sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Origem da Família Lopes Araújo (Silveira)

Para documentar a origem genealógica dos LOPES ARAUJO, de Lagoa do Mato, transcrevemos, a seguir, trechos de CRONOLOGIA SOBRALENSE e de OS LINHARES, obras de elevada importância, no gênero, escritas pelos eminentes linhagistas Cônego Francisco Sadoc de Araujo e Mário Linhares, respectivamente:

1673 - Nasce em Ipojuca, Pernambuco, Manoel Vaz Carrasco e Silva, primogênito do casal Francisco Vaz. Carrasco e Inês de Vasconcelos, tronco de inumerável descendência e em toda a Ribeira do Acaraú. Emigrou para o Ceara, fixando residência na Fazenda Lagoa Seca, perto do local onde hoje se encontra a cidade de Bela Cruz.

Manoel Vaz Carrasco e Silva e o pai das célebres Sete Irmãs, de cuja fecundidade maternal provém grande parte da família sobralense, como aliás de toda a Ribeira do Acarau.

Em sua excelente Obra intitulada CRONOLOGIA SOBRALENSE, vol. 1, pág. 32, Pe. Francisco Sadoc de Araújo escreve: "A família Carrasco é de bom sangue e possui brazão de armas do século XVII, sinal de nobreza e alta linhagem. As bases genéticas de grande parte da população branca da Ribeira do Acaraú, através dos Carrascos, tem ligação direta com a nobreza da Holanda, Portugal e Espanha. Quais sete colinas romanas, foram as Sete Irmãs o terreno fecundo em que se assentaram os alicerces sanguíneos da civilização nobre e cristã desta pequena porção da gleba cearense."

Pela importância genealógica das Sete Irmãs, transcrevemos aqui o que delas podemos colher, em longas pesquisas, nos textos originais de registros religiosos do Curato da Ribeira do Acaraú, bem como em outras fontes de segunda mão.
Manoel Vaz Carrasco casou-se duas vezes, nascendo-lhe três filhos do primeiro matrimônio e sete do segundo.

Do primeiro matrimônio de Manoel Vaz Carrasco com Luzia de Sousa, filha de Sebastião de Vasconcelos e Inês de Sousa, nasceram os seguintes filhos:

1. MANOEL VAZ DA SILVA, nascido em 1713, casou-se em primeiras núpcias, com Maria Bezerra Montenegro. Sobre o segundo casamento sabemos apenas que foi com "uma sobrinha do Padre Gonçalo, senhor do Engenho de Mussupy", conforme reporta Vitoriano Borges da Fonseca na "Nobiliarquia Pernambucana".

2. MARIA DE GOES VASCONCELOS C. c. Nicácio Aguiar de Oliveira, filho de Nicácio Aguiar de Oliveira e Madalena de Sá. Nicácio, seu marido, faleceu a 3 de novembro de 1761, com 65 anos, "pobre que vivia de esmola" e foi sepultado na Capela de Santa Cruz, segundo atesta o registro de óbito.

3.SEBASTIANA DE VASCONCELOS C.C. João da Soledade, também chamado João Dias Ximenes de Galegos, filho de Domingos de Santiago Montenegro e Lourença de Aguiar Dias Ximenes". (CRONOLOGIA SOBRALENSE,I V., pags. 32/33)

Do 2º matrimônio de M. Vaz Carrasco com Maria Madalena da á Oliveira nasceram:

- NICÁCIO AGUIAR OLIVEIRA, que se casou, na freguezia de Granja, com D. Micaela da Silva, filha de Tomaz e de sua mulher, D. Nicácia Alves Porto, donde vem a família Porto de Granja.

- D. MARIA MADALENA DE SÁ OLIVEIRA, que se casou no sertão do Acaraú com Francisco Ferreira da Ponte, que foi Coronel do Regimento de Cavalaria desta Ribeira. Era filho de Gonçalo Ferreira da Ponte e de sua mulher, D. Maria de Barros. Dai procedem os Ferreira da Ponte.

- D. INEZ MADEIRA DE VASCONCELOS, que se casou com o Sargento-mor Antônio Alves Linhares, filho do Capitão Dionísio Alves Linhares e de D. Rufina Alves Linhares. Dionísio era natural do Rio Grande do Norte, Cavalheiro da Ordem de Cristo e por todos considerado de muito boa nobreza, o que confirma a sua patente de Capitão-mor, registrada no livro das Miscelâneas da Ouvidoria Geral de Pernambuco, e descendente de uma nobilíssima família portuguesa. Dai os Linhares.

- D. ROSA DE SA E OLIVEIRA, que se casou com seu parente Capitão-mor José de Xerez Furna Uchoa, autor da Genealogia da família Rolanda Cavalcante e da qual descendem multas outras famílias.

- D. BRITES DE VASCONCELOS, que se casou, em 31 de julho de. 1747, com o capitão-mor José de Araújo Costa que residia na Ribeira do Acaraú, natural de Santa Lucrécia de Barcelos, Arcebispado de Praga, em Portugal, filho de Pedro de Araujo e de D. Maria de Sá.

Desse matrimônio nasceram:

1º Anselmo de Araújo Costa, que deixou descendência;

2º Diogo Lopes de Araújo Costa, homem notável pela sua perspicácia médica: dizem as tradições que ele via através das cores branca, encarnada, preta e azul. Dele se contam curas admiráveis; era um verdadeiro discípulo de Hipócrates;

3º Francisco Xavier de Sales, que viveu na vila de S. Gonçalo da serra dos Cocos; dele se originam os Sales os Araújo Costa, de Tamboril;

4º Maria Madalena de Sá;

5º Ana Tereza de Jesus, que se casou com seu parente João de Sousa Uchoa, filho de Luiz de Sousa Uchoa e de Ana Tereza de Albuquerque, dos quais descende 0 Sr. Bispo de Sobral, D. José Tupinambá da Frota;

6º D. Francisca de Araujo Costa, que se casou com o capitão-mor Inácio Gomes Parente, de nacionalidade portuguesa; desse matrimônio procedem as Gomes Parente;

7º Antônia da Purificação Araujo Costa, que se casou com Paulo Joaquim de Medeiros, da freguezia de Granja;

8º D. Rita Tereza de Jesus Araújo, que se casou com o capitão-mor José Alves Linhares;

9º D. Maria Quitéria de Jesus Araújo Costa, que se casou com Otávio Ferreira da Ponte. (Os Linhares, 2ª Edição, 22/23)

Vicente Lopes de Araujo Costa

Vicente Lopes de Araujo Costa nasceu na fazenda Lagoa do Mato, do hoje município de Bela Cruz, no ano da graça de 1819, filho natural de Capitão Diogo Lopes de Araujo Costa e de Maria Cicíaca da Fonseca. Era neto do Capitão-mor português, Jose de Araújo Costa e de d. Brites de Vasconcelos, (uma das Sete Irmãs),

Colhemos as datas de seu nascimento e falecimento nos autos de seu inventário, feito no 1º Cartório de Acarau, em 1905/6.
Após a morte de seu pai, ocorrida em 1838, Vicente Lopes foi morar com seu irmão, Capitão João de Araújo Costa, com quem o ano de 1844.
Aos 25 anos de idade uniu-se, pelas lagos matrimoniais, à sua prima Angélica Francisca da Silveira, nascida em 1821 e falecida em 1906, filha do patriarca Jose da Silveira Dutra, abastado proprietário nesta Ribeira.

Para documentação, transcrevemos, a seguir, o termo de seu casamento, respeitando a ortografia usada naquele tempo: "Aos dois dias do mês de Septembro do anno de mil e oitocentos e quarenta e quatro, na Capella de Santa Cruz, da Freguezia da Barra do Acaraú, pelas cinco horas da tarde, receberão-se em Matrimônio os nubentes Vicente Lopes de Araujo Costa, filho natural de Maria Cicíaca da Fonseca, com Angélica Francisca de Jesus, filha legitima de José da Silveira Dutra e Francisca de Araújo Costa; em minha presença e das Testemunhas João de Araújo Costa e José Lopes de Araújo Costa; no que tudo precedeu das formalidades de costume; logo lhes dei a Benção do R.R.; do que, para constar, fiz este que assigno.
Pro Pároco João Francisco Dias Nogueira"
(L.2. Fl. 23v)

Depois do casamento, Vicente Lopes situou-se no Alto da Lagoa do Mato, em terra herdada de seu pai. Ali construiu casa de morada, aviamento para fabricação de farinha de mandioca e outras benfeitorias. E ali viveu da pecuária, da agricultura e da indústria de cera de carnaúba, o que lhe garantiu boa situação econômica, para sua maior projeção no seio da Comunidade em que vivia.

O Capitão Diogo Lopes dizia que a melhor escola da Vida era o trabalho honesto. E Vicente Lopes soube aproveitar as lições do homem que lhe dera a vida.

De seu casamento nasceram 13 filhos, sendo 7 homens e 6 mulheres. A todos ele mandou ensinar a ler, no então povoado de Santa Cruz, com os Mestres Aureliano Pessoa e Manoel Jorge Vieira, sucessivamente. E quase todos tiveram marcantes posições no setor político-social da Comunidade, e faleceram em idade avançada. Vicente Lopes, porém, que tinha Posto de Alferes, na Guarda Nacional de Acaraú, sempre foi modesto, embora disposto a ajudar a quem dele necessitasse. Era profundamente religioso, de modo que, ao pé de um grande oratório, repleto de imagens de santos, umas em estampas emolduradas e algumas esculpidas em madeira ou cerâmica, todos os anos rezava, pontualmente, as novenas da Virgem de Maio, de São Sebastião, e outras. Ele mesmo lia as orações e cantava os benditos e ladainhas, acompanhado, em coro, pelos seus familiares.

As imagens em vulto ou esculturas, posteriormente foram expostas à veneração dos fiéis, na capela de São João Batista, construída, em 1902, na povoação de Tapera, pelo seu genro, Capitão Sabino Costa, o qual muitos anos depois, as ofereceu ao Pe. Sabino de Lima, então Vigário da Paróquia de Acaraú, para o Museu Diocesano, de Sobral. Quanto ao oratório, ainda existe, na cidade de Bela Cruz, em casa de dona Ritinha Lopes, viúva do Capitão José Lopes da Silveira, filho de Vicente Lopes.

Em 1901 o Alferes Vicente Lopes de Araujo Costa sofreu um derrame que abalou profundamente sua saúde, a qual sempre fora perfeita. Por isto mesmo conseguiu resistir, mas perdeu o uso da fala, isto é, apenas tartamudeava palavras incompreensíveis. No entanto ainda durou quatro anos, vindo a falecer em 1905. Logo um ano depois, isto é, em 1906, também fechou os olhos para sempre sua veneranda esposa, dona Angélica, Francisca da Silveira. Ambos legaram aos seus descendentes o precioso exemplo da união conjugal e do trabalho honesto. Seus corpos foram sepultados no cemitério de Santa Cruz (hoje Bela Cruz). Os bens deixados pelo casal, foram inventariados no 1º Cartório de Acaraú, de 1905 a 1906 - vol. n.o 25.

RELAÇÃO DOS FILHOS DE VICENTE LOPES DE ARAUJO COSTA
E ANGÉLICA FRANCISCA DA SILVEIRA:

F 1 - Maria Filomena de Araújo
F 2 - João Lopes de Araújo
F 3 - Diogo Lopes de Araujo Neto
F 4 - Francisca Romana de Araújo
F 5 - Jose Lopes da Silveira
F 6 - Maria do Carma de Araújo
F 7 - Francisco Xavier de Araújo Costa
F 8 - Manoel Lopes da Silveira
F 9 - Maria da Penha L. Araujo
F 10 - Antonino Lopes de Araujo Costa
F 11 - Beatriz Ibiapina de Araújo
F 12 - Maria José de Araújo
F 13 - Miguel Lopes de Araújo Costa

BEATRIZ IBIAPINA E ARAÚJO

Nasceu na fazenda "Lagoa do mato", a 10 de outubro de 1862 e faleceu a 30 de novembro de 1954. Casou-se a 17 de julho de 1883, na capela de Santa Cruz, com seu primo Sabino Lopes de Araujo Costa, o qual integrava a Guarda Nacional de Acarau, com o posta de Capitão. Foi celebrante da solenidade matrimonial o Padre Antonio Xavier Maria de Castro, que então exercia o múnus paroquial na Freguesia de Acaraú. Sabino Lopes, que já era possuidor de terras no lugar São João de Tapera, ali construiu casa residencial, quartos para comercio e se estabeleceu, com loja de tecidos e miudezas, associado ao seu irmão Carolino Lopes de Araujo Costa, sob razão social de Sabino Lopes & Irmão. Comprando algodão, cera de carnaúba e couros e peles, para a firma Raimundo Oliveira & Irmão, da cidade de Granja, o comércio de Sabino Lopes prosperou rapidamente, sendo sua casa comercial talvez a mais bem sortida do interior do município de Acaraú. Homem abastado e pai de numerosa família, o Capitão Sabino tinha marcante influência dentro de sua comunidade.

Em 1902. com o objetivo de atender os apelos daquele povo e por ser homem de fé, construiu, vizinha a sua residência, uma capelinha, em honra de São João Batista, cuja festa, celebrada anualmente, era extraordinariamente concorrida. A capelinha ali permaneceu até 1966, quando, já um tanto deteriorada, foi demolida e reconstruída no povoado de "Celsolândia", pelo Monsenhor Odécio Loiola Sampaio, Vigário da Paróquia de Bela Cruz. Em data de 23 de maio de 1940 fechou os olhos para sempre o Capitão Sabino Lopes de Araújo Costa, que em vida constituiu o tipo do homem de bem.

Rita Alzira de Araújo ( Ritoca ), Nasceu em 06.10.1906 e faleceu em 1992 proprietária em "Celsolândia" C. c. Francisco Celso Silveira nasceu 28.7.1901 - faleceu 24.2.1950.

Bn 31 - lnácio Arimar Silveira, comerciante e agropecuarista
em Acarau. C.c. Maria Gizela Rios. Prof. Normalista
do Estado

Tn 88 - Lucivan Rios Silveira. (Totó Rios) Formado em Licenciatura do Português é Comerciante C.c Maria de Fátima Freitas Silveira

Tt-Lorena Freitas Silveira

Fonte: Descendência de Meus avós
Nicodemos Araújo

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