sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Museu Dom José de Sobral

Dotado de incansável espírito empreendedor, Dom José Tupinambá da Frota coletou, entre os anos de 1916 e 1959, um acervo de quase 5.000 peças reunidas no Museu Diocesano, considerado o 5º do Brasil em Arte-Sacra e Decorativa, pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus).

Fundado a 29 de março de 1951 e inaugurado oficialmente a 10 de março de 1971, o Museu Diocesano, hoje denominado Museu Dom José, é um magnífico painel da história social de Sobral e municípios norte-cearenses.

Possui acervo de coleções raras de meio de transportes, como liteiras e cadeiras de arruar; porcelanas e cristais da Boêmia, Baccarat, Limoges, e louças de Companhia das Índias Ocidentais; pratarias, artesanato regional, arte indígena, peças arqueológicas que suscitam a curiosidade dos estudiosos que buscam sítios da região.

Encontramos ainda expressiva coleção de arte-sacra, notadamente imaginária, cálices, oratórios, castiçais e demais objetos de culto que confirmam, por sua variedade e quantidade, o elevado sentimento de religiosidade do povo sobralense.


Ao lado dessas peças, encontra-se a arte em madeira, mostrada em mobiliário de origem brasileira e européia nas mais belas e variadas formas.
A coleção numismática impressiona pelo número de peças: cerca de 10.000 moedas. Destacam-se também, objetos de adorno, indumentária, pinturas, esculturas e armaria.

O acervo encerra toda a evolução do Vale do Acaraú; conta-nos a história da iluminação, antes da energia elétrica, a partir de velas de carnaúba até os mais finos lustres de cristal da Boêmia.

Vale salientar que grande parte desse acervo foi doado por famílias do norte cearense, numa época de hegemonia econômica e política de Sobral. Pela originalidade e valor das peças, podemos avaliar o nível cultural de seu povo.

Sobre o Museu, assim se expressou Gustavo Barroso, em carta dirigida a Dom José Tupinambá da Frota em 23/11/1955:

"...Da minha visita ao Museu Diocesano de Sobral guardei uma impressão de surpresa e admiração.
Surpresa por encontrar tão rico acervo de relíquias do nosso passado numa cidade sertaneja do Ceará; de admiração pelo incontestável valor do mesmo e pela pertinácia e esforço em conseguir reuni-lo. Seria muito desejar que os poderes públicos do Estado ou da Federação lançassem um olhar protetor sobre essa notável obra... Viriam esses poderes simplesmente coroar a iniciativa do trabalho da Cúria sobralense, nunca por demais louvado."

O prédio onde está instalado o Museu Dom José foi construído em 1844, pelo Major João Pedro da Cunha Bandeira de Melo, 1º Juiz de Paz de Sobral.

Sobrado de grande valor arquitetônico, com 57 janelas externas, dispostas ao longo de dois pisos, conserva até hoje características do estilo "império".

Comprado por D. José, o prédio foi o Palácio Episcopal de 1933 a 1959, quando ali faleceu o primeiro Bispo da Cidade. Logo depois, passou a abrigar o Museu.

Em 1992, suspendeu suas atividades em razão da precária situação de algumas partes da edificação.

No final da década de 80, a Diocese de Sobral confiou a direção do Museu à Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Reitorado do Cônego Francisco Sadoc de Araújo.

Por iniciativa do Reitor José Teodoro Soares, foi firmado convênio entre o Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará e a Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, para recuperação do Museu em sua estrutura física, e grande parte de seu acervo foi restaurado por especialistas, dentro dos mais modernos padrões.

O Museu Dom José, em sintonia com a moderna concepção museológica, propõe mostrar os objetos, não isoladamente, mas contextualizados, no espaço e no tempo do qual são partes integrantes. Daí a necessidade de reconstruir ambientes e dar-lhes a atmosfera da época, enfim, demonstrar como era a vida cotidiana dos sobralenses.

O Museu, como templo cultural sacralizado, passa a ser substituído por outros espaços ocupados por diferentes agentes sociais, ressaltando a cultura popular, buscando em suas exposições novos objetos, novos agentes, novas formas de lazer e saber.

Organizado com propósitos educativos para completar a educação formal, o Museu D. José dá prioridade a uma política pedagógica de revitalização da cultura norte-cearense defendida pela UVA.

A visita ao Museu torna-se, pois, parte essencial da educação moderna.

Com a reabertura, em 24 de março de 1997, pelo Governador Tasso Jereissati, as instituições públicas conveniadas cumpriram a função básica de preservar e divulgar o patrimônio cultural pertencente ao povo sobralense.

Santana do Acaraú-A culpa é de Dom José?


Não é de hoje que circula na cidade de Santana do Acaraú o seguinte lamento: "Santana do Acaraú não tem mais nada porque Dom José Tupinambá da Frota levou tudo o que de mais valioso tínhamos para o Museu Diocesano".
 
Deveras é árdua a tarefa de coletar objetos que contem a história de uma região.Para a fundação do singelo Memorial da Paróquia de Nossa Senhora Sant'Anna, muitas vezes, durante o recebimento de peças doadas, fomos testemunhas do quanto foi difícil aos doadores realizar tal ato. Para quem doa um objeto que está "impregnado" de sua história, separar-se dele é como vivenciar a morte de um ente querido.
 
Apliquemos agora o exemplo dado à época em que Dom José realizou seu trabalho de coleção de peças. Grande era o número de analfabetos, muitos dos doadores ou pessoas que venderam peças nunca tinham posto os pés em um museu e muitos padres, apesar da condição de suas formações, desconheciam tal arte. A idéia de um Museu era estranha ás pequenas "vilas" que circundavam a moderna Sobral.
 
Nas entrelinhas do que falamos acima, muitos alegam que o 1º Bispo de Sobral "confiscou" as peças que confiscou, para fazer um Patrimônio para a Igreja, acusada por muitos de seus filhos de gananciosa.
Tais pessoas desconhecem a formação que Dom José recebeu em sua preparação para ser padre em Roma, onde, sem sombra de dúvidas deve ter conhecido grandes museus.
 
Quem afirma o que descrevemos acima, tem uma visão superficial e totalmente destoante daquela que tinha Dom José. Para além do valor intrínseco do acervo do Museu (que constitui sem dúvida um Patrimônio), Dom José viu no Museu a possibilidade de preservar anos e anos de história e memória de toda a zona Norte do Estado do Ceará.
 
O que vislumbrava o Bispo traduz- se no fato de ser o Museu Dom José o 5º EM ARTE SACRA E DECORATIVA SEGUNDO O CONSELHO INTERNACIONAL DE MUSEUS (ICOM).
 
Quisera que realmente Dom José tivesse levado de Santana do Acaraú todas as nossas valiosas peças de arte Sacra e decorativas para integrá-las ao acervo do Museu Diocesano. Do número que suspeitam os pessimistas da cidade, nem a centésima parte lá existe!
 
Tais peças, senhores e senhoras, são objeto de um tombamento muito acurado. Estas, em virtude de seu cadastro, são protegidas pela Constituição Federal e, sendo o Museu instituição que faz parte do Sistema Brasileiro de Museus (SBM), tem técnicos especializados na conservação de seu acervo e a garantia de recursos para a manutenção da instituição.
 
Com "despudorada" audácia, para confirmar se a original imagem de Senhora Sant'Ana lá estava (uma vez que muitos guardiões de nossa memória dizem que a que está na Igreja matriz é uma réplica), visitei o Museu com tal fim.
 
Sendo muito bem recebido pela Senhora Giovana Mont'Alverne, diretora do mesmo, buscamos averiguar, nas duas únicas imagens da santa lá existentes , as marcas(dois orifícios na base da imagem para a introdução dos pinos do andor) que, segundo pessoas de Santana do Acaraú, confirmariam ser a da cidade.
 
Inspecionando, palpando e percutindo as bases da imagem, não encontramos os referidos sinais. Além disso, as imagens do Museu nada tinham de semelhante da "réplica" que está na Matriz de Santana do Acaraú.
 
É mais verdadeira a hipótese de que muitos SANTANENSES (QUE EM SUA GRANDE MAIORIA MORAM FORA DA CIDADE) compraram indevidamente ou levaram de modo escuso os seguintes objetos: a imagem original de Senhora Sant'Ana (comprada pelo Padre Antônio dos Santos da Silveira em 1739, quando da fundação da capela), o cálice de ouro cravejado de esmeraldas (em quantidade corespondente aos anos de sacerdócio do padre)dado ao padre Arakén por ocasião de um aniversário de ordenação sacerdotal, um ostensório de ouro onde o santíssimo foi exposto por ocasião da festa de cem anos da Paróquia em 1948, o lampadário de prata do Sacrário da Igreja Matriz,dentre outros.
 
A culpa colocada em Dom José foi oportuna a quem "extraviou" peças que hoje poderiam estar constituindo o acervo do Memorial da Paróquia de Nossa Senhora Sant'Anna e contando a história de nossa cidade.
 
É fácil colocar toda a culpa do atraso cultural de Santana em Dom José, para livrar -se do peso de consciência de não estar fazendo sua parte.
 
FIQUEMOS ATENTOS! SANTANA DO ACARAÚ É CADA UM DE NÓS!

Falta da mãe



Quando a mãe morreu, o chão desapareceu dos pés. Era ela quem tinha as rédeas da casa, organizava as muitas coisas que tinha para fazer. Foi dela a decisão de vir morar na cidade. Era ela que arrumava os filhos, organizava as festas, resolvia onde as crias iriam estudar. Fazia isso sem que o pai percebesse. Por isso, quando ela se foi, meio que de repente, a casa virou uma bagunça. 

Ninguém sabia onde estava a tesoura para cortar a unha da filha mais nova, não se encontrava a agulha para fazer a bainha da calça da escola do filho do meio. O filho mais velho deixou de ir para as festas. A mãe não mais arrumava as roupas dele. O pai achava irrelevante oferecer mesada para levar as namoradinhas às tertulias. Adolescente, foi ele quem mais sentiu a falta da mãe. Tentava arrumar os irmãos mais novos. Não sabia como.

O pai viu-se num aperreio sem fim. Perdido. Não poderia viver sem um apoio. Não deu tempo de chorar o luto da mulher. Precisava ter uma companheira. Escolheu a prima que vivia por ali. Ela sabia como funcionava a casa, conhecia os filhos, poderia cuidar deles. O filho mais velho não aceitou a escolha. Como ele poderia pensar em casamento se a mãe tinha morrido há poucos meses. O pai não deu muita atenção. Tinha explicação para isso. Estava casando de novo, justamente porque amava a primeira mulher. Não poderia viver sem uma pessoa. Sabia que a mulher entenderia a sua decisão.

Em casa, a madrasta logo imprimiu o seu jeito. Eram regras novas, que ninguém estava acostumado. O filho mais velho não aceitou aquilo. Queria que os irmãos continuassem a ter atenção. Tentou falar com o pai. Ele não deu ouvido. Não queria ter mais problemas do que já tinha. Aos poucos, os filhos foram embora de casa. Primeiro, o mais velho procurou amigos em cidade distante. Depois o irmão do meio, e, por fim, até a mais novinha.

Nas andanças pelo mundo, o mais velho nunca conseguiu digerir a decisão do pai. Casou, formou família, mas não perdoava o pai. Nunca mais quis voltar à cidade. Sonhava que a mãe não tinha morrido e que sua vida seguia por outro caminho. A vida seria outra. Poderia ter ficado. Só bem mais tarde, sonhou que a mãe sugeria que o tempo era da reconciliação.

Voltou à cidade. Refez o percurso da infância. Reviu amigos. Conversou com o pai, que já estava velhinho. Dele recebeu o carinho que esperou a vida toda. Retribuiu. Entendeu que os caminhos percorridos tinham pouca interferência dos outros.

A vida inteira a decisão maior foi dele. Era dele também aquele tempo de merecimento com o pai.

Tânia Alves
taniaalves@opovo.com.br

Fonte: O Povo

Quem é cearense vai lembrar


É macho... Quando o assunto é Ceará eu só lembro de um prato de farofa. Ô coisinha pra cearense gostar viu, a tal da farofada. Mas é bem verdade que existe muita coisa que nos remete aquele estado. E é para os legítimos cearenses que vai esse post. Quem tem a cabecinha achatada e está beirando os 30 anos vai se lembrar!

Você viveu ou conhece alguém que é do tempo em que...

Das mais antigas você ouviu falar de um time chamado Penarol, lá para os lados do bairro de São Gerardo? Na av. Bezerras de Menezes. Você lembra de quando surgiu o "Pessoal do Ceará"; pioneiros dos encontros na praia de Iracema, nas noitadas de viola e violão, altos papos embrionários do movimento.

Lembram de: Rodger Rogério, Teti, Edinardo, Raimundo Fagner,Belchior e outras mentes iluminadas e maravilhosas. Uns autodidatas outros com elevada formação acadêmica.Voces lembram dos festivais de música como o "Aqui no canto" da rádio Assunção lá pertinho da Escola Normal? Lembram Luis Assunção, Lá no Jardim América. Na rua Júlio César descendo da Gentilândia em direção ao Montese e Itaoca. Perto do canal. Lembram da rádio Dragão do mar na Av. do Imperador, da PRE 9, da rádio Iracema na praça José de Alencar, da rádio Uirapurú, em frente na praça da Bandeira, esquina de Clarindo de Queiroz com General Sampaio.

Do Pedrão da bananada na praça do Ferreira? Do local onde ficava o melhor churrasco da época no CURRAL descendo na décima região militar.
- A COBAL ficava na esquina da rua Assunção com Antônio Pompeu;
- E o IAPEC (Isto ainda pode cair!);
- Vendia-se 'chegadinha' de porta em porta (o 'veinho' passava tocando o triângulo) e 'quebra-queixo', maravilha! Picolé de 'ameba' de morango na praia. E o pirulito enfiado nas tábuas;
- O verdureiro ia de porta em porta montado no jumentinho e vendendo verduras frescas e o outro que ia montado no cavalo vendendo fígado e panelada;
- Véspera do Natal ir até a Praça do Ferreira ver as vitrines das lojas todas com enfeites natalinos era moda;
- Passear de Rural;
- Era chique ir na Lobrás subir e descer na 'primeira' escada rolante da cidade, tomar sorvete ou comer um sanduba;
- Sapato 'carinha de bebê', calça cocota e blusa frente única era luxo!
- Tempo dos 'mingaus pops' da Tatarana, Trasteveri e Santa Esmeralda;
- O barzinho 'Sovaco de Cobra';
- Tempo em que o Circo Voador trazia show de Cazuza, Geraldo Azevedo, Ângela Rô Rô, Kid Abelha entre outros;
- Início do Cais bar na Praia de Iracema;
- Tempo em que a Praia de Iracema era bastante bucólica e somente 2 restôs funcionando o ' La Tratoria' e o velho Estoril;
- Jantares do Náutico? Lagosta a Termidor;
- Restô mais chique da cidade: 'SANDRAS'?
- As feijoadas do Hotel Beira Mar, o primeiro da orla;
- Lembra dos fuscas pretos da polícia (TETÉU)?
- Da velha Ponte Metálica em tempo de cai mas não cai;
- Tempo da Mesbla na Senador Pompeu e da Flama (Símbolo de distinção) na praça do Ferreira;
- E do Mercantil São José? O primeiro supermercado do Ceará. É por isso que o cearense não faz feira, faz mercantil;
- E o programa do Augusto Borges fazendo propaganda do Mercantil São José com
suas Gincanas;
- Ir ao Recreio Clube de Campo era uma viagem com muito verde e salinas pelo
caminho;
- Havia o restô Toca do Coelho (seis Bocas) e Frango Dourado (no Eusébio) com seu sarapatel de frango delicioso;
- E do restaurante Cirandinha em frente do comercial Clube ?? (É o novo!);
- Das peixadas no restô 'Alfredo o Rei da Peixada' e sempre aparecia um boneco ventríloquo para divertir a gente;
- E o camarão do OSMAR com aquele beco bem apertadinho...
- Do pequeno zoológico que havia no Parque das Crianças;
- Ir a shows no Ginásio Paulo Sarasate (Rita Lee, Gilberto Gil, Fábio Jr, Elba, Ney Matogrosso, Moraes Moreira, Nina Hagen, entre outros);
- Ir a Jericoacoara de barco (saindo de Camocim) Jeri sem energia, sem hotel ou pousada (o povo ficava em casa de pescador);
- E Canoa Quebrada sem pousadas de luxo e sem a gringolada como dona de tudo;
- Do bronzeador 'Nude bronze' e colônia 'Contoure';
- Comprar 'mentex' e 'piper' antes de assistir filme no Cine São Luiz e Diogo;
- Do batom 'brilho' que era vendido exclusivamente na Casa Parente do Centro;
- Da pizza no Jairo na Av. Santos Dumont;
- Ir a Feira das Flores no Passeio Público (quando ainda era um ambiente familiar). Um luxo!
- Assistir aos sábados pela TV o programa do Irapuan Lima e do Chacrinha;
- Do barzinho Carbono 14;
- Ir aos domingos ao aeroporto ver os aviões decolarem;
- As noites de sexta e sábado na boite 'Senzala' 'Boeing, Boeig no Bairro Aeroporto e o Restaurante Caravele;
- Tempo do Edifício Avenida na esquina da Barão do Rio Branco com Duque de Caxias;
- Da calça 'Lee' com nesga bem larga!
- Da banda de rock Perfume Azul;
- Namorar no barzinho Play Boy na Praia do Futuro;
- Usar decote canoa era alta moda;
- Da touquinha da Miss Lene, do vestido tomara-que-caia (que as vezes caía), blusa de elastex, ferro a carvão comprado ali perto do Zé Pinto na Bezerra de Menezes;
- Comprar tamanco na TAMANCOLÂNDIA na Av. Monsenhor Tabosa, quanto mais alto mais chique;
- Da feirinha da Praça Portugal (só a moçada!) na sexta feira e da 13 de Maio aos sábados (artesanato e comidas típicas);
- Do Jardim da Menopausa (Aquarius) na Beira-mar;
- Do Barzinho 'BADALO';
- Das Barracas da Praia do Futuro: 'Sapuriu' (cruzamento do sapo com a puta que pariu),
CABOLETÊ, BOLA BRANCA e do bar do POP;
- Das Lojas Di Roma, Xepão, Xepinha, Carvalho Borges, Samasa, Ocapana e Abarana, Bel Lar, Esmeralda, Sapataria Esquisita;
- Do quarteirão do sucesso da Dom Luis - do New York, New York;
- Do sorvete no Juarez;
- Pastéis com caldo de Cana da Leão do Sul do centro da cidade;
- Do restaurante Pombo Cheio, próximo a Faculdade de Medicina (UFC);
- O barzinho 'O PILÃO' no Morro Santa Terezinha;
- Do barzinho 'Varanda' na Leste Oeste. (Ótimo visual e nada de bandido!)
- Barzinho Brasil Tropical;
- Dos festivais da 'Costa do Sol' da Tabuba;
- Do Motel Calango 'chão de estrelas' - no morro da Praia do Futuro. (Era 'relax' total e ñ tinha nada de pavor e medo, como nos dias de hoje);
- Da farmácia do Seu Coelho na Avenida Domingos Olímpio, Eita!
- Tempo em que a Av. Sen.Virgílio Távora ainda era Av. Estados Unidos;
- Do Seu Edgar na rua Antonio Pompeu que consertava tudo. Entre outras coisinhas, ele colocava 'virola' nos sapatos;
- Tomar picolé da GELATI;
- De gazear aulas à tarde para assistir filme no São Luiz na semana do festival de cinema;
- Tomar banho de chuva nas bicas das casas;
- Ir no Jumbo e comprar grapete, crush, guaraná Wilson, TAI e Cacique;
- De andar no elefante na inauguração do Jumbo do Center Um;
- Do tamanco Dr. Sholl e do sapato cavalo de aço;
- Comer no jantar 'bife caron';
- Tempo que 'ficar' era sarrar (tirar sarro);
- Tempo em que Soft era uma bala, hoje é sobrenome de vereadora;
- Do curso de datilografia na Praça Coração de Jesus e do Curso Andrade Lima na Av do Imperador. (Vixe!!!!)
- Das revistinhas Bolota, Brotoeja, Tininha, Riquinho e Luluzinha;
- Do jornal Pasquim;
- De assistir 'A Ilha da Fantasia' nos sábados à tarde;
- Das lambadas aos sábados no Pirata (quem tinha o vale-lambada podia dançar com os bailarinos);
- Do restaurante 'TACACÁ' na Beira Mar;
- Do bar e restô ANIZIO, amanhecendo o dia vendo Irapuan Lima fazendo Cooper (ninguém merece!);
- Da estica para tomar caldo Deor - Iracema;
- Comprar vassoura e espanador na porta de casa;
- Comprar no centrão pote de creme Rosa Mosqueta vindo do Paraguai;
- De se bronzer com Óleo Jonhson e Coca cola ou 'Raito del Sol';
- Do grupo cearense Quinteto Agreste e os Canarinhos do Nordeste;
- Do Projeto Pixinguinha no Teatro José de Alencar a preço popular onde apresentaram 14 Bis, Nara Leão, Maria Alcina, Moreira da Silva, Artur Moreira Lima, Cida Moreira, entre tantos outros;
- No Natal, esperar o Papai Noel e a Turma da Mônica chegar de helicóptero no estacionamento do Shopping Iguatemi;
- Inauguração das lojas Americanas no centro da cidade;
- Do Zé-Tatá;
- Lembra dos lanterninhas?
- Ir passar férias na colônia de férias do SESC em Iparana e na COFECO era tudo de bom;
- Dos comerciais da Varig: 'seu Cabral vinha navegando quando alguém logo foi gritando - terra a vista! E foi descoberto o Brasil, e a turma gritava: bem vindo seu Cabral! Mas Cabral sentiu no peito, uma saudade sem jeito, volto já pra Portugal, quero ir, pela VARIG, VARIG, VARIG....'
- Do tempo em que o IJF (Instituto José Frota) era Assistência;
- Do bar Cabaré da Pirrita na Praia de Iracema (um barzinho irreverente na época e freqüentado por políticos, intelectuais e músicos... até Ciro Gomes e Fagner davam umas voltinhas por lá.)
- Assistir Tom Cavalcante fazer shows de graça na Beira Mar e Barzinhos da cidade;
- Do tempo que criança usava calça enxuta (não existiam fraldas descartáveis);
- As propagandas do Romcy que ficava na Br. Rio Branco com Liberato Barroso;
- Após o Jornal Nacional com Sérgio Chapelen e Cid Moreira você ouvia a voz do Assis Santos dizendo: 'Amanhã o barato do dia Romcy é...'.he he he !!!! 'Romcy é Romcy, barato todo dia'!
- Surgia o Gerardo Bastos: onde um pneu é um pneu!
- O Bar Carinhoso na cobertura de um edifício no centro da cidade;
- Dos bailes infantis de carnaval no América, Círculo Militar, Country, Líbano, Náutico, Diários, BNB e Clube B-25;
- Do corso da Av. Dom Manuel;
- Tempo das Tertúlias com 'luz negra';
- Estudar OSPB e Educação Moral e Cívica. É o novo!
- E a mais antiga de todas: Chupar rolete de cana que vinha fincado em uns espetinhos. (Eita !!!)
- Calçar 'fonabô' e sandálias de 'borracha de pneu'. E as congas e os kichutes usados para irmos ao colégio;
- E as cachaças 'Bagaceira', 'Chave de Ouro' 'Dandiz' (aquela vermelinha);
- E os cigarros Kent. Eldorado, Continental sem filtro, Dumorrier (pretinho), Chanceler;
- O tri-campeonato do Ceará na década de sessenta!

Pense num lugar pai d'égua!
Viajar no trem 'sonho azul'...
O ano todo com um calor de rachar o quengo.
Toda noite tem comédia e o povo é bonequeiro que só!
Tá pra nascer quem é Cearense que não é amancebado com esse lugar.
Tem é Zé prum cabra conhecer aqui e depois querer capar o gato.
Pode ser liso, estribado, vir de perto ou lá da baixa-da-égua.
Qualquer um fica arreado quando vê as praias daqui.
Fica logo todo breado de areia, depois se imbioca no mar e num quer mais sair nem a pau.
Depois de conhecer a negrada, então, vixe!
Se o Estado é bom assim, avalie o povo!

Tem gente de todo jeito: do fresco ao invocado, do batoré ao Galalau, dos gato réi às espilicute, dos rabos-de-burros, do cabra-macho ao Fulerage e muitas outras marmotas. Bom que nem presta! É por isso que nas férias dá uma ruma de turista tudo doido por uma estripulia, porque sabem que isso aqui não é de se rebolar no mato.

Só precisa dar um grau ou uma guaribada aqui ou ali, mas, mesmo assim, tá de parabéns. Arre égua, ô corra linda, macho, o Estado do Ceará!!! É minha gente isto também é um pouco de história da nossa Fortaleza.

Fonte: Blog Cultura Nordestina

Literatura-Prêmio Jabuti anuncia finalistas


Os finalistas da 53ª edição do Prêmio Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do País, foram anunciados. São dez finalistas em cada categoria, mas, quando há empate, podem se classificar mais que dez.

Os vencedores de cada categoria serão definidos no dia 18 de outubro. A festa de premiação ocorre em 30 de novembro, quando são anunciados o melhor do ano de ficção e não-ficção, escolhidos entre os vencedores de cada categoria.

Entre os finalistas na categoria romance, encontram-se: "Paisagem com Dromedário", Carola Saavedra, "Ribamar", de José Castello, "O Evangelho de Barrabás", de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta; "Passageiro do Fim do Dia", de Rubens Figueiredo; "Dom Frutos", de Aldir Garcia Schlee; "Hotel Brasil", Frei Betto; "Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus", Evandro Affonso Ferreira; "Cidade Livre", João Almino; "Hotéis à Beira da Noite", de Perjohns; "Suposta Biografia do Poeta da Morte", Elias Antunes; "Os Malaquias", de Andrea Del Fuego.

Entre os finalistas de contos e crônicas, estão: "Desgracida", Dalton Trevisan; "A Pedagogia dos Caracóis", Rubem Alves; Vida É um Show", Guga de Oliveira; "Ficção Interrompida", Diógenes Moura; "Meio Intelectual, Meio de Esquerda", Antonio Prata; "A Placenta e o Caixão", de Deonísio da Silva; "O Mau Vidraceiro", Nuno Ramos, "A Sordidez das Pequenas Coisas", Alessandro Garcia; "Três Dúvidas", Leonardo Brasiliense; "Retratos Imorais", do cearense Ronaldo Correia de Brito; "Anônimos", Silviano Santiago; "Louca Uma Ova", Raymundo Nonato A. Siqueira.

Na categoria reportagem, há: "1822", de Laurentino Gomes; "Lugar de Repórter ainda é na Rua", de Mauro Junior e José Roberto de Ponte; "O Assalto ao Poder", de Carlos Amorim; "O Cardeal e O Repórter", de Ricardo Carvalho; "Amazônia de Euclides", de Daniel Piza, "Pedro e os Lobos", de João Roberto Laque; "Os Sertões - Um Livro Reportagem", Fabiana Moraes; "O Irã sob o Chador", de Adriana Carranca e Marcia Camargos; "Conversa sobre o Tempo", com diálogos de Zuenir Ventura, Luis Fernando Verissimo e Arthur Dapieve; "Sou Feliz, Acredite", de Monica Bernardes e Mauro Tertuliano.

Em poesia, foram classificados: "Modelos Vivos", de Ricardo Aleixo; "Bella Donna", Tite de Lemos; "Em Alguma Parte Alguma", de Ferreira Gullar (colunista do Diário do Nordeste), "Em Trânsito", de Alberto Martins; "Poemas Reunidos", de Geraldo Carneiro; "Linear G", Gilberto Mendonça Telles; "As Horas de Catharina", de Bruno Tolentino; "A Duração do Dia", da Adelia Prado; "Poesia Completa", de Manoel de Barros; "NDA", Arnaldo Antunes.

Fortaleza-Atrativos culturais e turísticos da Capital serão mapeados

90% dos espaços como praças, igrejas e cinemas estão no Centro; objetivo é saber o que precisa ser melhorado

PRAÇA DO FERREIRA: desde 2001, após pesquisa popular, foi declarada Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza. Entretanto, os ssaltos têm afastado os visitantes  FRANCISCO VIANA

O Centro da Capital está repleto de equipamentos históricos que fizeram e fazem parte da vida de milhares de cearenses. Segundo a Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor), estima-se que existam na cidade cerca de 380 destes espaços culturais, sendo que 90% estão localizados no Centro. Praças, farmácias, cinema, igrejas, alguns com quase um século. Entretanto, dezenas deles estão desativados, e não se sabe como nem o que precisa ser melhorado nos que estão funcionando.

Esse foi um dos motivos que levou a Setfor a elaborar o Inventário de Oferta Turística de Fortaleza. O objetivo é mapear todos os atrativos, serviços, equipamentos culturais e turísticos da cidade para estimular novos roteiros e novas áreas não consolidadas, deixando de lado a ideia de que Fortaleza só tem a oferecer sol e mar. Ao todo, uma equipe de 26 pesquisadores entre eles turismólogos, arquitetos, historiadores e geógrafos, vai realizar este trabalho durante sete meses.

Primeira visita
O mapeamento começou pelo Centro da Capital. A primeira visita dos pesquisadores, na manhã de ontem, foi a farmácia Oswaldo Cruz, com 74 anos de história. A aposentada Acyra Alencar, 76 anos, relata que o lugar marcou a sua vida e que, para ela, além de uma tradição, o lugar é um patrimônio da cidade. Diariamente, ela frequenta o Centro, e conta que, mesmo sem precisar de remédio, dá uma passadinha no lugar para falar com os amigos. "A vida da gente é feita de histórias, e eu posso dizer que o Centro faz parte da minha. Frequento, juntamente com o meu esposo, os restaurantes, praças, lojas e a farmácia e nunca fui assaltada", afirma Acyra.

Entretanto, ainda há muito o que ser melhorado por lá. Um dos espaços que marcaram a infância de muitos fortalezenses foi o Cine São Luiz, na Praça do Ferreira. Porém, há alguns anos está desativado e ainda não tem data para requalificação e reabertura.

O secretário de Turismo de Fortaleza, Moacir de Sousa Soares, que esteve acompanhando a primeira visita do Inventário da Oferta Turística ao Centro, ressalta que a pesquisa irá ajudar na realização de um planejamento turístico na cidade em possíveis reajustes estruturais e de formação dos equipamentos, sejam eles públicos ou privados. Até porque, segundo o secretário, não se sabe quantos equipamentos culturais existem na cidade, nem como estão a preservação e os serviços. "Esse diagnóstico funcionará como uma bula para que nós, gestores, possamos tomar decisões certas a cerca de centenas de imóveis desativados ou que precisam ser requalificados", explica.

Para a professora do curso de Turismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) e uma das coordenadoras da pesquisa, Sílvia Romero, a intenção é que, depois do diagnóstico, lugares como o Cine São Luiz voltem a funcionar. Segundo ela, se desfaça a ideia de que Fortaleza é apenas uma cidade de praia. "Temos equipamentos importantíssimos que estão se perdendo", destaca.

Segundo a também coordenadora Fátima Aguiar, todas as áreas das sete Secretarias Executivas Regionais serão visitadas. De acordo com o cronograma, a segunda área a ser mapeada será a Regional II, onde fica a Beira-Mar, Praia de Iracema e a Varjota, um dos polos gastronômicos de Fortaleza.

KARLA CAMILA 
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste 

PASSEIO PÚBLICO: mais antiga praça da Capital. Tem vista para o mar e árvores centenárias, como o baobá plantado por senador Pompeu,que teve o tronco danificado FRANCISCO VIANA 



Theatro José de Alencar: inaugurado em 17 de junho de 1910, com a banda sinfônica do Batalhão de Segurança, regida por Luigi Maria Smido e Henrique Jorge FRANCISCO VIANA

Cine São Luiz: tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1991. O último evento realizado ali foi a 20ª edição do Cine Ceará, entre 24 de junho e 1º de julho MIGUEL PORTELA (20/07/2010)

Farmácia Oswaldo Cruz: fundada em 1934, é a pioneira em manipulação no Ceará. Preserva a arquitetura, além de fazer exposição de objetos farmacêuticos antigos FRANCISCO VIANA 


Mercado Central: visitado diariamente por milhares de pessoas. No entanto, uma feira realizada nas imediações vem causando sujeira e desconforto para turistas FRANCISCO VIANA


Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

História do Ceará é resgatada na série Obras Raras

A Fundação Waldemar Alcântara (FWA) lança, na próxima semana quinta-feira (29), às 19h30, no Centro Cultural Oboé, os três primeiros títulos da Série OBRAS RARAS, que passa a integrar a Coleção Biblioteca Básica Cearense, iniciada em 1997.

O CEARÁ, BOLETIM DE ANTROPOLOGIA (dois volumes) e DIÁRIO DE VIAGEM DE FRANCISCO FREIRE ALEMÃO são livros que passaram por um processo de resgate a fim de garantir a construção da memória bibliográfica e histórica do Ceará e de seu povo. O lançamento das novas edições conta com a parceria do Banco do Nordeste, através do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE).

Durante o lançamento, será realizada uma palestra com a professora Lourelai Kury, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz e professora-adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Lourelai Kury falará sobre a Comissão Científica do Império: 1859-1861, primeira expedição científica conduzida por brasileiros dentro do país, e cujo ponto de partida foi o Ceará.

Por Flávia Nobre

Ói, ói o trem...

A história da ferrovia no Estado é tema da exposição "Memórias e Histórias nos Caminhos de Ferro do Ceará". A mostra traz uma série de fotos e objetos históricos



No livro a "Era das Revoluções", o historiador britânico Eric Hobsbawm chama a atenção do leitor para a potência simbólica despertada com o aparecimento do sistema ferroviário. Assim, em suas palavras, ele enfatiza: "nenhuma outra inovação da revolução industrial incendiou tanto a imaginação quanto a ferrovia, como testemunha o fato de ter sido o único produto da industrialização do século XIX totalmente absorvido pela imagística da poesia erudita e popular(...). A estrada de ferro, arrastando sua enorme serpente emplumada de fumaça, à velocidade do vento, através de países e continentes".

A Revolução Industrial, que se processou na Europa, sobretudo na Inglaterra, a partir do século XIX, surgiu quando os meios de produção passaram a se concentrar em grandes fábricas, como consequência do emprego da máquina na produção de mercadorias. O aumento do volume de produtos e a necessidade de transportá-los com rapidez e agilidade fizeram com que os empresários ingleses apoiassem o projeto de George Stephenson (1781-1848). O inventor foi o pioneiro que obteve resultados concretos com a construção de locomotivas, dando início à era das ferrovias.

Anos depois, no Brasil, a primeira ferrovia foi concedida, em 1852, a Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá. O trecho contemplado percorria a Baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro, e seguia em direção à cidade de Petrópolis (RJ). O trajeto tinha 14,5 quilômetros de extensão, sendo inaugurada no dia 30 de abril de 1854 por Dom Pedro II. A partir de então, foram construídas várias ferrovias pelo País.

Exposição

A ferrovia foi de grande importância para o desenvolvimento do Ceará. Sua história começa com a implantação dos trilhos, ainda na época do Império, em 1870, para a construção do primeiro ramal entre Fortaleza e Parangaba. O trem de carga e de passageiros encurtou distâncias e facilitou a comunicação entre Fortaleza e o restante do Estado. A história do trem cearense é rica em relatos e personagens.

Trajetória cuidadosamente retratada pela exposição "Memórias e Histórias nos Caminhos de Ferro do Ceará", que será inaugurada, hoje, às 19h30, no Centro Cultural do Crea. A mostra, com curadoria assinada pelo engenheiro aposentado José Hamilton Pereira e pelo jornalista Túlio de Souza Muniz, é composta por dez objetos, dentre eles um relógio, aparelho telegráfico, telefone, lanterna, dois protótipos de locomotivas antigas, sino, um deodolito, um pedaço de trilho, farol de locomotiva e datador de bilhete, além de 30 fotografias.

As fotos representam o período que vai do final século XIX até o início do século XXI. Elas são provenientes dos arquivos do pesquisador Nirez, do Museu Ferroviário, Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e Metrofor, do curador Hamilton Pereira e de Assis Lima. Durante a abertura da exposição será exibido um compacto do documentário "O Último Apito", do memorialista Aderbal Nogueira, e com a produção de Maristela Mafuz. O vídeo traz depoimentos de personagens ligados a história da ferrovia no Ceará.

São relatos emocionados de ex-ferroviários, resgatando aspectos históricos, desde a implantação da estrada de ferro no fim do século XIX até a desativação do trem de passageiro na década de 1980.

Livro
Os descaminhos de ferro do Brasil
José Hamilton Pereira e Túlio de Souza Muniz


Expressão gráfica
2011
150 PÁGINAS
R$ 20

O Livro conta histórias das ferrovias no Ceará. Resultado de uma pesquisa sobre o surgimento e a decadência das locomotivas, no Brasil.


MAIS INFORMAÇÕES

Abertura da exposição Memórias e Histórias nos Caminhos de Ferro do Ceará, hoje, às 19h30, no Centro Cultural do Crea-CE (Rua Castro e Silva, 81, Centro). Visitas de segunda-feira a sexta-feira, das 14 às 18 horas. Segue em cartaz até 31 de outubro.



ANA CECÍLIA SOARES
REPÓRTER

Viagem ao redor do poema

Escritor Alexandre de Lima Sousa edita seu terceiro livro, "Depois do sempre". Coleção de poemas será lançada às 19 horas, na Livraria Lua Nova

O poeta Alexandre de Lima Sousa: escritor lança obra premiada. Coleção de poemas é marcada pela precisão
FOTO: JOSÉ LEOMAR

Em seu livro anterior, "Estado de Sítio" (2007), o escritor cearense Alexandre de Lima Sousa fazia poesia para além da poesia. O projeto gráfico, em papel reciclado e impresso em verde, dialogava com as imagens dos versos, em que figurava frutas, lesmas, borboletas, macacos. Havia ainda um vídeo, criado pelo realizador audiovisual Fred Benevides, que dialogava com a obra.

"Depois de sempre", seu novo trabalho, faz o caminho inverso: concentra-se nas expansões possíveis no próprio universo do poema. O livro foi um dos vencedores do Prêmio Caetano Ximenes Aragão, categoria que premiou obras de poesia no Prêmio Literário para Autores Cearenses, lançado pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult), no ano passado. O escritor lança "Depois do sempre", às 19 horas, na Livraria Lua Nova.

Investigação íntima
No livro, o poeta opera um movimento diferente. Se antes ele falava do outro, da cidade convertida em selva, evocada de maneira oblíqua ao se mencionar plantas e bichos, agora Alexandre se concentra na fauna e nos climas interiores. Os versos são mais introspectivos. Mas não no sentido de ser uma poesia egoísta, narcisista, mas de usar as próprias experiências, contradições, impasses e questões para investigar o incômodo de estar no mundo.

Em "ambíguo", trata-se de identidade (cada vez mais móvel) e da própria condição de ser poeta: "mas do que sou/ pareço ser". "Dilema solucionado" ecoa debates sobre a condição do poeta, um fingidor para Fernando Pessoa: "não/diametralmente/ um mentiroso//tão/somente/ um poeta".

Os dois poemas ajudam a ter uma boa ideia da escrita de Alexandre de Lima Sousa: a aparente simplicidade e sutileza de abrir o poema, de trabalhar sua natural ambiguidade; o gosto pelas formas breves; e a confusão (proposital) do mundo interior do escritor e de universos em que transita.

Novos projetos
Alexandre já trabalha no sucessor de "Depois do sempre". Em seu próximo livro, ele deixa de lado a poesia em versos e envereda pela prosa - ela mesma a ser eivada de poesia, em textos curtos, que margeiam e oscilam, entre o ficcional e o real.

Poemas  
Depois do sempre  
Alexandre de Lima Sousa
EXPRESSÃO GRÁFICA
2011
138 PÁGINAS
R$ 20
Lançamento às 19 horas, na Livraria Lua Nova (Av. 13 de Maio, 2861). Contato: (85) 3214.5488


DELLANO RIOS
EDITOR

A vida e a literatura em instantes breves

Hoje, no Ideal Clube, a escritora Lourdinha Leite Barbosa, professora da Universidade Estadual do Ceará, lança seu segundo livro de contos, "Pela moldura da janela"

A escritora Lourdinha Leite Barbosa: nova coleção de contos da autora cearense levou alguns anos para ficar pronta

Loudinha Leite Barbosa, ex-professora da graduação em literatura da Universidade Estadual do Ceará, lança hoje, no Ideal Clube, seu segundo livro de contos. "Pela Moldura da Janela & Outras Histórias", editado pela Topbooks, foi vencedor do Prêmio Milton Martins de Contos, promovido em 2008 pela Academia Cearense de Letras. Em 141 páginas, Lourdinha explora, em histórias breves, detalhes do cotidiano.

"Creio que, em meu livro, trato da precariedade humana, da condição do homem, das dificuldades de convivência... São pequenos acontecimentos do cotidiano, aparentemente insignificantes, mas ganham uma grande relevância para os personagens. São uma ponta de um drama maior", explica. De fato, a professora, com sua escrita econômica - objetividade e poucas páginas - situações íntimas da vida de sujeitos comuns, de tal modo que, ao final, fica-se sempre desejando que a história continue. São aperitivos de vida.

De acordo com a autora, a obra levou alguns anos para ser escrita. Para enviá-lo à gráfica, foi preciso tomar uma sofrida decisão: finalizá-la. "Não acho que seja uma característica só minha, muitos escritores passam por isso: enquanto o livro está em seu poder, você não consegue não modificar nada. O autor está sempre acrescentando algo, escrevendo mais. Mesmo depois de enviar para a gráfica, ainda fiz algumas mudanças", revela.

Magistério
Com algumas décadas como professora de literatura (ainda dando aulas, mas na pós-graduação da universidade), Lourdinha confessa-se uma apaixonada por livros. Não conseguiria citar qual especificamente lhe tenha inspirado, já que foram tantos lidos ao longo da vida.

"Adoro literatura brasileira: Machado de Assis, Clarice Lispector, dos poetas aos prosadores. Li muito de tudo. De outros países, gosto muito de Fernando Pessoa, Joyce Joyce... os grandes clássicos. Amo o que faço e tudo me influencia um pouco", enumera.

Entre tantos, contudo, um nome acabou por ganhar destaque no currículo: o da cearense Rachel de Queiroz. A professora escreveu livros e inúmeros artigos sobre a escritora cearense. "Não me arrisco a uma comparação com ela, mas acho que tenho também uma preocupação com as questões femininas, algo típico de Rachel. Também me dedico a tornar o meu texto agradável ao leitor", comenta.

Os anos de literatura lhe conferiram, de fato, um texto leve e acessível, sem rebuscamentos desnecessários. "Talvez por ser professora, me preocupo em levar ao leitor um texto por meio do qual ele possa dialogar comigo, preencher as lacunas", acrescenta. Além de preocupar-se com o aprimoramento de sua própria escrita, Lourdes também se dedicou ao cuidado com a produção textual dos estudantes. Com satisfação, ela comenta que perdeu a conta de quantos ex-alunos se tornaram professores e escritores.

Segundo ela, ainda há na academia muitos estudantes interessados em saber mais sobre a literatura cearense e em fazer parte dela. "No Ceará temos excelentes escritores, na prosa e na poesia. É gratificante ver que na universidade os alunos ainda tem curiosidade pelo trabalho de conterrâneos", afirma.

Contribuições
Seu último livro de contos "A Arte de Engolir Palavras" (2001) tornou-se título de um blog pessoal (http://lourdinhalb.blogspot.com), através do qual recebe feedbacks de amigos e leitores. "No primeiro livro, recebia cartas de leitores. Dessa vez, as pessoas comentam e mandam material pelo blog. Estou me adaptando ao computador ainda e por isso não atualizo muito o site, mas gosto de poder receber essa contribuição dos leitores pela internet", afirma a autora. Falando em internet, "Pela Moldura da Janela & Outras Histórias" já está disponível no catálogo online da editora Topbooks. Contudo, no lançamento, às 19h30, será vendido a preço promocional.

Contos  
Pela Moldura da Janela & Outras Histórias 
 Lourdinha Leite Barbosa

Topbooks
2011
141 páginas
R$ 41,90


O lançamento acontece hoje, no Ideal Clube (Av. Monsenhor Tabosa, 1381), às 19h30. Durante o evento, o livro estará a preço promocional: R$ 30. Depois pode ser adquirido pelo catálogo online da editora Topbooks.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fotografia-Parentada reunida

Os fotógrafos da família Albano-Aratanha apresentam pela primeira vez seus trabalhos reunidos em uma só exposição. A mostra fica em cartaz até novembro no Espaço Cultural Correios

(RICARDO DE ARATANHA)

Bem antes de se tornar o nome de uma rua no Centro da Cidade, Barão de Aratanha era o título de nobreza do cearense José Francisco da Silva Albano, comerciante rico, coronel da Guarda Nacional e figura importante na Fortaleza do século XIX. Homem de posses e herdeiro de terras da Serra de Aratanha – daí veio o título de um decreto imperial de 1887 –, o barão deu origem a uma linhagem de fotógrafos importantes no Brasil: os bisnetos José e Maurício Albano (que são irmãos) e os tetranetos Ciro Albano (filho de Maurício) e Mario, Ricardo e Fernando de Aratanha (também irmãos, mas primos de José e Maurício). O trabalho dos seis fotógrafos é reunido pela primeira vez na exposição 6xAlbano, que será aberta amanhã (22), no Espaço Cultural dos Correios, com vernissage marcada para sábado (24), às 17 horas.

A complexa genealogia do clã Albano-Aratanha é bem singular. O barão teve dois filhos, João e José. Dos seis filhos de João, um deles – o Joaquim – é pai de José e Maurício Albano. Dos 14 filhos de José, um deles era Pedro que gerou outro Pedro – o Pedro Samuel – que por sua vez é o pai de Mario, Ricardo e Fernando de Aratanha. “É uma família que não só tem fotógrafos, mas também artistas de outras áreas. Foi o que me chamou a atenção”, explica a curadora da exposição, Jeanne Duarte, esposa de Mario há 21 anos.

A necessidade de entender a produção artística do marido levou Jeanne a conhecer a família. “Percebi similaridades nas fotografias dos seis. Mergulhei no acervo de cada um e cheguei a ver cerca de 20 mil fotos”, conta Jeanne. Para que o público perceba as semelhanças, a exposição apresenta três sequências de projeções simultâneas com 400 imagens em alta definição feitas pelos seis fotógrafos, sem diferenciá-los. Outra sala expõe o trabalho individual de cada fotógrafo, também em projeções, devolvendo a imagem ao seu contexto original.

“Eu e o Zé herdamos a paixão pela fotografia do nosso pai, que era médico. De alguma forma, isso também ficou no sangue de meu filho Ciro”, explica Maurício Albano. Ele percebe que o olhar para a natureza e para as cores é um traço em comum entre os seis. “Mas existem diferenças. Eu sou mais dedicado à natureza pura. Apesar de já ter fotografado rostos, desprezei por um tempo a figura humana das minhas imagens. Sou libriano e gosto do belo e da harmonia. Não faço foto para acusar a desgraça humana”, diz.

Já Fernando de Aratanha assumiu o gosto pela fotografia por influência de seus irmãos Mario e Ricardo. “Como me vi cercado de arte, já queria ser fotógrafo desde os 15 anos”, comenta Fernando. Formado em Comunicação no Rio de Janeiro, ele viajou aos Estados Unidos para aprender sobre fotografia e conseguiu montar um estúdio. “Passei a ser fotógrafo comercial para ganhar a vida, fazendo editoriais de arquitetura, fotos para publicidade, mas sempre com uma veia artística”, pontua Fernando, que há cinco anos voltou a morar em São Paulo. Ele acredita que, apesar da exposição seguir um fio condutor, os seis fotógrafos têm trajetórias bem distintas. “Busco a luz como forma, como jogo com as sombras e com a cor”.

Nos anos 1970, o irmão mais velho de Fernando, o Mario, morou com José Albano no Rio de Janeiro e dividiram um laboratório de fotografia. “Temos um lugar comum: a paixão pela luz, pela cor e pela composição. A fotografia para mim é mais uma arte do que um ofício”. Ex-repórter do Jornal do Brasil, Mario é reconhecido por seu trabalho de 32 anos como dono e produtor musical da gravadora Kuarup. Agora tem uma produtora de vídeos, a Cineviola. “Como passei a fazer vídeos digitais, construi um acervo de fotos em movimento. No decorrer da vida, destilamos as expressões que vivemos”, afirma Mario, que convidou os músicos Eugênio Leandro e Nonato Luiz a ceder composições para compor o ambiente sonoro da exposição.

SERVIÇO

6 X ALBANO
O quê: Exposição coletiva de José Albano, Maurício Albano, Ciro Albano, Ricardo de Aratanha, Mario de Aratanha e Fernando de Aratanha.Quando: De 22 de setembro a 05 de novembro (seg a sex 8h às 17h/ sáb 8h às 12h)
Local: Espaço Cultural Correios (Rua Senador Alencar, 38 – Centro)
Entrada: gratuita.
Outras informações: (85) 3255 7275


Saiba mais

A exposição reúne pela primeira vez o trabalho de seis fotógrafos da linhagem de José Francisco da Silva Albano, conhecido como o Barão de Aratanha. Com 40 anos de profissão, José Albano e Maurício Albano dedicam a registrar imagens do Estado. O filho de Maurício, Ciro, é biólogo e um dos mais premiados fotógrafos de pássaros do Brasil. Já Ricardo de Aratanha ganhou três Prêmios Nikon e um Pulitzer na sua carreira, além de ser editor fotográfico do jornal Los Angeles Times, onde trabalha há 22 anos. Mario de Aratanha alia a câmera ao jornalismo e à produção musical. Fernando de Aratanha mantém seu estúdio em São Paulo, depois de 25 anos nos Estados Unidos.

Fonte: O Povo

III Cariri Cangaço resgata cultura popular

O evento deste ano terá caráter itinerante e também discutirá temas transversais, como Delmiro Gouveia

Ontem à noite, foi aberta exposição com o maior acervo imagético sobre o cangaço. As fotos feitas por Ademar Albuquerque e Benjamin Abraão retratam Lampião em Juazeiro ELIZÂNGELA SANTOS

Juazeiro do Norte. A história de uma heroína, Bárbara de Alencar, abre o maior evento sobre o cangaço que se tem notícia no mundo, conforme os organizadores. O Cariri Cangaço entra na terceira edição. De caráter itinerante, reunirá este ano cerca de 1,5 mil pessoas, entre pesquisadores e admiradores de uma temática que até hoje desperta o fascínio do público. Bandidos ou heróis, a controvérsia sobre os cangaceiros atravessa 72 anos de história.

Ontem à noite, foi realizada a solenidade de abertura, no Teatro Municipal Salviano Arraes Saraiva, no Crato. Em seguida, foi aberta a maior exposição temática sobre o cangaço, intitulada "Cangaceiros", com acervo da Abafilm, na galeria da RFFSA, pertencente ao empresário Ricardo Albuquerque.

Acervo remanescente
Esta mesma exposição esteve em temporada por Paris. Todas as fotos relacionadas ao cangaceirismo estarão expostas, inclusive com fotografias de Lampião que foram tiradas em Juazeiro do Norte. O evento segue até domingo.

Segundo os organizadores, este é o maior e mais qualificado acervo de imagens do cangaço do planeta, resultado do empreendedorismo de Ademar Albuquerque, fundador da Abafilm, e do fotógrafo árabe Benjamim Abraão. São mais de 120 fotografias remanescentes de um acervo maior, mas que foi destruído durante o regime do Estado Novo.

Durante a abertura, houve a entrega do Título de Cidadão Cratense ao curador do evento, Manoel Severo Gurgel Barbosa. O debate sobre Bárbara de Alencar contou com a presença de vários estudiosos da região. Severo diz que outros temas transversais serão tratados no evento, como a trajetória de Delmiro Gouveia, cearense de Ipu. "É um grande empreendedor e um dos maiores brasileiros do século", afirma. Cinco grandes pesquisadores do tema estarão presentes, incluindo o presidente da Fundação Delmiro Gouveia, em Alagoas, Adair Nunes.

Por ter um caráter itinerante, o evento contará com palestras em lugares muitas vezes inusitado, como a Chapada do Araripe, com palestra de técnicos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e visitas a locais marcantes na história do Cangaço no Cariri, como a Fazenda Ipueiras, localizada em Aurora.

Temas transversais
Este ano, segundo Manoel Severo, a novidade é que o evento não estará preso à temática do Cangaço, mas envolve momentos históricos importantes como a Sedição de Juazeiro, em 1914. Também será lançada a minissérie "Sedição em Juazeiro". Jonas Luiz, o produtor do filme, fará palestra sobre o assunto, no Sesc de Juazeiro.

Para Severo, o cangaço pode ser trabalhado por várias vertentes da cultura popular, como a música. No domingo, será realizada palestra sobre a história da música no Nordeste, com o pesquisador Múcio Procópio.

MAIS INFORMAÇÕES
Cariri Cangaço
Região do Cariri
www.cariricangaco.com
Telefone: (85) 9629.9826

Elizângela Santos 

Repórter

Quarta da Cultura no Centro se debruça sobre a obra do poeta Noel Rosa

Marcelo Leite e Carlinhos Crisóstomo são atração do projeto Quarta da Cultura no Centro, hoje à noite, no Espaço Cultural da CDL. Gratuita, a apresentação fará uma releitura instrumental da obra de Noel Rosa

Marcelo Leite e Carlinhos Crisóstomo serão acompanhados pelo percussionista Rossano Cavalcante e o cavaquinista Edneymar Doth (THIAGO GASPAR/ DIVULGAÇÃO)

Iniciativa do Instituto CDL de Cultura e Responsabilidade Social, o projeto Quarta da Cultura no Centro realiza mais uma edição hoje (21), às 19 horas, trazendo como atração a dupla Marcelo Leite (flauta) e Carlinhos Crisóstomo (violão) para o Espaço Cultural da CDL.

Com entrada franca, o show irá contemplar de forma instrumental a rica obra do “poeta da Vila”, o carioca Noel Rosa, na companhia dos músicos Rossano Cavalcante (percussão) e Edneymar Doth (cavaquinho). O projeto, porém, já vem sendo maturado pela dupla cearense há cerca de cinco anos, o que já resultou na elaboração de um CD no ano passado em decorrência do centenário de Noel Rosa.

No repertório, Marcelo Leite e Carlinhos Crisóstomo irão executar clássicos do poeta, a exemplo de Com Que Roupa? (com uma levada punk ao pandeiro), Feitio de Oração, Três Apitos (puxada para o estilo da bossa nova), Choro, entre outras.

Chegando em sua oitava edição em 2011, o Quarta da Cultura no Centro prossegue ainda com os shows gratuitos do pianista Gilson Peranzzetta e do flautista e saxofonista Mauro Senise (dia 19 de outubro, no TJA, com abertura local do grupo Murmurando), e o cearense Moacir Bedê (dia 16 de novembro, no Espaço Cultural da CDL).

SERVIÇO

MARCELO LEITE & CARLINHOS CRISÓSTOMO
Quando: hoje (21), às 19h.
Onde: Espaço Cultural da CDL Fortaleza (rua 25 de março, 882 – Centro).
Entrada franca.


Fonte: O Povo

Parlamentares debatem políticas públicas de incentivo à leitura

 
“As políticas públicas do livro, leitura e literatura” foram tema de audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Assembleia, na tarde desta segunda-feira (19/09). O deputado Lula Morais (PCdoB), que solicitou o debate, destacou a necessidade de “democratizar e ampliar o acesso dos brasileiros aos livros”

Lula Morais lembrou que os brasileiros ainda lêem pouco e ressaltou a importância da discussão entre poder público, sociedade e integrantes da cadeia do livro, que envolve escritores, editores, contadores de histórias, e outros profissionais do setor. “Temos que criar mecanismos para incentivar os jovens a buscar nos livros o gosto pela leitura”, destacou o parlamentar.

A diretora do Fórum do Livro, Leitura e Literatura do Estado, Mileide Flores, falou sobre ações para incentivar a leitura, como feiras, debates e palestras e apresentou reivindicações do setor, como a criação do Instituto Estadual do Livro, do Plano Estadual e de um Fundo Setorial.

O diretor do Departamento do Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos destacou o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que envolvem a democratização, formação de leitores, a valorização do livro no imaginário popular e o fomento à cadeia produtiva. Fabiano falou ainda de projetos que tramitam no Congresso, que prevêem ações como a criação do Instituto do Livro e do Fundo Nacional do Livro e Leitura.

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), relator de um dos projetos da lei que regulamenta a PNLL no Congresso, falou sobre a tramitação das propostas e defendeu uma maior vinculação entre a leitura e a cultura. “O livro é a grande fonte de acesso ao aprendizado e a cultura. É fundamental que se possa ampliar as condições de acesso da população aos livros”, defendeu Inácio.

O secretário de Cultura do Estado, Professor Pinheiro, ressaltou que o grande desafio nesta área é garantir à população a democratização do acesso à leitura. Ele falou de ações do Governo nesta área, como a ampliação e a melhoria nas bibliotecas públicas; o incentivo e a aquisição de obras de autores cearenses e o programa de agentes da leitura, que já funciona em mais de 40 municípios cearenses.

Também participaram do debate os deputados federais Chico Lopes (PCdoB-CE) e Artur Bruno (PT-CE); o vereador de Fortaleza Guilherme Sampaio (PT); secretários municipais de Educação de Madalena, Alzira Bernardes, e de Maranguape, Gilvan Paiva; o coordenador geral do Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC) Helder Monteiro; e ainda escritores, contadores de história e representantes da Secretaria de Educação de Fortaleza; de editoras e entidades ligadas à cadeia do livro.
CV/LF
Fonte: Agência de Notícias da Assembleia Legislativa

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ninguém derruba a casa do português

O Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural aprovou o tombamento definitivo do extravagante imóvel do bairro Damas

O tombamento agora depende do parecer jurídico da Secretaria de Cultura de Fortaleza e da assinatura da prefeita Luizianne Lins (FOTO GABRIEL GONÇALVES)

Protegida contra intervenções que desfigurassem sua estrutura original desde 2006, quando o processo de tombamento foi aberto pela então Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), a Casa do Português, localizada na avenida João Pessoa, está prestes a ter seu tombamento definitivo oficializado. A aprovação por unanimidade do parecer favorável do arquiteto Romeu Duarte e da historiadora Ivone Cordeiro em reunião do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic) foi o passo decisivo para a conclusão do processo.

A decisão agora depende apenas do parecer do setor jurídico da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), que analisa o pedido de impugnação do processo de tombamento formalizado pelo atual proprietário. “Eu acredito que eles não levem isso à frente, porque já foi decidido pelo conselho”, afirma Clélia Monasterio, coordenadora de Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor. Após o parecer jurídico, o relatório do conselho deve ser encaminhado para assinatura da prefeita Luizianne Lins e registrado no Livro do Tombo, que já possui outras 31 edificações.

O prédio “pitoresco”, como foi muitas vezes adjetivado ao longo de seus mais de 60 anos de existência, teve sua preservação argumentada por ser uma referência da cidade, marco simbólico, arquitetônico e afetivo de Fortaleza. De acordo com o parecer, “o prédio notabilizou-se, desde a sua inauguração, por seu aspecto insólito e exagerado, espécime arquitetônico pitoresco em meio a uma Fortaleza constituída por uma arquitetura de escala comportada”.

Arquitetura kitsch
“A arquitetura da Casa do Português baseia-se no universo “kitsch”, como expressão material e cultural de uma classe social emergente, recém enriquecida e ávida por ostentação. Suas linhas evocam a força das estruturas de concreto, o romântico do ‘mission style’ californiano das arcadas e o idílico das longas pontes e passarelas, algo muito distante da arquitetura elaborada pelos pioneiros modernistas cearenses de então”, explica Romeu Duarte, professor de Arquitetura da UFC.

O tombamento da casa representa para Romeu a prova de que a ideia de “patrimônio cultural” está experimentando uma intensa expansão de seus critérios e público. “Há bem pouco tempo, a Casa do Português era motivo de riso por parte da ‘intelligentzia’ fortalezense, notadamente o segmento de arquitetura e urbanismo, quando esta passava pela Av. João Pessoa. Hoje é bem tombado pelo Município”, compara.

A casa de três andares (com 11 quartos e três banheiros apenas no primeiro deles), com uma rampa para automóveis que circunda sua robusta estrutura em concreto armado, chamou a atenção da população fortalezense desde sua inauguração em 1950. Comentava-se sobre a imensidão da casa construída pelo fazendeiro e comerciante português José Maria Cardoso para abrigar sua pequena família, composta apenas de esposa e filho único – não por acaso ele deu o nome de Vila Santo Antonio ao imóvel. Mas o que principalmente provocava o burburinho era a arquitetura inusitada para a época, que a fez figurar em cartões postais da cidade na década de 1960 e se transformar numa referência arquitetônica de Fortaleza.

Depois de servir de morada por alguns anos para a família de José Maria, o imóvel foi sede da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, abrigou uma oficina mecânica, funcionou como cortiço, entre outros usos (ver coordenada), e figurou nas páginas dos jornais com notícias como a prisão de assaltantes e um suicídio. Hoje a estrutura do prédio aparenta abandono, apesar de abrigar algumas famílias, que vivem no lugar com autorização do proprietário.

DETALHES DA CASA

Famílias ocupam imóvel

1) A casa é ocupada por famílias com a autorização do proprietário 2) A intenção do dono é transformar o local em shopping do tipo outlet 3) O imóvel aparenta abandono


Pedro Rocha
pedrorocha@opovo.com.br

Fonte: O Povo

Conquistas literárias

Debates e exibições de curtas-metragens encerram hoje a 7ª edição do Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Públicas (FIP), da Assembleia Legislativa

O escritor João Paulo Cuenca: autor falará no Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Públicas de sua experiência, que passa por livros elogiados, trabalhos para a TV e um blog FOTO: JORGE BISPO/ CIA. DAS LETRAS

No último dia do 7º Fórum de Ideias Inovadoras em Políticas Públicas (FIP) da Assembleia Legislativa do Ceará, hoje, a partir das 9 horas, o tema dos debate será "Jovens artistas e o novo mercado da arte no Brasil". O escritor carioca João Paulo Cuenca, formado em economia pela UFRJ, falará sobre a literatura para além da mídia impressa. A mesa ainda contará com as participações de Narcélio Grud, artista visual cearense, Analice Diniz, fotógrafa do coletivo Travessa da Imagem, e Ivan Ferraro, músico e coordenador da Rede Ceará de Música (Rede Cem).

Cuenca é um dos jovens escritores como maior destsaque no País: é autor do texto escrito para a TV "Afinal, o que querem as mulheres ?", roteiro transformado numa série na Rede Globo com sucesso no ano 2010; e do romance "O único final feliz para uma história de amor é um acidente" (Cia. das Letras).

O autor disse ter ficado feliz com o convite - ainda mais se tratando de uma visita a Fortaleza, cidade que ele ainda não conhece. "Para um escritor, é sempre bom poder sair de seu ambiente fechado - trabalhamos em casa, sozinhos - para ter contato com o público leitor", diz o escriba carioca.

O fio condutor de sua fala no debate será sua própria experiência, ao conduzir uma carreira literária que nem sempre se limita ao universo do livro. "Acho que posso contribuir com a minha experiência pessoal sobre como é, na prática, a trajetória de um escritor de 33 anos no Brasil", avalia o autor. Apesar de pouca idade, ele coleciona conquistas de fazer inveja - como a publicação de romances fora do País, na Itália e em Portugal, e a participação em antologias brasileiras e estrangeiras.

Texto para TV
João Paulo Cuenca é uma das mais importantes revelações da atual literatura brasileira. De sua estreia, em 2002, até agora, lançou três livros: "Corpo presente", "O dia Mastroianni" e "O único final feliz para uma história de amor é um acidente". Foi a partir de seus livros que surgiu o convite do produtor Luiz Fernando Carvalho, da Globo, para escrever um texto para a TV.

O escritor fala com entusiasmo do desafio que foi trabalhar com uma nova mídia e de idealizar um texto para atores o interpretarem. "Foi uma obra original, escrita especialmente para a televisão. Acredito fortemente num intercâmbio entre literatura e audiovisual. Acho que isso é positivo para os dois campos, embora não acredite que um tenha que depender necessariamente do outro", avaliou o escritor.

Resultados
Quando dá seu parecer sobre o atual mercado do livro, João Paulo Cuenca pensa positivo, mesmo com a crescente popularidade dos suportes de leitura digital, como leitores digitais, tablets e smartphones. "Sou muito otimista. Nunca se vendeu tanto livro no Brasil. No meu caso, o seriado também foi muito bom, para divulgar meu nome, pois foi visto por milhões de pessoas", comenta.

Fazendo uma análise do seu texto na série televisiva da Rede Globo de televisão, o escritor acredita que o produto final agradou. "A avaliação é positiva. Gostei muito do resultado final, ainda que o tenha achado surpreendente e diferente do que imaginava. O roteiro é o pilar para o trabalho do diretor, dos atores e demais profissionais envolvidos e, nele, um escritor, muitas vezes, tem que desaparecer".

Planos futuros
Após sua palestra, João Paulo Cuenca lançará, em sessão de autógrafos, seu romance mais recente, "O único final feliz para uma história de amor é um acidente". Ambientado em uma Tóquio futurista, o livro faz parte da série Amores Expressos, da Cia. das Letras. "Estou agora escrevendo meu quarto romance, uma fantasia sobre o Rio de Janeiro pré e pós olímpico", adianta o escritor.

Programação

9 horas
- Debate: "Jovens artistas e o novo mercado da arte no Brasil". Lula Moraes (Deputado e presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Tributação) , João Paulo Cuenca (escritor e economista), Narcélio Grud (artista visual), Analice Diniz (fotógrafa/ Travessa da Imagem), Ivan Ferraro (coordenador da Rede Cem)

14h30 - I Mostra Curta - "Os jovens realizadores e o novo audiovisual do Ceará". Mediação: Bete Jaguaribe, jornalista, professora do curso de Audiovisual da Unifor

Local: Auditório das Comissões, da Assembleia Legislativa do
Ceará (Av. Desembargador Moreira, 2807 - Dionísio Torres).
Contato: (85) 3277.3701

VÍDEOS
1ª Mostra Curta-FIP exibirá oito produções
A partir das 14h30, acontecerá a 1ª Mostra Curta-FIP, que reunirá oito vídeos da mais nova safra de realizadores cearenses. Com o tema "As novas experiências do audiovisual do Ceará", a mostra tem como objetivo publicizar as produções das escolas de audiovisual do Estado, além de promover um debate crítico em torno das referidas propostas. Antes da exibição dos vídeos, os realizadores conversarão com os presentes sobre seus respectivos processos criativos, com a mediação da jornalista Elisabete Jaguaribe, professora do Curso de Audiovisual da Universidade de Fortaleza. As produções dos curta da 1ª Mostra Curta-FIP, com seus respectivos diretores são: "Mato alto pedra por pedra", de Arthur Leite; "Matryoshka", de Salomão Santana; "Monja", de Breno Baptista; "Alípio", de Rodrigo Fernandes; "Europa", de Leonardo Mouramateus; "Princesa", de Rafaela Diógenes; "Além da rua", de Elisa Ratts, e "Equadores", de Dayse Barreto).

NELSON AUGUSTO 
REPÓRTER

Livro-Histórias de bronze

Uma fantasia filosófica, um misterioso passeio noturno pela Praça dos Leões e uma enciclopédia ilustrada de monumentos e personalidades do Ceará: é o que reserva a seus leitores o livro em quadrinhos "Conversa de Rei", do cearense André Dias

Ilustração de abertura do livro Conversa de Rei. O autor André Dias opta pela monocromia e por um traço marcado para representar a Praça General Tibúrcio, mais conhecida como Praça dos Leões

Uma escritora de bronze ouve histórias de uma coruja andarilha. Enquanto isso, o General, ali ao lado, desce do pedestal de mármore para filosofar. Aproxima-se dos companheiros residentes no museu e inicia um colóquio filosófico, interrompido por um bode boêmio e marxista, que se põe a discutir com padeiros espirituais. Isso é o que o quadrinista André Dias supõe que ocorram durante as noites na Praça General Tibúrcio, a famosa Praça dos Leões, uma saborosa versão cearense de películas como "Uma noite no Museu" e "Meia noite em Paris". André mergulha no imaginário da praça, subvertendo as figuras imponentes como Rachel de Queiroz, General Tibúrcio, Bode Ioiô e até os leões, em luta com as serpentes.

Não bastando a engenhosidade do tema, o autor inova pelo formato: quadrinhos. Através de HQ, registra a praça sem omitir as mesinhas costumeiras no Lyons Bar, a venda de livros didáticos e os jogos de damas no beiral de concreto. Também tais hábitos se tornaram um costume, uma tradição do lugar.

"Desde pequeno, sempre que andava por aquela praça imaginava uma história. Quando lia contos de fadas, imaginava um lugar parecido com aquele", relembra André, que explica o início do projeto: "Tinha um projeto anterior de fazer histórias curtas sobre pontos da cidade, como o Theatro José de Alencar, o Museu do Ceará... Quando estava desenhando a praça, coincidiu com o lançamento do edital da Secretaria de Cultura do Estado, aí resolvi me aprofundar para lançar um livro maior". Oito meses de desenhos, 200 fotos de referência e muitas leituras depois, estava pronto.

Memória
Além da ficção, o trabalho é ainda um autêntico registro histórico, com bibliografia recolhida com a ajuda de amigos historiadores. Ao fim dos quadrinhos, cerca de 20 páginas foram reservadas a uma enciclopédia ilustrada da praça, com um breve histórico de acontecimentos, monumentos e personalidades como a Padaria Espiritual e a Academia Cearense de Letras.

Como não podia deixar de ser, "Conversa de Rei" foi lançado na praça, há uma semana, no banco de Rachel. Naturalmente, a cerimônia precisava ir até eles, já que a escritora e seus comparsas se recusam a aparecer sem que a noite tenha caído por completo.

CIDADE EM QUADRINHOS
"Conversa de Rei"
André Dias
R$ 20
52 páginas
2011
Expressão

O livro está à venda nas livrarias Lua Nova e Smile. Pode ser adquirido ainda com o autor. Contato: (85) 99349622

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Projeto Agentes de Leitura 2011 contemplará 41 municípios cearenses


A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, em parceria do a Secretaria da Educação lançou nesta segunda-feira (19),  o Edital Bolsas Agentes de Leitura do Ceará 2011, com o objetivo de colaborar com o desenvolvimento humano por meio do acesso ao conhecimento pela difusão do livro e do fomento à leitura nos municípios do Estado do Ceará. A novidade é que este ano serão contemplados 188 localidades de 41 municípios. Os interessados podem se inscrever até o dia 17 de outubro de 2011, das 8 horas às 12 horas e das 13 horas às 17 horas no Setor de Protocolo da Secult.

Segundo o secretário da Cultura do Ceará, Professor Pinheiro, este ano a escolha dos municípios ficou a cargo do Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), com base nos critérios técnicos definidos pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica (Ipece), Cada agente acompanha o processo leitor de 25 famílias selecionadas pelas secretarias de educação dos municípios com base no Índice de Focalização dos Agentes de Leitura (Ifal) desenvolvido pelo Ipece. A Secult entregará ao Agente de Leitura equipamentos e materiais de apoio como bicicleta, mochila acervo bibliográfico, fichas matrizes de acompanhamento e blusa.

Os municípios contemplados serão Potiretama, Jaguaretama, Beberibe, Dep. Irapuan Pinheiro, Mombaça, Boa Viagem, São G. Do Amarante, Miraíma, Uruoca, Granja, Barroquinha, Chaval, Caucaia, Quiterianópolis, Parambu, Novo Oriente, Ararendá, Ipaporanga, Poranga, Ipueiras, Monsenhor Tabosa, Tamboril, Graça, Coreaú, Moraújo, Senador Sá, Croatá, Salitre, Tarrafas , Araripe, Saboeiro, Potengi, Antonina do Norte, Santana do Cariri, Mauriti, Granjeiro, Altaneira, Porteiras, Assaré, Nova Olinda e Quixelô. Poderão inscrever-se no presente edital somente pessoas físicas, civilmente capazes, que possuam residência física em um dos municípios do Interior do Estado.

Os interessados devem ser brasileiro nato ou naturalizado, civilmente capaz; comprovar através de documentos válidos residência fixa em municípios beneficiado por este edital, haver concluído o ensino médio até a data de inscrição e ter 18 anos completos até a data de encerramento das inscrições.

Projeto Agentes de Leitura

O Projeto Agentes de Leitura do Ceará é uma ação da Secretaria de Cultura do Estado (Secult) junto ao Fundo Estadual de Combate à Pobreza (Fecop), que, desde 2006, vem promovendo a democratização da leitura por meio de atividades ancoradas em acervos bibliográficos que, mais tarde, simultaneamente com os agentes, serão integrados às bibliotecas públicas municipais e/ou comunitárias.

Fonte: Secult-Ce

Coleção Nossa Cultura traz à luz obras de Américo Facó


A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará  apresenta a publicação completa, reunindo as duas obras  de Américo Facó: Sinfonia Negra(1946), de narrativas (em sua maioria), e Posesia Perdida(1951). No ano em que completaria 125 anos, Américo Facó, cearense de Beberibe, quase que absolutamnte deconhecido em sua terra, embora fosse figura reconhecidamente ilustre perante à intelectualidade brasileira, recebe o reconhecimento impresso, por meio de investigações e descobertas de ilustrações.

Há muito que ser dito sobre Facó, mas agora, por meio da Coleção Nossa Cultura, que configura uma política do livro que atenda à descoberta, ao registro e à renovação de nosso patrimônio cultural, e por meio da Coordenação Editorial da Secult, que realizou uma investigação nas edições príncipes do autor na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel, que se encontrão em perfeito estado de conservação e em bonitas encadernações, a obra de Facó, está organizada e acrescida de ilustrações, acessível a todos nas bibliotecas do estado.

Américo, que trabalhou sua vida inteira no ramo editorial, “brincava” com as possibilidades de edição, e numa mesma, gostava de variar as cores e tipos de gramaturas do papel. A surpresa durante o período de investigação, nas obras do autor, foi de ter encontrado as ilustrações de Poesia Perdida, de autoria de Chin, utilizadas para a a título de apêndice, textos curiosos de Carlos Drumond de Andrade sobre o amigo Américo, também foram publicados nesta edição.

Poesia Perdida, foi encontrado imprenso, no exemplar n° 580(Américo os numerava): “Imprimiram-se deste livro vinte e cinco exemplares em papel inglês superior, marcados de A a Z, e novecentos e setenta e cinco exemplares em papel Vêrge, numerados de 1a 975”. Poesia perdida, obra ilustrada por Chin em 11 poemas, foi publicada pela Livraria José Olympio Editora do Rio de Janeiro e impressa nas oficinas gráficas da Imprensa  Nacional do Rio de Janeiro em junho de 1951.

Sobre a Sinfonia Negra, exemplar n° 208: “ Essa edição consta de duzentos e cinquenta exemplares  em papel Vergê numerados de 1 a 250 em papel Imperial-Ledger numerados de I a L”. Sinfonia Negra foi publicada pela Editora Zelio Valverde S.A, Rio de Janeiro, e impressa nas oficinas da Imprensa Nacional do Rio de Janeiro, aos vinte dias do mês de novembro de 1946. A obra dividi-se em duas partes, sendo a primeira composta de 11 textos e a segunda de 17, dentre eles, dois poemas: “ Mãe Preta” e “Mestiça”.

Raymundo Neto, Coordenador Editorial da Secretaria da Cultura do Ceará, comenta a respeito das obras de Facó que “pretendemos que, principalmente, a sua obra, que já não mais perdida, fale mais alto do que tudo”.
Serviço: Américo Facó: Obra Perdida

Título: Américo Facó: Obra Perdida

Série: Luz do Ceará

Autor: Américo Facó

Apresentação: Floriano Martins

Coordenação Editorial: Raymundo Netto

Edição: Secult

Assunto: Literatura Poesia/Narrativas

Imagem de capa: “Américo Facó”, óleo sobre madeira de Otacílio de Azevedo.

Nº de páginas: 160/ Ano de publicação: 2010

Biografia breve do Autor:

Américo Facó, jornalista, poeta e escritor, nasceu em Beberibe, Ceará, em 21 de outubro de 1885. Seu pai o enviou a Fortaleza para completar os estudos no Liceu do Ceará. Nos próximos dois meses, após a conclusão dos preparatórios do Liceu, foi professor do Instituto de Humanidades de Joaquim Nogueira. Em seguida, passou a dedicar-se à literatura e ao jornalismo no Jornal do Ceará, de Waldemiro Cavalcanti (posteriormente de Agapito dos Santos), no qual, além de publicar seus sonetos, assinava a coluna “Olho da Rua” (entre 1907 e 1908). Também em 1908 publicava no Álbum Imperial, de São Paulo. Como João Brígido, d'Unitário, assumiu forte resistência à oligarquia de Nogueira Acioly, Presidente da Província, o que lhe rendeu, em represália, em 21 de dezembro de 1908, uma violenta e quase trágica surra por parte de policiais. Assim, aos 25 anos (1910) viu-se forçado a mudar-se para o Rio de Janeiro, na época a capital brasileira. Trabalhou em diversos jornais, fundou e dirigiu revistas como a Ideia Ilustrada (1924) — que tinha dentre os colaboradores o amigo Sérgio Buarque de Holanda —, Estética (1924), O Espelho (1930) e Pan (que sob sua direção, em 1940, publicou “Triunfo”, o primeiro conto de Clarice Lispector). Foi um dos fundadores da Agência Brasileira de Notícias (1924), diretor do Instituto Nacional do Livro e redator de debates do Senado Federal. Durante alguns anos dirigiu a parte literária da revista Fon-Fon. Publicou Sinfonia Negra em 1946 e, em 1951, Poesia Perdida. Faleceu no Rio de Janeiro em 3 de janeiro de 1953.

Fonte: Secult-Ce