segunda-feira, 28 de março de 2011

Trampolim itinerante chega a Fortaleza

Projeto começou em Vitória, no Espírito Santo, e traz, nesta semana, para a Capital artistas de Pernambuco e de países como Suécia e Argentina. Nas duas apresentações diárias, oportunidades de diálogo com o público

Artista argentina Verónica Meloni apresentará a performance "Mimesis"
Dar maior visibilidade à arte da performance entre o público e promover o intercâmbio e a troca de experiências entre artistas nacionais e estrangeiros. Com esses objetivos principais, começa, hoje, em Fortaleza, o Trampolim_itinerante, projeto que reúne, na capital cearense, seis artistas e um coletivo para uma série de atividades. A programação, que inclui workshops, apresentações e debate, vai até 31 deste mês.

O Trampolim surgiu, na verdade, em Vitória (ES), a partir do desejo do artista Marcus Vinicius de facilitar e impulsionar a produção e a projeção da arte da performance na cidade. "Morei fora do Brasil por algum tempo e, quando voltei, senti necessidade de reverberar tudo o que tinha visto, minha vivência com artistas em outras partes do mundo. Então tive a ideia para o Trampolim, no ano passado. Convidei uma amiga, a artista Rubiane Maia, para coordenar o projeto", recorda Vinicius, também coordenador e curador da iniciativa.

Assim, em seis edições, realizadas de outubro de 2010 a marco de 2011, o Trampolim reuniu mais de 50 artistas em um grande encontro com a prática da arte da performance e o diálogo entre artistas e público. Durante três dias, mensalmente, oito desses artistas reuniram-se em diversos equipamentos culturais de Vitória para realizar workshops, bate-papos, mostras de vídeo e performances.

Segundo os organizadores, a ideia é que o projeto funcione como plataforma e espaço de encontro de artistas do Brasil e do exterior, no sentido de compartilharem e discutirem acerca da bagagem que cada um carrega. Da primeira edição do Trampolim participaram, por exemplo convidados da Finlândia, Suécia, Espanha, Itália, Alemanha, EUA, Chile, Argentina e outros países, além de brasileiros de Vitória, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outros estados. "Chamamos tanto artistas emergentes quanto os de produção consolidada. Assim, reunimos na mesma plataforma olhares e formações distintas", ressalta Vinicius.

Segundo Vinícius, alguns dos artistas convidados nunca tinham vindo à América Latina. "Pensamos, então, que deveríamos fazer com que eles conhecessem mais a produção do Brasil, estabelecer diálogo com artistas locais. Assim surgiu o Trampolim_itinerante, realizado a partir de articuladores de cada cidade, que recebem esses artistas", explica o curador.

Itinerante
A primeira edição do projeto em versão itinerante aconteceu em Belo Horizonte (MG), em outubro de 2010. No mês seguinte, o Trampolim chegou a Bogotá (Colômbia), levando artistas do Brasil. Em fevereiro deste ano, foi a vez do Rio de Janeiro. "Quase sempre os articuladores são artistas amigos, que já conhecem nosso trabalho. Outras vezes, nós mesmos entramos em contato. O principal objetivo é gerar uma oportunidade das pessoas conhecer mais sobre a performance, e gerar uma troca entre quem está vindo e quem faz parte da cena local. Esse intercâmbio também inclui o público, por meio das conversas abertas na programação", destaca Vinicius.

De acordo com o curador, para a parte fortalezense, o evento terá a mesma dinâmica, com duas performances por dia. Aqui, o responsável pela vinda do Trampolim_itinerante é o artista Júnior Pimenta, que entrou em contato com Vinicius com a proposta.

"Já tinha interesse em realizar um encontro de arte de performance em Fortaleza. Propus ao Marcus e ao Centro Cultural Banco do Nordeste e o projeto foi aceito. Também tivemos o apoio da revista Reticências", esclarece Pimenta. Para a edição na capital cearense foram convidados os artistas Johannes Blomqvist (Suécia), Veronica Meloni (Argentina) e Aslan Cabral (Recife), além da própria Rubiane, do Vinicius e do Júnior Pimenta. Completa a lista o coletivo Curto Circuito (Fortaleza).

"No Trampolim, a curadoria é minha e da Rubiane. Mas nas edições itinerantes ela é feita em parceria com o articulador local. Em Fortaleza, além das performances e da conversa com os artistas, vai acontecer uma apresentação em vídeo e fotos do Trampolim em Vitória. Também já temos convite para levar o projeto a Belém (PA), provavelmente em julho", adianta Vinicius.

Para Pimenta, o aspecto mais interessante da performance é seu caráter interdisciplinar. "Alguns artistas são da área de dança, outros do teatro, das artes visuais. É uma linguagem que consegue reunir pessoas de vários campos. Isso é legal porque vai gerando conexões, algo bem próximo da produção contemporânea", observa.

Programação

Hoje - Manhã

Performances

Coletivo Curto Circuito (Fortaleza-CE), no Centro, a partir da Praça Coração de Jesus
Júnior Pimenta (Fortaleza-CE), no Benfica, em algumas ruas do bairro

Amanhã, das 17h às 20h
Performances

Aslan Cabral (Recife- PE), no hall do CCBNB
Rubiane Maia (Vitória-ES), no auditório do CCBNB
Verónica Meloni (Argentina), no auditório do CCBNB

30/03 - de 18 h às 20h
Performances

Marcus Vinicius (Vitória-ES), no teatro do CCBNB
Johannes Blomqvist (Suécia), no teatro do CCBNB

31/03 - das 15h às 17h
Bate-papo, no auditório do CCBNB

Conversa entre os artistas participantes do Trampolim_itinerante Fortaleza, refletindo sobre seus trabalhos, e fala de Marcus Vinicius e Rubiane Maia, sobre o projeto Trampolim

MAIS INFORMAÇÕES
Trampolim_itinerante - De hoje até31 de março, em ruas do Centro e do Benfica e no teatro do CCBNB. Entrada gratuita.
Contato: (85) 3464.3108

ADRIANA MARTINS 
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 27 de março de 2011

Homenagem ao Poeta Zeca Muniz


Depois de muito relutar, mas com uma vontade irrefreável de conhecer pessoalmente – a quem antes conhecia de ler, onde de há muito nutria uma admiração pela sensatez das coisas escritas e das poesias de efeito. Foi lendo suas composições que me fiz poeta e agora, queria ouvi-lo, queria contato com quem tanto me inspirou a dar vazão em forma de cantos ao turbilhão sentimental que fervilha em nossa alma.Homenagem da Biblioteca Pública Municipal ao Aniversário do Poeta Popular Zeca Muniz neste 26/03/2011. Na ocasião acontecerá uma missa em Ação de Graças na Igreja Matriz as 9h da manhã.

Quebrando os elos que me prendiam aos receios de minha humildade, em um domingo deste, início de tarde resolvi fazer-lhe uma visita e levar-lhe um exemplar de meu modesto livro e finalmente estar perto do grande Poeta Zeca Muniz – o “Velho Zeca” – como hipocoristicamente é chamado por seu filho, e meu amigo: Zé Orestes.

Estava ali deitado, como que não mais importando ver o tempo passar. Na confortável rede, em cor bege e de lindas varandas ornamentando seu contorno, o Velho Zeca descansava dos noventa anos já quase completos. Muito tempo para uma vida só, penso eu... quantas e tantas coisas lhe ocorreram neste lapso temporal. Quanta gente conheceu, quanta gente viu nascer e morrer. É testemunha ocular dos acontecimentos históricos mais marcantes de nossa “Terra Cruz”. Dentre os tais, cite-se os de maior envergadura, como o do longevo e profícuo paroquiato de Pe. Valdery, quarenta e seis anos completados agora em setembro próximo para ser mais exato, presente que esteve desde os seus momentos primeiros, como também no de Monsenhor Edson e ainda no mais distante destes, o do saudoso Monsenhor Sabino de Lima. É muito tempo para uma vida só.

Vendo esta imagem permeada de tantas comparações, fico como intimidado de despertá-lo de seu sacrossanto descanso da tarde. Mesmo assim me atrevo. Bato palmas, ele não desperta, tampouco alguém vem me atender ao portão. Bato palmas novamente, agora, uma simpática senhora me atende com um largo sorriso e me convida a entrar. A casa é confortável, percorro-a curiosamente por suas dependências iniciais desejando incluir algumas partes em meu projeto de moradia a tanto engavetado no meu arquivo de prioridades ainda não realizadas.

Identificando-me e apresentando minha razão da visita, a doce senhora, que depois de uma inicial conversa, se apresentou como esposa do Velho Zeca. Confesso que de logo estranhei a diferença de idade entre ambos, no que ante minha intima e inconveniente interrogação ela me esclarece ser sua segunda esposa sem que eu lhe tenha indagado, creio que deixei escapar minha indiscrição...

Antes mesmo que eu chegasse próximo à rede, o Velho Zeca desperta, levanta-se com dificuldade, ajeitando os lisos e ralos cabelos, alinhando a blusa desbotoada logo me estende a mão cumprimentando-me, ao mesmo perguntando a sua esposa: “quem é este moço?”. Antes mesmo que ela respondesse, eu mesmo me identifiquei, dizendo-lhe que ali estava para levar-lhe como presente o livro por mim escrito e ainda pouco lançado. Qual foi o meu contentamento quando ele disse a mim que já tinha visto “algumas coisas”, que tinha gostado e que eu sabia o que escrevia.

Tendo este assunto como fio de meada, iniciamos assim uma gostosa conversa. Minha admiração e alegria por ouvi-lo eram imensas. Guardava cada palavra dita, cada ensinamento, cada lição de vida tirada daquele momento impar que não via passar, mas o crepúsculo em vermelho sangue manchando o nascente me dizia que as horas haviam passado.

Estava diante de um autêntico poeta, um ourives das letras, das frases conexas que dão vida a escritos que exalam simplicidade e visão profunda de realidade em uma amálgama que converte ao mais puro preceito da boa vida.


Um homem na altura de seus noventa anos, aquele que já foi e fez o retorno no circuito da existência, agora com a dádiva do conhecimento empírico, pois em seu regresso, teve a oportunidade de ver por onde “andou”, contemplando os erros e acertos. E ali estava o Velho Zeca com tantas coisas a serem passadas... tanto ainda a ser útil pelo imenso volume de razão de vida, pelo exemplo de fé a ser imitado, pelo modelo de pai a ser espelhado, pelo homem honrado que é...

Das tantas frases ouvidas naquela tarde, uma ficou de forma especial; disse-me ele com meu livro em mãos: “olha meu filho, continue escrevendo poesias, elas são a expressão de nossa alma, elas nos fazem melhor, nos elevam”.

Elevado eu me senti naquela instante. Pude ter a felicidade de partilhar da aura envolvente dele exalada. O olhar cansado e manso de quem muito já viu, e muito tem a apontar como se deve verdadeiramente enxergar e bem viver. Verdade por ele confeccionada em um de seus inúmeros versos:

“E no fim da jornada me resta agruras,
E contemplando a essência da vida
Vislumbrei lampejos do transcendental.
Buscando valores que temos na alma,
Mudamos caminho na reta final.”

Parabéns Poeta! Deus o abençoe ainda mais, como sempre o abençoou em tão longa e benfazeja vida. Tanto a você como a todos por quanto lhe são amados.

Obrigado por ter concedido a mim, naquela tarde, um rastilho da luz do incandescente sol que é sua vida longa... longa vida...
Com todo carinho e respeito que se possa imaginar!
Por Paulo Roberlando

Livro sobre frei Damião será lançado


Foto: Aramazém da Cultura
Será lançado no próximo dia 7 de abril, na Livraria Cultura, às 19 horas, o livro Frei Damião, o Missionário. A obra, de autoria do frei Francisco Lopes de Souza Neto, é resultado da dissertação de Mestrado em Teologia da Comunicação que o religioso defendeu na Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, com o tema Frei Damião, o missionário e a Comunicação.

Frei Lopes, chegou no último dia 15 de março ao Ceará, vindo de Roma. O autor explica que a obra conta a história de Frei Damião de Bozanno, apresentando-o como fenômeno da comunicação.

Foto: Aramazém da Cultura
A trajetória do missionário capuchinho italiano, que veio para o Brasil na década de 1930, é descrita mostrando inclusive como preparava os seus sermões e as mensagens que transmitia aos fiéis nas suas missões. Por fim, o livro apresenta depoimentos de pessoas que conviveram com o religioso, considerado um santo por muitos fiéis.

Frei Damião morreu em 27 de maio de 1997 aos 98 anos, depois de ter dedicado 76 anos de sua vida a peregrinar pelas regiões mais pobres do Nordeste. O seu sepultamento foi no Convento dos Capuchinhos, em Recife. Em 2002, ao completar cinco anos de sua morte, o Vaticano deu início ao processo de sua canonização.

O lançamento do livro Frei Damião, o Missionário será dia 7 de abril, às 19 horas, na Livraria Cultura - Shopping Varanda Mall (avenida Dom Luís, 1010)

Fonte: O Povo

Nova leitura para cerâmicas

Mulheres de Cascavel aprendem a dar toque sofisticado em peças de cerâmica, aumentando a autoestima e renda

Nas aulas práticas, as ceramistas aprendem novas técnicas de amaciar a argila e aplicar adereços e carimbos
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Fortaleza No povoado de Moita Redonda, no Município de Cascavel, a cerca de 57km desta Capital, o fazer artístico está intrínseco à história do lugar. Famílias inteiras se reúnem para moldar a argila. O resultado: lindos itens de decoração e de uso doméstico. Jarros, quartinhas, potes, tigelas, mealheiros, animais, figuras lúdicas, flores e, entre outros, muita criatividade. A arte ceramista, forte herança da cultura indígena no Ceará, que vem sendo retransmitida por geração, ganha, agora, uma repaginada, com o projeto Mulheres do Barro: Novas Expressões, de autoria da artista visual Sabyne Cavalcanti, reconhecido pelo Prêmio Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Fundação Nacional de Artes (Funarte).

"O nosso objetivo é levar um novo design para a produção de barro, sem perder o grafismo ancestral do lugar", revela Sabyne. "É trabalhar com as artesãs seu potencial criativo levando para elas informações sobre as artes plásticas, desde a pré-história até a contemporaneidade", complementou. A proposta nasceu a partir da vivência da artista com a comunidade. Há 5 anos ela vive em Moita Redonda e acompanha a produção local. "Vi que ao longo dos anos as características vêm se transformando. Elas gostam de produtos mais coloridos e fazem poucas opções de modelos. Vi a necessidade de melhorar esta produção". Sem perder ou desconsiderar a produção destas mulheres, o projeto vai incentivar novas impressões no barro, resgatando o grafismo local, como as folhas de cajueiro e de mangueira, além de retomar o uso das colorações extraídas do próprio barro.

Renda de bilro serve de carimbo. Embeleza e dá um toque sofisticado às peças de barro. Sabyne é quem passa a técnica
No total, 20 mulheres de várias idades se reúnem semanalmente para trocar saberes. Além da experiência de Sabyne Cavalcanti, com estamparia em tecido, gravuras, xilografia e artes visuais, o grupo recebe a visita da ceramista Terry Kay e da artista visual Marina de Botas. Na residência artística, conta Sabyne, "é um momento de troca de saberes e conhecimentos de pessoas com diferentes formações".

Nos encontros semanais as participantes vivenciam práticas e teorias, tudo para diversificar a produção artesanal. Assistem, ainda, vídeos de artes para se inspirar a produção. As ceramistas estão aprendendo a utilizar rendas como aplicação e carimbo para incrementar as peças em barro. A renda de bilro, por exemplo, agrega a cultura regional com um tom refinado em cada peça. A ação, além de promover a cultura e produção artística cearenses, movimenta a cadeia produtiva local.

Os ateliês, em Moita Redonda, são no quintal de casa. As artesãs dividem os afazeres domésticos com a molda da argila
E por falar em geração de renda, este é também um dos objetivos deste trabalho, conforme conta a idealizadora. "Essas mulheres trabalham em casa, muitas vezes com os filhos, os maridos. Geralmente, vendem para atravessador ou encaminham para a Ceart. Não têm vendas constante. E isso dificulta a vida delas", conta. A comunidade fica a 3km da sede do Município, com acesso pela CE-040. Como as casas ficam distantes da rodovia, os turistas e transeuntes passam despercebidos deste celeiro ceramista.

Para Liduína Maciel dos Santos, hoje com 56 anos e há 30 produzindo cerâmica, o projeto será a oportunidade de divulgar o trabalho das artesãs e o local onde mora. "Estou gostando desse curso, pelo motivo que muitas coisas que eu sei fazer e as pessoas não sabem que eu faço, agora vão saber", conta.

Ela reconhece que as novas técnicas aprendidas podem potencializar as suas vendas. "Eu aprendi a aplicar a renda na peça, a trabalhar com o rolo que ajuda a deixar a argila mais macia. Eu espero que depois que as pessoas conhecerem nosso trabalho, façam pedidos e melhore mais as vendas", diz Liduína.

A expectativa da artesã é a criação de um site para vendas dos produtos. "Estamos fazendo um registro audiovisual deste trabalho e estamos criando um site com o trabalho de cada família", conta Sabyne.

PROTAGONISTAReconhecimento
O casamento com José Camilo dos Santos levou Liduína Maciel dos Santos a morar na Moita Redonda, em Cascavel, há 30 anos. Lá aprendeu a arte ceramista com a sogra. Ela diz que desenvolveu seu próprio estilo e suas peças. Quando tem encomenda, a família Santos entra na produção. Ela espera, após o curso, reconhecimento, divulgação e muitas vendas.

MAIS INFORMAÇÕES
Ponto de Cultura Lampião da Arte da Cultura - Rua Estrada do Bananal, S/N - Cascavel (CE)

Telefone: (85) 8831.5441

CONTINUIDADEProjeto realiza visita domiciliar e acompanhamento frequente
Desde janeiro, o Projeto Mulheres do Barro reúne as 20 ceramistas da comunidade de Moita Redonda. E este vem sendo o trabalho de formiguinha desenvolvido por Sabyne Cavalcanti. Ela diz que a assiduidade não tem sido a esperada. As participantes, muitas vezes, dividem o fazer artesanal com os domésticos e o cuidado com os filhos, dificultando a presença durante os encontros.

Visitas domiciliares foram a saída encontrada para suprir a ausência das artesãs. "Vou de casa em casa acompanhar a produção de cada uma. Sugiro modelos, formas. Acabamos interferindo até no modo de vida destas famílias, dando dicas de preservação ambiental, por exemplo", conta Sabyne.

Além da visita, o projeto promove passeios e eventos culturais, e está preparando as ceramistas para darem aulas do seu ofício. "Elas estão precisando de um novo elo com a sociedade. Vender produtos de qualidade. Elas estão aptas para darem aulas a grupos de estudantes. E esse povo está precisando também ganhar dinheiro".

Resultados
Enquanto os frutos do trabalho ainda não amadureceram, Sabyne Cavalcante comemora os resultados já alcançados. "Elas já estão praticando a renda, percebendo o valor de trazer a renda do bilro para aplicar na cerâmica. Estão vivenciando o fazer artístico", comemora, complementando sobre o resultado positivo para autoestima: "elas estão vivenciando a arte e por meio desta vivência elas olham para si e param de olhar só para a família", explica.

O Projeto Mulheres do Barro: Novas Expressões faz parte da premiação Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura, da Fundação Nacional de Artes (Funarte), oferecendo a artistas a oportunidade de desenvolverem um trabalho integrado a ações de Pontos de Cultura. Na cidade de Cascavel, o projeto integra as ações do Ponto de Cultura Lampião da Arte e da Cultura.

O Ponto de Cultura recebeu outra ação semelhante, com o Projeto Interações Artísticas Uirapuru, do luthier Tércio Araripe, resultando na Orquestra de Barro Uirapuru.

Também como resultado da ação, as artistas visuais Sabyne Cavalcanti e Marina de Botas produzirão outras obras de arte para comunidades.

EMANUELLE LOBO
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste

Livrarias são opção de lazer

Os espaços que têm a finalidade principal de divulgação da cultura agora se propõem ao entretenimento

Espaços de relaxamento das livrarias são disputados por um público cada vez maior que busca um lugar para levar a família, curtir a leitura, tomar um café e ouvir uma boa música
FOTOS: MARILIA CAMELO
Livrarias não são mais lugares apertados onde as pessoas iam simplesmente para comprar livros. Hoje, a aposta é em mega lojas que oferecem, além de uma variedade muito grande de obras, espaços de lazer, como cafés, sofás, pufes para os clientes relaxarem, setor infantil, de música, filmes e internet.

Uma visita à livraria alia a parte cultural, por meio do contato com os livros, e a diversão. Isso acaba atraindo toda a família que passa horas e reserva, muitas vezes, um dia inteiro nos fins de semana para curtir a livraria e tudo o que ela oferece. Para a pedagoga Valéria Cassandra Oliveira de Lima, este tipo de iniciativa, além de relaxar, serve de estímulo à leitura, sobretudo para as crianças. "Só podemos construir uma sociedade leitora se todos tiverem prazer em ler".

A pedagoga acredita ser positiva a iniciativa das livrarias, sobretudo no Ceará, onde ainda existem problemas de leitura e escrita de alunos da educação básica. "É importante que as livrarias tenham espaço cultural porque elas não se limitam a locais de consumo".

No entanto, Valéria faz uma ressalva: "nem toda população tem acesso, somente as famílias de classe média alta podem usufruir de todos os benefícios que os espaços culturais oferecem". Ela lembra que o interesse pela leitura deve ir além dos livros da moda que proporcionam uma leitura superficial.

A professora Rebeca do Amaral Saboia concorda com a pedagoga. "Considero uma iniciativa maravilhosa. Todos os meus alunos frequentam as livrarias e chegam na sala de aula comentando sobre os livros que leram e os que viram. Eles participam de teatro de fantoches que remetem a personagens de livros e musicais".

A professora conta que seus filhos Rodrigo e Rina, de dez e cinco anos, respectivamente, adoram ir às livrarias. "Eles acabam se interessando em ler mais". Além disso, ela diz que os próprios livros são um atrativo a parte. "Cada um tem uma forma de chamar a atenção das crianças. Há a parte figurativa, obras em alto relevo, alguns vem com CD ou DVD". Segundo Rebeca, os espaços também oferecem conforto e segurança. "Isso nos tranquiliza porque podemos ficar a vontade no lugar".

O auditor fiscal Daniel Melo Machado costuma levar o filho de três anos para aproveitar o que as livrarias oferecem. "Ele adora. É um incentivo à leitura. Acabo aproveitando o café, o espaço de leitura e todo o resto", revela.

Já o médico José de Arimateia Barreto acredita que Fortaleza é carente nesse tipo de serviço, mas que a cidade está começando a dispor de mais opções. "É bastante interessante". Ele conta que frequenta o lugar com o intuito de ver os livros, mas acaba aproveitando as alternativas. "Gosto de folhear as obras no espaço de leitura".

Entretenimento
O presidente do Conselho Administrativo da Livraria Cultura, Pedro Herz, explica que o local foi projetado para ser um espaço de entretenimento. "Essa é a filosofia da empresa". Para tanto, a livraria conta com auditório, teatro, café, espaço de leitura e setor infantil. A intenção é chamar as pessoas para o convívio com o livro, como informa o presidente. "As pessoas gostam. O café, por exemplo, funciona como uma pausa na leitura". Herz acrescenta que o objetivo também é fazer com que as famílias permaneçam mais tempo no lugar.

A Livraria Cultura chegou a Fortaleza há menos de um ano e, de acordo com o presidente do Conselho Administrativo, foi bem recebida pela população. No local, também está disponível uma tela que transmite filmes em blu-ray para quem quer aproveitar o passeio e fazer dele uma sessão de cinema.

Já a Saraiva Mega Store busca oferecer várias opções de entretenimento para públicos diferentes. "Procuramos fazer eventos para englobar todo o universo", diz a assessoria de imprensa da Saraiva Fortaleza. O espaço Saraiva Kids é um ambiente lúdico onde a criançada solta a imaginação entre livros, CDs, DVDs e brinquedos.

Nos fins de semana, arte-educadores promovem narrações de histórias, oficinas com materiais reciclados, peças de teatro e outras atividades recreativas. A megastore conta com uma cafeteria. Fora isso, o Espaço Rachel de Queiroz, que é uma sala multidisciplinar, promove eventos como lançamentos de livros, pocket shows, saraus literários, exposições e bate-papos. A exemplo de outros espaços, serve como ponto de encontro para quem gosta de saber mais sobre cultura e arte.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Um estímulo à leitura, à escrita e ao cognitivo

Esta iniciativa de propiciar momentos de lazer aliados à cultura só traz benefícios para as pessoas. É um estímulo ao desenvolvimento cognitivo das crianças e, ainda, melhora a leitura e a escrita, já que elas, além de se divertirem, passam a ter contato com os livros de uma maneira atraente. Também é uma forma de lazer.

A leitura gera sensação de prazer e isso é muito bom. Toda atividade prazerosa estimula a criança. A oferta de espaços diferenciados de lazer nas livrarias também é válida para o combate da cultura do consumismo. Este tipo de hábito não é saudável. A visita aos espaços culturais traz o desenvolvimento psicológico e socialo. As crianças acabam se socializando com novos amigos. Além disso, frequentar uma livraria integra a família que se une na mesma atividade.

Heliane Pessoa
Psicóloga

MÚSICAS E LIVROS 
Programações especiais têm vez

Oficinas, encontros de fãs, bate-papos, exposições e shows são algumas atrações oferecidas pelas livrarias
Para atrair um público cada vez mais significativo, as livrarias apostam não só no espaço físico, mas em eventos relacionados à música e aos assuntos tratados pelos livros, bem como aos temas voltados às crianças.

Na Livraria Cultura de Fortaleza, as opções são as palestras que abordam temas diversos, as atividades infantis, como contação de histórias, jornadas de cinema, dramaturgia e teatro, pocket shows com artistas conhecidos e de diferentes estilos musicais, bate-papos e autógrafos. Nesta semana, em que se comemora o Dia Mundial do Teatro, a Livraria Cultura vai fazer uma programação especial em alusão à data.

Já a programação da Saraiva Megastore inclui lançamentos de livros e revistas; encontros de fãs de bandas, séries, filmes; bate-papos; exposições; pockets shows; contação de histórias, oficinas de brinquedos e atividades musicais no espaço infantil; campeonato de games de multimídias; e campeonatos de RPG.

Apresentações
Além disso, a Livraria Saraiva está lançando o "Palco Raízes", com apresentações de música de estilos variados. Novidade também é o "Deliciosas Letras", uma espécie de bate-papo com um chef da cidade. Mensalmente, existe ainda o Clube do Livro Saraiva, normalmente no último sábado do mês, que também é um bate-papo com temas diferentes e sorteio de livros relacionados ao assunto.

A aposentada Lumena Furtado Moreira relata que gosta muito de frequentar a Livraria Saraiva. "Gosto do espaço, os livros são bons e acabo aproveitando para comprar enquanto meus netos se divertem no espaço infantil. É muito bom". A aposentada, que já trabalhou como educadora, afirma que aliar a cultura ao lazer acaba incentivando o prazer da leitura. "Isso é bom porque as pessoas leem pouco". Lumena acredita ser válida essa preocupação das livrarias em atrair um público maior para a atividade de ler. "Hoje, estamos vendo que eles têm essa preocupação", comenta.

O neto de Lumena, José Jesualdo Moreira, de seis anos, diz que adora ir ao Saraiva Kids porque lá encontra livros legais e também faz novas amizades. "Dá para brincar, ler e me divertir. Os livros são bons".

Variedade
A Megastore Saraiva oferece livros em diversas áreas do conhecimento. A loja oferece filmes, séries de TV, games, álbuns musicais e shows, opções de MP3, notebooks, impressoras e acessórios de informática e eletrônicos. Além disso, estações de escuta para CDs e DVDs e poltronas para descansar na hora da leitura são alternativas para quem quer se divertir e ter boas horas de relaxamento longe do estresse do dia a dia.

LINA MOSCOSO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste