sábado, 27 de agosto de 2011

Bazar das Letras recebe escritor cearense Nilto Maciel




Nilto Maciel
 O Projeto Bazar das Letras realiza um bate-papo com o escritor cearense Nilto Maciel, nesta terça-feira (30). Na ocasião, o escritor vai lançar a obra de contos Luz Vermelha que se Azula. A entrada é gratuita.

O lançamento acontecerá na Galeria do Teatro SESC Emiliano Queiroz, no Centro de Fortaleza, a partir de 19h. O contista e mestrando da Universidade Federal do Ceará (UFC), Carlos Vazconcelos, será o mediador da entrevista.

O escritor

Nilto Maciel é contista, poeta, romancista e estudioso da literatura, uma referência da arte literária no Ceará. O livro “Luz Vermelha que se Azula” apresenta contos que convidam o leitor a fazer indagações.

Mais de 40 autores já passaram pelo projeto Bazar das Letras, promovido pelo grupo de leitura Abraço Literário do SESC-CE. A iniciativa existe há mais de três anos e tem o objetivo de valorizar a literatura, sobretudo a cearense, e outros temas do universo da produção literária.

Serviço:
Bazar das Letras – Lançamento da obra “Luz Vermelha que se Azula”
Local: Galeria SESC Emiliano Queiroz (Av. Duque de Caxias, 1701 – Centro)
Data e Hora: 30 de agosto, às 19h
Mais Informações: (85)3452-9032

Família Crajubar


As histórias ligadas à figura do Padre Cícero servem como pano de fundo para o livro que a escritora Maria Laudecy Ferreira de Carvalho lança hoje, na sede da ACE
 
As primeiras histórias sobre a atuação de Padre Cícero na região do Cariri a escritora Maria Laudecy Ferreira de Carvalho ouviu ainda criança. Quem contava era a avó, mas a convivência com o Padim vinha desde os bisavós. Para tentar resgatar esta memória e fazer um registro da cultura cearense, tendo como mote a figura do homem tido como santo por milhões de pessoas, ela escreveu o livro "Padre Cícero Romão Batista e a Família Crajubar". A obra será lançada, hoje, a partir das 9h30, na sede da Associação Cearense dos Escritores, no Centro.

A história tem traços de novela e tem protagonistas os membros da família do casal Cícero e Juliêta. "O livro tem como pano de fundo fatos acontecidos entre os anos de 1830 e 2008. Padre Cícero serviu e ainda serve como exemplo para muita gente. Seus ensinamentos e profecias ajudaram a construir a imagem de santo perante seus devotos", afirma Laudecy, que nasceu em Nova Olinda, mas mudou para o Crato com o objetivo de estudar.

Um dos trechos que mais chamam atenção na narrativa é o fato de cada um dos três filhos de Juliêta terem nascido no Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Isso, conforme a autora, tem relação com uma passagem dos escritos deixados por Padre Cícero, de acordo com os quais, um dia, as três cidades se tornariam uma só e seriam chamadas apenas de Crajubar. O nascimento das três crianças, cada uma em uma cidade, para Juliêta, era interpretado com o cumprimento de uma profecia do Padim. Era como se ela tivesse na própria família a essência Crajubar. "A religiosidade sempre foi um traço marcante daquela região e procuro mostrar isso no livro ilustrando com histórias que ouvi sendo contadas pelos mais velhos", explica a autora.

O texto tem elementos autobiográficos, já que muito foi construído a partir da vivência de Laudecy. Ela lembra, por exemplo, que a avó, que a abrigou quando era estudante, não sabia ler até sua chegada. "Achei aquilo um absurdo e decidi ensiná-la. Era uma menina, mas ela já disse que aquele foi o melhor presente que ela já havia recebido", revela. "Tudo isso está no livro. De acordo com os costumes da época, as mulheres eram impedidas de estudar pelos pais, para que não pudessem receber bilhetes de pretendentes apaixonados".

Por isso, defende Laudecy, seu livro também representa o resgate histórico de uma época onde a repressão, o machismo e o preconceito imperavam. "Trata-se de uma ficção, mas ela é baseada em fatos que aconteceram de verdade", resume.

A narração é cortada por poemas da própria escritora, que ajudam a ilustrar algumas situações vividas pelos personagens. Ela destaca dois deles: "Cristo e o Padre Cícero", onde faz uma analogia entre as três tentações de Cristo e as três tentações pelas quais teria passado o religioso cearense, e "Eu e a biblioteca", cujos versos estimulam o hábito da leitura. Ambos, conta Laudecy, já receberam diversas premiações.

Além do evento de evento, estão marcados lançamentos do livro no Crato, no Salão de Atos da Universidade Regional do Cariri (Urca), dia 30, às 19 horas, e no Sesc Juazeiro do Norte, dia 31, no mesmo horário, abrindo o Circuito Sesc de Incentivo à Leitura.

REGISTRO
"Padre Cícero Romão Batista e a Família Crajubar"

Maria Laudecy Ferreira de Carvalho
2011
R$ 14,99
96 páginas
Premius

MAIS INFORMAÇÕES:
Lançamento do livro "Padre Cícero Romão Batista e a Família Crajubar", hoje, 9h30, na
ACE (Rua Princesa Isabel, 17, Centro). Contato: (85) 3214.2539


FILIPE PALÁCIO 
REDATOR

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Caravana da Leitura chega a seu último destino em 2011

Caravana da Leitura e do Autor Cearense se despede das praças e colégios de Fortaleza. Durante um semestre, sempre na última sexta-feira de cada mês, a Capital cearense recebeu um forte incentivo à leitura e à valorização de obras e escritores locais.

Para o encerramento, a Companhia Prisma de Artes realiza, dia 25 de agosto (sexta-feira), na Praça Central do Bairro Dias Macedo, mais um evento especial para as crianças. Fica na Avenida Pedro Dantas, sem número, em frente à Escola Antonio Dias Macedo. Será muita diversão e aprendizado com o escritor Almir Mota, o ilustrador e quadrinhista Guabiras, além do Grupo Era Uma Vez.

A Caravana da Leitura venceu o prêmio VII Edital das Artes da Secretaria da Cultura (Secult) do Estado do Ceará, na categoria literatura. De acordo com o coordenador da Caravana da Leitura e diretor da Cia. Prisma de Artes, Raimundo Moreira, a proposta do projeto é descentralizar o acesso à leitura.“A gente teve mais alunos e mais crianças conhecendo a literatura cearense. Conseguimos promover a leitura, incentivar que as crianças escrevam mais sobre o nosso cotidiano nordestino, ampliar atividade para o Interior do Estado”, adianta Raimundo.

Seis praças em seis bairros diferentes de Fortaleza receberam estrutura com tendas, acervo de títulos de autores cearense, tapetes, travesseiros e equipamento de som para contação de histórias. Será uma grande movimentação direcionada às crianças estudantes de escolas públicas, mas aberto a comunidade. Todos os eventos foram gratuitos.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Identidade dá sentido à ação

O tombamento e consequentemente a preservação devem envolver também todo o entorno do equipamento

Ao imaginarmos que um bem será tombado, há a esperança de que ele será recuperado e conservado. A destruição de um equipamento significa mais que a demolição de um prédio, representa a perda de cidadania, de senso de pertencimento à comunidade e da identidade.

Caixas-d´águas do Benfica, inauguradas em 1926, hoje estão obsoletas pelo tempo e pela falta de manutenção
NATINHO RODRIGUES
Uma das estruturas que pode ser recuperada conta a história do abastecimento de água em Fortaleza. Entre o Hospital Instituto Dr. José Frota (IJF) e a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), as Caixas-d´águas do Benfica, inauguradas em 1926, estão entre os bens que aguardam tombamento pela Prefeitura da Capital.

Com simplicidade e uma saudade notável, o flanelinha Edimilson Leite, 56, diz orgulhoso que seu pai trabalhou na construção do bem. Hoje, o local sofre as consequências do esquecimento. "Passo o dia aqui. Toda vez que eu olho pra elas, lembro do meu pai. Este lugar merecia ser valorizado", destaca.

Para o arquiteto, urbanista e professor da UFC, Marcondes Araújo Lima, identidade é a palavra chave para definir o sentido do tombamento. Mais que preservar, tombar é manter viva a identificação de uma sociedade com o seu patrimônio, com a sua história. Essa preservação deve acontecer não apenas com o bem, mas com todo o entorno, já que, se este for destruído, o equipamento também perderá suas características originais.

"O tombamento deve ocorrer em um contexto amplo e isso está sendo feito tardiamente. No caso dos casarões do Jacarecanga, eles estão descaracterizados, perdendo a sua ambiência. É como salvar um paciente, depois do último fôlego".

Significação
O historiador Erick Assis confirma a afirmação e comenta que o que faz um tombamento valer a pena é a significação dele para a comunidade. "É a sociedade ouvida que vai decidir se o que foi tombado é ou não relevante e isso só vai ser identificado descobrindo o sentido do tombamento para a vida de cada um", diz.

Conforme Marcondes Araújo, os tombamentos deveriam acontecer antes de os equipamentos estarem em uma situação extremamente difícil, correndo sérios riscos de desaparecer. Segundo o especialista, o ideal seria que esta preservação ocorresse quando o bem possuísse vida e não apenas quando a sua "alma" não existisse mais. "A história e a memória estão se perdendo. Os tombamentos representam uma vitória tardia, eles deveriam acontecer no auge da existência destes bens. Mas, já é um gatilho acionado".

Marcondes Araújo enfatiza que inúmeros bens estão próximos de desaparecerem. "É preciso fazer mais. Temos espaços fundamentais para a continuidade da nossa história e memória. São tantos bens que o que é feito parece muito pouco".

Como um dos exemplos citados por Marcondes Araújo está a Chácara Flora, localizada na Rua Marechal Deodoro. O local, segundo ele, merece o tombamento, porém há espaços mais importantes sob o ponto de vista histórico e arquitetônico como as obras de Emilio Hinko, primeiro arquiteto a se estabelecer no Ceará, dentre elas a Base Aérea de Fortaleza. "As prioridades vão se confundindo. Os tombamentos devem se manter atentos à cidade. É preciso uma política de continuidade", diz.

Erick Assis relata que por si só a lei não garante a preservação de um bem. É preciso que aconteça uma conjugação de ações, como fiscalização institucional e individual, políticas públicas e privadas de preservação e de educação patrimonial.

Em processo
Casa de Juvenal Galeno

Caixas-d´águas do Benfica

Escola Jesus, Maria e José

Patrimônio Arquitetônico do bairro Jacarecanga: Bangalô de Aristides Capibaribe, Procuradoria da União do Estado do Ceará, Bangalô Amarelo, Vila Filomeno, Antiga Vacaria do Adriano Martins e Casa do Acrísio

Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Capela do Sagrado Coração de Jesus

Sport Club Maguary

5º Batalhão da Polícia Militar

Samba do Zé Bezerra

Casa da R. Franklin Távora, nº 144

Círculo Operário do Montese

Casa antiga da Rua Tereza Cristina

Colégio Militar de Fortaleza

Chácara Flora

Farmácia Oswaldo Cruz

Paisagem Cultural da Sabiaguaba

Paisagem Cultural do Titanzinho

Maracatu

Casa na Rua Floriano Peixoto

Raimundo dos Queijos

5º Batalhão da polícia militar
5º Batalhão da polícia militar
O prédio que abriga hoje o 5° Batalhão da Polícia Militar é um marco na história do órgão em Fortaleza. Sua construção teve uma duração de cerca de quatro anos, sendo inaugurado em 1927, no governo do então Desembargador Moreira da Rocha. Inicialmente, o local serviria para abrigar o Quartel da Força Pública na Praça dos Coelhos (atual Praça José Bonifácio). Somente em maio de 1972, por meio de decreto, o Quartel do 5º BPM foi criado. A unidade era responsável pelo policiamento ostensivo a pé e motorizado da Capital cearense.

Escola Jesus, Maria e José
Escola Jesus, Maria e José
Dedicada, no início, acolher meninos pobres, a Escola Jesus, Maria e José, construída em 1905, neste momento enfrenta dois dos seus maiores desafios: vencer o abandono e conseguir continuar de pé. O local, marcado hoje pelas pichações e depredação, já foi utilizado para abrigar o Serviço de Profilaxia, o Cine Paroquial e o auditório da Rádio Assunção Cearense. A escola, que pertence à Arquidiocese de Fortaleza, tem processo de tombamento aberto no Governo do Estado. Já neste ano, o espaço foi ocupado por cerca de 350 pessoas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

História e memória à espera de tombamento

Hoje, 37 bens estão em processo de tombamento no Ceará. Destes, 25 se situam em Fortaleza

Uma das construções mais imponentes do Jacarecanga, o Bangalô de Aristides Capibaribe, aguarda proteção
NATINHO RODRIGUES
Memórias e histórias que estavam próximas de serem para sempre esquecidas podem ainda ter a chance de sobreviver. Reviver tempos que não voltam mais, relembrar momentos importantes e dar a um espaço a oportunidade de ganhar vida novamente são tarefas difíceis de serem cumpridas em um tempo no qual o passado corre o risco de nunca mais ser lembrado.

Casarões, igrejas, colégios, equipamentos que marcaram e continuam marcando e construindo a cada dia a história de Fortaleza. Uma cidade que teima em se desenvolver sem preservar elementos essenciais para que a sua evolução possa ser contada no futuro tendo como base fundamental o respeito à sua arquitetura, à sua arte, aos seus momentos passados. É por meio do tombamento que esta preservação e este respeito podem ocorrer.

Um bem material ou imaterial tombado não pode sofrer alterações sem antes estas serem permitidas por órgãos competentes. A iniciativa é uma ação legal, garantindo que o equipamento estará sob os olhos do poder público. A partir deste processo, os bens são considerados patrimônios histórico-culturais, heranças sociais.

O historiador e professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) Erick Assis explica que o tombamento em Fortaleza é uma ação inicial importante, após a sua efetivação apenas a comunidade é que decidirá os rumos do ato. Assim como na Capital cearense, o especialista enfatiza que existem em diversas cidades, "casos de tombamento que envergonham por seu abandono e transformam o espaço em tudo, menos em patrimônio histórico".

Em Fortaleza, entre os bens importantes para a constituição dos seus 285 anos, apenas 38 foram tombados pela Prefeitura e Estado, como a Santa Casa de Misericórdia e o Mercado dos Pinhões. Já o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico nacional (IPHAN) tombou 18 equipamentos. No Ceará, a quantidade de bens protegidos pelos poderes públicos soma 74.

Contudo, este número deverá ser ampliado. Neste momento, 37 bens estão em processo de tombamento em todo o Ceará, pela Prefeitura e Estado. Destes, 25 se situam em Fortaleza e aguardam avaliação ou do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic) ou da Coordenação do Patrimônio Artístico, Histórico e Cultural (Copahc), ligada à Secretaria da Cultura (Secult).

Casarões
A chance de preservação e de manter intacto pelo menos o que restou da história, que tenta sobreviver entre ruínas, pichações e abandono, poderá ser dada para bens, como a antiga sede do Sport Club Maguary, o 5º Batalhão da Polícia Militar, a Capela do Sagrado Coração de Jesus, o Colégio Militar de Fortaleza, a Farmácia Oswaldo Cruz e alguns casarões do Patrimônio do Jacarecanga.

Entre oficinas mecânicas, restaurantes e mercados, as antigas mansões que fazem do Jacarecanga um dos bairros mais charmosos de Fortaleza tentam resistir a ação do tempo e das pessoas. Dentre os que persistem em ficar de pé e contar a sua história, alguns foram escolhidos para serem tombados. O Bangalô de Aristides Capibaribe e a Casa de Acrísio Moreira da Rocha, duas das mais imponentes construções do bairro, estão entre os espaços que possuem processo em aberto.

O primeiro, localizado na Avenida Filomeno Gomes, ainda abriga uma família. Marcado pela má conservação, o lugar vai se mantendo como pode. Mesmo com as paredes descascadas e janelas quebradas, o bangalô é um dos símbolos de que a história de Fortaleza está ali, ao lado do ponto de ônibus e do carrinho que vende sanduíches na calçada do casarão.

A situação da Casa do ex-prefeito de Fortaleza, Acrísio Moreira da Rocha, é bem diferente. Paredes pintadas, lustres de cristais e mármores intactos mostram a sua conservação. O movimento de pessoas dá vida ao espaço que, ao ser visitado, possibilita uma viagem no tempo. Hoje, o casarão é sede de órgão da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Ainda no Jacarecanga, aguardam tombamento o prédio da Procuradoria da União do Estado, o Bangalô Amarelo, a Vila Filomeno e a Antiga Vacaria do Adriano Martins. O historiador Otávio Menezes, da Copahc, explica que os tombamentos podem ser solicitados pelos proprietários, Estado, Município ou Governo Federal. Porém, para se tombar um equipamento não basta apenas o desejo do poder público e da sociedade, é preciso que os proprietários tenham consciência do significado do ato.

A coordenadora do Patrimônio Histórico e Cultural, da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), Clélia Monastério, comenta que a maior dificuldade para se tombar é a aceitação do proprietário que se sente invadido em seu direito de propriedade. "A posse e o cuidado ficam por conta do proprietário. Mas, muitas pessoas não enxergam a importância de possuir um bem reconhecido enquanto patrimônio".

Clélia Monastério informa que apesar dessa ideia ainda se perpetuar, alguns dos 38 bens tombados em Fortaleza iniciaram o processo por meio de ofício próprio, demonstrando que os responsáveis por bens importantes estão buscando o reconhecimento destes. Para um equipamento ser tombado, é necessário que aconteçam estudos rigorosos. "Os bens são protegidos temporariamente a partir da abertura do processo. A decisão é dada pelo Comphic ou pelo Copahc", diz ela.

Segundo Otávio Menezes, se o bem tombado for do Estado ou do Município estes ão responsáveis por eles. "Nem sempre temos os recursos que os bens merecem".

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
A lei por si só não garante preservação
Qual o sentido de se efetivar o tombamento de uma edificação? A princípio esse instrumento legal, de uso exclusivo do poder municipal, estadual ou federal visa preservar determinado registro material ou imaterial que tem relevância para a história de um povo. A população, entretanto, só compreende a necessidade de preservação do seu patrimônio na medida em que conhece a sua história. Uma sociedade, como é o caso da nossa, fundamentada no pragmatismo do imediato e no entendimento de que quase tudo deve ser convertido em mercadoria, dificilmente percebe o significado histórico e a importância de seus edifícios, espaços e monumentos. Este desconhecimento se torna um grande entrave que se coloca diante da necessidade do resgate da história e da preservação de seus registros. O emprego de instrumento legal não garante, de forma imediata e direta, a preservação do equipamento tombado, principalmente quando esse é de propriedade privada, o que faz com que, normalmente, o tombamento seja compreendido como uma forma de congelamento do imóvel, impedindo sua reforma ou sua modificação de uso. No caso de Fortaleza, ainda há muito a ser feito no sentido de realizar tombamentos de imóveis isolados e de sítios históricos. Embora percebamos um avanço no intuito de preservar o patrimônio edificado da cidade, desafio maior ainda está por ser iniciado: disseminar a compreensão de todos os benefícios da preservação de seus registros históricos.

Augusto César Paiva
Arquiteto e urbanista


Colégio Militar de Fortaleza
Colégio Militar de Fortaleza
Estar entre os 25 equipamentos da Capital que possuem processo de tombamento aberto não é por acaso. O Colégio Militar de Fortaleza é uma das instituições importantes na história da educação e da arquitetura da cidade. Inicialmente, o local funcionaria como Asilo de Mendicidade, abrigo para vítimas da seca. A partir de 1892, o prédio passou a sediar quatro estabelecimentos de ensino do Exército: Escola Militar do Ceará, Colégio Militar do Ceará, Escola Preparatória de Cadetes de Fortaleza e Colégio Militar de Fortaleza

Casa de Juvenal Galeno
Casa de Juvenal Galeno
O pedido pelo tombamento da Casa de Juvenal Galeno partiu de Antônio Galeno, neto do poeta cearense. O processo foi aberto em julho de 2010. Segundo Antônio, o imóvel sendo um bem tombado e assim um patrimônio histórico e cultural os seus detalhes originais, história e memória estarão para sempre protegidos de destruições. “A Casa terá mais divulgação, mais atenção, assim como a cultura cearense”. Hoje, o local, que funciona há 93 anos, é considerado referência cultural no Estado, especialmente, com relação à literatura popular

Jéssica Petrucci 
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste