sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Museu de Santana do Acaraú-Sobre um movimento pela preservação

De onde virá o desejo que o ser humano tem de ver perpetuada sua memória? O que explica o desejo que este ser tem de conhecer suas raízes e sua identidade?
Em minha filosofia livre de normas acadêmicas acredito que a resposta está natureza mais profunda do ser humano: o amor no seu mais amplo sentido!

Contudo, neste cismar filosófico, cabe uma pergunta: hoje em dia não estará este desejo sendo apagado e calado? Haverá espaço no sistema capitalista para uma identidade que não seja aquela do consumismo?
Tal cismar nasceu em nosso coração quando recebemos nos meses de Junho e de Julho as visitas de ilustres filhos da Cidade do Acaraú e de uma filha ilustre de Morrinhos.Estas pessoas foram para mim o sinal de um fenômeno que passa despercebido aos olhos da grande massa mecanizada, ocupada em fazer girar a grande roda do produzir - consumir - produzir - consumir.... até que a morte chegue!

Na Zona Norte do Vale do Acaraú encontramos pessoas muito preocupadas com a preservação da memória e da História de seu povo e cidades que abriram Memoriais com este fim e até a publicação de livros que contam a história das cidades.

Memorial da Paróquia de Santana do Acaraú
A primeira visita que recebi foi do Senhor Totó Rios, um acarauense apaixonado pela história de sua cidade e que tem um projeto de criar um memorial Virtual para contar a história das cidades do médio e do baixo vales do Acaraú através de fotos.

Em Julho recebemos a visita de Dona Guilhermina Braga, incumbida pelo pároco de Morrinhos Padre Jacó Sindharta de conseguir conosco uma cópia da foto do Reverendo Padre Arakén da Frota para fazer parte de uma galeria que estará em Memorial que a Paróquia pretende abrir.

Também nos deram o prazer de sua visita Maria Iranir Araújo, Acarauense conhecedora de suas raízes e de sua história.Soubemos por ela da situação de perseguição e incompreensão que sofre o pioneiro, nesta nossa região do médio e do baixo Acaraú na criação de espaço para a preservação da Memória: O Senhor José de Fátima. Segundo os mesmos muitas das peças colecionadas por este senhor ao longo de muitos anos foram roubadas ou extraviadas uma vez que estavam em espaço aberto pela Prefeitura de Itarema que pouco ou quase nunca cuida de tal espaço!

Em passagem por Bela Cruz anos atrás, vimos na fachada de um Casarão antigo uma placa que indicava que ali também havia um Memorial. Esperamos o mesmo abrir em seu turno da tarde contudo isto não ocorreu, fato que nos frustou a expectativa de conhecê-lo!

No ano passado fomos presenteados com a Publicação do Livro: Morrinhos sua história e sua gente do casal João Leonardo Silveira e Maria Luzia Rocha Silveira. O livro, de linguagem bem acessível, conta a história de Morrinhos desde seus remotos primórdios!

Tais exemplos nos mostram uma verdade: apeasar de envoltos ainda em espeesa névoa de desconhecimento de sua história os cidadãos da parte baixa do Acaraú querem conhecer suas raízes e a região mostra ter um grande potencial para o turismo histórico e Arquitetônico.

Acredito que tal fenômeno ganhará mais força se os autores das iniciativas que citamos unirem-se em torno deste ideal comum: o conhecimento da memória e da história como caminho de crescimento da autonomia e da cidadania.

Por Léo Cardim

Reportagem em Jornal e Blog

Diário do Nordeste-História do Porto de Cacimbas
Diário do Nordeste-História do Porto de Cacimbas
Blog do Eliomar-Biblioteca de Acaraú
Blog Ceará é Noticia-Biblioteca de Acaraú

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Livro pode 'ganhar vida' no lançamento, diz escritora cearense


Na hora de lançar um livro, a escritora cearense Socorro Acioli diz sempre ter ideias “mirabolantes” para fugir do evento tradicional com falas ilustres seguidas por sessão de autógrafos e um coquetel. Em janeiro do ano passado, a escritora conseguiu executar uma dessas ideias e lançou sua 14ª obra, “A bailarina fantasma”, com uma visita guiada com a presença de 200 pessoas pelo Theatro José de Alencar, local histórico de Fortaleza e que serviu de cenário para o livro. “O escritor tem de pensar em um evento que deixe o leitor com curiosidade para ler o livro. Fazer com que o livro ganhe vida”.

A história do livro de Socorro Acioli se passa toda no Theatro José de Alencar e foi escrita a partir da lenda de uma bailarina vestida de azul que rondava o local. “Sempre penso que o lançamento seja um prolongador do tema do livro. No caso da 'Bailarina', o 'mergulho' no texto tinha de ser no Theatro”, explica. Além do apoio da editora, a ideia do lançamento do livro ser uma visita guiada teve ajuda da diretoria do teatro e, inclusive, fez parte da comemoração do centenário do equipamento cultural.

“Fiz um roteiro nos cenários da história. Conduzia os visitantes para diferentes locais e lia um trecho do livro. Geralmente, nos lançamentos, vão os amigos e a família. Como agreguei um evento diferente, acabei atraindo muita gente que não conhecia”. Apesar da publicação ser voltada para o público juvenil, a escritora conta que cerca de 200 pessoas entre crianças, adolescentes e adultos passaram pelo passeio que começou às 16h de uma quarta-feira e terminou por volta das 22h.

Lançamento multimídia
O convite para a visita guiada de “A Bailarina Fantasma” também foi original. Socorro Acioli produziu um book trailer da história, o primeiro do Ceará. “Enviei para imprensa, para os convidados e disponibilizei na internet. Meu público de 8 a 14 anos está todo na internet. É o meio mais fácil para chegar neles”. No vídeo, a escritora apresentava o livro com atores interpretando pequenos trechos da história.
saiba mais

A escritora é um exemplo da importância de saber planejar o lançamento e como isso pode gerar consequências positivas. “Muitas vezes, o que importa não é a venda e, sim, a divulgação na mídia. Fazer lançamentos diferentes gera espaço e é um investimento a longo prazo”. Até agora, já foram vendidos 30 mil exemplares da obra e a comercialização está esgotada nas livrarias de Fortaleza. Umas das novidades é que 'A Bailarina Fantasma' também vai virar filme por uma produtora do Rio de Janeiro.

Um mês depois do sucesso do lançamento oficial, foi realizada uma leitura pública do livro no foyeur do Theatro José de Alencar. Vinte e um convidados leram na íntegra um dos 21 capítulos da história. Ao longo de 2010, a escritora ainda fez mais seis visitas guiadas sobre o livro a convite do próprio teatro e de escolas da capital cearense. “Até hoje, se eu chegar no teatro, os guias me chamam para fazer o passeio com os visitantes e contar a história da bailarina”.
Socorro Acioli defende que o livro precisa fazer um “casamento" com outras artes. Em 2011, a escritora lançou mais uma obra, o cordel “O Inventário de Segredos” e mais uma vez fez diferente. Socorro convidou o grupo cearense Breculê para musicar todos os capítulos da sua 15ª obra e realizou um show em uma livraria de Fortaleza.

Momento crucial para escritor
O coordenador editoral da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult), Raymundo Netto, reafirma que o lançamento do livro é uma questão crucial, principalmente, para os escritores que publicam por conta própria ou em acordo com as editoras. “A maior parte da imprensa dá ênfase à publicação de um livro quando é feito o lançamento. Esse é o momento de divulgação e de venda”, destaca.

Raymundo Netto, que também é escritor e já trabalhou na publicação de mais de 90 livros pela Secult, orienta que o local do evento de lançamento precisa ter uma relação com a história do livro e com o público. “Quando o escritor tem apoio da editora, a preocupação é menor e o lançamento acaba sendo simbólico. Mas, no caso de escritores independentes, o esforço tem de ser bem maior porque a grande venda do livro será no lançamento”.

O coordenador editoral lembra pequenos detalhes que devem ser pensados na organização do lançamento de um livro. “É importante preparar a logística do local, separar dinheiro para os trocos, tomar cuidado com as papeletas com os nomes para a dedicatória, a distribuição do livro nas editorias especializadas com pelo menos 15 dias de antecedência do lançamento. Esses detalhes fazem a diferença e garantem o sucesso de um lançamento”.
Gabriela Alves
 
Usei o Facebook para conseguir lançar meu livro, diz autora estreante

Ceará deve ter mais de 50 parques eólicos em 2014


A produção de energia eólica no Ceará deve manter ritmo de franca expansão nos próximos três anos. Atual líder nacional no setor, e com projetos ainda a serem construídos, o Estado deve chegar em 2014 com mais de 50 usinas e uma capacidade instalada de quase 1,5 mil MW, segundo panorama traçado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

Atualmente o Ceará possui 17 usinas eólicas em operação. Os parques estão localizados em Acaraú, Amontada, Aquiraz, Aracati, Beberibe, Camocim, Fortaleza, Paracuru e São Gonçalo do Amarante. Todos as usinas, somadas, têm uma capacidade instalada de 493,9 MW. De acordo com o presidente do Conselho Regional do Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) do Ceará, engenheiro eletricista Antônio Salvador da Rocha, 1 MW é suficiente para abastecer 500 famílias.

O panorama da Abeeólica para 2014 prevê o Ceará com 54 usinas e capacidade instalada de 1.488,7 MW - atrás somente do Rio Grande do Norte. A energia seria suficiente para uma demanda equivalente a 744 mil famílias, aproximadamente. 

Projetos vão além do litoral
O litoral do Estado vem deixando de ser o único ponto onde os projetos eólicos são instalados. A região da Ibiapaba é uma nova realidade para os investidores. Em 2010, por exemplo, novos parques eólicos foram aprovados em leilão para Ubajara e Tianguá.

De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) no Nordeste, Pedro Cavalcanti, a ida de projetos para regiões além do litoral se deve a um conjunto de fatores, como lincenças ambientais impedidas em cidades litorâneas e viabilidade econômica mais adequada à realidade do investidor.

Pedro aponta ainda que  as praias cearenses já possuem um grande número de usinas - o que motiva os investidores a optarem pela expansão em outras regiões.

"Todo o litoral está mapeado. No Ceará a questão ambiental é mais severa, mas isso não impediu o Estado de se expandir. O Ceará deu um grande sinal de vitalidade nos últimos leilões", comenta o diretor.
Nos últimos leilões de energia o Rio Grande do Norte obteve melhores resultados que o Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Um olho no cravo e outro na fechadura


O meu fascínio pela literatura fantástica tem origem, sem dúvida, na tradição oral que corria o Sertão numa época em que eu era menino e que a luz da Light se apagava às 22h em quase todas as pequenas cidades do interior do Nordeste brasileiro.

Aparelhos de televisão eram uma raridade, poucas famílias mais abastadas podiam acompanhar o que se passava no resto do Brasil. A nós, filhos de pobres,só nos restavam algumas brincadeiras que não necessitavam da claridade, mas o que verdadeiramente nos encantava era sentar na calçada, alpendre ou mesmo no meio da rua e abrir uma roda de contação de histórias.

Geralmente um adulto, não raro os mais velhos da vizinhança, iniciava logo uma narrativa de assombração, era a senha para que todos se calassem, apertassem a mão do irmão mais velho e grelassem os olhos na tentativa de enxergar a boca de onde saía os mesmos e velhos causos de cavalos correndo em roçados na madrugada, luzes em oiticicas de beira de rio, carnes sendo cortadas em mercados fechados, aparições e perseguições em ruas e veredas de nossa cidadezinha.

Minha mãe vivia brigando com meu pai por conta dos mil mal-assombros que incutia em nossas cabecinhas noite adentro. Iam deixar trauma nos meninos, dizia. Mas eles deixaram em nós foi um gosto pelo mistério que levamos pela vida afora. Já adulto, e em contato com a cultura letrada, era mais do que natural que gostasse de literatura fantástica.

Mas desenvolver esse gosto pelo gênero não foi tão fácil, porque raros eram os autores da dita “literatura séria” que o cultuavam. Há uma ou outra história perdida de alguns escritores românticos, pouquíssimas dos ditos realista-naturalistas e menos ainda dos modernistas. Mas com o tempo fui descobrindo narrativas fantásticas até no mais empertigado realista. Uma espécie de gênero minoritário, mas cultuado por quase todos os escritores.



Fui criando gosto de marcar os contos fantásticos encontrados em livros e coletâneas. Daí a vontade de juntá-los, de classificá-los, de estudá-los. Faltava-me um cabedal teórico, que aos poucos fui descobrindo e lendo mais como curioso e menos como estudioso sério. Das classificações sisudas de Todorov (que no centro de sua teoria apontava como definição única a hesitação entre o racional e o irracional, abrindo leque à direita para o estranho explicado e à esquerda para o maravilhoso, principalmente este, que nos levaria ao Realismo Mágico latino-americano) aos mais modernos dos estudiosos, fui percebendo que, assim como a literatura fantástica foi mudando com o passar do tempo, a tentativa de classificá-la, conceituá-la, também foi no rastro, se perdendo nas infinitas veredas deixadas pelo que os escritores iam produzindo.

Um dia, assistindo uma palestra na universidade, um professor discorria sobre as características marcadamente realistas de nossa literatura nordestina, devido ao clima quente da região, às eternas lutas do homem com a terra, os desafios da sobrevivência etc. e tal. Diante de tal quadro, prometi a mim mesmo que juntaria um número significativamente de textos fantásticos para contrapor a essa verdade tão aparentemente óbvia do seguro professor. Quase todos os livros que li depois desse episódio foram lidos com um olho no cravo do Diabo e o outro na fechadura do fantástico.

Para se conhecer a literatura fantástica em nosso país há que se ler autor por autor, catando contos e romances (e, tremei Todorov, até poesias) que se enquadrem no gênero, dialoguem e tangenciem com ele. Tarefa difícil, mas que poderia ser facilitada por coletâneas e antologias, que agregassem tais raras pérolas nos mais longínquos rincões desse nosso imenso país. Mas são raras, por que não dizer: raríssimas, as coletâneas, panoramas, antologias específicas do gênero que trazem textos de autores brasileiros.

Há alguns anos o escritor e compositor Bráulio Tavares, um dos raros estudiosos do gênero fantásticos que eu tenho conhecimento, veio a Fortaleza lançar sua ótima Página de sombras (digo ótima porque, diferentemente das coletâneas anteriores publicadas no Brasil, traz autores diferentes dos mesmos e já mais que sambados exemplos usados por outros antologistas, ao lado de nomes nunca antes apresentados em antologias e coletâneas, como Carlos Emílo Correa Lima, Berilo Neves, Heloísa Seixas e André Carneiro). Durante palestra no lançamento, Bráulio fez menção de dívida a duas outras coletâneas. Uma delas é Maravilhas do conto fantástico (Cultrix, 1958), organizada por Fernando Correia da Silva e com introdução e seleção de José Paulo Paes — que mais tarde também organiza e traduz Os buracos da máscara (São Paulo: Brasiliense, 1985), que inclui dois contos brasileiros, de Murilo Rubião e José J. Veiga. A outra é O conto fantástico (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1959) com seleção, prefacio e notas de Jerônimo Teixeira, trazendo 26 histórias brasileiras dentro do gênero aqui abordado (na breve apresentação, Bráulio supõe ser esta reunião de Monteiro a primeira do Brasil na temática fantástica).

Não pensem que essa limitação bibliográfica se refere apenas ao gênero fantástico. Não, são pobres também as antologias, coletâneas e panoramas referentes a qualquer gênero no Brasil. Qualquer coleção de contos e poemas que entopem as livrarias neste início do século 21 traz lacunas e uma falta de abrangência inacreditáveis. Organizadores sem nenhum conhecimento do que se passa nos vários Estados brasileiros organizam irresponsavelmente os “Melhores Contos”, os “Melhores Poemas” sem critério algum, deixando de fora verdadeiros mestres de nossa literatura, que são penalizados simplesmente por residirem e publicarem em centros distantes da grande mídia (e das grandes editoras) ou mais distantes ainda do universo limitado de conhecimento dos tais organizadores; mestres do porte de um Moreira Campos, Gilvan Lemos, O. G. Rego de Carvalho, Hélio Pólvora, José Chagas, H. Dobal, Francisco Carvalho, Juarez Barroso, José Alcides Pinto, Jamil Sneje e uma enormidade de grandes outros escritores ficam de fora das referidas coletâneas, enquanto outros autores de obras e qualidade infinitamente inferiores estão lá.

PANORAMAS E ANTOLOGIAS LOCAIS

Para suprir e tentar evitar que isso aconteça (injustiças e omissões de grandes autores), pensamos em organizar um panorama do conto fantástico no meu Estado do Ceará, de literatura tão vasta e rica, porém quase desconhecida em seus pormenores pelo restante de brasileiros de outras plagas. Dos contos passamos para os capítulos de romances e até poemas, chegando a um inacreditável total de 207 peças: 130 histórias, 60 poemas (ou excertos) e 17 capítulos (ou fragmentos) de romances. Em tal empreitada contei com as valiosas colaborações de Sânzio de Azevedo (maior conhecedor da literatura cearense) e Alves de Aquino (poeta de valor da nova geração que desponta em nossas letras brasileiras).

Tenho corrido estados a lançar o livrão de quase 800 páginas que foi financiado pela Secretaria de Cultura do Ceará, em seu valioso programa de editais de literatura: Julho corremos as principais cidades do Estado, depois fomos para o Agosto das Letras de João Pessoa/PB, em setembro vamos lançá-lo na Bienal Internacional do Livro de Pernambuco. Até o final do ano tentar correr (ou ao menos caminhar) Brasil afora.

Com esta ideia procurar sensibilizar outros apaixonados, estudiosos ou simples curiosos como eu, a organizarem cada vez mais obras coletivas em seus estados. Assim, quem sabe daqui a algum tempo, os limitados organizadores de antologias nacionais não tenham a desculpa do desconhecimento dos grandes autores de cada pedaço deste país quase continental.

ASSOMBRAÇÕES NO PENAMBUCO ANTIGO
Tenho em lugar especial de minha estante as três primeiras edições do extraordinário Assombrações do Recife Antigo, do mestre Gilberto Freyre, lembrança de quando morei em Recife no final da década de 1980 do século 20 e percorria quase diariamente os maravilhosos corredores da livraria Livro 7 e saía já de noitinha pelas ruas escuras do Recife Velho, embriagado pelos poemas de Augusto dos Anjos e assombrado pelos causos (no subtítulo Freyre os chama de “Algumas notas históricas e outras tantas folclóricas em torno do sobrenatural no passado recifense”) bem catalogados e melhor contados pelo mestre de Apipucos.

Quando Freyre, no seu “Prefácio à 2.ª edição”, diz que “este livro não pretende ser contribuição senão muito modesta para o estudo de um aspecto meio esquecido do passado recifense: aquele em que esse passado se vê tocado pelo sobrenatural. Pelo sobrenatural mais folclórico que erudito, sem exclusão, entretanto, do erudito.” ou ainda quando afirma que “Quando muito, acrescenta uma ou outra novidade, miúda, mas mesmo assim de algum interesse, à literatura ou ao folclore do sobrenatural do Brasil.” Ele Parece querer desafiar futuros estudiosos de outras áreas das artes, do teatro e das artes plásticas e da literatura de Pernambuco (e do cordel, e da música, e da...) a procurarem a presença de aspecto tão importante do imaginário de um povo que é o sobrenatural. Que teimoso e destemido estudioso fará o levantamento de poemas, contos e romances (e músicas, e gravuras, e cordéis, e...) nessa que é uma das mais ricas literaturas do Brasil, a Pernambucana?

Pedro Salgueiro é escritor e organizador de O cravo roxo do diabo - O conto fantástico no Ceará

Fonte: Suplemento Pernambuco