com personagens sofridos - e há ainda as arestas, os ângulos impressentidos, as reviravoltas de enredo. Mas, acima de tudo, há o estético de uma linguagem limpa, que vigorosamente desabrocha nas narrativas de Jesus Irajacy". Já para o escritor Pedro Salgueiro, "relatos instigantes e bem contados, de temática e ambientação variadas, vão desfilando pelas páginas deste livro que promete ser apenas o início de uma vitoriosa e longa trajetória literária. Talento, trabalho e acuidade verbal não faltam ao autor".

Por sua vez, o escritor Carlos Vazconcelos afirma que "em ´Contos farpados´ o leitor encontra relatos de mar e terra, urbe e sertão, mas o principal foco das narrativas de Jesus Irajacy é o território ignoto das perplexidades humanas, em que as ondas podem ser avassaladoras e atmosfera sombria. A escrita é clara, o estilo é direto, mas, cá entre nós, os personagens ocultam estranhas intenções".

Médico das letras
Contos farpados
Jesus Irajacy Costa
Expressão gráfica, 2011,  159 páginas
R$ 20,00


O autor
O escritor, médico e professor Jesus Irajacy Costa, de 47 anos, nasceu em Fortaleza. É radiologista, formado pela Universidade do Ceará (UFC), de onde é professor do Departamento de Medicina Clínica, é também membro da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e da Associação Cearense dos Escritores (ACE).

Autor premiado, conquistou o Prêmio Nacional do Encontro Científico dos Estudantes de Medicina, na categoria poesia, em 1986; o Prêmio Eduardo Campos, da Associação Cearense dos Escritores, na categoria contos, em 2008; o XI Prêmio de Literatura Ideal Clube Fran Martins, com um conto, em 2008; e o I Prêmio de Literatura Iate Clube Gerardo Mello Mourão, em 2009.

MAIS INFORMAÇÕES
Lançamento do livro "Contos farpados", de Jesus Irajacy Costa, amanhã, 19h30, no Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota). Contato: (85) 3264.70.38

A crítica e a dança

O pesquisador e crítico de dança Joubert Arrais conduz, de amanhã até sexta-feira, o curso "Coreografias nordestinas - Obras e contextos", no CCBNB

Estimular o olhar crítico e estético para obras coreográficas, produzidas no contexto do Nordeste brasileiro, é o intuito do curso "Coreografias nordestinas", que será ministrado pelo pesquisador e crítico de dança cearense Joubert Arrais, de amanhã até sexta-feira no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB), de Fortaleza.

Uma fotomontagem produzida por Joubert Arrais. Tratam-se de imagens de alguns dos espetáculos realizados com a participação do pesquisador cearense e crítico de dança
FOTOS:PAULO A MOREIRA/ DIMENTI/ BRENO CÉSAR (FRAME DE VÍDEO)
Durante quatro dias, o pesquisador irá compartilhar com o grupo de participantes a sua pesquisa intitulada "Coreografias nordestinas - Algumas escritas estéticas e críticas sobre a contemporaneidade de uma produção artística de dança no Nordeste", desenvolvida entre 2008 e 2009, com o apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte), do Ministério da Cultura (Minc). Na época, Arrais foi o representante do Nordeste, contemplado com a bolsa-pesquisa.

"Essa é a primeira conversa que estou tendo com o público sobre a experiência que tive com o projeto da Funarte. Isso vai me possibilitar a organizar o material que tenho e que, futuramente, será transformado em livro. É uma forma de pensar a obra coreográfica e seu rico processo. Quero estimular as pessoas a desenvolverem suas próprias hipóteses", explica Joubert Arrais.

Metodologia
Segundo Arrais, o curso contará com dois momentos específicos, a apreciação de obras e o estudo crítico. No primeiro deles, serão utilizados recursos como projeção de registros em vídeo de alguns trabalhos.

No segundo, acontecerá um estudo crítico com breve diálogo sobre os trabalhos em questão, afim de perceber as primeiras impressões dos participantes, enfatizando aquilo que foi visto. Na sequência, haverá uma troca de ideias sobre o processo de produção das obras e as possibilidades criativas que delas emergem.

Ao final de cada dia de curso, todos os participantes serão convidados a fazer leitura pública ou comentário escrito, com textos seus e de outros críticos/jornalistas sobre as obras em apreciação, que foram publicados na mídia imprensa e na internet.

O crítico diz que a dança contemporânea evidencia o poder de conhecimento do corpo
Dança Contemporânea
Para o pesquisador, a dança contemporânea não é um mero estilo artístico, ela é algo que vai mais além. Complexa em seu sentido, uma vez que produz conhecimento. "A dança contemporânea evidencia o poder de produção de conhecimento pelo corpo. Ela é um acontecimento corporal. Possui um comprometimento epistemológico", diz.

O crítico acredita que cada produção de dança contemporânea tem uma singularidade pelo que discute como questão e pelo modo como se relaciona com o tempo presente.

"Uma obra artística é, pois, um fato. Uma vez produzida, tornada pública, é algo irrevogável, cuja factualidade demarca um tempo. Nesse movimento, a dança como coreografia está conectada a uma história não apenas de nomes próprios, nem de mera sequência de passos, tampouco trajetória linear e fixa. Trata-se de uma história dinâmica de confrontos e continuidades", analisa o crítico.

Curso
São essas as questões que serão apresentadas e discutidas ao longo do curso "Coreografias nordestinas - obras e contextos". O curso está alicerçado numa investigação sobre dança contemporânea na região do Nordeste brasileiro, e atualmente em caráter independente, inscrevendo-se como produção crítica em dança. "Para tanto, estrutura-se em torno da mesma questão: qual a contemporaneidade de uma dança contemporânea num contexto tido comumente como regional?", indaga-se o pesquisador.

Durante a realização do curso no centro cultural, quatro obras coreográficas serão analisadas: "Os tempos", da Companhia de Arte Andanças (Fortaleza, 2008); "Corpo-massa: pele e ossos", da Companhia Etc. (Recife, 2007); "O poste, a mulher e o bambu", do Grupo Dimenti (Salvador, 2006); e "Bull dancing - urro de omi boi", do Núcleo Dirceu (Teresina, em 2006).

Os quatro trabalhos são configurações de dança onde há cumplicidade dos processos de criação com as possibilidades de existência artística, por meio de políticas de apoio e outros modos de organização cênica e artística. São sintomáticos. "Os tempos" fala dos afetos que emergem das possibilidades de encontro e do estar juntos. "Corpo-massa: pele e ossos" questiona o estatuto estético do corpo humano, numa busca por outros modos de se organizar politicamente.

"O poste, a mulher e o bambu" faz do riso irônico a estratégia cênica para desestabilizar identidades midiáticas. "Bull dancing - urro de omi boi" discute a violência e o estrangeiro a partir da Dança do Boi.


FIQUE POR DENTRO
Trajetória
Joubert Arrais é artista pesquisador e crítico de dança. Mestre em Dança pelo Programa de Pós-graduação em Dança, da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e bacharel em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com formação artística pelo Centro em Movimento (CEM) em Lisboa, Portugal. Foi bolsista de Produção Crítica em Dança 2008/2009 (Funarte/MinC). Em 2008, participou do II Workshop para Jovens Críticos da Transdisciplinary European Arts Magazines - Team Network & Alkantara Festival/Portugal. Atualmente coordena o comitê temático Produção de Discurso Crítico sobre Dança, da Associação Nacional de Pesquisadores em Dança - Anda (Gestão 2011/2012).


MAIS INFORMAÇÕES

Curso "Coreografias nordestinas - obras e contextos", com o pesquisador e crítico de dança Joubert Arrais. No Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza, de amanhã até sexta-feira, das 14 horas às 17 horas. Gratuito. Rua Floriano Peixoto, 941, Centro. Contato: (85) 3464.3108.

domingo, 8 de maio de 2011

Artes diversas encontram-se no resgate do cordel

A Lira Nordestina, seleiro de cordelistas, agora é palco de bonequeiros e artistas que dão vida aos cordéis

Juazeiro do Norte. As múltiplas linguagens da literatura de cordel e da xilogravura entrelaçadas com os mamulengos e o teatro de sombras. Um casamento que tem dado certo com pesquisadoras que buscaram diálogo entre estas artes para desenvolver o Projeto Movimento e Voz em Cordel. O trabalho não poderia ser realizado em terreno mais fértil: a Lira Nordestina, nesta cidade, celeiro dos grandes poetas populares, desde meados dos anos 20 do século passado. Entre eles, o que deu o nome a Lira, o poeta Antônio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré. Serão três meses para concluir o projeto, em execução, agora, com os cursos de teatro de sombras e mamulengos para os dez participantes.
Artista plástica, Amanda Senna, decidiu fundir as múltiplas linguagens da arte, como mamulengos e teatro de sombras, junto com o cordel e a xilogravura
FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS
A velha Tipografia Silva, criada por José Bernardo da Silva, ainda hoje resiste e oferece condições de inspiração para novos projetos. O grande desafio da pesquisadora e idealizadora, Amanda Senna, que também é artista plástica, foi fundir as artes. O trabalho envolve a música, dramaturgia, artes plásticas, a dança e a escrita. Essa fusão dentro de uma dinâmica estética, proporciona um diálogo permanente, revelando a riqueza da literatura popular.

Ela veio do Estado de Pernambuco. Tem no mamulengo uma inspiração particular, de casa mesmo. No Rio de Janeiro teve contato com o grupo Carroças e Mamulengos, formado por artistas de Juazeiro que circulam o País com o teatro de bonecos. Desse ponto, ficou bem perto de chegar a Juazeiro. E veio à terra do Padre Cícero, onde conheceu e se identificou com a Lira Nordestina e os cordéis.

Mas o que proporcionou o desenvolvimento do trabalho foi por a Lira ser, desde 2005, um Ponto de Cultura, do Ministério da Cultura. O Projeto Movimento e Voz em Cordel segue essa trajetória de diálogo permanente com a estética da xilo e do cordel. "Estava envolvida com os bonecos no Rio de Janeiro e tive a oportunidade de fazer a escolha do lugar para desenvolver o trabalho", diz ela, ao optar por Juazeiro e poder ter a oportunidade de realizar o seu projeto de residência artística e interação estética em um Ponto de Cultura.

Entre os alunos do curso estão professores, crianças, artistas. O grupo é diferenciado, mas o processo de aprendizado e ensino também tem sido motivador, segundo a dançarina e atriz, Juliana Falcão, que faz parte do grupo, e também conta com a colaboração do estudante de Ciências Sociais, da Universidade Federal de Pernambuco, Pedro Moura. Ele é o produtor, um faz de tudo, como ele mesmo se denomina, com cuidados desde o acompanhamento do blog à elaboração de material.

A fase inicial de pesquisa e familiaridade com o velho maquinário da Lira, instituição atualmente com coordenação da professora Anna Christina Carvalho, começou em fevereiro deste ano. A primeira fase teve início com a pesquisa em cordel e conhecimento do Ponto de Cultura.

O segundo passo reunir o grupo de alunos para vivenciar a nova linguagem. As pesquisadoras foram em mais de 60 salas de aula do Município, no intuito de tentar reunir alunos para participar do cursos de teatro de sombras e mamulengos por três meses. Não deu para esperar a decisão dos meninos. Então ficou um grupo misto, inclusive com alunos do Curso de Artes Visuais e Teatro da Urca.

O terceiro passo veio com as vivências, que serão finalizadas com o grande espetáculo, no qual as pesquisadores pretendem fazer uma homenagem aos 100 anos de Juazeiro, com apresentação em praça pública.

O projeto tem o reconhecimento da Fundação Nacional da Arte (Funarte), Secretaria da Cidadania e Ministério da Cultura, por meio do Governo Federal, que são os órgãos fomentadores e financiadores dos trabalhos. As oficinas foram iniciadas no mês de abril.

As histórias dos cordéis, escolhidas pelos próprios alunos, estão sendo utilizadas nas construções dramáticas. Histórias poéticas, no tom das rimas, mas com falas bem ensaiadas, voz e corpo trabalhados.

"Eles (os alunos) estão gostando muito desse trabalho, achando diferente e interessante com o que tem aqui", diz Juliana Falcão. A aluna Bárbara Leite diz que sua experiência tem sido interessante. "Isso tudo pode resultar numa construção diferenciada", prevê.


Iniciativa
"Acho importante essa junção. Os alunos estão gostando muito, achando diferente e interessante"
Juliana Falcão, atriz e dançarina.


MAIS INFORMAÇÕES
Gráfica Lira Nordestina
Avenida Castelo Branco, 150
Romeirão - Juazeiro do Norte (CE)
Telefone: (88) 3102.1150

A Gráfica lira Nordestina ainda abriga o velho maquinário antigo e recebe constantemente pesquisadores de todo o País
FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS
HISTÓRIA

Apesar de danificada, Lira Nordestina inspira autores
As histórias da Lira Nordestina e da Literatura de Cordel no Brasil se confundem e são pura rima

Juazeiro do Norte. Os versos populares e o traçado das xilogravuras são para um dos maiores nomes da xilo e do cordel, o artista Stênio Diniz, a linguagem universal brasileira. Essa ampla e rica abertura que o cordel permite, diz Stênio, é o reconhecimento das raízes populares e a valorização das múltiplas utilidades do cordel. Ele cita a função social e a riqueza artística como marcas próprias, demonstrando o encanto da literatura dos folhetos.

Para Amanda, a xilogravura oferece a possibilidade de inspiração plástica, dentro de uma visão estética. No cordel está a dramaturgia, com propriedades distintas para dar vida e movimento aos bonecos. A artista plástica reconhece o potencial da Lira Nordestina, que está ligada à Universidade Regional do Cariri (Urca), por meio de Pró-reitoria de Extensão, por ter ainda muito o que oferecer. Mas a maior parte do acervo de cordéis que vem sendo pesquisado é por meio do Projeto Sesc Cordel, que reúne uma coleção considerável dos folhetos. Mesmo com toda a história da Lira, o acervo da gráfica está danificado e sem diversidade. Grande parte dele, segundo Amanda, não se encontra mais no local.

A Lira dos poetas populares ainda inspira pesquisadores na atualidade. A importância histórica da gráfica faz com que o próprio local onde estão guardados os maquinários e os móveis antigos se destaque, com o nostálgico romantismo das rimas.

Para Amanda, é um espaço raro, onde os estudantes estão recebendo inclusive noções de utilização de algumas das máquinas para produzirem o material do curso. Como não poderia ser diferente, o próprio local serve de inspiração para as rimas ensaiadas, no ritmo dramático e nas sombras da tela de pano dos alunos.

Histórico
A história da Lira Nordestina se confunde com a história da Literatura de Cordel no Brasil. Começou com o romeiro alagoano José Bernardo da Silva, que em 1926 se dirigiu para Juazeiro do Norte. Foi direto pedir a bênção ao "Padim". Em seguida, iniciou suas atividades. Em 1932, adquiriu as máquinas tipográficas e lançou a Tipografia Silva, que depois passou a ser Tipografia São Francisco. O nome Lira já veio após a sua morte.

A compra dos direitos de publicação, no fim dos anos 40, dos maiores poetas de cordel do Brasil, Leandro Gomes de Barros e João Martins de Athayde, foi a realização de um grande sonho para José Bernardo da Silva. A Tipografia São Francisco vive o seu auge, como a mais importante do Brasil. As dificuldades começaram no fim dos anos 60. Em 1988, o Governo do Estado comprou a Tipografia São Francisco, que está sob a coordenação da Urca.

Elizângela Santos
Repórter

Ler: a arte do deleite

O realismo fantástico e realismo cotidiano continuam encantando crianças  e jovens. No Brasil, editoras criam selos específicos para esse público ávido por leitura

Ávidos por leitura e consumidores contumazes de livros, crianças e jovens se intercalam entre escritores clássicos e modernos
Foi-se o tempo em que a literatura destinada a crianças e jovens era tida como gênero secundário, relegada ao status de brinquedo ou utilizada como entretenimento.

Hoje, as principais editoras do Brasil e do mundo investem pesado nesse segmento que tem capacidade para resignificar toda uma vida.

O que se lê na infância dificilmente se esquece na vida adulta. E, provavelmente, algumas leituras consumidas na juventude são capazes de formar ideologias e expandir a visões de mundo, que o diga Sherazade, personagem principal dos clássicos contos árabes “Mil e Uma Noites”, que, com seu fio condutor para ligar histórias, resumiu o sentido da literatura: “A liberdade se conquista com o exercício da criatividade”.


A arte de contar e ouvir histórias advém das origens da humanidade. Mas é somente a partir do século XVII que a literatura infantil/juvenil se constitui como gênero.

Entre realizadores-protagonistas dessa longa trajetória, que perpassa Grécia Antiga, Classicismo, Romantismo e Pré-Modernismo, temos nomes emblemáticos: Esopo (620 a.C.), Charles Perrault (1628 - 1703), La Fontaine (1621 - 1695), Irmãos Grimm: Jacob e Wilhelm (1785 e 1863) e Hans Christian Andersen (1805 - 1875).

Aportando na contemporaneidade, aqui no Brasil, também temos espetaculares escritores que dedicaram sua arte à literatura infanto-juvenil, e mudaram, e continuam transformando, o rumo de muita gente boa com suas histórias fantásticas, realísticas e mirabolantes. Entre os notáveis, podemos citar Monteiro Lobato (1882 - 1948), Olavo Bilac (1865-1918), Ziraldo, Ana Maria Machado, Ruth Rocha, Adriana Falcão, Lygia Bojunga, dentre outros autores.

E quem pensa que esse segmento é brincadeira, está redondamente enganado. A saber, as maiores editoras do País investem sério nesse filão.

Nicho
Enumerando algumas, temos a Editora Abril, que publica material da Disney; a Conrad, que edita diversos mangás e detém os direitos dos autores Terry Pratchett (série Disk World) e Neil Gailman (Sandman); a Ediouro, que nos anos 60, 70 e 80, adotou a linha editorial juvenil e reuniu tradutores famosos, entre eles, Carlos Heitor Cony, Clarice Lispector e Paulo Mendes Campos; Editora Geração, que detém os direitos de Diana WynneJones; Editora Pallas, que investe em livros infantis com temáticas afro; Editora Rocco, que perdeu os direitos dos livros de Paulo Coelho, mas ganhou os de Harry Potter. A Rocco, que também é responsável pelos livros de Thalita Rebouças, criou um selo específico para o gênero, o Rocco Jovens Leitores, pelo qual publica, dentre outros, R.L. Stine e Eva Ibotson.

Outra grande editora, a Companhia das Letras, que detém os direitos da série “Desventuras em Série”, de Lemony Snicket, também criou selo exclusivo para literatura infanto-juvenil: o Companhia das Letrinhas.

Seguindo essa linha, a Editora Record criou três selos destinados à literatura jovem: Galera, Galera Record e Galerinha Record. De acordo com a responsável pelos selos, Ana Lima, desde 2007, a Record percebeu o desenvolvimento acelerado do gênero infanto-juvenil, e decidiu ampliar a brincadeira.

“Hoje lançamos cerca de seis títulos por mês e também temos uma comunicação forte com o leitor pelo site da editora, Twitter, Facebook, pelas mídias sociais de modo geral”, diz Ana. E continua: “Desde o começo, o selo se preocupou em ouvir o leitor, suas dicas, elogios, reclamações. Fomos uma das primeiras a abrir esse canal de forma ostensiva”.

A editora também ressalta nomes de escritores nacionais e internacionais publicados pelo selo Galera, como Meg Cabot e Graciliano Ramos. “Esses jovens são ávidos leitores e consomem livros muito rápido. Eles têm grandes chances de perpetuarem o hábito, transitando para outros gêneros”.

NATERCIA ROCHA
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste