domingo, 1 de maio de 2011

Religiosos têm longo caminho até os altares

Processos de beatificação de padre Ibiapina, dom Lustosa e irmã Rosita estão em andamento há décadas


Se é longo e tortuoso o caminho que leva a Deus, assim também são os trajetos de um santo até o altar. A depender dos trâmites legais do Vaticano, os devotos cearenses ainda vão demorar para ter santos reconhecidos oficialmente pela Igreja Católica Apostólica Romana. Comissões locais trabalham há pelo menos uma década pela beatificação e canonização de três religiosos que dedicaram suas vidas à pregação do evangelho: dom Antônio de Almeida Lustosa (dom Lustosa), Padre José Antônio de Maria Ibiapina (padre Ibiapina) e a irmã Josefina Rosita Paiva.

A Comissão de Apoio à Causa de Beatificação e Canonização de dom Antônio de Almeida Lustosa completou 11 anos de atividades em agosto de 2010. Foi instaurada pela Arquidiocese de Fortaleza para realizar pesquisas de campo, resgatando a memória popular e o conhecimento científico da atuação de dom Lustosa como bispo, pastor, educador e escritor.

Há três anos, a "Positio" - espécie de dossiê que demonstra como dom Antônio viveu as virtudes cristãs e a fama de santidade -, foi entregue ao então relator da Congregação para as Causas dos Santos, padre Daniel Ols. O longo caminho até os altares é considerado normal pela Arquidiocese de Fortaleza.

Nem o trabalho de 145 anos na Diocese do Crato, nem a popularidade fizeram "acelerar" etapas para a beatificação do "Apóstolo do Nordeste". Encontra-se na Congregação das Causas dos Santos, no Vaticano, o processo de beatificação de Padre Ibiapina, que foi oficialmente reconhecido como "Servo de Deus", após o documento "Nihil Obstat", da Santa Sé, emitido ainda em 1992.

Já o processo de beatificação da irmã Rosita Paiva, uma das fundadoras da Congregação das Irmãs Josefinas, também está na fase diocesana, de recolhimento de material. Segundo as freiras josefinas, dom Aloísio Lorscheider, que tinha um contato muito próximo com a congregação, "dizia que a irmã Rosita era uma santa".

Etapas

A beatificação é uma etapa no processo de canonização, por meio do qual a pessoa passa a ser chamada de beato ou beata, o mesmo que bem-aventurado. Permite que se preste culto público a esta pessoa, em determinadas regiões, ou seja, culto a um venerável - servo de Deus - cujo processo concluiu que ele viveu as virtudes cristãs em grau heroico.

A canonização ocorrerá somente após um estudo aprofundado da vida e da virtude do beato, assim como a aprovação de um milagre adicional atribuído à sua intercessão (poder para conceder graças). É um processo burocrático que pode levar décadas.

Sem privilégio
Um processo de beatificação e de canonização tem uma série de exigências pré-estabelecidas e válidas para todos os candidatos, segundo frei Hermínio Bezerra de Oliveira, que mora no Vaticano. "Pode ser, mais ou menos rápido, por muitos fatores, como nomeação de juiz, de procurador e sub-procurador do processo; a demora da junta médica na análise do fato miraculoso etc".

No caso do papa João Paulo II, o Vaticano reconhece que o processo foi rápido - afirma frei Hermínio. "Mas não houve nenhum privilégio quanto a dispensar exigências ou de queimar etapas, pois foram seguidos todos os procedimentos normais exigidos", defende, acrescentando que, "se a beatificação (de João Paulo II)ocorresse porque foi papa, Pio XII e Paulo VI já seriam beatos".

Frei Hermínio faz questão de lembrar que existem outros processos de beatificação ligados à região Nordeste. Cita o de frei João Pedro de Sexto São João, fundador da Congregação das Irmãs Missionárias Capuchinhas (cuja casa geral fica o bairro de Messejana, em Fortaleza); o da irmã Dulce, de Salvador (BA), que ele conheceu pessoalmente, na década de 1970, e cuja beatificação está próxima; e o do conhecido missionário nordestino Frei Damião.

Beatificação Processo rápido
"O sentimento popular antecipou o processo" de beatificação, cuja oração final acontece neste domingo, em cerimônia presidida por Bento XVI, na Praça São Pedro, em Roma. É dessa maneira que a imprensa italiana se refere ao processo de beatificação de João Paulo II, considerado um dos mais rápidos da história moderna da Igreja. No entanto, houve outras beatificações em menos tempo, como a de São Francisco de Assis, em 1228. No momento, encontra-se em estudo o segundo milagre de João Paulo II, próximo e último passo para se tornar santo. A Igreja garante que, apesar da rapidez, houve rigor no processo, que contou com a participação de médicos, cientistas e especialistas. A beatificação de João Paulo acontece durante a Festa da Divina Misericórdia, hoje, sendo esperados mais de um milhão de fiéis.


SAMIRA DE CASTRO
REPÓRTER

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