sexta-feira, 15 de julho de 2011

O historiador de Brasília

Foi historiando a vida de Brasília e comunidades circunvizinhas que Adirson Vasconcelos construiu sua obra maior

João Adeodato de Vasconcelos, comerciante, juiz de paz, promotor auxiliar, delegado civil, inspetor de ensino e prefeito municipal era um homem de bem, abastado, de ampla visão e formação católica. Conduziu os filhos até Recife, um para tornar-se doutor, outro, religioso. Francisco Ayrton cumpriu o desejo paterno, fez-se médico. José Adirson, nascido a 16 de julho de 1936, abençoado no batismo pelo padre-poeta Antonio Tomás, estudou no colégio dos Irmãos Maristas de Apipucos, porém abandonou claustros e batinas e enveredou pelo jornalismo. E foi nessa condição que o destino o conduziu ao Planalto Central, pedaço do Brasil que escolheu para viver, amor à primeira vista.

Escalado pelo jornal Correio do Povo para cobrir a primeira missa celebrada em Brasília seguiu para o Rio de Janeiro e de lá, em um precário Douglas, voou para Goiânia. Dali em diante, um dia inteiro numa jardineira até a cidade que fervilhava de candangos na maratona da construção monumental. Era o dia do trabalho, 1º de maio de 1957. Desde então o jovem cearense de Santana do Acaraú tornou-se cidadão brasiliense com uma firme promessa no peito: ser seu historiador.

Adirson Vasconcelos acompanhava o presidente Juscelino Kubitscheck passo a passo, como repórter do Correio Brasiliense, órgão dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, sobre o qual escreveu recentemente um roteiro biográfico chamado Chatô e seu tempo. Como assessor da presidência da fundação que leva o nome do famoso jornalista organizou uma série de cinquenta volumes contendo os combativos artigos do velho jagunço: O pensamento de Assis Chateaubriand.

Nas foi historiando a vida de Brasília e comunidades circunvizinhas que Adirson construiu sua obra maior. Escreveu mais de trinta livros em torno do assunto começando por O homem e a cidade. Seguiram-se: Um sonho que se fez realidade, A primeira viagem, Núcleo Bandeirante, Curls e o Planalto Central e mais uma coleção narrando a trajetória de cada uma das cidades satélites e sobre o núcleo, o Distrito Federal. Além de biografar o presidente JK e sua visão futurista.

Este amor por Brasília levou Adirson Vasconcelos a fundar o Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, órgão que mantém o Museu da Imagem e do Som, guardião da memória da cidade de Lúcio Costa e Niemeyer. Contudo, Adirson não esquece o berço, escreveu uma memória quando do centenário do pai, João Adeodato e, sempre que pode, retorna a Santana. Conheci-o numa dessas viagens. Viera com a família para inaugurar rua com o nome do genitor ex-prefeito e placa no casarão onde residiu na Avenida São João, fato ocorrido em 1994 na gestão de Ari Fonteles. A rua João Adeodato corta a 3 de Novembro, data da fundação do Município e esbarra na Manoel Joaquim, homenagem ao primeiro presidente da Câmara Municipal. Mais sintomático não poderia ser. E a placa comemorativa ao centenário ainda permanece no casarão que, graças, está bem preservado.

Colocação das quadrilhas no Festival Junino de Acaraú

Como todos sabem, no último final de semana, ocorreu, na Praça do Centenário, no Centro de Acaraú, o Festival de Quadrilhas Juninas do Município, situado na zona Norte do Ceará. O evento, promovido pela Prefeitura Municipal, juntamente com a Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará (Fequajuce) contou com a apresentação de quadrilhas juninas de vários municípios cearenses: Camocim, Hidrolândia, Sobral, Acaraú, Fortaleza, Cruz, Tianguá, entre outros. Confira a colocação das quadrilhas:

1º - Grupo Esperança (Camocim) 178,40
2º - Estrela Branca (Hidrolândia) 177,70
3º - Queima Fogueira (Itapiúna) 176,40
4º - Pisa na Fulô (Sobral) 176,40
5º - União Junina (Sobral) 175,20
6º - Coração da Terra (Acaraú) 174,50
7º - Explosão na Roça (Acaraú) 174,40
8º - Explosão na Roça (Fortaleza) 166,70
9º - Paixão do Sertão (Jaibara) 165,40
10º - Emoção Junina (Cruz) 163,00
11º - Arraiá dos Apaixonados (Groaíras) 157,60
12º - Grupo Junino Girassol ( Tianguá) 155,10

Fonte: Blog Vale do Acaraú Noticias

Arraiá do Patativa é bicampeão

O grupo de Assaré volta à Fortaleza para representar o Ceará no Festival Nordestino de Quadrilhas Juninas

A quadrilha tem 60 jovens com idade entre 15 e 30 anos, oriundos de bairros pobres da cidade de Assaré
DIVULGAÇÃO
Crato. A quadrilha "Arraiá do Patativa" conquistou Bicampeonato Estadual do XIII Festejo Ceará Junino, promovido pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará em parceria com a Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará. O grupo volta à Fortaleza, no dia 31 de julho, para representar o Estado do Ceará no Festival Nordestino de Quadrilhas Juninas, evento que contará com as 10 melhores quadrilhas do Nordeste.

Este ano, o grupo de Assaré levou para a Capital o tema "Um Saboroso Doce do Sertão, Encantando as Noites de São João", que aborda a agroindústria açucareira, com a fabricação do doce mais popular do sertão, a rapadura.

Dentro desse contexto, os representantes de Assaré dramatizaram a quadrilha com diálogo dos figurinos, marchas juninas, casamento matuto, coreografia com o imaginário popular, ao redor dos engenhos de rapadura do Cariri, a literatura de cordel, a dança de coco, com as emboladas elementos que compõem o universo cotidiano das comunidades e povos que vivem dos canaviais.

O grupo apresenta desde o processo de colheita da cana-de-açúcar, passando pela preparação do mel nas caldeiras, a produção do alfenim, até a produção e, ainda, distribuição da rapadura para todo o público que os assistem.

Para o secretário de Cultura de Assaré, Marcos Salmo, a conquista do título foi um grande estímulo para o grupo de jovens que participa da quadrilha. Ele lembra que são 60 jovens com idade entre 15 e 30 anos, oriundos de bairros pobres que enfrentam limitações culturais. Os figurinistas, compositores, diretores, coreógrafos são pessoas formadas no próprio grupo, através de oficinas e cursos.

Linguagens
O grupo, nos seus desdobramentos, utiliza-se de outras linguagens artísticas para promover as tradições juninas, como pesquisa e mapeamentos, publicação de cordéis e produção de filmes. Ações estas que só foram possíveis com as parcerias de várias instituições públicas e privadas, ressalto Marcos Salmo.

O secretário de Cultura lembra também que, ao longo dos anos, os coordenadores da quadrilha se inspiram na obra do filho mais ilustre da cidade, Patativa do Assaré, autor da poesia "Ingém de Ferro", um clássico dos poemas populares.

Dentre os diversos temas apresentados estão: "A mala do folheteiro", "Cariri de Cultura e Tradição", "Contribuição Cultural do Cangaço para o Nordeste", "Luiz Lua Gonzaga", "o Centenário Patativa do Assaré". No ano passado, o tema foi "Os vaqueiros do Sertão".

Alunos visitam locais históricos

O City Tour, realizado pela Secretaria de Educação, faz parte da programação dos 100 anos de Crateús

Padre Helênio relembra fatos históricos de Crateús para os alunos que participam do City Tour Crateús
SILVANIA CLAUDINO

Crateús. Igreja Matriz Senhor do Bonfim, Teatro Rosa Moraes, Coluna Prestes, Arco de Nossa Senhora de Fátima, obra em construção do Abatedouro Público, Instituto Federal de Educação do Ceará Campus Crateús, com parada para lanche na Cozinha Comunitária. Este foi o roteiro do City Tour realizado pela Secretaria de Educação deste Município em três ônibus, contemplando cerca de 480 estudantes de quatro escolas da rede municipal de ensino, nos últimos quatro dias, no período da manhã.

A ação faz parte da programação do Centenário de Crateús, que ocorrerá no dia 15 de novembro. A partir das 7h30, os alunos foram recebidos na escola e daí iniciaram o passeio, retornando às 11 horas. Na primeira parada, a Igreja Matriz Senhor do Bonfim, no Centro da cidade. Eles foram recebidos pelo padre Helênio Oliveira, que foi vigário de Crateús durante cinco anos, de 1974 a 1979, e relembrou fatos históricos deste período, bem como do surgimento da Diocese de Crateús e do bispado de dom Antônio Fragoso, primeiro bispo de Crateús. Parada também no Teatro Rosa Moraes, com apresentação de peça teatral.

Conhecimento
"O objetivo do passeio no período das férias é aliar conhecimento e entretenimento, aproveitamos para enfatizar fatos históricos de nossa cidade e apresentar aos nossos estudantes obras arquitetônicas que compõem Crateús ontem e hoje", ressaltou o secretário municipal de Educação, Mauro Soares.

Para ele, o passeio realizado nesse período se torna um atrativo para os estudantes. "É uma forma criativa de ensinar e solidificar nos estudantes o conhecimento e amor pela cidade", explicou o secretário.

Neste período das férias escolares foram contempladas as Escolas José Freire Filho, cujo passeio ocorreu no dia 12, Anízio da Frota, no dia 13, Maria José dia 14 e, por último, Airam Veras. A ideia é expandir o projeto para as demais comunidades escolares do Município em outro momento de férias escolares.

Além dos alunos, alguns pais participaram do passeio. Educadores acompanharam os estudantes fazendo às vezes de guias, com o papel de destacar a história da cidade.

Diversão
Para os estudantes, o passeio pelos diversos pontos turísticos e históricos da cidade, veio em uma ótima hora e aliou diversão e mais conhecimento sobre o Município de Crateús. Janiele Vieira, de 11 anos, da Escola Maria José, gostou do passeio, especialmente da peça teatral. "Gostei muito do tema da peça e de conhecer mais locais da minha cidade", disse. Juliana Costa, 14 anos, conheceu locais novos para ela. "Adorei porque não conhecia a Igreja Matriz e a Cozinha Comunitária".

Já o adolescente Bruno Rodrigues, estudante do 9º ano da Escola Maria José disse que "é muito bom passear nas férias, conheci locais que não conhecia e vi que a cidade está se desenvolvendo".

MAIS INFORMAÇÕES:
Secretaria Municipal de Educação - Centro Administrativo
Rua Cel. Totó, S/N - Crateús (CE)
Telefone: (88) 3692.3311

Cruz delimitava propriedade do Padim

No ano do Centenário de Juazeiro do Norte, várias descobertas relacionadas ao Padre Cícero foram feitas



Fernando Arrais Maia, proprietário da cruz de bronze que delimitava as terras do Padre Cícero, no Município de Missão Velha. Ele mostra o objeto que mede quase meio metro
ANTÔNIO VICELMO
Missão Velha. O Centenário de Juazeiro do Norte suscitou uma série de pesquisas que resultou na descoberta de alguns objetos e documentos que fizeram parte da vida do Padre Cícero. No Sítio Lameiro, situado no Município de Missão Velha, foi localizada uma cruz de bronze que era utilizada como marco de uma das propriedades rurais dele. Na cruz, que mede quase meio metro e pesa dois quilos, está esculpida a seguinte mensagem: "Glória ao Pai, que nos criou. Glória ao filho, que nos remiu. Glória ao Espírito Santo, que nos santifica. Amém".

No verso, a indicação mística: "Viva Jesus, Maria e José. Marco do Padre Cícero Romão Baptista do sítio Lameiro de Missão Velha, 1909".

Proprietário
O marco pertence ao agropecuarista Fernando Arrais Maia, que recebeu de presente do seu tio, Luiz Maia, proprietário do terreno que pertenceu ao Padre Cícero. Para Fernando, o objeto é mais do que uma lembrança familiar. É uma peça valiosa que faz parte da história de um Padre que foi eleito "Cearense do Século", em razão de sua liderança política e religiosa em todo o Nordeste.

Para o historiador Daniel Walker, o marco não é o único encontrado na região. Existem outros marcos de madeira com os quais o sacerdote delimitava suas propriedades.

A novidade é que este, em forma de cruz, traz duas mensagens. O marco em questão já foi apresentado ao secretário de Cultura e Turismo de Juazeiro do Norte, José Carlos dos Santos, que está tentando adquiri-lo. A aquisição está na dependência de comprovação da autenticidade da peça.

Autêntico
De acordo com informações de José Carlos, existe um forte indício de que o objeto é autêntico. O professor Renato Casemiro já comprovou, com documentos, que o terreno onde foi encontrado o marco pertencia realmente ao Padre Cícero.

O secretário lembra outro marco importante que foi localizado na Estação Ferroviária de Juazeiro do Norte que, além de assinalar a inauguração da chegado do trem no Cariri, tem o nome do Padre Cícero como prefeito de Juazeiro.

Proprietário de terras, gado e dono de diversos imóveis no Estado do Ceará e em outros Estados do Nordeste, o Padre Cícero costumava delimitar e acompanhar a administração de suas propriedades. O livro "Cartas do Padre Cícero", de autoria do padre Antenor de Andrade e Silva, publica várias cartas do patriarca de Juazeiro do Norte falando nos marcos de suas fazendas.

MAIS INFORMAÇÕES
Fernando Arrais Maia
Município de Missão Velha
Região do Cariri
Telefone: (88) 9969.5944


Antônio Vicelmo 
Repórter