sábado, 16 de abril de 2011

Cearense

Cearense não acompanha casal de namorados, segura vela!
Cearense não anda com pressa, anda avexado!
Cearense não anda em grupo, anda de magote!
Cearense não aperta botão, aperta biloto!
Cearense não aperta, arroxa!
Cearense não bate, senta a mãozada no peduvido!
Cearense não bebe um drink, toma umas!
Cearense não bebe, toma um celular!
Cearense não briga, risca a faca e faz o maior salseiro!
Cearense não casa, se amanceba!
Cearense não cochila, tira uma pestana!
Cearense não comete gafe, comete rata!
Cearense não conserta, imenda!
Cearense não corre, mete o pé na carreira!
Cearense não dá bronca, dá carão!
Cearense não dá liberdade, dá cabimento!
Cearense não dá risada, se abre!
Cearense não dá volta, arrudeia!
Cearense não desce da montaria, ele apêia!
Cearense não desiste, pede pinico!
Cearense não da soco, da tebefe!
Cearense não é alto, é varapau!
Cearense não é caloteiro, é xexeiro!
Cearense não é chato, é carniça!
Cearense não é desajeitado, é malamanhado!
Cearense não é desastrado, é atoleimado!
Cearense não é desorientado, é ariado!
Cearense não é distraído, é apombaiado!
Cearense não é escandaloso, é presepeiro!
Cearense não é esperto, é desenrolado!
Cearense não é exibida, é espilicute!
Cearense não é mal educado, é mundiça!
Cearense não é malandro, é malaca!
Cearense não é medroso, é froxo!
Cearense não é metido, é esticado!
Cearense não é mulherengo, é raparigueiro!
Cearense não é rico, é estribado!
Cearense não é sem futuro, é fulerage!
Cearense não é sortudo, é cagado!
Cearense não enche a paciência dos outros, ele aperreia!
Cearense não entra no carro da polícia, entra no camburão!
Cearense não entra, emburaca!
Cearense não espera um minuto, espera um pedacinho!
Cearense não estoura, pipoca!
Cearense não exagera, alopra!
Cearense não faz barulho, faz zuada!
Cearense não faz careta, faz mungango!
Cearense não faz fofoca, faz fuxico!
Cearense não faz vistoria, faz baculejo!
Cearense não fica apaixonado, arrêia os quatro pneus!
Cearense não fica bêbado, fica cheio dos paus!
Cearense não fica com raiva, fica puto!
Cearense não fica com vergonha, fica encabulado!
Cearense não fica de mau humor, fica de lundu!
Cearense não fica fraco, fica baqueado!
Cearense não fica grávida, fica buxuda!
Cearense não é maluco, é abirobado!
Cearense não fica menstruada, fica de bode!
Cearense não fica se dinheiro, fica lascado!
Cearense não fica sem graça, fica distrenado!
Cearense não fica solteiro, fica solto na bagaceira!
Cearense não fica solteirona, fica vitalina!
Cearense não fica torto, fica engembrado!
Cearense não fica triste, fica mufino!
Cearense não joga fora, rebola no mato!
Cearense não lancha, merenda!
Cearense não leva surra, leva pisa!
Cearense não dá porrada nos outros, dá sabacú!
Cearense não malha os outros, ele manga!
Cearense não mergulha, dá umas tainha!
Cearense não morre, bate a caçuleta!
Cearense não namora, fica enrabichado!
Cearense não opina, dá pitaco!
Cearense não percebe, dá fé!
Cearense não pula, dá pinote!
Cearense não quebra, tora!
Cearense não rega as plantas, agôa!
Cearense não sai correndo, sai desembestado!
Cearense não sai apressado, tira os calços e sai avexado!
Cearense não sai pra balada, sai pras comédias!
Cearense não sai pra farra, sai pra bagaceira!
Cearense não se arruma, se empiriquita!
Cearense não se dá mal, se lasca todin!
Cearense não se diverte, bota pra muêr!
Cearense não se engana, vacila!
Cearense não sente mal estar, sente gastura!
Cearense não tem caxumba, tem papeira!
Cearense não tem criança pequena, tem bruguelo!
Cearense não toma água com açúcar, bebe uma garapa!
Cearense não vai embora, pega o beco e pica a mula!
Cearense não vê assombração, vê visage!
Cearense não vigia, pastóra!
Cearense o não tem perna fina, tem cambito!


EITA QUE ORGULHO DANADO DE SER CEARENSE!
 

Semana Cultural 2003 - No Ceará é Assim

Semana Cultural 2003 do colégio Manuel da Silva - Homenagem feita aos 400 anos do Ceará pela turma do 2º ano - No Ceará é assim, quadro que mostra um pouco das músicas, danças e costumes mais tradicionais e folclóricas do Ceará, destacando alguns personagens como Lampião, Maria Bonita, o vaqueiro, a rendeira, os cangaceiros, o pescador, o jangadeiro, as apanhadoras de algodão e os ritmistas. Um show embalado ao som de Luís Gonzaga, rei do Baião, uma apresentação de emocionar qualquer pessoa.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Lançamento do III Festival Nacional de Humor de Maranguape

Criado em 2009, a programação oficial do evento acontecerá entre os dias 19 e 21 de maio

Aconteceu  terça-feira, 12, a abertura do III Festival Nacional de Humor de Maranguape, no Teatro Municipal da cidade. Criado em 2009, a programação oficial do evento acontecerá entre os dias 19 e 21 de maio.

O lançamento do Festival contou com a exibição de filmes, às 9h e às 15h, pelo CineSesc Volante, e às 20h, com a apresentação do grupo Tambores de Aratanha, de Pacatuba. Além disso, a ocasião foi marcada por shows de humor com Tom Leite, Rapadura, Dona Franquinha, Bagaceira e Coloral e Neurlândio.

Dentre as atividades promovidas pelo Festival, como palestras, oficinas e apresentações de humor pela cidade, destaca-se a Mostra Competitiva, que dará troféus e prêmios em dinheiro aos três primeiros colocados, sendo R$ 5 mil ao primeiro lugar e R$ 3 mil e R$ 2 mil, para o segundo e terceiro colocados, respectivamente. As inscrições podem ser feitas no site do evento.

Criado em homenagem a Chico Anysio, nascido em Maranguape, o evento terá apresentação de humoristas renomados e amadores de diversos estados brasileiros.

Serviço

Lançamento do III Festival Nacional de Humor de Maranguape
Outras info.: (85) 3369.9188

Fonte: O Povo
Confira II Festival de Humor



Acesse: III Festival Nacional de Humor de Maranguape

Chico Anysio – 80 anos, 15 filmes

Um dos maiores cearenses faz 80 anos.  Inigualável na arte de fazer rir com sua galeria de personagens marcantes, Chico Anyo recebe a saudação de toda a imprensa do País e dos cearenses. A televisão foi a sua principal casa de espetáculos, seguida do teatro. Levado pela curiosidade, constato que o grande Chico escreveu 18 enredos de filmes, só participou de 15, sendo um deles emprestando a voz ao velhinho Carl Fridicksen, de Up! Altas Aventuras


Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho – de Maranguape desde 12 de abril de 1931. Humorista, escritor, pintor e… cearense da gema. Começou na extinta TV Ceará e está na Rede Globo há 43 anos. Grande como Chico, só o seu humor único, refinado e criativo.

Tive o privilégio de cumprimentar Chico, uma única vez. Convidado para a pré-estréia de Tieta do Agreste, em Salvador, onde foi rodado sob a direção de Cacá Diegues, após a sessão, generosamente, em meio aos cumprimentos de dezenas de espectadores, ressaltou a satisfação em ter ali a presença de um conterrâneo conferindo o filme.


Apesar da longa carreira na televisão, Chico tem poucos filmes em seu currículo, apesar de ter escrito 18 chanchadas. Mas, nem por isso devemos lamentar, pois durante esse tempo ele estava ocupado em criar sua genial galeria de personagens tão imortais quanto ele. Mesmo assim, não dá para esquecer o Zé Esteves, pai de Tieta, no filme de Cacá Dieques, e especialmente a voz que emprestou, com sutileza e amoção, ao velhinho Carl Fridicksen, aquele filosófico e notável personagem de Up! Altas Aventuras, o qual passa a vida toda esperando pelos sonhos e somente na velhice passa a concretizá-los.
Chico, ao contrário  de Carl, passou toda a sua existência concedendo vida a personagens que expressam o Brasil e arrancam risos de toda a nação. Através deles Chico se engrandeceu ao ofertar um dos maiores bens da existência: a arte de fazer rir os semelhantes. Obrigado Chico, e parabéns pelos 80 anos.
Confira a filmografia do mago das caras.
1955 – O Primo do Cangaceiro, Mário Brasini (também co-autor do argumento)
1959 – Eu Sou o Tal, de Eurípedes Ramos e Hélio Barroso
1959 – Entrei de Gaiato, de J. B. Tanko (co-autor do roteiro)
1959 – Mulheres à Vista, de J. B. Tanko (co-autor do roteiro)
1960 – O Palhaço o que É?, de Carlos Manga
1960 – Cacareco vem Aí, de Carlos Manga (co-autor do roteiro)
1960 – Pequeno por Fora, de Aloísio Y. de Carvalho (autor do roteiro)
1971 – O Doce Esporte do Sexo, de Zelito Viana (co-aur do roteiro)
1987 – Tanga – Deu no The New York Times, de Henfil
1996 – Tieta do Agreste, de Carlos Diegues
2009 – Se eu Fosse Você 2, de Daniel Filho
2009 – Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Micael Langer, Calvito Leal e Cládio Manuel
2009 – Up! Altas Aventuras (EUA), de Pete Docter e Bob Peterson (voz do personagem Carl Fredicksen)
2010 – Uma Professorinha Muito Maluquinha, de André Alves Pinto e César Rodrigues
Confira o engraçadíssimo treiler de um dos primeiros filmes de Chico, Cacareco Vem Aí. Em cena Sonia Mamede, Chico e o inesquecível Oscarito.





Fonte: Blog de Cinema-Diário do Nordeste

TV Jangadeiro lança Site Memórias, Videos e Artigos - 285 Anos de Fortaleza


Confira: aqui

Fortaleza: Uma história de vida e movimento

Em visita a Fortaleza durante uma expedição científica pelo Brasil, o casal Luois e Elizabeth Agassiz relatou da seguinte forma a cidade: “Sente-se aqui movimento, vida e prosperidade”. Isso foi em 1866, conforme registro da Revista do Instituto Histórico do Ceará. O olhar estrangeiro reconheceu na capital cearense um ambiente criativo e salutar justamente no momento em que Fortaleza se transforma num dos principais centros urbanos do país, com o crescimento das exportações de algodão. Nesses 285 anos de vida, podemos dizer que a década de 60 do século XIX foi o ponto de afirmação de um estado de espírito que marcou Fortaleza e o Ceará: uma inquietude alegre, o anseio de ser moderno, não apenas fisicamente, mas um centro de efervescência política e intelectual.
Rua Guilherme Rocha (Foto: Arquivo Nirez)
Nesse período, figuras proeminentes se destacavam nacionalmente em diversas áreas. Na política, o Partido Liberal foi conduzido por nomes como Martiniano de Alencar, Thomaz Pompeu (o futuro senador Pompeu), Nogueira Accioly e Vicente Alves de Paula Pessoa. Já o Partido Conservador contava com líderes como Antônio Rodrigues Ferreira (o boticário que deu nome à Praça do Ferreira), o senador Fernandes Vieira e os barões de Ibiapaba e Aquiraz.
A cidade também era retratada, com críticas e elogios, em artigos e obras literárias de Oliveira Paiva, José de Alencar, Adolfo Caminha e Antonio Sales, que abordavam temas como urbanização, modernidade, filosofia, moda e comportamento. A pujança criativa culminou na criação da Padaria Espiritual em 1892, movimento literário que antecipou diversos pontos da Semana de Arte Moderna, de 1922.

A imprensa igualmente fazia refletir essa multiplicidade de posições, com publicações de linha editorial conflitantes. Circulavam na época seis jornais em Fortaleza, como os diários Pedro II e Constituição (conservadores), opostos do Cearense e do Jornal de Fortaleza (liberais), além do jornal maçom Fraternidade, de 1873.
Não quero aqui afirmar que a moral política ou o tônus intelectual fossem mais elevados no passado e que tenham se deteriorado com o tempo. Não. Digo apenas que em Fortaleza as discussões de interesse coletivo ensejavam o envolvimento de cidadãos e personalidades marcantes, desde estudante de origem humilde a líderes de segmentos diversos. A cidade cresceu sob o signo dessas disputas que, nos dias de hoje, arrefeceram, causando certa anemia política e paralisia administrativa.

Os grupos políticos da atualidade não divergem nem convergem claramente sobre assuntos pertinentes, são tímidos na apresentação de soluções e caminhos, mas agressivos na exploração de velhos vícios. Tudo ficou pasteurizado pelos ditames das propagandas políticas, pelos chavões politicamente corretos, dos jeitinhos espertos, e o pior, por uma tendência bem brasileira, muito bem anotada pelo historiador Paulo Mercadante, de deixar as diferenças de lado para dividir o poder entre amigos.

Essa tradição ainda podia ser notada na década de 90 do século XX, quando Fortaleza era palco de uma disputa entre o PMDB de Juraci Magalhães e o PSDB de Tasso e (na época) Ciro. Foi um período de grandes obras, ações de pavimentação e remodelação do transporte público, que serviu de base para um debate sobre o tipo de desenvolvimento que a capital cearense precisava.

Nos dias de hoje, as discussões se resumem às disputas de aliados políticos em busca de verbas e cargos, a Câmara Municipal é composta, em sua maioria, de desconhecidos sem trabalhos significativos para a cidade, a Prefeitura, submissa aos caprichos de partidos políticos e às outras esferas de poder, onde tudo é decidido por um clube de parceiros que se protegem mutuamente de críticas públicas. Líderes políticos debatem se obras simples devem ter prazo de entrega, se festas com artistas famosos constituem prioridade na agenda da cidade, ou se a chuva no semi-árido, em vez de benção, é uma desgraça que impede a concretização de promessas.

Nesse aniversário de 285 anos, meu desejo é que a vida e o movimento relatado pelo casal Agassiz ainda no século XIX, qualidades que emanam dos fortalezenses e moldam a cidade, sejam resgatadas, que o desejo de prosperidade, que a vontade de participar e de apontar caminhos, que a capacidade de inovar e que o orgulho de viver em uma cidade moderna, de futuro, seja recuperado, para Fortaleza brilhar como referência nacional de prosperidade, harmonia e organização.

Fonte:
CORDEIRO, Celeste. O Ceará na segunda metade do século XIX. In: SOUSA, Simone de (org.). Uma nova História do Ceará. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2000.

Wanderley Filho é historiador


Fonte: Jangadeiro Online

As palavras certas para dizer à ventura

Palavra Por Aí, À Ventura é o terceiro livro da escritora cearense Inez Figueiredo e apresenta uma viagem pelo fantástico universo da palavraPalavra Por Aí, À Ventura é o terceiro livro da escritora cearense Inez Figueiredo e apresenta uma viagem pelo fantástico universo da palavra
A autora traz ao leitor 21 contos em uma atmosfera de subjetividade (DIVULGAÇÃO)
A palavra é a senhora da linguagem, a simbolização do pensamento. Por isso os escritores a esmeram, lapidam, antes de colocá-la no papel e entregá-la à eternidade, tal qual o ourives dando forma à sua joia rara. É com esse cuidado, elevando a palavra ao patamar que a julga merecedora, que a escritora cearense Inez Figueiredo lança hoje (14), na Livraria Cultura, seu novo livro Palavra Por Aí, À Ventura.

O livro contém 21 contos em que a preocupação primeira da autora é a seleção das palavras certas para a instauração de uma atmosfera de subjetividade, ainda que mostre a aventura da palavra em seu aspecto universal. “O livro é uma espécie de monumento à palavra”, diz a autora. A linguagem poética é transplantada para o seio da narrativa curta, colocando como personagem principal a misteriosa palavra. Ainda que em prosa, o livro demonstra claras influências de poesia, linguagem que Inez utilizou nos seus dois primeiros livros, O Poeta e a Ponte (1997), e Estrela, Vida Minha (2004).

São muitas e variadas as influências que o leitor mais atento poderá identificar nas linhas de Palavra Por Aí. Desde profundas reflexões filosóficas a mitologia e música, tudo isso em variadas ambientações que permitem uma verdadeira viagem em tempo e espaço. “Há um conteúdo simbólico muito grande. É um retrato de como o autor, o poeta, o artista em geral trabalha para simbolizar aquilo que ainda não tem nome, mas que ele percebeu e precisa expressar”, explica a escritora. “Só lendo mesmo para entender”, completa.

A facilidade da literatura em trabalhar a percepção e colocá-la em palavras é, segundo Inez, a explicação para a penetração cada vez maior de autores e seus livros em universos como cinema, teatro e música.

Para aguçar a imaginação do público, o lançamento do livro será precedido de um experimento cênico dirigido e encenado pela premiada atriz Rejane Reinaldo, que atualmente cursa doutorado em Teatro, na Bahia, e vem a Fortaleza especialmente para a apresentação. O tema da performance é um texto de Inez Figueiredo, intitulado Pentesiléa e o vão (não incluso no livro). Pentesiléa, rainha amazona na mitologia grega, aparece como um símbolo do feminino presente no universo, na natureza, nas palavras, como expressão criativa.

A cenografia dessa apresentação introdutória ficou a cargo do artista visual Marcelo Santiago. Ainda que se trate de uma apresentação simples, de cerca de 20 minutos, Santiago afirma que não economizou na criatividade para dar ao espaço um caráter expressivo e original. Segundo ele, a ideia foi criar um visual estético para a leitura dramática do poema. “Procuramos criar um conjunto bem interessante em um único ambiente, uma confluência de variadas linguagens como pintura, fotografia e texto”, expõe o artista.

SERVIÇO

POR AÍ, À VENTURA

Quando: hoje, 14 de abril (às 19h)
Onde: Livraria Cultura, no Shopping Varanda Mall (Av. Dom Luís, 1010 – Meireles)
Outras info: 4008 0800
Marcos Robério

Fonte: O Povo

Clara Lêda lança oitavo livro

A escritora cearense apresenta, hoje, às 19h, no Ideal Clube, "A corrente e o pingente", seu primeiro romance, que se passa em cidades da região da Ibiapaba, no Ceará

A autora já tinha sete livros publicados e agora resolveu homenagear a região onde nasceu e passou boa parte da vida
Uma história de amor que se passa na região da Ibiapaba, Interior do Ceará. Assim pode ser resumido o enredo do livro "A corrente e o pingente", que a escritora Clara Lêda lança, hoje, a partir das 19 horas, no Ideal Clube. A publicação foi uma das selecionadas por um edital aberto pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult), no ano passado.

Clara Lêda já contava com sete livros lançados, a maior parte infantis, mas este é seu primeiro romance. A ideia, explica ela, foi homenagear municípios como Ubajara, São Benedito e Ibiapina, onde passou a infância. "É uma região pela qual as pessoas se apaixonam só em visitar, imagina em viver", ressaltou. "Fora a beleza natural indiscutível".

Os cenários descritos no livro, como o casarão, logo no início, existem mesmo. Já os personagens, revela Clara, são todos fictícios, porém, com toques de realidade. "Peguei histórias que vivenciei através da minha família ou de amigos e usei para dar vida aos personagens", diz.

É o caso da menina negra adotada por um casal que ganhou o nome de Simone. Dias depois, uma autoridade da região foi até a casa da família tomar satisfações por terem dado o nome de uma de suas filhas a uma negra. "Desta forma, aproveito para tratar de questões delicadas como o racismo".

Documento
O livro acaba, portanto, sendo um documento histórico da época, dada a riqueza de detalhes dos cenários e do comportamento da sociedade nos início do século XX. Os acontecimentos se desenrolam a partir da história de Raul, um rico e solitário empresário da Ibiapaba, e Anne, uma jovem europeia, que mudou-se para a região por conta do clima ameno e com o objetivo de fugir de uma maldição que assolava as mulheres da família: todas elas morriam no momento do parto. Os dois se conhecem num dia em que Raul sai com seu cavalo pelo mato, sem rumo, e dá de cara com uma bela jovem. Nasce uma paixão e o mocinho passa a buscar mais informações sobre aquela mulher que ele nunca tinha visto.

Em meio a muita ação e suspense, os protagonistas se veem às voltas com um homem misterioso, que carrega no peito a corrente e o pingente do título da obra - a foto da capa é do fotógrafo Caio Júlio, filho da autora. "Ele é uma peça fundamental para que seja desvendado o segredo da maldição", adianta, sem querer entregar mais nenhum detalhe.

IBIAPABA
A corrente e o pingente Clara Lêda
Expressão gráfica, 2011, páginas, r$ 30


MAIS INFORMAÇÕES
Lançamento do livro "A corrente e o pingente", hoje, a partir das 19 hostas, no Ideal Clube (Avenida Monsenhor Tabosa, 1381, Meireles).
Contatos: (85) 3248.1055

Fonte: Diário do Nordeste

Cia Ciclos traz de Tabuleiro do Norte o espetáculo Sob Pressão

A coreografia, que pretende traduzir a angústia no mercado de trabalho, será apresentada durante o mês no projeto Quinta com Dança do Dragão do Mar
Depois de passar por Mossoró (RN) e Limoeiro do Norte (CE), o espetáculo chega a Fortaleza para falar sobre experiências de tensão
Um grupo de bailarinos oferece aos habitantes do interior do Ceará, na região do Vale do Jaguaribe, a possibilidade de experimentar a dança contemporânea. Criada há sete anos, a Cia. Ciclos é composta por dez integrantes e liderada por Duaram Gomes, professor de Educação Física que ousou ingressar no mundo da dança. O diretor garante: por lá, a dança contemporânea já conquistou seu público.

De Tabuleiro do Norte para Fortaleza, o grupo apresenta hoje (14) o espetáculo Sob Pressão no primeiro Quinta com Dança do mês de abril, no Centro Dragão do Mar. A companhia pretende traduzir a angústia de lidar com a concorrência no mercado de trabalho. “É um espetáculo sobre ação e reação. No palco, os bailarinos passam por esses estímulos negativos até o momento em que explodem”, explica o diretor.

É a primeira vez que Sob Pressão é apresentado na íntegra na capital cearense, mas já foi levado às cidades de Mossoró e Limoeiro do Norte. A composição da coreografia foi guiada pela observação de fatos cotidianos, o cenário simula grades que remetem aos sentimentos de angústia e isolamento. Em 45 minutos, a proposta é que o público identifique no seu próprio cotidiano essas experiências de tensão.

Alex Nogueira, bailarino e professor da Escola de Dança de Paracuru, acompanha o trabalho da Cia. Ciclos, e foi convidado para dar aulas de balé para o elenco.“Eles têm muita vontade de dançar, depois de trabalhar o dia inteiro se reúnem à noite e ensaiam até de madrugada. Conseguiram montar um balé de qualidade com uma dramaturgia interessante”, diz.

Com duas participações na Bienal Internacional de Dança de Fortaleza (2003 e 2009) no currículo, o grupo segue em temporada com a coreografia no Centro Dragão do Mar nos dias 21 e 28.

SERVIÇO

QUINTA COM DANÇA APRESENTA SOB PRESSÃO
Quando: hoje (14) e nos dias 21 e 28/4, às 20 horas.
Onde: teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema).
Quanto: R$ 2 (inteira) e R$ 1 (meia) - no local.
Outras informações: 3488 8600.

Fonte: O Povo

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Artista conta história de Pacatuba através de maquetes

Assista o quadro Ceará da Gente. A repórter Ian Gomes foi até Pacatuba(Região Metropolitana de Fortaleza) e conheceu o seu Antony, um artista que explica tudo sobre a história de município através de maquetes.



Fonte: Jangadeiro Online

Lançamento literário no Museu do Ceará homenageia os 285 anos de Fortaleza

A Associação dos Amigos do Museu do Ceará lança nesta quarta-feira (13), no Museu do Ceará, às 17h30min, o livro Moisés Matias de Moura - O cordel de Fortaleza, que pretende seguir a linha de uma história de vida e da interação dele com a Fortaleza dos anos 1940/ 1950, quando sua atuação foi mais intensa. Reúne também dezessete dos mais de cem folhetos que publicou.

A pesquisa foi feita nos acervos da Casa de Rui Barbosa e na Biblioteca Amadeu Amaral (RJ), no Mauc (CE) e nas coleções dos bibliófilos cearenses Rubem Amaral Jr. e Jorge Brito, radicados em Brasília. Moisés Matias de Moura faleceu em Fortaleza, em 1976. O lançamento homenageia o aniversário de Fortaleza, cidade com que ele estabeleceu uma relação de amor e da qual foi um cronista.

Serviço:
Local do lançamento: Museu do Ceará (Rua São Paulo n° 51- Centro)
Data: 13 de Abril de 2011
Horário: 17:30
Mais informações: (85) 3101-2609; 3101-2610

12.04.2011
Assessoria de Imprensa da Secult
Sonara Capaverde ( imprensa@secult.ce.gov.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. / 85 3101.6759)

Fonte: Portal do Governo do Ceará

Homenagem ao 129º aniversário de nascimento de José Albano

Neste 12 de abril, homenageamos o poeta cearense José de Abreu Albano pela passagem do seu o 129º aniversário de nascimento.

Nascido em Fortaleza nesta data, no ano 1882, muito cedo foi estudar na Europa - França, Suíça e Inglaterra – em colégios ligados à doutrina católica. Antes de completar 20 anos retornou ao Brasil e iniciou a publicação de poemas no Jornal A República. Com 22 anos embarcou para a capital da República com a finalidade de estudar Direito, mas poucos anos depois retornou ao Ceará sem completar o curso. De novo em sua terra natal, lecionou latim no Liceu do Ceará.

Extremamente religioso e culto, escrevia admiravelmente em francês, em alemão e em inglês, além de ser mestre de latim. Não obstante dominar estes idiomas, tratava como ninguém a língua portuguesa. Sua formação em moldes eclesiásticos influenciou determinantemente sua poesia. Já casado, trabalhou no consulado do Brasil na capital inglesa e viajou pelo mundo, escrevendo poemas de estrutura clássica.

Sua obra não é vasta, mas possui uma qualidade inquestionável dentro dos padrões do simbolismo, uma das correntes poética de sua época. Manoel Bandeira, a quem, juntamente com Braga Montenegro, se deve muito à divulgação da obra de José Albano, chamou-o de poeta singular, "porque inteiramente fora dos quadros da poesia brasileira".

Alguns exemplos marcantes da obra do poeta:

POETA FUI E DO ÁSPERO DESTINO


Poeta fui e do áspero destino
Senti bem cedo a mão pesada e dura.
Conheci mais tristeza que ventura
E sempre andei errante e peregrino.
Vivi sujeito ao doce desatino
Que tanto engana, mas tão pouco dura;
E ainda choro o rigor da sorte escura,
Se nas dores passadas imagino.
Porém, como me agora vejo isento
Dos sonhos que sonhava noite e dia,
E só com saudades me atormento;
Entendo que não tive outra alegria
Nem nunca outro qualquer contentamento
Senão de ter cantado o que sofria.

(Influência de suas andanças - Rio de Janeiro e Europa)


ESPARSA

Há no meu peito uma porta
A bater continuamente;
Dentro a esperança jaz morta
E o coração jaz doente.
Em toda parte onde eu ando,
ouço este ruído infindo:
São as tristezas entrando
E as alegrias saindo.

(Influência dos seus sonhos de poeta)


SENHOR, ASSIM PREGADO AO DURO LENHO

Senhor, assim pregado ao duro lenho,
Não negas a ninguém o seu socorro;
A mim, pois, que de mágoa vivo e morro,
Dá-me o brando sossego que não tenho.
Em te amar sempre ponho todo o empenho,
Vendo do puro sangue o frio jorro,
E com suspiros aos teus braços corro
E ao pé da santa cruz deitar-me venho.
Olha como foi triste o meu destino,
Sem esperanças quase e sem ventura,
Apenas com os sonhos que imagino.
Lembra-te destas dores tão escuras,
De que tu és o meu Pastor divino
E de que eu sou a ovelha que procuras.

(Influência de sua religiosidade)

O poeta morreu aos 41 anos na cidade francesa de Montauban, em 11 de julho de 1923 e está sepultado no cemitério desta cidade.

NOTA:

Quem leu na minha escrivaninha do Recanto das Letras, no dia 14 de março deste ano, a MENSAGEM "Dia Nacional da Poesia", percebeu a importância que alguns nomes da poesia tiveram em minha vida. Entre eles está José Albano, a quem, hoje, presto essa humilde homenagem.

Noticiário poético

Novo livro do pesquisador e jornalista Gilmar de Carvalho reconstrói histórias de e sobre o cordelista Moisés Matias de Moura. Na obra do artista, o cordel flertava com o jornalismo

Há uma imagem forte evocada por Walter Benjamin (1892 - 1940) para falar da história. Testemunha única dos acontecimentos, o Anjo da História vê, aterrorizado e impotente, o passado, enquanto é arrastado por fortes ventos que o lançam ao futuro. "Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as dispersa a nossos pés. Ele gostaria de deter-se para acordar os mortos e juntar os fragmentos. Mas uma tempestade sopra do paraíso e prende-se em suas asas com tanta força que ele não pode mais fechá-las. Essa tempestade o impele irresistivelmente para o futuro, ao qual ele vira as costas, enquanto o amontoado de ruínas cresce até o céu", escreveu Benjamin, na nova tese de seu famoso ensaio "Sobre o Conceito da História".


Gilmar de Carvalho, em seu novo livro, se lança a tarefa almejada pelo anjo descrito por Benjamin. O morto que acorda é Moisés Matias de Moura (1891 - 1976), pernambucano, cordelista, que veio para o Ceará nos anos 1920, iniciou-se na literatura de folhetos em Juazeiro do Norte e fez carreira no Ceará, escrevendo cordéis pautados em episódios marcantes do cotidiano da cidade. Os fragmentos que junta são as obras do escritor e episódios de sua vida.

Pesquisador incansável e escritor prolífico, Gilmar de Carvalho é autor de algumas dezenas de livros, a maioria fruto de seus estudos sobre as artes e as vivências das tradições populares cearenses. Em "Moisés Matias de Moura - O Cordel de Fortaleza", convergem temas recorrentes na produção de Gilmar de Carvalho: a tradição (evidenciando, sobretudo, seu caráter móvel, de constante transformação), a comunicação (tantos meios de massa, quando alternativas a eles), a escrita poética e a história cultural do Ceará. O livro será lançado às 17h30, no Museu do Ceará, celebrando o aniversário de Fortaleza.

Gilmar de Carvalho: livro sobre vida e obra do cordelista reporteiro
FOTO: FRANCISCO SOUSA
Vida e obra
O trabalho é dividido em duas partes, a última uma reunião de cordéis. A primeira é formada por uma construção do personagem Matias de Moura a partir dos fragmentos de obra encontrados, das memórias ainda persistentes na família e dos poucos textos que citam o cordelista.

Gilmar não escreve como historiador, mas como benjaminiano que é, ciente das propriedades criativas do texto. Sem recorrer à ficção, sua escrita dá ordem às ruínas (constantes em nossa história) que ameaçavam enterrar, definitivamente, Moisés Matias de Moura.

Folheto, folhetim e jornalismo
No livro "Moisés Matias de Moura", Gilmar de Carvalho reuniu 17 cordéis, sobreviventes dos mais de 100 títulos que o cordelista produziu. A coleta foi difícil e é resultado de uma relação de mais de 20 anos com o tema.

"Esbarrei nele quando estava fazendo meu mestrado (concluído em 1991), que foi publicado no livro ´Publicidade em Cordel´. Fiquei curioso porque ele constava no catálogo da Casa Rui Barbosa, mas se falava pouco dele. Em algumas antologias, bem feitas, bem pesquisadas, ele não aparece. O silêncio me incomodou. Como gosto de ir nessa trilha do que não fez sucesso, do que ficou esquecido, comecei a pesquisar sobre ele", conta o autor. O poeta escreveu sobre desastres naturais, crimes bárbaros, dentre outros temas "quentes".

Foi a jornalista Tânia Furtado, aluna de Gilmar, quem trouxe do Rio de Janeiro os primeiros 10 folhetos, copiados do acervo da Rui Barbosa. A partir daí, o pesquisador sentiu-se mais seguro para partir em mais uma de suas buscas. O primeiro texto de Gilmar de Carvalho sobre Matias de Moura foi publicado nos 100 anos do cordelista, no Diário do Nordeste.

Em Matias de Moura, Gilmar destaca o fato de ter falado de Fortaleza, ainda que o autor não seja único no flerte do cordel com o jornalismo. "Do ponto de vista da métrica, ele não é um poeta rigoroso. Interessa saber como escolhia os temas. Por que falar deste crime e não de outro?", exemplifica.

TRADIÇÃO
Moisés Matias de Moura - O Cordel de Fortaleza  
Gilmar de Carvalho
COLEÇÃO JUAZEIRO, 2011, 233 PÁGINAS, R$ 30
Lançamento às 17h30, no Museu do Ceará (Rua São Paulo, 51 - Centro).
Contato: (85) 3101.2610

DELLANO RIOS
REPÓRTER

A lítero-poesia de Carlinhos

O multimídia artista cearense Carlinhos Perdigão realiza mais uma de suas criativas performances com o espetáculo "Poemário Musical", que acontece hoje, a partir de meio-dia, no Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza

Na apresentação de hoje, Carlinhos Perdigão explorará didática, poética e musicalmente a palavra, cantando-a e realizando performances literárias, além de interagir com o público
O irrequieto baterista, poeta, compositor, professor, escritor e também intérprete de suas canções autorais, Carlinhos Perdigão realiza mais uma de suas performances criativas, apresentando o espetáculo lítero-melódico "Poemário Musical", hoje, ao meio-dia no palco do teatro do Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza, que fica na Rua Floriano Peixoto, 941, no coração da nossa cidade. Como acontece em todas as atrações do CCBN, o acesso ao público é gratuito.

Sobre sua exibição, hoje, no Centro Cultural Banco do Nordeste o instrumetista-poeta-professor cearense explica que, "explorará didática, poética e musicalmente a palavra, cantando-a, realizando performances literárias, inclusive interagindo com o público presente, e, sobretudo, contextualizando-a dentro da música pop brasileira moderna". No palco, Carlinhos Perdigão, que tocará bateria, terá também como coadjuvantes os instrumentistas Marcelo Justa no violão, guitarra e voz e Edmundo Júnior no contrabaixo.

Na perspectiva da sintonia da melodia com a palavra, o artista cearense acrescenta que, "deste modo, em torno de toda essa contextura, tem-se como certo que a música feita em nosso país alimenta-se fortemente da literatura poética. E este é o principal mote do espetáculo ´Poemário Musical´, que deseja unir os belos universos poéticos e musicais ao tocar composições estruturadas através das poesias presentes no meu primeiro livro publicado, ´Fragmentos: poemas e ensaios´".

Parcerias
O repertório das canções que ilustram o Poemário Musical é todo autoral e de compositores cearenses. Todas são criações de Carlinhos Perdigão, assinadas com parceiros amigos. "São canções que fiz com camaradas que atuam comigo, o Níguer, o Júnior Boca, o Cleison Mattza e, principalmente o Marcelo Justa. Nelas, tento esboçar que toda linguagem tem seu quê de poesia. Mas a poesia é onde o ´quê´ da linguagem está mais em pauta. A poesia brinca com a linguagem. Chama atenção para as possibilidades de sentido. Explora coincidências sonoras entre palavras", explica.

Aprofundando mais ainda a temática do "Poemário Musical" e também se valendo de seu conhecimento de professor, Carlinhos Perdigão esclarece que, "ocorre que a palavra ´poesia´ abrange sentidos que vão além da linguagem verbal, oral ou escrita. Ela também se refere a um universo muito mais amplo e menos exclusivo que o do livro e da leitura. É o lado além-livro da poesia, que se relaciona com o universo da cultura musical, por exemplo. Portanto, na sua face de arte da palavra, a poesia está fortemente presente nas letras da música popular, seja de que gênero for".

Músico autodidata, Carlinhos Perdigão toca bateria e percussão. Possui experiências em shows por todo o Ceará e também nas cidades do Rio de Janeiro, São Luís, Natal, João Pessoa, Campina Grande, Brasília e Teresina. Já atuou com Manassés (que fez um participação especial no show "Bateria Brasileira"), Lúcia Meneses, Tino Freitas, André Lopez, Isaac Cândido, Kazane, Kelly Patrícia, Ricardo Black, Téti, Ródger Rogério, Dílson Pinheiro,Carlos Dantas, Glaypson Façanha, Marta Aurélia, Lúcio Ricardo, com o guitarrista e blues-man mineiro Alexandre Araújo e com o gaitista Jéfferson Gonçalves, ex-integrante da banda carioca Baseado em Blues.

Participou da gravação dos CDs "Estrelas Anãs" e "Rupestre" de André Lopez; "Inverno e Verão", de Tino Freitas; "Passos no Silêncio" e "Ët Verbum", de K. Patrícia; "Blues Ceará", tocando com a Sub-Blues, "Meu Tesouro", do grupo Grão de Trigo, "Receita Caseira", de Carlos Dantas e Glapson Façanha, "Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga/2004" e "Blacksploitation", tocando com a banda Blues Label.

Mentor dos projetos Bateria Brasileira e Bateria Brasileira - Versão Nordeste, já se apresentou com estes projetos no palco principal do Teatro José de Alencar, no Circuito Cultural do Banco do Brasil - etapa de 2003; no Centro Cultural do Banco do Nordeste do Brasil, em 2001 e em 2004; no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em dois momentos diferentes: no seu teatro, em janeiro de 2002, e depois no seu auditório.

Entre 2001 e 2004, foi também baterista da Blues Label. Com essa banda, tocou no Projeto Cultura Musical do Centro Cultural do Banco do Nordeste, na Feira da Música e no Dragão Jazz, todos em 2002; no Domingo Acústico do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em uma temporada em agosto de 2003; no Festival Ceará Music/2003; no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga/2004; no Projeto Black Night do Cine Benfica em 2004; e em todas as edições do Ceará Blues Session, realizadas no anfiteatro do Centro Dragão do Mar, no Bar Hitz-Café, no The Wall Bar e na Opção Futuro.

Carlinhos Perdigão é endorsee (uma espécie de patrocínio) da Octagon, uma empresa nacional de pratos para bateria. Com a banda Led Zeppelin-Blues, já se apresentou no Festival Ceará Music 2005, no Projeto Bexiga Rock, no Hey Ho Rock Bar, no Bar Maria Bonita, no Centro Cultural do Banco do Nordeste, na Mostra SESC da música cearense realizada em maio de 2006 em Juazeiro do Norte, e numa temporada de quatro espetáculos no auditório e no teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

É igualmente mentor dos projetos "Cream: Tributo a Eric Clapton", do "Poesia, Blues e Rock and Roll", um projeto didático que reúne música, performances teatrais e vídeos-textos, e do "Meu Canto", um trabalho com composições de Perdigão, em que ele dá a sua visão do blues-rock cearense nos últimos 25 anos. Também integra a banda Jardim Suspenso que toca covers de Rita Lee.

PROGRAMA

Poemário Musical
Sangue - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão
Sabe - Níguer, Carlinhos Perdigão
Punhal de defesa - Júnior Boca, Carlinhos Perdigão
Solidão - Cleison Mattza, Carlinhos Perdigão
Tenho um amor - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão
Somos tons? - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão
Andanças - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão
A noite - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão
Meu canto - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão
E agora? - Marcelo Justa, Carlinhos Perdigão

MAIS INFORMAÇÕES
Show Poemário Musical, hoje, ao meio-dia, no Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941, Centro). Grátis. Contato: (85) 3464.3108

NELSON AUGUSTO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

Escritora cearense lança livro amanhã

A escritora cearense Clara Lêda de Andrade Ferreira lança amanhã, no Ideal Clube (avenida Monsenhor Tabosa, 1381, no Meireles), às 19 horas, o livro A corrente e o pingente. A autora explica tratar-se de um romance que se passa na região da Ibiapaba, popularmente conhecida como Serra Grande.

Uma das figuras da história vive em Viçosa do Ceará e a outra em Ubajara. A partir desse quadro, a autora afirma que criou personagens que atuam em ambientes descritos com detalhes por serem locais de sua convivência. Para ilustrar, o casarão da família, a fazenda Várzea e as cachoeiras.

Clara Lêda diz que Raul é a figura principal do romance, e que esse personagem aporta em Ubajara ainda bem moço. O rapaz encanta-se com o local e acaba fazendo fortuna. “Constrói um casarão com dimensões de convento, tem sítios e fazenda, no entanto não consegue encontrar uma moça que revolucione seu coração”, revela. Desiludido, sai à toa, sem rumo. Cavalga o dia inteiro até encontrar a musa. A partir de então, explica a autora, é que começa toda a trama, com muito amor, sofrimento e suspense.

Fonte: O Povo

Professores lançam livro sobre pensamento pedagógico

Foi lançado dia 12-04,  livro "O pensamento pedagógico hoje", organizado pelos professores José Gerardo Vasconcelos e José Rogério Santana, da Faculdade de Educação da UFC e do Instituto UFC Virtual, respectivamente.

O lançamento ocorreu no Auditório Valnir Chagas, da Faced (Rua Waldery Uchôa, 1 – Benfica). A obra foi apresentada pelo Prof. Rui Martinho Rodrigues, da mesma Faculdade.

A publicação, que faz parte da Coleção Diálogos Intempestivos e traz o selo das Edições UFC, reúne 14 artigos de 30 autores, entre pesquisadores docentes, estudantes de graduação e pós-graduação da UFC e de diversas instituições, como Universidade Estadual do Ceará, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e Universidade Federal da Paraíba.

Os temas perpassam diversos âmbitos relacionados ao universo da educação, incluindo o pensamento pedagógico, afrodescendência, literatura, identidade, patrimônio, História do Ceará, movimentos sociais, ensino público, Ensino Superior, tecnologias digitais aliadas à educação, Paulo Freire, educação continuada de professores e avaliação da aprendizagem.

Fonte: Prof. José Gerardo Vasconcelos, da Faculdade de Educação da UFC - (fone: 85 3366 7676)
Fonte: UFC

terça-feira, 12 de abril de 2011

Copa de Literatura debate obras contemporâneas

Cartola - Agência de Conteúdo
Especial para o Terra
Quando o assunto é Copa do Mundo de futebol, todo mundo se interessa. Mas e um campeonato de livros? Essa é a ideia da Copa de Literatura Brasileira, criada em 2007 por Lucas Murtinho, economista, editor externo da editora Agir e tradutor da Rocco. São 16 obras, que são escolhidas de forma "bem pouco científica" (como o próprio site do concurso diz) entre romances brasileiros atuais, que disputam o prêmio em rodadas.
A disputa tem como finalidade debater os romances brasileiros contemporâneos
Foto: Getty Images
A disputa ocorre anualmente, durante quatro meses. O hall de campeões conta com Música Perdida, de Luiz Antonio de Assis Brasil (2007), O Filho Eterno, de Cristovão Tezza (2008), e Flores Azuis, de Carola Saavedra (2009).

A copa funciona assim: a cada jogo, dois livros se enfrentam. O vencedor passa para a próxima etapa, e o perdedor é eliminado. Cada batalha é decidida por um jurado, que escreve uma resenha justificando o seu voto, publicada no site da Copa. Na grande final, todo o juri elege o campeão.

Murtinho confessa que a seleção de livros e de jurados é "bangunçada". Podem participar amigos, indicações de amigos ou até comentaristas de copas passadas. "Gostamos de ter um corpo bastante variado, com escritores, leitores, acadêmicos, blogueiros", diz. Já fizeram parte do júri escritores como André Sant'anna, Luiz Antonio de Assis Brasil, Nelson de Oliveira e Sérgio Rodrigues.

Em relação às publicações, é feita uma lista prévia pelos organizadores da copa de até 30 obras lançadas naquele período. A lista é apresentada aos jurados, que a discutem e votam em seus livros preferidos. Também há o cuidado de não se escolher muitos livros de uma mesma editora.

Esse ano participam obras como O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho, e Azul-corvo, de Adriana Lisboa, e jurados como o jovem escritor Antônio Xerxenesky e o blogueiro Bernardo Brayner.

A iniciativa foi livremente inspirada no Tournament of Books, organizado pela revista virtual americana The Morning News. Quando a Copa começou, Murtinho estava no meio de um mestrado de edição em Paris e percebeu que estava mais bem informado sobre o mercado editorial americano e francês do que o brasileiro. "Era uma forma de me forçar a saber o que estava acontecendo por aqui", lembra.

Outro objetivo da ideia é debater os romances brasileiros contemporâneos e questionar a importância dos prêmios literários, criando uma opção que o tradutor chama de "prêmio literário absurdamente arbitrário e injusto".

Apesar da honestidade dos organizadores sobre a parcialidade inevitável das rodadas, muitos autores se sentem ofendidos quando eliminados. "É compreensível, mas infelizmente muitos não entram na caixa de comentários do site", afirma o economista. É que, para o editor, os melhores momentos do campeonato acontecem quando os escritores aparecem dispostos a bater papo sobre o seu trabalho.

"Na primeiríssima Copa, teve autor que se mostrou um genuíno cavalheiro após ser eliminado na primeira rodada, e outro que transformou uma caixa de comentários em terapia de grupo", conta.

Até 2009, Murtinho organizava o projeto sozinho. Porém, em 2010, o tempo ficou curto para dar conta de tudo. "Fracassei em tentativas desajeitadas de conseguir um patrocínio para a brincadeira, e o servidor que hospedava o site sumiu do mapa, levando todas as páginas da Copa com ele", lamenta.

Era o momento de buscar outro organizador, e encontrou Lu Thomé, da Não Editora, que já desenvolvia uma proposta parecida no Rio Grande do Sul, com autores locais. Depois, juntou-se ao grupo Fernando Torres, escritor e advogado, que já tinha sido jurado da Copa em 2009. Atualmente, o trio leva adiante a Copa 2010/2011, que se encerra em 6 de junho e pode ser conferida em www.copadeliteratura.com.br.

Fonte: Site Terra

As letras de ontem e de hoje do Brasil

«Bufo & Spallanzani», de Rubem Fonseca, é uma das obras de referência da literatura contemporânea brasileira. Depois de «O Seminarista», a Sextante, para satisfação dos leitores portugueses, continua a editar a obra do Prémio Camões 2003. Um nome que surge cada vez mais forte nas letras do Brasil é João Paulo Cuenca, autor de «O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente», editado pela Caminho. 

Através de um suposto policial, Rubem Fonseca apresenta-nos um romance complexo mas fascinante, onde a própria literatura acaba por ser o tema central da obra, já que o narrador, o autor Gustavo Flávio (também lvan Canabrava), procura escrever um livro que tem como título… «Bufo & Spallanzani».

Uma oportunidade de ouro para o brasileiro reflectir sobre a literatura, fazendo com que muitas vezes a ficção esteja mais próxima do que é habitual da realidade. Aliás, é complicado separar o narrador do autor, que, no entanto, mantém o seu habitual registo criativo, preenchido de violência, sexo, diálogos cortantes e um texto apurado ao máximo, onde não há espaço para frivolidades nem superficialidades.

«Quando publico um livro de contos dizem que são inferiores aos meus poemas; os meus poemas, por sua vez, são considerados inferiores aos meus romances; meus romances policiais são inferiores aos meus romances de amor, etc. Para não falar dos equívocos que já foram escritos em relação às minhas peças teatrais. O mundo da arte é o mundo da inveja e da picuinha. Quando não podem dizer que um livro meu é ruim, dizem que sou mulato. Não estou interessado no que os outros dizem ou pensam de mim, nem mesmo no que as mulheres pensam de mim, desde que continuem indo para a cama comigo. Chamam-me de maníaco sexual, mas o que querem que eu faça com o meu pau que vive duro? Pau duro foi feito para enfiar na boceta das mulheres etc. Até índio sabe disso. Passei muitos anos de abstinência, tenho um metro e noventa de altura e peso mais de cem quilos, acho que já disse isso. Aliás, que conversa era aquela? Tergiversava, sentia febre. Que tal contar uma piada: não faço nem nunca fiz ginástica, sou extremamente preguiçoso, a única ginástica que faço é segurar a alça do caixão dos amigos que fazer ginástica (ver Churchill).»

«Bufo & Spallanzani» é uma obra cujas histórias (principal e secundárias) frequentemente se cruzam entre si, obrigando por isso a uma leitura atenta por parte do leitor (é fundamental compreender o desdobramento da personagem principal ao longo dos capítulos, por exemplo), que paulatinamente entra na trama criada por Rubem Fonseca, um dos principais escritores de policiais do Brasil. O que torna esta obra grande é o constante diálogo entre a ficção e a realidade que há nas suas páginas. A crise criativa que assola o protagonista-escritor é motivo para uma reflexão por parte do autor, que oferece ao público uma obra carregada de… criatividade. Em resumo, Rubem Fonseca convida-nos a escrever «Bufo & Spallanzani», já que o livro em si é a história do nascimento de um romance, um romance chamado «Bufo & Spallanzani», o mesmo que o leitor tem entre mãos.

«Colocou os papéis sobre a mesinha de cabeceira. O meu livro Os Amantes estava ali, mas ele não pegou para prosseguir na leitura que iniciara dias antes. Creio que concluíra que a vida do autor e o que ele escreve têm uma relação tão superficial e mentirosa que não valeria a pena ler quatrocentas páginas para nada descobrir.»

Se Rubem Fonseca é da velha guarda da literatura brasileira, João Paulo Cuenca é apontado como uma das novas vozes do Brasil. O seu último romance, «O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente», editado pela Caminho, comprova essa aptidão. Só o capítulo 3 justifica os elogios (o relato do acidente do extenso título do livro), embora a obra no seu conjunto mereça uma nota mais do que positiva. Estamos em Tóquio, mas numa Tóquio longe dos padrões normais. Há a inevitável tecnologia que rodeia tudo e todos, mas Cuenca vai mais fundo e encontra um «submarino noturno» que «navega pela fundação dos edifícios, entre cabos de eletricidade, túneis de esgoto e metrô», um «submarino» que é uma espécie de Big Brother gigantesco controlado pelo poeta Atsuo Okuda, pai de Shunsuke Okuda, jovem que revela no livro a sua relação nada pacífica com o seu progenitor; jovem insatisfeito com a sua vida.

«O trabalho é alienante, e o mundo fora dele também. Ainda assim, depois do expediente, acontecem coisas. Que, no início, parecem me libertar.
Até que eu descubra que são formas diferentes de alienação.»
Alienação que esvai-se quando Shunsuke Okuda conhece a «garçonete» de um «bar de acompanhantes», a polaca Iulana Romiszowska, apaixonando-se de imediato pela «caucasiana cinco anos e treze dias mais nova», «muito alta», com «olhos grandes e redondos de cavalo», «peitos inflados como balões de gás», «dedos dos pés… grossos», «panturrilhas… sólidas». «Tudo na mulher que iria suceder Misako é grande, menos o nariz e as orelhas, pequenos e desproporcionais ao tamanho da cabeça».

Se antes Atsuo Okuda aceitava com alguma letargia as actividades do seu pai (que isola-se do mundo acompanhado de uma boneca insuflável, Yoshiko - que tem pensamento próprio -, onde insere as cinzas da sua ex-mulher), se antes aceitava que a vida era apenas «olhar e ser invisível» na Sala do Periscópio, onde as imagens e o sons de quem merecia ser observado eram enviadas pelo «submarino», agora, apaixonado, o jovem coloca finalmente em causa toda a sua existência. A passada e a presente. Mas também a futura.

«Empilhadas nos armários da Sala do Periscópio estão milhares de fitas em Betamax, vhs e depois discos prateados de dvd com imagens da minha vida, da adolescência até o instante em que terminará este relato».

Numa novela bastante visual e afectiva, Cuenca apresenta uma Tóquio muito distante da iconografia habitual. O brasileiro descobre uma metrópole desconhecida para muitos, como acontece por exemplo ao redor do Teatro Koma, «principal ponto de encontro de moscas humanas da área, cercado por lanchonetes de fast-food americano, agências de prostituição, prédios de karaokê, video game, patchinko e sex shops, restaurantes de yakitori gordurosos, árvores ocas e nuas, bares mal iluminados, lojas de quinquilharias vinte e quatro horas e corvos catando lixo sobre poças escuras nas ruas e becos superlotados de estudantes embriagados, homens de negócio com gravatas afrouxadas, vagabundos de todos os quilates, acompanhantes, carecas Yakusa e estrangeiros perdidos como baratas do mar sob o oceano de neon, incansavelmente abordados por intermediários multiétnicos de drogas e mulheres».

Num voyerismo contagiante, Cuenca escreve uma bela história de amor, embora, como revela o título, não tenha um desfecho de conto de fadas, algo que o poeta Atsuo Okuda revelara há muito nos seus sonhos:

«- Um dia você entenderá que o único final feliz possível para uma história de amor é um acidente sem sobreviventes. Sim, Shunsuke, meu estorvinho, meu pequeno fugu idiota: um acidente sem sobreviventes.»

Primeira obra de Jorge Amado completa 80 anos

Há 80 anos, o escritor Jorge Amado (1912-2001) publicava seu primeiro livro, "O País do Carnaval", relançado neste mês pela Companhia das Letras.

Com 18 anos, produziu um romance com pouco do colorido e da brasilidade que marcariam sua obra futura, mas inaugurou ali uma produção literária que mudaria para sempre o mercado editorial brasileiro.

Ao longo da carreira, com 45 livros publicados, a maioria romances, vendeu 20 milhões de exemplares no Brasil e foi traduzido em 55 países, onde, estima-se, tenha vendido 60 milhões de livros.

Isso fez dele o escritor brasileiro de maior público, só superado por Paulo Coelho.

Apesar do feito, Amado nunca conseguiu romper a resistência da crítica especializada e sobretudo do meio acadêmico.

Dez anos após sua morte, e a um ano do centenário de nascimento, o descompasso entre seu sucesso com o público e a resistência da crítica permanece.

"Em 35 anos de magistério, só conheci um professor que se ocupou dele. Também ignoro a existência de teses ou dissertações sobre sua obra. Caiu sobre ele aquele anátema do 'não li e não gostei'", diz o crítico literário e membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) Antônio Carlos Secchin.

Além da desconfiança recorrente no meio acadêmico em relação aos escritores de sucesso, duas críticas grudaram em sua obra.

Uma, de que a primeira fase de sua produção, que vai de "O País do Carnaval" a "Os Subterrâneos da Liberdade" (1954), período de sua militância comunista, seria excessivamente engajada, o que tornava os livros muito esquemáticos, fragilizando a composição.

A outra, de que sua segunda fase, inaugurada com "Gabriela" (1958), acabou derivando para uma literatura simplista, de pouca densidade psicológica.

Maranguape do humor

(FOTO SARA MAIA)
Para aproveitar a força que ganhou o nome Maranguape depois que Chico Anysio passou a falar da cidade (e ele sempre falou muito dela em suas entrevistas ao O POVO), a prefeitura montou o Festival Nacional de Humor. 2011 é a vez da terceira edição, que ano passado aconteceu em maio. Em anos anteriores, em 2009 e 2010, houve premiação para três categorias: individual, duplas e trios. Os candidatos ou faziam a agora famosa stand up commedy (comédia em pé), ou lançavam mão da pantomima (mímica) ou dos palhaços.

A cidade vira um burburinho quando o festival acontece. As apresentações em escolas, praças, na rodoviária e no mercado, as exibições de filmes de comédia no Teatro Pedro Gomes de Matos, as palestras educativas nas escolas contribuem para essa movimentação. Em 2010, a população pode ainda participar de oficinas de Caricatura, Charge e Cartum, ministrada por Weaver Lima; Criação de Personagem, por Bené Barbosa (Papudim); Expressão do Riso, por Karla Karenina (Meirinha); e Confecção de Adereços para Humor com Sucata, ministrada por Ana Alice.

Chico foi o homenageado da abertura da segunda edição, com troféu levando seu nome. E quando o nome de Chico Anysio é lembrado, sua participação no festival logo vem à tona em Maranguape. A Praça Capistrano de Abreu ficou lotada, de homem, menino e mulher. Uma festa só.


Fonte: O Povo

Chico Anysio recebe homenagem com humor

O Dia do Humorista há oito anos homenageia Chico Anysio. Desta vez, uma semana de atividades e risadas. A programação inclui ainda o Dia da Sogra (28)
Apresentação do Dia do Humorista na Praça do Ferreira, em 2010 (DIVULGAÇÃO)
Jader Soares bateu mais uma vez o pé na parede, a rede ia e vinha, e as ideias também. Lembrou do Dia da Sogra, não se sabe bem porquê, e lembrou também que a própria profissão estava esquecida quanto ao mérito. Levantou-se dali e sentou-se na mesa do computador. Redigiu um ofício, convocou os colegas e logo estavam todos discutindo quando seria instituído o Dia do Humorista. “Quem não pode ir confirmou a escolha por telefone”. O Dia homenagearia Chico Anysio, que já dava nome ao Teatro onde ficava o escritório: 12 de abril, portanto, aniversário de um dos mais bem sucedidos humoristas brasileiros.

Esse já é o oitavo ano que a Associação do Humoristas, da qual Jader é presidente, organiza a semana. Serão sete dias, de hoje ao dia 18, de muita risada. Hoje a brincadeira começa na Praça do Ferreira, às 16 horas, com mais de 40 humoristas se revezando até as 21 horas (a programação também faz parte das comemorações aos 285 anos de Fortaleza). Na quarta-feira (13) em diante eles fazem graça nas outras regionais, da I à IV. Desta vez, apenas cinco apresentações, e mais tempo para desenvolver o show (todos começam às 19 horas e seguem até as 22 horas).

Dia 28 – o tal Dia da Sogra – também entra na programação: no Teatro Chico Anysio, do qual Jader é diretor, 10 humoristas contarão apenas piadas sobre a sogra. “Nós não exigimos, mas orientamos que de que as pessoas tenham cuidado, é um espaço aberto, espaço público”, detalha Jader sobre piadas a serem contatas ao longo do evento. As tais orientações tomaram lugar nos encontros da Associação, toda segunda-feira, no teatro Chico Anysio, de já 20 anos. Os galanteios, portanto, durante a semana, levariam em conta as crianças, os idosos, as diversas crenças etc., presentes na plateia. “Mas não é uma obrigação”, ressalta o presidente.

O Teatro Chico Anysio, onde funciona o Escritório do Riso, no Benfica, é um dos polos agregador de humoristas, segundo Jader Soares, que interpreta o Zebrinha. “É lá que se reúne a produção para escolher os humoristas que vão pro Show do Tom (Record), pra Rede Globo”. Ainda este ano, prevê Jader, será inaugurado o museu do Humor Cearense, em julho. (Júlia Lopes)


SERVIÇO


DIA DO HUMORISTA
Onde: abertura hoje na Praça do Ferreira, às 16 h. Evento segue em outros bairros
Quanto: Acesso livre
Mais informações: (85) 3255 8300


PROGRAMAÇÃO

Hoje (12)
Praça do Ferreira, Centro
De 16h às 21h

Amanhã (13)
Praça Valdir Campos – Conjunto Polar
De 19h às 22h

Quinta-feira (14)
Praça do Mirante
De 19h às 22h

Sexta-feira (15)
Praça do Bairro João XXIII
De 19h às 22h

Sábado (16)
Praça do Jardim América
De 19h às 22h

Domingo (17)
Campo do Jonnathan (Tv. Álvaro Chaves, 300, Mundubim Sul)
De 19h às 22h

Segunda-feira (18)
Quadra do Conjunto Rosa Luxemburgo
De 19h às 22h

Fonte: O Povo

O ninho de Chico

80 anos cheios, completos, e com a saúde revigorada: Chico Anysio aniversaria hoje e o Vida & Arte comemora a data fazendo uma visita à sua Maranguape, que guarda mais lembranças recentes que antigas do humorista

Chico Anysio deixou Maranguape com oito anos, mas sua fama Brasil afora impregnou a cidade de lembranças e histórias (FOTO SARA MAIA)
O viajante que a sorte encarregou de levar pelas bandas de Maranguape pode perguntar a qualquer um na calçada, na bicicleta ou levando os meninos para casa: onde morou um dos seus filhos mais ilustres, Chico Anysio? “Pode ir reto, dobra lá na frente e depois vai direto”. A casa fica perto do cemitério, região que alguns maranguapenses gostam de identificar como Preguiça, dado à malemolência dos residentes da área. Depois do muro branco, um terreno largo e generoso, verde e cheio de silêncio, guarda a casa ampla, sem forro. Nenhum outro móvel daquela época resistiu. Foi ali onde nasceu, há 80 anos, o comediante Chico Anysio.

Do outro lado da rua, o velho Gerardo Dias de Souza, já agora com a vista turva e escurecida, descreve aquele tempo, quando o irmão mais velho de Chico Anysio, Elano de Paula, levava os meninotes todos na caçamba da camionete. Era fim dos anos 1930, não seria apenas uma carroça? A pergunta fica sem resposta. Com 83 anos recém-feitos, o retrato que guarda dos vizinhos é de pura presepada, marmota, mungango, gaiatice. Na cadeira posta à porta de casa, rodeado pelas muriçocas, ele fala das muitas visitas que a casa recebia, da vida que pulsava ali, dos cafés da tarde. “Era um pagode mais lascado do mundo”.


No tempo do talvez
Célio Cavalcante, 77 anos, aposentado, bota panos quentes na efusividade de seu Gerardo. No bar do Xavier, onde ele encontra a turma toda terça, lembra que Chico talvez tenha tomado banho de açude, talvez tenha visto a maravilha que era a manobra do trem, talvez tenha participado das brincadeiras dos meninos, como quando colocaram uma mesa de madeira em cima da cabeça do Capistrano de Abreu, outro filho nobre de Maranguape. “Ele foi embora daqui muito pequeno, mas já naquela época era gaiato”. O humorista contava oito anos, e o pai tinha perdido a riqueza familiar num incêndio. “Ele vinha depois, nas férias. Mas era a mãe quem mais dava notícia dele”.

Há quem diga que Capistrano tenha batido uma bota na outra para dali não levar nem a poeira. E que Chico Anysio tenha feito o mesmo. À primeira pergunta da reportagem, se seu Chico Façanha, dono de mercadinho de frente para uma praça, conheceu o xará, ele responde de pronto: “Mas preferia não ter conhecido”. E deu a falar de como o humorista não faz nada pelo Maranguape. “Minha madrinha é até tia ou prima dele, a dona Maria Paula. É um bom artista, mas poderia fazer algo pela terra natal”. O segurança Francisco Augusto, 66, reconhece o conterrâneo por ter feito história. “Acho ele engraçado, tem muitos personagens, todo mundo conhece”.

Os recentes problemas de saúde fizeram Chico Anysio sair de cena. É a esposa dele, Malga di Paula, quem dá conta da saúde do humorista, pela rede social Twitter: está preparando “algo especial para ele”. Não especificou qual seria a surpresa. Mas garantiu: “Claro que vamos comemorar durante todo o ano”. Lá em Maranguape, há quem faça a previsão: próximo busto de praça – das muitas que Maranguape tem – é dele. Muito justo!


Quando

ENTENDA A NOTÍCIA

Após passar 110 dias internado, entre dezembro de 2010 e março de 2011, quando passou por uma angioplastia e sofreu uma pneumonia, Chico Anysio volta para casa e dá início ao processo de recuperação. Recebeu familiares e amigos, mas não voltou para suas atividades. É nesse contexto que ele comemora hoje 80 anos.


Júlia Lopes
ENVIADA A MARANGUAPE

julialopes@opovo.com.br


Fonte: O Povo

Um recomeço para Chico

No dia em que comemora 80 anos, o Caderno 3 traz uma reportagem exclusiva com o mestre do humor cearense. Recuperando-se dos problemas de saúde que o prenderam por quatro meses em um hospital, Chico Anysio recebeu o Diário do Nordeste em sua casa para uma conversa franca sobre os momentos difíceis da doença e o sofrimento pelos rumos do time do coração, o Ferrim

Chico Anysio: "Estou bem, fazendo fisioterapia para o músculo me segurar, comendo tudo, só me falta andar, porque as pernas ainda estão fracas. Quatro meses de cama é uma lenha!"
FOTOS: FOLHA PRESS
Chico Anysio encheu os olhos d´água quando viu a baciada de cajá umbu e pitomba que transitou de Fortaleza para o Rio de Janeiro, como parte dos presentes que o Diário do Nordeste, em nome dos cearenses, enviou para homenageá-lo em seu aniversário de 80 anos.

Ficou até nervoso. "É cajá?" Ergueu-se um pouco da cadeira de rodas, espichou com o rabo do olho e repetiu desconfiado. "É Cajá? Cajá mesmo?". Afastou a sonda do nariz e foi comendo cajá e quebrando com o dente a casquinha da pitomba. Enquanto roía o caroço, bem devagar e com cara de criança levada, ria-se dos porquês das frutas não estarem tão frescas e até um pouco amassadas. "Imagino a aventura de vir de tão longe cuidando desse pacote tão grande, menina", disse com carinho, cheirando as atas, goiabas e acerolas que também foram de presente para minimizar a saudade da terrinha.

O torcedor
 "Estou sabendo que no Ceará todos estão torcendo por minha saúde", entrecortou Chico, com voz grave. "O Ceará é sempre querido, sempre faz parte dos meus planos. Acho Fortaleza uma cidade divina, sem contar que as praias são insuperáveis. O único problema de lá é o Ferroviário...Ferrim, meu time do coração, podendo me dar essa alegria! Se eu acertasse na mega-sena, ajudava o Ferrim".

Quando falou no Ferroviário, deu para sentir um certo pesar. Chico murchou na cadeira. Até pensei que viesse uma brincadeira, mas ele emendou. "Eu, criança, meu pai presidente do Ceará, e eu torcedor do Ferrim, sozinho lá em casa... O único da família que não torce Ceará sou eu". E apareceu na testa aquela tez enrugada, que todo torcedor fanático-amargurado-desesperançoso tem. E acho que ele estava falando sério mesmo!

Com sonda e oxigênio a reboque, Chico está com movimentos lentos, mas a voz continua a mesma...o vozeirão de sempre. E o corpo cansado não corresponde à avidez por se expressar, denunciadas por alguns instantes de olhar firme.

"Estou bem, fazendo fisioterapia para o músculo me segurar, comendo tudo, só me falta andar, porque as pernas ainda estão fracas. Quatro meses de cama, dois meses só de UTI, é uma lenha! E sem poder beber água? Só tomava oito pingos na boca. É isso, entrei na quarta vida, agora só me restam três", diz sorrindo com o canto da boca.

A celebração
Feliz aniversário, ´Amado Mestre´! E Chico se apruma na cadeira quando vê saindo mais presentes da sacola. Dessa vez, duas imagens advindas do município de Canindé, especialmente para nosso gênio do século XX. Na primeira caixa veio São Francisco de Assis, xará e seu santo de devoção, devidamente trajado em tecido de saco tingido de marrom, com terço ornando o corpinho de 30 centímetros e claro, o cordão amarrado na cintura.

A amiga inseparável, Santa Clara, mais linda ainda, veio em outra caixinha do mesmo tamanho, com o hábito marrom também de saco, mantilha preta na cabeça, tercinho no corpo, igualzinho aos trajes das Irmãs Clarissas, que vivem enclausuradas e em contemplação no Mosteiro do Santíssimo Sacramento, e que são responsáveis pela estilização das imagens.

Chico colocou as duas mãos no peito, meio rindo, meio emocionado, e ouviu atento à narração da "via sacra" que o casal de santos percorreu até chegar às suas mãos, no belo apartamento de varanda envidraçada de ponta a ponta, com vista belíssima para a Lagoa da Barra, lugar onde mora há pouco mais de um ano com a mulher, Malga di Paula.

"Essas imagens são produzidas dentro do Convento das Irmãs Clarissas", expliquei. "Por sorte, ficamos sabendo que duas freiras vinham de Canindé para Fortaleza na quarta-feira, 6, dia seguinte ao senhor ter confirmado por telefone que poderia me receber para uma visita de aniversário no sábado à tarde, dia 9". E ele comendo pitomba. "Elas chegaram às cinco da manhã, trouxeram a encomenda de seus presentes, juntamente com esse CD de músicas sacras, e mandaram dizer que sua saúde está na intercessão da clausura. Depois as deixei em um hospital ali, na Aldeota, motivo pelo qual estavam na Capital".

"Você se livrou de um peso danado agora... Que aventura! Mas obrigado, obrigado por tudo, pelas frutas, CD, imagens, livros, pela lembrança, obrigado mesmo".

O fumo
"Chico", indago, logo depois de Malga encerrar a conversa e dar o sinal para que as enfermeiras afastem a cadeira de rodas para trás, onde ele retomaria a conversa com Daniela Escobar, "minha vizinha do 15", brincou Chico, a atriz que também estava lá de visita. "Chico, sei que, por diversas razões, o senhor não pode conceder entrevista, mas preciso saber se o senhor acredita que tudo isso que está acontecendo tem a ver com cigarro?"

"Se eu acho? Eu tenho certeza! Tudo isso que eu passo é por conta do cigarro. Se eu fosse ter de novo uma vida, faria tudo que fiz, até errado o que errei, só não fumava mais. Fumei durante 40 anos, quatro carteiras por dia, mas não se iluda, tanto faz uma como quatro, o mal é igual. Um dia resolvi parar, porque se você quiser parar, você para! Mas para mim foi tarde demais. Quando decidi, o enfisema já estava aqui."

Beijei sua mão, pedi sua bênção e fui para a sala contígua à varanda, aliás, ampla, elegante e impessoal como o ambiente anterior. Lá, Malga di Paula aguardava para uma breve conversa. E a entrevista deu certa dimensão do que vem acontecendo nos últimos meses com nosso Chico Anysio.

ENTREVISTA
Malga di Paula*

Malga di Paula
"Vários dias me disseram que o Chico (Anysio) não ia sobreviver"
Chico Anysio está novamente em casa depois de quase quatro meses internado. Como será de agora em diante?
Olha, eu que tô cuidando... Sinceramente? Não pensei em muitas coisas para o futuro. Porque o mais importante naquele momento era salvar a vida dele, era tê-lo vivo. O que desencadeou tudo isso foi um problema cardíaco que ele teve, numa artéria. Aí teve de colocar um stent (espécie de tubo condutor). Só que colocando esse stent, deu errado, furou a artéria, vazou sangue para dentro do pericárdio, foi um horror.

Isso aconteceu em dezembro?
Foi em dezembro. Aí, depois disso, foi uma luta, porque ele pegou infecção, teve um monte de problemas, foi uma batalha. Várias coisas aconteceram. Várias coisas ruins aconteceram. Vários dias me disseram que o Chico não ia sobreviver e tal.

Ele mudou de médico nesse processo, não foi?
Ele tinha um médico que estava cuidado dele, o Luiz Cesar Cossenza, mas eu não estava gostando da conduta dele, eu não estava satisfeita com ele fazia um tempo. Demorei mais tempo para trocar porque a família não concordava, filhos, irmãos, todo mundo. Mas aí tive que enfrentar sozinha e trocar de médico, sozinha, contra todo mundo. Depois de 56 dias que Chico estava lá (no Hospital Samaritano) troquei de médico. Foi no meio do processo mesmo, Chico estava no CTI. Aí chamei o doutor Luiz Alfredo Lamy e a equipe dele. Porque antes só tinha um médico que cuidava dele. Depois que entrou toda uma equipe, ele melhorou. Porque, até então, era uma cacetada atrás da outra. Um conselho que eu dou é que você nunca tenha medo de pedir a opinião para outro profissional. Tem hora que a decisão certa é trocar e foi o que fiz. Foi uma luta, contra todo mundo, mas deu certo, graças a Deus.

Você está com Chico Anysio há quanto tempo?
Vai fazer 13 anos. Quando o conheci, eu tinha 28 anos, agora estou com 41. Eu era cantora e vim fazer uma entrevista com ele sobre Dolores Duran, porque eles foram parceiros, ela gravou muitas músicas dele. Na época, consegui uma entrevista na casa dele! E doze dias depois nos casamos.

Doze dias? Foi rápido, né?
Quando fez nove dias que a gente se conhecia, fui embora para Porto Alegre, porque tinha minha vida lá. Daí ele ficou falando: "volta, volta, volta". Quero ver se esse cara tá falando sério mesmo. Daí, falei: "ah, se você quer que eu volte, vem me buscar". Ele pegou o primeiro avião e foi me buscar.

*Cantora e esposa de Chico Anysio

NATERCIA ROCHA
ENVIADA AO RIO DE JANEIRO

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Lançamento "História Entre Mundos", de Raquel Catunda, prêmio Rachel de Queiroz da SECULT (15.4)


Lançamentos Títulos Prêmio Eduardo Campos de Dramaturgia da SECULT


Histórias de Roça: ciranda, cirandinha venham monstros cirandar
de Elias de França

Açucena não é Flor que se Cheire
de Lourival Veras


— ganhadores do Prêmio Literário para Autor (a) Cearense

Prêmios Eduardo Campos, de DRAMATURGIA, da SECULT/CE —

Lançamento foi realizado no dia 9 de abril de 2011 (sábado) no Teatro Rosa Moraes  e os autógrafos aconteceram na Academia de Letras de Crateús, Ceará

Para aquisição de livros e contato com os Autores:

Lourival Veras - lmveras2@hotmail.com – (88-9201.5010)

Sobre as Obras:

Açucena não é flor que se cheire

No meio dos sertões nordestinos, lá nos recônditos, ainda há temas extremamente delicados. Sexualidade é um deles. Para muitos, os gêneros são apenas dois, e basta. Homem é o macho, o provedor, aquele criado com a função primordial de ser o par da mulher. Mulher, por outro lado, é a figura da casa, filha, mãe, esposa... e sem defeitos, que essas figuras não os tem. E quando algum foge a essa lei, é sempre filho de outro, nunca gente de nossa própria prole. Açucena é assim, com gente dos dois gêneros, mas divididos em outros, que ninguém precisa saber. Homens poderosos, brutos, típicos estereótipos do macho, e outros nem tanto. Mulheres femininas, criadas para as prendas domésticas, mas nem todas. Açucena é o "mundo da cidade" invadindo o sertão. São coisas que nunca se viu, embora tenham sempre existido. Peça nascida apenas para suprir um vazio momentâneo de texto da Cia. Os Cara da Arte, de Crateús (CE), acabou caindo no gosto dos atores/atrizes e do público, lotando o teatro em todas as suas apresentações. Premiada no Edital Literário para Autor(a) Cearense, da Secretaria da Cultura do Estado, agora ganha outras possibilidades de divertir mais e diversas platéias. Açucena não é flor que se cheire é como sua protagonista, feito para trazer alegria a todos. Boa leitura, boa montagem, feliz diversão.


Elias de França - escritor



Historias de roça: ciranda, cirandinha venham monstros cirandar


“Botar sentido na roça é proteger as sementes do futuro”. Esta frase do personagem Espantalho resume a mensagem central do texto, que é a atenção que devemos ter com a formação da criança, se quisermos ter uma nação com futuro mais promissor, onde os indivíduos, além de deveres, tenham também direitos assegurados, por exemplo, à saúde, à justiça, enfim, à dignidade humana e à cidadania. Para isso, o autor lança mão de figuras bizarras, conhecidas do universo infantil, de forma concreta ou abstrata, através do folclore, mitos, acalantos e lendas, criadas para assustar as crianças, ou, ainda, fazê-las entender conceitos como: bem/mal, pode/não pode, certo/errado, dominante/dominado... Estas figuras, personificadas nos atores e suas falas e atitudes, irão sutilmente despertar nos expectadores a consciência do “botar sentido no Mundo”, isto é, estar atento e participante. Esta preocupação deve ser constante e, conhecedor desta necessidade, o autor sabiamente se utiliza de figuras atemporais para transmitir sua mensagem. Assim, ao mesmo tempo em que se divertem, estarão diante de algo para além de mero entretenimento, assimilando conceitos que, vivenciados, farão com que mudem para melhor, mudando também o ambiente em que vivem. Montado uma única vez por meninos trabalhadores de Roça de um distrito Rural de Crateús, obtendo três prêmios no Festival de Teatro Estudantil da Cidade, contemplado também no IV Prêmio Domingos Olímpio, em dramaturgia, e agora virando livro com o Prêmio Literário para Autor Cearense da Secult, “Ciranda, Cirandinha, Venham Monstros Cirandar”, como texto, roteiro teatral e como pesquisa do imaginário e das problemáticas infanto-juvenis faz jus ao reconhecimento que tem tido. É uma obra original de raiz e sempre atual. Diríamos mais: é um texto interessantíssimo, oportuníssimo que educa e diverte.

Socorro Bezerra Pinho - jornalista

Fonte: Blog AmanaCULTURA