sábado, 29 de dezembro de 2012

Casa do Estudante do Ceará abre 40 vagas para seleção de novos moradores

CARTAZ

Estão abertas as inscrições para o processo seletivo 2013.1 de novos moradores da Casa do Estudante do Ceará, e apenas estudantes que moram no Interior do Ceará e de outros estados podem concorrer às vagas.

As inscrições serão realizadas até o dia 20 de Janeiro de 2013. Uma Comissão de Seleção, composta por cinco moradores da Casa do Estudante, é a responsável pelas normas do processo seletivo.

As Inscrições

As inscrições poderão ser realizadas na própria Instituição, por procuração, ou, ainda, pelos Correios, via SEDEX, com data de postagem até o dia 22 de Janeiro de 2013. O valor da taxa de inscrição é de R$25,00 (vinte e cinco reais).

As Provas

O processo seletivo será feito em quatro etapas: Prova escrita, redação e análise do histórico escolar; entrevista com psicóloga; análise da renda declarada e período probatório com duração de seis meses.

As provas serão aplicadas nos dias 2 e 4 de fevereiro de 2013. A lista dos aprovados estará disponível a partir do dia 20 de fevereiro de 2013.

O Edital

Todas as informações sobre o processo seletivo de novos moradores da Casa do Estudante do Ceará estão disponíveis nos endereços:

Informações para contato

Telefone: (85) 3254-2350 e (85) 9940 1080

Blog: http://casadoestudantece.blogspot.com/

Fonte: Casa do Estudante do Ceará

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Casa Marreiro é ponto de cultura

O local já faz parte da história da cidade. Romeiros do Nordeste colocaram o local no roteiro turístico
Canindé. Fundada em 1937, no antigo mercado público de Canindé, hoje Praça Azul, a Casa Marreiro é, atualmente, um dos pontos turísticos do município, devido às curiosidades ali existentes. O atual responsável pelo comércio, poeta Natan Marreiro, filho do fundador já falecido, Raimundo Marreiro, folclorista e comerciante, revela com orgulho os artigos expostos na loja. Romeiros de diversos locais do Nordeste já colocaram no roteiro turístico a Casa Marreiro, devido às novidades lá existentes.

Poeta Natan Marreiro em frente à Casa Marreiro. Ele atende os clientes com poesia. Quem chega ao estabelecimento, procurando saber a origem dos produtos, ele sempre responde a curiosidade FOTO: ANTÔNIO CARLOS ALVES

Segundo ele, Raimundo Marreiro era defensor da cultura do Ceará. Sempre que podia, promovia reisados, papangus e bumba-meu-boi do Ceará. Realizava ainda pegas de cantadores e violeiros e testamentos de Judas.

O comércio fica localizado na Rua Joaquim Magalhães, no Centro da cidade. Tornou-se uma atração para os romeiros que visitam o santuário de São Francisco. Quem chega na cidade fica admirado com a diversidade de produtos do local.
São bainhas para foice, chifre, sapatos para cavalo, cadeado gigante feito de madeira, parafuso e revólver gigantes e outros objetos que deixam os visitantes surpresos com tanta variedade.

Um detalhe que chama a atenção dos frequentadores da loja é a forma como Natan Marreiro atende os clientes: com poesia. Quem chega ao estabelecimento, procurando saber a origem dos produtos, Natan sempre responde com rimas. Há uma tradição das pessoas do sertão que quando encontram objetos interessantes dão de presente. Com o passar dos anos, seu pai foi acumulando os produtos estranhos, chamando assim a atenção dos visitantes.

Recorde

Natan cita o exemplo de uma bucha de 1,6 metros, a maior do mundo, que está no "Guinness Book". Há ainda uma corrente de madeira sem emendas, um ninho de joão-de-barro em extinção e um cachimbo da paz gigante. Em meio a essas explicações, surge a lembrança do radialista Tonico Marreiro, que conta que seu pai defendeu em verso um réu que conseguiu ser absolvido. "Foi uma grande festa, porque muitos acreditavam na condenação daquele homem", lembra.

Recentemente, a Casa Marreiro recebeu destaque em Nova York, por meio de sua vaquejada volante, um dos pontos de grande atração por parte dos turistas. Para Assis Vidal, um apaixonado pela cultura, a Casa Marreiro representa hoje para Canindé o mesmo que o Museu de Luiz Gonzaga significa para Exu. "Aqui está a parte viva do nosso folclore. Quem é amante das coisas do sertão tem uma admiração e um carinho muito grande pelo que representa o local em termos de atração", disse.

Outro nome identificado com a Casa Marreiro é o poeta popular Pedro Paulo Paulino, um amante do folclore. "Essa é a verdadeira casa do sertanejo", diz. Natan passa a maior parte do tempo com o cavaquinho, de preferência, tocando as músicas de Luiz Gonzaga.

Cordelistas como Gonzaga Vieira também expõem seus trabalhos na casa da cultura canindeense. "É aqui que nosso pessoal se reúne todos os dias para uma boa conversa, trocar ideias, falar de tudo um pouco e tem até aqueles que usam o barzinho ao lado para desafogar as magoas", lembra Gonzaga Vieira. A Casa se tornou a grande referência para pesquisas de estudantes de várias universidades do País.

Recentemente, alunos do curso de História da Universidade Estadual do Ceará (Uece) estiveram em Canindé para conhecer o estabelecimento, sua origem, costumes e a forma como foram se acumulando os produtos expostos nas prateleiras. (AC)

FIQUE POR DENTRO
Poesia faz homenagem ao comércio

"Desde o velho mercado/ Até o mercado novo/ Pra satisfazer o povo/ Ele teve esse cuidado/ Ter de tudo um bocado/ Quase como obrigação/ Caixeiro bom no balcão/ Atendendo bem ligeiro/ Porque na Casa Marreiro/ Tem tudo para o Sertão/ Tem prego, tem dobradiça/ Fechadura e parafuso/ Não fica ninguém confuso/ Ah! Se você me ouvisse/ Reparasse o que eu disse/ Prestasse bem atenção/ Não andava à toa não/ Gastando tempo e dinheiro/ Porque na Casa Marreiro/ Tem tudo para o Sertão/ Sola por meio e por tira/ Por quilo vende também/ O freguês se sente bem/ Que até se admira/ O que digo não é mentira" (Poesia de Natan Marreiro)

ANTÔNIO CARLOS ALVES
COLABORADOR

Fonte: Diário do Nordeste

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Os sonhos feitos de prosa de Natércia Pontes

Escritora Natércia Pontes lança coleção de contos "Copacabana Dreams", às 19h30, no Dragão do Mar

Natércia Pontes: "´Copacabana Dreams´ foi fechado várias vezes. Não parei de mexer no livro desde que o ´conclui´, em 2007" FOTO: RENATO PARADA/DIVULGAÇÃO

A inspiração de "Copacabana Dreams" pode ter sido o bairro e praia cariocas, mas na bagagem de Natércia Pontes cabe bem mais que a paisagem espiritual do Rio de Janeiro. Se a escritora cearense mapeia algum território em seu segundo livro, este é o de sua identidade. Hoje, às 19h30, ela fala sobre a coleção de contos no auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em evento que marca o lançamento da obra.

Mesmo vivendo há quase uma década longe do Ceará, o nome de Natércia Pontes ecoa fácil na cidade. Escritora, filha de Augusto Ponte (poeta e uma espécie de mito da boemia e da intelectualidade local), ela não apenas se manteve atenta para o acontece aqui, em termos de arte e cultura, como apareceu em publicações diversas - em revistas e livros.

A escritora dedica o livro a seu pai, Augusto ponte, morto em 2009. Ex-secretário da Cultura, poeta, boêmio e protagonista de uma série de causos que circulam pelo meio intelectual e artístico da cidade. "O que reconheço de herança do meu pai é o encorajamento, de me fazer achar natural escrever, compor, fazer filme", conta a escritora. "Ele sempre me estimulou, do jeito dele, sem se meter muito. Muitos desses contos, eu li para ele de madrugada. Por telefone, ele ouvia cada vírgula", relembra.

Do pai, Natércia herdou a habilidade com as palavras, para construir frases perfeitas, sacadas que deixam o leitor pensando horas depois dos olhos se afastarem do papel ou da tela. E isso não é pouco, se considerarmos que uma parcela expressiva das narrações de "Copacabana Dreams" são textos curtos, microcontos, no qual a concisão é quase tudo.

Precisão

Natércia parece intuir o conselho de Howard Ogden aos escritores: "Corte toda a gordura e um pouco do músculo".

"Copacabana Dreams" é um livro heterogêneo. Pela brevidade dos escritos, poderia se arriscar em dizer-lhe uma coletânea de contos. A própria Natércia os chama assim, mas reconhece "que tem uma coisa híbrida neles". "Eu falo conto, mas tem conto que é uma frase, outros que são mais extensos", explica.

Alguns são, a um só tempo, microcontos e poemas em prosa, caso de "Prado Júnior, entardecer": "Brisa acidental:/ Lufada de esgoto, perfume floral". Em outros, tudo se resolve numa cena, à exemplo de "Zigue-Zague na Via Láctea": "No conversível, Norma Bengell ajeita o cabelo impassível:
´Pr´onde é que cê vai?´
Mão no volante, Jece Valadão morde o cigarro confiante:
´Copacabana´".

A escritora também se dá bem em histórias mais longas. É o caso de "Ao ponto e sem sal", conto que abre o livro - e sobre o qual é melhor não dar detalhes sob pena de estragar-lhe o prazer da leitura; e "O caso Veruza", em que o experimentalismo da narrativa ajuda, de fato, a contar a história da melhor maneira possível.

Construção

"Copacabana Dreams" foi gestado entre 2003 e 2007, período em que a escritora morou no Rio de Janeiro. "Esse foi um livro que se mostrou pronto para mim. Morei em Copacabana e estou sempre escrevendo. Uns cinco meses antes de eu ir embora para São Paulo, percebi que tinha muita coisa escrita, com um mesmo tema", explica. Ainda assim, a autora não parou de mexer no livro. O último conto foi escrito há seis meses, outros foram ajustados, uma porção de outros tirada da edição final.

Antes, Natércia havia lançado apenas um livro - a coleção de microcontos "az mulerez." (o título, em minúsculas, tem um ponto final e um impossível til sobre a letra "L"); organizou outro, "A semana" (Hedra, 2007), no qual reuniu um time de jovem escritoras, a maioria inédita em livro, e marcou a estreia da elogiada Mariana Marques; e participou das coletâneas de contos como "O Cravo Roxo do Diabo: o conto Fantástico no Ceará" (Edição do Caos), "Viva Fortaleza" (Terra da Luz), "Iracemas: imagens de uma lenda" (editado pelo Governo do Estado do Ceará), "Metropolis" (La Barca) e "Assim você me mata" (Terracota). A escritora trabalha em um novo volume de contos, que tem o amor por tema. Em 2013, planeja escrever uma novela.

Mais informações:

Lançamento do livro "Copacabana Dreams", de Natércia Pontes. Às 19h30, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Rua Dragão do Mar, 81, Praia de Iracema).
Contato: (85) 3488.8608

DELLANO RIOS
EDITOR

Fonte: Diário do Nordeste

O sagrado que nos habita

Em cartaz a partir de hoje, "O Sagrado Coração do Ceará" reúne expressões da pulsante religiosidade cearense

Imagens de peças da exposição "O Sagrado Coração do Ceará", com curadoria de Gilmar de Carvalho e Dodora Guimarães

Um acervo disperso e um tema amplo cruzaram o caminho dos pesquisadores Gilmar de Carvalho e Dodora Guimarães. Um desafio para mais de um ano de trabalho, não fossem ambos conhecedores dos ritos e dessa mistura de mar, serra e sertão que chamamos de Ceará. Em apenas dois meses, Gilmar e Dodora conseguiram reunir mais de 200 peças, na intenção de traduzir minimamente traços das expressões da religiosidade cearense. É esse o conteúdo de "O Sagrado Coração do Ceará", em cartaz no Memorial da Cultura Cearense, a partir de hoje, às 19h30. Abertura contará com participação do grupo de música erudita Syntagma.

Os objetos, entre fotos, estátuas, quadros, fitas e ex-votos, provêm de coleções como o Museu Diocesano Dom José de Sobral, Museu de Arte Sacra de Aquiraz, Museu Jaguaribano de Aracati, Museu Padre Cícero do Horto de Juazeiro Norte, Museu do Ceará e Museu de Canindé. A fim de ordená-lo e promover ressignificações, o acervo foi subdividido em cinco núcleos: "O Juazeiro do Padre Cícero", "São Francisco de Canindé", "Sobral de Dom José Tupinambá da Frota", "São José e os Santos Padroeiros" e "Crenças e cultos".

Proximidade

"A importância desses núcleos é muito mais a de tentar compreender essas aproximações, superposições, que são históricas. São tradições indígenas, portuguesas e africanas sendo transformadas a partir da influência sertaneja popular", explica o pesquisador e escritor Gilmar de Carvalho. Segundo ele, se há uma característica que perpassa por todas essas tradições sacras, do catolicismo oficial à umbanda e às crenças indígenas, é a capacidade do povo de influenciar, interferir e moldar o rito, atualizando-o e aproximando-o.

Entre as tradições católicas, pode-se dar um ótimo exemplo: "Francisco? Francisco se naturalizou. Não é mais italiano, ele é de Canindé! É um santo sertanejo, vaqueiro, se duvidar alguém de lá até conviveu com ele!", brinca Gilmar de Carvalho. De fato, o santo de Assis, na Itália, foi profundamente apropriado pelos devotos cearenses, tanto que mereceu seu próprio núcleo na exposição.

Nesse sentido, existem ainda os muitos santos populares, dos municípios, canonizados pelo povo. Estes também constituem um dos núcleos. "Padre Ibiapina, Beato José Lourenço, Francisca Carla... Todos esses eram pessoas religiosas, boas, que deixaram algum exemplo e acabaram santificadas por seus conterrâneos", explica. Contudo, um deles mereceu seu próprio núcleo. Padre Cícero, com seu Juazeiro do Norte, erguido à sombra do Horto, resguardado à sombra de seu padrinho.

"Em Juazeiro, há um santo na porta de casa. As primeiras representações de Padre Cícero não foram feitas a partir de fotos ou filmes, mas da observação pessoal, em vida. Ainda se tem a memória do Padim na varanda de sua casa, à tardinha, abençoando as pessoas", reforça o curador.

Mesmo no ostentoso acervo de "Sobral de Dom José Tupinambá da Frota", que marca o apogeu dos rituais e a força do catolicismo ortodoxo, fiel às normas de Roma, é perceptível a popularização do rito, principalmente graças à atuação dos artesãos cearenses. "Tanto no acervo de Sobral quanto o de Aracati, na arte chamada erudita, vamos ter uma incorporação de traços caboclos, distintos da estética europeia, do Barroco ´oficial´. Os artistas da terra começam a interferir nessa arte sacra portuguesa e a marcá-la com suas referências", revela Gilmar.

Para ele, um dos momentos mais emocionantes da pesquisa foi proporcionado através do Museu Dom José, em Sobral. "No livro ´Notas de Viagem ao Norte do Ceará´, de Antônio Bezerra, de 1915, ele fala de um painel pintado na igreja de Guaraciaba do Norte por um artista local, de nome Lemos. Evidentemente que já havia sido desfeito, pintaram várias vezes por cima... Mas quando chegamos no museu de Sobral, o que descobrimos? Um painel do Lemos: um São Francisco, da segunda metade do século XIX, pintado em tecido, em bom estado de conservação. Fiquei muito comovido por que esse senhor representa uma das primeiras expressões de arte sacra do ceará assinada".

Por fim, em "Crenças e Cultos" evidencia-se a resistência das etnias indígenas, seus rituais, que permaneceram e se atualizaram na contemporaneidade, ocupando a cena religiosa com a Dança do Toré. Além delas, a cultura africana, presente nas irmandades religiosas que coroam seus reis e rainhas, nas procissões que resultaram no cortejo solene do maracatu, deslocado depois para o carnaval de rua.

Apesar da qualidade do material reunido, a abrangência do tema e o formato de exposição escolhido para abordá-lo dificultam a inclusão de outros ritos, que também marcam as expressões religiosas cearenses. É o caso do protestantismo e do cardecismo.

"Alguns desses ritos trabalham muito mais com a palavra do que com elementos visuais, então tornou-se realmente difícil garantir essa inclusão. A exposição pretende ser abrangente, mas não é definitiva ou total, então, naturalmente haverão lacunas e essa do protestantismo de fato existe, mas mais porque ele conseguiu uma excelência muito mais através da música do que pela imagem", detalha Gilmar de Carvalho.

Apesar das lacunas, a exposição parece dar conta de boa parte dos modos de expressão da fé pelo cearense. E, além disso, o que se nota nas entrelinhas dessas expressões são traços muito próprios do que talvez se chame cearensidade: a apropriação das tradições, a aproximação das santidades, a fé resiliente e uma dinâmica e pulsante mistura de ritos. Um Ceará que produz sacralidade e que se deixa habitar por ela.

Mais informações:

Abertura da exposição "O Sagrado Coração do Ceará". Hoje, às 19h30, no Memorial da Cultura Cearense (Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - R. Dragão do Mar, 81), com apresentação do Grupo Syntagma. Gratuito. Contato: (85) 3488.8800

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

MIS (re)inaugura sua biblioteca

O acervo do MIS passa a contar com dois mil títulos para pesquisa ANDRÉ SALGADO

Para bem servir ao público, uma biblioteca carece de organização e ferramentas de pesquisa para não transformar-se em um amontoado de livros acumulando poeira. Seguindo esta lógica, a Biblioteca de Artes Visuais Josias Benício Sampaio, equipamento do Museu da Imagem e do Som (MIS), reabre hoje suas portas completamente renovada e organizada, com um acervo de cerca de dois mil títulos em Cinema, Fotografia, Televisão, Design, Arquitetura e Urbanismo, Moda, Arte Contemporânea, História da Arte, dentre outros assuntos.

“Eu costumo dizer que era mais um depósito”, lembra Virgínia Pantaleão, coordenadora do projeto de ampliação da biblioteca. “Se você precisasse de algum título lá, a gente não tinha condições de encontra-lo no meio de tanta coisa”, admite. De acordo com a coordenadora, o projeto iniciou-se com uma separação do material audiovisual (DVDs, discos, películas, etc.) dos livros propriamente ditos. Com isso, a catalogação dos títulos foi facilitada, usando normas técnicas de bibliografia, de forma a facilitar a pesquisa para pesquisadores e estudantes das artes visuais. A organização promete ainda possibilitar pesquisas bibliográficas e na Internet, além da tradicional pesquisa no próprio local.

A solenidade de abertura do espaço iniciou no auditório do MIS e teve sua programação dividida em quatro momentos, sendo duas aberturas. Às 19h30min, após a apresentação da nova biblioteca, a exposição Cal-vário, do fotógrafo Ulisses Narciso abriu para visitação do público. Logo depois, às 20 horas, o coral Moenda de Canto se apresentou, sob regência do maestro Carlos Prata. Por fim, às 20h30min, o auditório abriu para um coquetel.

Em sua reabertura - ou abertura, já que antes. funcionava mais como depósito, de acordo com Virgínia -, a biblioteca de artes visuais traz no nome uma homenagem a Josias Benício Sampaio. Cearense de Guanacés, o fotógrafo músico e inventor foi o criador da uma máquina de montagens automáticas de imagens no estúdio, à qual batizou expositor Brasil Cosmos.

O projeto recebeu apoio da Fundação Nacional das Artes (Funarte), para um equipamento da Secretaria da Cultura do Estado (Secult).

Serviço

Museu da Imagem e do Som (MIS)

Anexo MIS (Avenida Barão de Studart, 410 – Meireles).
Entrada Gratuita.
Funcionamento: A partir do dia 19 – De segunda à sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h.
Outras info.: 3101 1203/ 3101 1204.

Fonte: O Povo

Patrimônio da Terra da Luz

A partir de amanhã, os Tesouros Vivos da Cultura participam do VII Encontro Mestres do Mundo

Acima, atrações do VI Encontro Mestres do Mundo, no ano passado; abaixo, uma das convidadas deste ano: a mestra Dona Dina e o grupo A Rainha e Os Vaqueiros, que apresentam aboios e causos sertanejos fotos: Melquíades júnior/Rodrigo carvalho

O município de Limoeiro do Norte, no Vale do Jaguaribe (a 198 km de Fortaleza), se tornou, desde 2005, sede do Encontro Mestres do Mundo, que, este ano, acontece a partir de amanhã. Até a noite de sábado, pessoas e coletivos que se tornaram referências culturais cearenses compartilham suas habilidades em oficinas, debates e festejos, difundindo as tradições locais, e recepcionam convidados de outros estados, mantendo a característica de confraternização já estabelecida pelo evento.

Programação

O Encontro de Mestres inicia com um cortejo pelas ruas de Limoeiro, às 19 horas. O trajeto finda com a apresentação de um dos Tesouros Vivos: o sineiro de Canindé, Mestre Getúlio, executa, no alto da Igreja Matriz de Limoeiro, alguns dos muitos repiques que sabe desde os 15 anos de idade.

Às 20 horas, a praça da cidade se torna palco de danças e cânticos: a Congada de Mestre Doca, de Milagres; a Caninha Verde, da fortalezense Dona Gerta; o cordel e a viola de Mestre Lucas Evangelista, de Crateús; e os aboios e causos da vaqueira Dona Dina, de Canindé, com seu grupo "A Rainha e os Vaqueiros". A atração nacional da primeira noite vem da Bahia: o cantor e compositor Raimundo Sodré.

Durante os próximos dias, segue-se um mesmo formato. Pela manhã, os mestres compartilham suas habilidades em oficinas nomeadas "corpo" (dança), "mãos" (artesanato), "sons" (instrumentos e música), "oralidade" (poesia, trovas e ladainhas) e "sagrado" (ervas medicinais, orações e ritos). À tarde, há debates e relatos de experiências; e, à noite, celebram-se as tradições. Pastoril, Reisado, Maneiro Pau e rabeca estão entre as atrações do encontro. O encerramento ocorre ao som do Coco de Toré Pandeiro do Mestre, de Pernambuco. Com 15 anos de história, o grupo recifense, criado pelo músico Nilton Júnior, é uma síntese de diversos estilos de coco praticados em Pernambuco, sobretudo um tipo de coco fortemente influenciado pelos rituais indígenas de etnias como pankararu, xucuru, kapinawá, potiguara e cariri-xocó, índios do nordeste brasileiro.

Homenagens

Com o tema "Cantos e Festas do Sertão: homenagens ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga e 100 anos de publicação do livro Terra de Sol, de Gustavo Barroso", o evento assume o compromisso de se voltar para o sertão, festejando e refletindo sobre seus costumes, ritos e sujeitos.

Merecidamente, os dois homenageados, o pernambucano Luiz Gonzaga (1912-1989) e o cearense Gustavo Barroso (1888-1959), dedicaram-se à preservação da memória do sertão brasileiro, na música e na literatura, respectivamente. Como escreveu a professora doutora Afonsina Moreira, do Departamento de História da UFC, Gustavo Barroso foi também um "descobridor do Norte".

Dizia ele que, entre os primeiros anos de 1900, era moda no Rio de Janeiro "descobrir o Norte", que até 1920 ainda era também denominação para o Nordeste. Após 22 anos em Fortaleza, o advogado e escritor mudou-se para a capital carioca, mas enveredou pelo caminho da saudade. "Suas primeiras obras editadas, sobretudo entre 1912 e 1932, foram classificadas de ´sociologia sertaneja´ e ´estudos do folclore´, na época de publicação", situa a professora Afonsina. "Terra de Sol", de 1912, reúne as observações do autor sobre o "typo exacto do brazileiro do Norte", sua terra, seus sujeitos, sua subsistência e seus costumes, sempre em tom memorialista, típico de Gustavo Barroso.

Já Luiz Gonzaga do Nascimento, o eterno Rei do Baião, cantou - como nenhum outro - o sertão nordestino. Basta acessar sua discografia para descobrir, através das composições de alguns dos principais poetas nordestinos (Humberto Teixeira, José Clementino, José Marcolino, João Silva), o perfil da vida sertaneja: a seca, o São João, a vaquejada, as devoções, a lida no campo, o amor matuto. Foi o sertão o tema principal de seus mais de 260 discos gravados.

SAIBA MAIS

Amanhã, dia 20/12
8h às 17h - Recepção e credenciamento dos Mestres
18h30 - Concentração dos grupos e mestres. Local: Centro Cultural de Limoeiro do Norte

19h - Cortejo terminando com o sineiro Mestre Getúlio tocando o sino da Matriz. Local: Ruas de Limoeiro

20h - Atrações: Congada (Mestre Doca Zacarias); Caninha Verde (Mestra Dona Gerta), Cordel e Viola (Mestre Lucas Evangelista), Aboios: O Som do sertão (Grupo A Rainha e os Vaqueiros) e o cantor e compositor Raimundo Sodré / Salvador-BA.
Local: praça.

Sexta-feira, dia 21/ 12
09h às 12h - Roda de Mestres (Oficinas: Corpo, Mãos, Sons, Oralidade e Sagrado). Local: IFCE

14h às 17h - Seminário: Cantos e Festas do Sertão O Sertão de Gustavo Barroso: 100 anos de "Terra do Sol" Palestrantes: Prof. João Rameres (FAFIDAM) Prof. Oswald Barroso (UECE/CNF) Mediador: Prof. Henrique Rocha (FAC/CCF). Local: IFCE

14h30 às 17h30 - Relato de Experiências entre os Mestres.
Local: Hotel São Francisco
(Bastião das Tripas)

19h30 - Atrações: Dança de São Gonçalo (Mestre Joaquim da Silva), Cordel (Mestre Stênio Diniz), Maneiro Pau (Mestre Cirilo), Rabeca (Mestre Antonio Hortêncio), Alvíssaras ao Rei Luiz (João do Crato) e Orquestra de Tambores de Alagoas / SE. Local: praça

Sábado, dia 22/12
09h às 12h - Roda de Mestres (Oficinas: Corpo, Mãos, Sons, Oralidade e Sagrado). Local: IFCE

14h às 17h - Seminário: Cantos e Festas do Sertão - A Poética Sertaneja: Luiz Gonzaga e Outros Mestres Palestrantes: Profa. Elba Braga Ramalho (UECE) Prof. Gilmar de Carvalho (UFC) Mediadora: Prof. Simone Castro (IFCE/CNF). Local: IFCE

14h30 às 17h30 - Relato de Experiências entre os Mestres.
Local: Hotel São Francisco
(Bastião das Tripas)

19h - Missa de encerramento. Local: Igreja Matriz
20h30 - Atrações: Reisado de Couro (Mestre José Pedro), Pastoril Nossa Senhora de Fátima (Grupo Nossa Senhora de Fátima), Violino (Mestre Totonho), Lucy Alves e Banda Clã Brasil / João Pessoa - PB e Coco de Toré Pandeiro do Mestre / Recife - PE.
Local: praça

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 16 de dezembro de 2012

A versatilidade verbal de Luciano Bonfim

Foto: Divulgação

Em dois livros – Dançando com Sapatos que Incomodam e móbiles [hestórias e considerações] – Luciano Bonfim se revela um escritor inventivo, versátil, que sabe se desviar do lugar-comum da literatura, da narrativa tradicional e linear.

O contista não somente se vale da intertextualidade, ao colar trechos de obras clássicas ou contemporâneas, dar-lhes outra roupagem, como presta homenagem a alguns dos ícones da Literatura, ao conceber novas formas a fragmentos de suas criações, como em “O Cálice dos Desesperados”, numa recriação substantiva de um momento da Metamorfose de Kafka, como se lê aqui: “Até que um dia deparou-se com aquele monstro horrível, e sentiu mesmo uma imensa vontade de esmagá-lo”. Em “combinações aleatórias” as homenagens a escritores são claras. Nelas e no processo de diálogo intertextual, Luciano vai dos clássicos (Sören Kierkegaard, Juan Rulfo, Clarice Lispector) aos mais novos, como Caio Fernando Abreu e Jorge Pieiro.

Afeito à intertextualidade, Luciano sabe dialogar com outros textos, não somente os literários. Ao se aproveitar do recurso intertextual, ele o faz muito mais conscientemente do que inconscientemente, como se vê ao citar nomes e títulos de obras.

O contista demonstra afinidade não somente com escritores, mas também com compositores e pintores, como é o caso de Van Gogh. “Ilustração” se inicia assim: “No campo os girassóis lembram um certo pintor holandês ridicularizado em vida”.

Luciano também se socorre muito da descrição, que vem do seu amor à pintura e ao desenho. Como neste trecho de “Variações”: “Existe, após as casas, um imenso terreno baldio e um pequeno sítio onde cultivam flores e hortaliças; também possuem uma colméia”.

Vejam-se as imagens, pinceladas, descrições em “Após a Neblina Cinzenta do Crepúsculo”, cuja poesia se inicia no título: “Em toda a sua extensão a nossa vila turva-se de vermelho, rosa, roxo, verde, florais – estampas de um enorme e denso colorido. A lua nestas noites, desde as primeiras horas, talvez influenciada por tantas mudanças, compõe-se bordô, – reforçando detalhes e apagando eventuais manchas que possam dissimular imagens”. O próprio narrador (“Naquela mesma lua, na espessa calda que recobre a noite, os traços de Zuita Benoar ganham uma conotação cada vez mais confusa – aspecto de rascunho engolido pela paisagem”) se encarrega de enfatizar a tendência de Luciano pelo desenho, pela pintura, pela paisagem. Em “Aves de Arribação” (clara homenagem a Antônio Sales) se lê: “Durante algum tempo, a corda tensa no espaço e o corpo oscilando suspenso no ar, permaneceram compondo a paisagem, tendo o desvão azul e frio do céu como fundo arbitrário de imagem” (grifo nosso). Em “Estúpido Cupido de Giz” (absorção de parte da letra da música de Neil Sedaka, na voz de Celly Campello, gravada em 1959) outra descrição, outra pintura: “O firmamento é um imenso prato raso, onde todos os canais noturnos do inferno astral convergem para além do firmamento blue”.

Em Luciano há muita poesia, sobretudo nas metáforas, que são abundantes: “Numa noite difusa, silenciosamente, as casas devoraram os seus moradores”. E, se não são metáforas, estamos diante de pura literatura fantástica. Veja-se a poesia deste excerto: “Não me encontrando [em meu coração] especializei-me em vislumbrar abismos”.

Dois de seus personagens – Margot e Gaspar – aparecem em diversas composições, o que levaria o leitor a imaginar a construção de um romance. Talvez houvesse essa pretensão no escritor. Porém em nenhum momento se percebe nos “móbiles” ou nos “passos” do primeiro livro o espírito de romance.

Em “Terceiro Caderno” o ser fictício está perdido e nem sabe como narrar, ou o que narrar. O de “Não Existe Apenas uma Forma de Amor & Prazer” mais se assemelha a ensaísta, num ensaio do amor e do prazer carnal. Em “Segundo Rascunho” o narrador-personagem está em completa solidão, desespero: “As ruas não estavam desertas, eu estava”. Em “Sobre Naturezas Humanas” o tema central é o ser humano, como a dizer: “Assim são os humanos”. Em “Por Causa do Gato Lilás”, cujo protagonista é um animal, “Tarsila, uma gata siamesa, que conviveu conosco por alguns dias, apaixonou-se pelo ‘gato lilás’ de Aldemir Martins – uma reprodução da tela que possuímos em casa”. Seria a felina também pintora? Em “Correspondência Violada” o tema é a solidão do escritor, os sonhos literários, e seu cotidiano doméstico.

Em muitas peças nada se vê de descrição ou mesmo de informação geográfica. No entanto, aqui e ali se percebe como espaço das ações a cidade do interior. “Sina” é todo composto de referências ao ambiente rural, em vocábulos e expressões de uso comum no sertão. “Viúva de Marido Vivo” também retrata o ambiente de pobreza, a seca. Em “Apesar de.” “Uma pequena chuva ainda insiste, e desliza pelos telhados da pequena cidade”.

A chuva é outro elemento freqüente na obra de Luciano, talvez exatamente em face da escassez dela no Ceará. Em “Blues da Finitude.” se lê: “Uma pequena chuva, dessas que não divergem opiniões e nos estimulam ao sexo, lambeu por toda a noite a cidade insone”.

Um conto só é bom se tiver um bom desfecho. Como em “Negócios Importantes para o Futuro da Empresa”: “Dali a pouco, ela pegaria a sua filha no colégio e eu me encontraria com o seu marido, para tratarmos de negócios importantes para o futuro da empresa”. Belo deslinde, inusitado, embora realista.

Luciano se serve das mais variadas formas ou modalidades de comunicação: a carta – o que não é novidade – (como em “Cartas a Van Gogh”), a propaganda, a conversa fiada, o anúncio, a frase feita, o lugar-comum, o ditado (em “Na Brevidade das Fugas” a pessoa que dialoga com Maria e também o narrador fazem uso constante dessa linguagem). O mesmo recurso é utilizado em “De Natureza Cíclica”. Há até uma “Conversa entre Liquidificadores” (ilegível para o leitor humano, talvez legível por outros liquidificadores, que falariam de si mesmos ou dos humanos, de suas engrenagens, de seu trabalho diário, etc. Sim, sobre o que “conversam” os liquidificadores? Sobre os humanos ou sobre si mesmos?) Em “Noturnos Ópios No 9” Luciano aproveita a fórmula das questões de prova escolar. Em “Variações” encontramos até o que se poderia chamar de relatório oficial: “Casas: iguais e diferentes. /Moradores: análogos e divergentes. /Situações: semelhantes e distintas”. Em “Apesar de.” a forma utilizada é a do diário, o que também não é novidade.

Muitas de suas composições são bem curtas, constituídas de diálogos breves, quase enigmáticos. Outras são compostas apenas de uma fala e uma narração breve, como em “Implicações Clandestinas das Herméticas Influências”. “Intervenção Urbana” seria uma síntese de um acidente ou suicídio. Em “Original Lugar Comum” ele brinca com as fórmulas filosóficas, os sofismas, etc. Em “A Realidade Segundo H. P. Down” de novo a linguagem dos filósofos ou uma paródia filosófica. Ou conclusões lógicas, como em “O Filho Alérgico e a Mãe Protetora”.

Luciano também aproveita com cuidado a seqüência de vocábulos ideologicamente análogos, para construir a frase, o enunciado narrativo, como em “Manhã Guardada”: “Confissões, namoros feitos, mágoas, traições refeitas, álcool, amores desfeitos, mulher amada, punhais, olhares penumbros, bichas pavão, lésbicas fumadas, viciados utópicos – a praça para além dos bancos”. Ou em “Filhos de mãe d’água”.

Tudo isso faz de Luciano Bonfim um escritor absolutamente moderno, novo, embora não se desfaça das fórmulas consagradas de narrar ou escrever, não se afaste dos narradores essenciais e, acima de tudo, não pense que inventou a roda, a pólvora ou mesmo o conto.

Nilto Maciel

Publicado em OVEROMUNDO

Luciano Bonfim é graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará, e professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Publicou:Janeiros Sentimentos Poéticos – poemas; Beber Água é Tomar Banho por Dentro - poemas. Tem conto no Almanaque de Contos Cearenses (ed. Bagaço, 1997) e na revista CAOS PORTÁTIL (2005 e 2006).

Escreveu para o teatro “As Mulheres Cegas” (premiado no Festival de Teatro Amador de Acopiara-Ce/2000), Auto do menino Encantado e o Jabuti e o Gigante (premiado no Concurso Domingos Olímpio de Literatura - 2005).

Leia também: A dança simbólica de Luciano Bonfim - Angel Cabeza

Fonte: Jornal da Poesia

Nota: Tive a alegria de ter o Prof. Luciano Bonfim como orientador do Projeto de Pesquisa na pós-graduação em Português e Literatura pelo Ieducare, bastante competente e amigo.

Totó Rios

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Acaraú recebeu Prêmio Selo Município Verde 2012

Foto: Aprece

Trinta e sete prefeituras que tiveram atitudes positivas relacionadas ao meio ambiente em seus municípios receberão nesta terça-feira (11),  às 19 horas, no auditório do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o Prêmio Selo Município Verde 2012.

Dos 91 municípios inscritos, foram selecionados 37. São eles: Sobral, Novo Oriente, Crateús, Tauá, Croatá, Barreira, Acaraú, Beberibe, Crato, Bela Cruz, Piquet Carneiro, Missão Velha, Parambu, Juazeiro do Norte, Maracanaú, Cruz, Iguatu, Quixeramobim, Acopiara, Ibiapina, Massapê, Maranguape, General Sampaio, Eusébio, Fortaleza, Pacoti, Barbalha, Morada Nova, Monsenhor Tabosa, Farias Brito, Itaitinga, Jijoca de Jericoacoara, Caucaia, Pacatuba, Brejo Santo, Várzea e Icapuí.

Além dos prefeitos, os coordenadores do programa nos municípios receberão certificados. Na ocasião, será feita uma menção honrosa à professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Maria Irles de Oliveira Mayorga, e à funcionária do Ibama, Glaura Maria Leite Barros, pelos serviços prestados ao Selo Verde desde 2004.

Fonte: Governo do Ceará e Diário do Nordeste

Cearense guarda veículo que Luiz Gonzaga usou para viajar pelo país

Luzimar Soares conheceu o Rei do Baião nos anos 60 em Exu. A Veraneio ele comprou em 1985.

Carro Luiz Gonzaga, Crato, Veraneio, Exu (Foto: Yaçanã Neponucena/Agência Diário)Luzimar Soares, morador do Crato, tem o documento que comprova que o automóvel pertenceu ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga (Foto: Yaçanã Neponucena/Agência Diário)

Nas comemorações dos 100 anos do nascimento do Luiz Gonzaga, um velho amigo do Rei do Baião, resolveu prestar uma homenagem. O publicitário e radialista Luzimar Soares, de 72 anos é dono de uma Veraneio modelo 1976, que foi usada para levar o artista para apresentações por todo o País. "Ela serviu de transporte para o Luiz Gonzaga por muitos anos. Ele viajou o Brasil todo com ela. Ele levava alguns músicos e instrumentos musicais. Ele gostava muito dela. O fato interessante é que a veraneio foi emplacada pela primeira vez no Crato. O músico adquiriu o carro na concessionária Sodal", explica.

Aquisição do carro e amizade com sanfoneiro
Luzimar Soares conta que adquiriu a Veraneio em 1985. Porém, conheceu o Rei do Baião nos anos 60 quando foi trabalhar para um político amigo de Luiz Gonzaga. Segundo Luzimar Soares, o sanfoneiro amava o Ceará, principalmente o Crato, a 506 km de Fortaleza. “Quando a amizade pegou mesmo, eu viva com ele pelo Crato. Ele amava o Ceará e a Região do Cariri. A prova disso é que o carro foi emplacada no Crato”, falou.

Em 1985, ele disse que pretendia manter um sistema de som destinado às atividades de publicidade volante, que era sua principal fonte de geração de renda. “Eu comprei ela e tive que pintá-la de azul, pois a empresa no qual trabalhava tinha a cor azul. Eu não gostei da ideia, mas fui forçado a ceder. Mais tarde pintei de verde de novo, pois Luiz Gonzaga amava a cor verde", confidencia.

O veículo faz sucesso em toda a Região do Cariri. Segundo Luzimar Soares quando as pessoas sabem que é um carro que pertenceu ao Rei do Baião todo mundo pede para tirar fotos ao lado dela. E foi a partir desse carinho do povo que Luzimar decidiu levar a Veraneio e tentar vender para o Mausoléu Luiz Gonzaga na cidade de Exú, Pernambuco. "Acho injusto ela ficar comigo. Acho que o melhor lugar para ela ficar é no museu dele. Sobre a venda não quero muito dinheiro. Apenas uma quantia simbólica, pois gastei um dinheirinho dela e por se tratar de uma carro de um amigo meu", afirmou Luzimar Soares.

Poucos proprietários
A Veraneio é uma peça rara. Teve apenas três donos. Luiz Gonzaga, o médico cratense Tarcísio Pinheiro Teles e o farmacêutico Laércio Vasconcelos. Por pertencer a poucos donos, a Veraneio, segundo Luzimar Soares dificilmente apresenta problemas mecânicos. Ela recebe só alguns reparos. "Fiz apenas uma pintura nela e dei uma ajeitada no motor. Coisa simples. O veículo é praticamente todo original. Por isso merece ser preservada e mantida no museu", disse.

Adeus a Varaneio
Luzimar Soares conta que em maio de 1989, durante a última chegada de Luiz Gonzaga ainda em vida à região do Cariri, a veraneio foi levada até o aeroporto para buscá-lo. De acordo com ele, o Rei do Baião quando soube que ele estava dentro da Veraneio não acreditou e disse emocionado: “Cabra essa é aquela minha Veraneio verde que tanto amava? Não acredito. Minha verdinha, minha filha, você ainda está por aqui?”

Conforme Luzimar o sanfoneiro deu um forte abraço nele e pediu para que ele cuidasse bem dela. “Foi um momento mágico e a partir desse dia que eu prometi que =jamais venderia o carro a não ser para o museu do meu grande amigo”.

No momento da entrevista, Luzimar Soares estava na estrada rumo a Exu. Na cidade haverá a festa de comemoração do centenário do cantor. O evento será de 13 a 16 de dezembro.

Gioras Xerez

Fonte: G1 CE

No dia de Gonzaga, festa no Recife começa às 6h, sem hora para acabar

Aurora Gonzagueana abre a programação às 6h, na Praça do Arsenal. Alceu Valença e Fagner fazem shows gratuitos no mesmo local, à noite.

Alceu Valença  (Foto: Luna Markman / G1)Alceu Valença faz show de graça na Praça do Arsenal (Foto: Luna Markman / G1)

A festa no dia exato do centenário de Luiz Gonzaga tem hora para começar, mas o forró vai entrar pela noite e depende da vontade dos súditos do Rei do Baião para ser encerrado. Às 6h desta quinta-feira (13), a Aurora Gonzagueana abre a programação: na Praça do Arsenal da Marinha, no Recife, uma salva de tiros de bacamartes inicia a farra, seguida por apresentações de quadrilhas juninas, aboiadores, banda de pífanos, vaqueiros e grupos de xaxado.

Em seguida, às 10h, está marcada para começar a caminhada Sanfona do Povo, com concentração em frente ao Palácio do Campo das Princesas, na Praça da República. Um grupo de sanfoneiros - a expectativa é que estejam reunidos entre 30 e 50 músicos - vão tocar o repertório de Gonzaga até o meio-dia, quando seguem a pé para o Marco Zero, para realizar uma roda de sanfona.

À noite, a programação na capital pernambucana é diversa. A partir das 18h30, no Parque Dona Lindu, em Boa Viagem, será lançado o livro "O Sanfoneiro do Riacho da Brígida", de Sinval Sá. Logo em seguida, o Quinteto Violado participa de uma celebração musical e religiosa, na esplanada do parque. No Palco do Teatro Luiz Mendonça, às 20h, é a hora do lançamento do selo comemorativo ao centenário de Gonzaga. Por fim, às 20h15, a Orquestra Sinfônica do Recife se apresenta, com participação de Elba Ramalho, Marcelo Caldi e Beto Hortiz.

No Pátio de São Pedro, centro da capital, às 20h, Almir Rouche, Cezzinha, Beto Ortiz, Terezinha do Acordeon e Dudu do Acordeon sobem ao palco para o "Parabéns para Gonzagão". No mesmo horário, no palco montado na Praça do Arsenal da Marinha, a festa começa com o Baile do Gonzaga - com os artistas Derico Alves, Karolinas com K, Ed Carlos, Sevy Nascimento, Carlinhos Monteverde, Fabiana, Cilene Araújo, Marcelo de Feira Nova e Duda da Passira. Depois o público poderá curtir shows de Fagner, Alceu Valença e Targino Gondim, gratuitamente.

Fagner (Foto: Katherine Coutinho / G1)Fagner é outra atração da Praça do Arsenal, na noite desta quinta-feira (Foto: Katherine Coutinho / G1)

Também às 20h, mas na sede do Galo da Madrugada - outro ícone da cultura popular pernambucana - as composições do Rei do Baião serão reinterpretadas em versão de frevo. Foi a ideia que o projeto "Quinta do Galo" teve para celebrar o centenário de Gonzaga. Os artistas convidados são o sanfoneiro Beto Ortiz e os cantores Gustavo Travassos, Rosana Simpson e Bruno Simpson.

O bloco lírico 'Com você no coração', que também apresenta músicas de Gonzaga, e os grupos caboclinhos Tapirapé, maracatu rural de baque solto Leão Formoso, baque virado Rosa Vermelha e os passistas do Coque completam a escalação cultural para a noite na sede do Galo. Os ingressos para a festa custam R$ 20 (individual) ou R$ 100 (mesa para quatro pessoas). Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (81) 3224-2899.

Fonte: G1-PE

Obra de Luiz Gonzaga toma conta de espaços culturais em Pernambuco

Recife, Olinda, Exu concentram atividades que reverenciam Rei do Baião. Veja programação das atividades alternativas a shows e exposições.

O Reino Cantado de Luiz Gonzaga (Foto: Reprodução / TV Globo)Obra de Luiz Gonzaga toma conta dos espaços culturais
de Pernambuco (Foto: Reprodução / TV Globo)

Além das atrações musicais, da mostra audiovisual e das diversas exposições que relembram ou homenageiam a obra de Luiz Gonzaga, outras atividades estão disponíveis em museus e espaços culturais do estado, para quem pretende se inteirar do universo do Rei do Baião.

Entre os destaques está a apresentação da Orquestra do Centro Educacional Musical de Olinda (Cemo), na sexta-feira (14), às 16h, no Museu Regional de Olinda recebe, e depois segue em arrastão até o Museu de Arte Sacra de Pernambuco. O boneco gigante de Luiz Gonzaga, criado por Sílvio Botelho, também percorre o trajeto, acompanhado da Orquestra Henrique Dias.

No sábado (15), em Exu, as apresentações na feira livre da cidade começam às 7h, com uma roda de contos e prosa com amigos do Araripe. Às 8h , o grupo sai em caravana com sanfoneiros de Exu - William Sanfoneiro, Jonnes, Serginho Gomes, Boiadeiro Franco, Ed Carlos do Exu, Clebson, Mauro Sanfoneiro, Dijesus, Epitácio Pessoa, Vital Barbosa, Elmo Oliveira e Januário. Às 9h, também na feira, amigos exuenses de Luiz Gonzaga se reúnem para contar 'causos'.  Às 10h, a banda Cabaçal Exuense e o grupo de flautistas Sabiás se apresentam; também é o horário previsto para a volta do pau de arara com os sanfoneiros de Exu. Por fim, às 11h, o forró de Joãozinho do Exu e convidados encerra a festa.

Veja as outras programações disponíveis:

Torre Malakoff (Recife)
Sábado (15)
18h – Mesa de glosa sobre o imaginário de Luiz Gonzaga - Com Alexandre Morais (Afogados da Ingazeira), Zé Adalberto (Itapetim), George Alves (Tabira), Caio Menezes (São José do Egito), Lima Júnior (Tuparetama), Henrique Brandão (Serra Talhada), Gleison Nascimento (Recife), e apresentação: Dedé Monteiro.

Museu Regional de Olinda
Sexta (14)
16h – Apresentação da Orquestra do Centro Educacional Musical de Olinda – Cemo e Arrastão do Mureo ao Maspe, com o Boneco Gigante de Luiz Gonzaga, de Sílvio Botelho, e a Orquestra Henrique Dias.
Quarta (19) e quinta (20)
19h às 21h – Coco de Umbigada e grandes Coquistas cantam Luiz Gonzaga, com Mestre Pombo Roxo, Dona Glorinha, Zeca do Rolete e Mãe Lúcia de Oyá.

Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (Olinda)
Sábado (15)
16h – Roda de conversa “Qual a influência do nomadismo na criação artística”, com Ronaldo Eli, Ricardo Brazileiro e Jeraman. Moderação de Ricardo Ruiz.
Espaço Pasárgada (Recife)
Quinta (13)
18h – Sarau Gonzagueano, com Susana Morais, Clécio Rimas, Rita Marise

Museu do Estado de Pernambuco (Recife)
Sexta (14)
19h – Palestra “Luiz Gonzaga e a sua contribuição para a consolidação da identidade brasileira”, com Anselmo Alves
20h – Exibição do vídeo “Luiz Gonzaga, a luz dos sertões”, de Anselmo Alves e Rose Maria
21h – Apresentação musical de Seu Neo do Acordeon
Sábado (15)
19h – Palestra “A origem da sanfona no mundo, sua chegada ao Brasil e os diferentes sotaques nas regiões do País”, com Leda Dias.
20h30 – Exibição do vídeo “Raízes do fole”, de Amaro e Rafael Coelho.
21h – Apresentação musical de Seu Adriano

Casa da Cultura Luiz Gonzaga (Recife)
Até sábado (15)
9h às 12h – Apresentação musical de Seu Nikanor e seu trio pé de serra
Até 29/12
9h às 19h – Exposição “Gonzagueando com a arte popular”. Acervo da Fundação de Cultura de Caruaru.
Quinta-feira (13)
10h – Lançamento do CD de Seu Nikanor
12h às 14h – Encontro de Sanfoneiros de Oito Baixos, com Aécio dos 8 Baixos e Tião dos 8 Baixos
14h às 16h – Apresentações de quadrilhas juninas
Sexta (14)
12h às 14h – Orquestra Sanfônica de 8 Baixos de Santa Cruz do Capibaribe
14h às 16h – Apresentações de quadrilhas juninas

Teatro Arraial (Recife)
Sexta (14)
12h – Arraial Instrumental: Cláudio Rabeca homenageia Luiz Gonzaga
20h – Esquetes: “Lua do amor”, de Williams Santana; e “Contos de uma asa branca”, de Heron Villar
Sábado (15)
20h – Espetáculo “Lua baião”, de Criart Cia de Dança
Quarta (19)
16h – Aula espetáculo “O novo gonzagueano”, com Mestre Camarão

EXU - CULTURA LIVRE NAS FEIRAS
Sábado (15) - Apresentações na Feira Livre do Exu
7h – Roda de contos e prosa com amigos do Araripe
8h – Saída em caravana no pau de arara com os sanfoneiros do Exu (William Sanfoneiro, Jonnes, Serginho Gomes, Boiadeiro Franco, Ed Carlos do Exu, Clebson, Mauro Sanfoneiro, Dijesus, Epitácio Pessoa, Vital Barbosa, Elmo Oliveira e Januário)
9h – Causos contados por amigos exuenses de Luiz Gonzaga
10h – Cortejo com a banda Cabaçal Exuense, grupo de flautistas Sabiás e a chegada no pau de arara com os sanfoneiros do Exu
11h – Forró de encerramento com Joãozinho do Exu e convidados

EXU - FEIRAS DE CULTURA
Sábado (15) e domingo (16), na Praça da Catedral do Exu
9h às 17h – Culminância do projeto Feiras de Cultura das Escolas Públicas, com a participação de alunos de Araripina, do Exu, de Granito, Ouricuri e Trindade. Exposição de pesquisas sobre os patrimônios culturais de cada município e produções dos estudantes das redes públicas de ensino.

Fonte: G1-Pernambuco

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Museu do Ceará integra a série “Museus Brasileiros” organizada pelo Instituto Cultural J. Safra

Museu do Ceará integra a série “Museus Brasileiros” organizada pelo Instituto Cultural J. Safra

Museu do Ceará integra a série “Museus Brasileiros” organizada pelo Instituto Cultural J. Safra.

O Museu do Ceará foi selecionado pelo Instituto Cultural J. Safra para integrar, em 2012, a série “Museus brasileiros”. Anualmente, o Instituto escolhe um museu brasileiro e produz um livro para divulgar o seu acervo, por meio de 360 páginas de fotografias e textos.

O livro “Museu do Ceará”, a ser lançado no dia 11 de dezembro, para convidados, teve a coordenação editorial de Cristina Rodrigues Holanda e de Roberto Silva Sabino, diretora e museólogo contratado do Museu, e contou com a colaboração de pesquisadores das áreas de História, Arquitetura, Arqueologia, Biologia e Paleontologia.

A publicação terá distribuição gratuita nas principais instituições culturais do Brasil e do Ceará, como bibliotecas e museus, e poderá ser adquirida na loja da Associação dos Amigos do Museu do Ceará até o final de dezembro.

MUSEU DO CEARÁ,

31º LIVRO DO SAFRA
O Museu do Ceará, que em 2012 está comemorando 80 anos, é o 31º volume anual da série “Museus Brasileiros” que o Instituto Cultural J. Safra iniciou em 1982 e hoje é uma referência para o setor museológico e para o meio cultural do país.
O livro, cujo lançamento oficial ocorreu no último dia 11, na atual sede da instituição, no Palacete Senador Alencar, em Fortaleza, teve o apoio do Ministério da Cultura (Lei Rouanet). Como as anteriores, a obra, em tamanho 28 cm x 20 cm, mantém elevado padrão gráfico e as mesmas 360 páginas, com mais de 300 de fotos.

UM POUCO DA HISTÓRIA
Originalmente com o nome de Museu Histórico do Ceará, depois, nos anos 50, Museu Histórico e Antropológico do Ceará, e Museu do Ceará em 1990, a instituição foi fundada em 1932 e abriu ocupando duas salas do então recém-criado Arquivo Público do Estado. Juntas as duas instituições permaneceram até 1951, quando foram separadas administrativamente. Ao longo de sua história, o Museu do Ceará mudou seis vezes, até o atual endereço, a antiga sede da Assembleia Legislativa do Estado. Inaugurado em julho de 1871, o Palacete Senador Alencar, tombado pelo IPHAN em 1973, tem dois andares e se constitui num marco do neoclassicismo brasileiro.

Antes do nome atual, algumas unidades congêneres surgiram em Fortaleza, com o incentivo de particulares. O primeiro museu pertenceu ao médico cearense Joaquim Antonio Alves Ribeiro que, em 1873, já apresentava várias coleções de fragmentos da natureza. Por volta 1894, outro cearense, Francisco Dias da Rocha, constituiu o Museu do Rocha, aberto ao público em 1903 e mantido em funcionamento até 1959. Essas primeiras iniciativas especializavam-se na coleta, análise, classificação e exposição de itens da fauna e da flora locais, aliás, como todos os museus criados no século XIX, após a chegada da Família Real (1808).

Criado e mantido por muito tempo como um espaço voltado para a difusão de uma “história social”, aos poucos o Museu do Ceará foi se diversificando com a incorporação de acervos e especialistas de outros ramos do conhecimento, tornando-se cada vez mais interdisciplinar.

O ACERVO NO LIVRO
Para compor o livro, Cristina Rodrigues Holanda, a diretora do Museu do Ceará, que coordenou o trabalho de seleção das peças reproduzidas no livro, deu ênfase, no início do volume, para vários itens das coleções de iconografia, mobiliário, indumentária, numismática, armas, entre outras, que são apresentadas como no próprio Museu, ou seja, por meio das salas temáticas que compõem a exposição de longa duração Ceará: uma história no plural e Memorial Frei Tito.

Muitos personagens que contribuíram para a história e a cultura do Ceará são lembrados, como o historiador Capistrano de Abreu, o jurista Clóvis Beviláqua, o naturalista Francisco Dias da Rocha, o poeta e compositor Patativa do Assaré (Antonio Gonçalves da Silva), o “Padinho” Padre Cícero, Antonio Conselheiro (o líder de Canudos), até Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Relevância especial tiveram os objetos e imagens relacionados ao pioneirismo do Ceará na campanha e na libertação dos escravos. A solenidade realizada no salão nobre da Assembleia Provincial, em 24 de maio de 1883, cinco anos antes da Lei Áurea, marca o fim da escravidão negra na capital cearense . O quadro a óleo sobre esse ato, pintado durante seis meses por José Irineu de Souza, está reproduzido no livro. Além dele, há reproduções de cartas de Joaquim Nabuco para militantes cearenses da causa e para a Sociedade Britânica e Estrangeira Anti-escravidão, sediada em Londres, esta última visando levar a luta abolicionista ao plano internacional, datada do Rio de Janeiro, em 1881.

De um total de aproximadamente 15 mil peças desse acervo museológico, foram escolhidas aquelas que “possibilitam reflexões em torno dos temas da “história social”. Também foi dada ênfase a exemplares das coleções de arqueologia, paleontologia e de História Natural, que em seu conjunto totalizam perto de quatro mil peças e que até agora estavam em “reserva técnica”, conhecidas apenas por profissionais que as catalogaram.

Solitário como vivia, especial atração é a foto do bode Ioiô, a única peça do acervo que nunca saiu de exposição nos 80 anos do Museu. Hoje empalhado, o animal, bastante conhecido em Fortaleza, morreu em 1931. Durante a sua vida ele manteve a rotina de perambular, todos os dias, da Praia do Peixe (atual Praia de Iracema), ao centro da cidade. Daí a presumida origem de seu nome.

PROJETO CULTURAL SAFRA

Um dos objetivos do Instituto Cultural J. Safra é o de contribuir para a divulgação e o resgate das tradições históricas e culturais do país, com a edição de livros sobre os principais museus brasileiros.

A série “Museus Brasileiros” foi iniciada com a edição do volume sobre o acervo do MASP – Museu de Arte de São Paulo. No ano passado, o 30º volume foi sobre o Museu da República, do Rio de Janeiro.

A cada ano é produzido um novo livro da série e até agora, os 31 editados acumulam uma tiragem superior a 390 mil exemplares. Essa consistente e diferenciada coleção é referência e fonte permanente de pesquisa para museólogos, pesquisadores e interessados em arte, no país e no exterior.

OS 31 VOLUMES

Um dos objetivos do Projeto Cultural Safra, criado em 1982, é o de contribuir para a divulgação e o resgate das tradições históricas e culturais do país, por meio da edição de livros sobre os principais museus brasileiros (REPETIDO). Eis, pela ordem, a relação dos 31 volumes publicados - excluídas as reedições sobre o Museu de Valores do Banco Central (em 2000), Museu de Arte Moderna de São Paulo (2001) e o Museu do Ministério de Relações Exteriores – Itamaraty (2002) - que totalizam uma tiragem acumulada de 340 mil exemplares:

MASP - Museu de Arte de São Paulo (1982) MAM-SP - Museu de Arte Moderna de São Paulo (1998)

MAS - Museu de Arte Sacra de São Paulo (1983) MAM-RJ – Museu de Arte Moderna do Rio e Janeiro (1999)

MP-USP - Museu Paulista da Universidade de São Paulo (1984) MUHNE – Museu do Homem do Nordeste (2000)

MNBA - Museu Nacional de Belas Artes (1985) MARGS – Museu de Arte do Rio Grande do Sul (2001)

MPEG - Museu Paraense Emílio Goeldi (1986) MCB – Museu da Casa Brasileira (2002)

MAS-UFBA - Museu de Arte Sacra da Univ.Fed. da Bahia (1987) MEPE – Museu do Estado de Pernambuco (2003)

MVBCB - Museu de Valores do Banco Central do Brasil (1988) BIBLIOTECA NACIONAL – Fundação Biblioteca Nacional (2004)

MHN - Museu Histórico Nacional (1989) PINACOTECA MUNICIPAL- SP (2005)

MAC-USP– Museu de Arte Contemporânea da USP (1990) MAPRO – Museu Mariano Procópio - Juiz de Fora (2006)

MLS - Museu Lasar Segall (1991) MUSEU NACIONAL – RJ (2007)

MI - Museu Imperial de Petrópolis (1992) MAM-BA – Museu de Arte Moderna da Bahia (2008)

MRE - Museu de Relações Exteriores - Itamaraty (1993) FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO – RS (2009)

PINACOTECA - Pinacoteca do Estado de São Paulo (1994) MUSEU AFRO BRASIL – SP (2010)

INCONFIDÊNCIA - Museu da Inconfidência (1995) MUSEU DA REPÚBLICA – RJ (2011)

MCM - Museus Castro Maya (1996) MUSEU DO CEARÁ – CE (2012)

MAB - Museu de Arte da Bahia (1997) 

Fonte: Secult-Ce

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Luiz Gonzaga-Narrativas cearenses

Qualquer cearense, familiarizado com a cultura do sertão, se sente parte integrante das narrativas poético-musicais de Gonzaga e seus parceiros

Luiz Gonzaga e Fagner em apresentação durante o aniversário da rádio O POVO, em abril de 1985: intérpretes de várias gerações fizeram releituras de seu cancioneiro Foto: Chico Lima 19/4/1985

Eu sempre me perguntei por que o repertório de Luiz Gonzaga também diz respeito ao Ceará. Anos 1950. Menina, morando no interior, a música de Gonzaga invadia a praça da Matriz, todo final de tarde. Em cada casa, era o rádio, nas ondas da Rádio Nacional, que se fazia ouvir nos mais distantes rincões. Assim cresci ouvindo “Asa Branca”, “Assum Preto”, “Cintura Fina”, “Kalu”, “Imbalança”, “Estrada de Canindé” e outras mais.

Muito tempo depois, em visita a Exu, vim a compreender que o sertão dessa cidade é semelhante ao que conheço em meu Estado. O Cariri do lado de cá se apresenta como um oásis na paisagem sertaneja que une Pernambuco e Ceará. No entanto, o trajeto musical de Gonzaga, em muitos aspectos, alimentou-se de suas andanças semanais pela feira do Crato, convivendo com a riqueza de sua tradição. Gonzaga acompanhava sua mãe, ajudando-a na venda de cordas. Foi lá que ele cedo se fez notar, com suas primeiras incursões na sanfona. Lá também aprendeu a ouvir as bandas de pife, os cantadores e demais multiplicadores das artes de tradição. Claro que a família lhe deu aprendizado, mas do mundo circundante soube beber nas fontes.

Fortaleza foi refúgio quando deixou Exu, inesperadamente, por conta de traquinagens juvenis. Aumentou a idade para inscrever-se, em 1930, no 23º Batalhão dos Caçadores da 10ª Região Militar. O roteiro seguido por cerca de 10 anos de serviço militar, no percurso por Teresina e Minas Gerais, e por fim o Rio de Janeiro, leva-o ao encontro com estudantes cearenses que descobrem seu potencial musical.

O Ceará, é também pátria de Gonzaga. Ele soube reverenciá-lo com peças diretamente ligadas ao Estado ou mesmo, indiretamente, relacionadas à cultura do sertão na qual estamos inseridos. Quem ouve a maioria das canções do seu repertório, percebe que ele canta sobre nós. Os temas poéticos e a paisagem sonora nos dizem respeito. Qualquer cearense, familiarizado com a cultura do sertão, se sente parte integrante das narrativas poético-musicais de Gonzaga e seus parceiros.

Gosto de passear minha imaginação ouvindo a bela concepção da dupla Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira para “Estrada de Canindé” (1951)! A atmosfera criada me prepara para a caminhada ao som da toada-baião: um misto de canto lento (toada) com a rítmica cadenciada do baião. Imagino-me sentindo os passos sobre a terra molhada dos tempos de chuva, a vivenciar a natureza circundante: “o orvalho beijando as flor”; “...o galo campina/que quando canta muda de cor”! Sinto-me na pele do caminhante “moiando os pés no riacho/que água fresca, Nosso Senhor”! Quanta beleza, quanta “coisa pro mode ver, [que] o cristão tem que andar a pé”.

Gonzaga exaltou o Ceará!

O Ceará premiou Gonzaga com Humberto Teixeira, um de seus principais artífices na arte de trançar, junto com ele, as rendas e bordados poético-musicais que se eternizam; com intérpretes e criadores de várias gerações que realizam fantásticas releituras de seu cancioneiro; com a acolhida da academia em transformá-lo objeto de teses.

Gonzaga é o Ceará, o sertão. É a expressão da seca e da chuva. É a voz que ecoa no descampado. É o frescor da terra molhada. É a alegria dos nossos festejos. É a partida e a chegada. É o abraço da sanfona. É o homem de todos os tempos.

Elba Braga Ramalho é musicóloga

CONTATO COM A SANFONA

Gonzaga acompanhava sua mãe, ajudando-a na venda de cordas. Foi lá que ele cedo se fez notar, com suas primeiras incursões na sanfona. Lá também aprendeu a ouvir as bandas de pife, os cantadores e demais multiplicadores das artes de tradição.

CANTAR O CEARÁ

Segundo a pesquisadora Elba Ramalho, Gonzaga soube reverenciar o Ceará em suas canções. “Os temas poéticos e a paisagem sonora nos dizem respeito. Qualquer cearense, familiarizado com a cultura do sertão, se sente parte integrante das narrativas de Gonzaga”.

Confira outras matérias sobre Luiz Gonzaga: Vida e Arte

Fonte: O Povo Online

Luiz Gonzaga, um cearense

O chapéu de como coroa o couro

Embalando sonhos de partida e de regresso, Luiz Gonzaga reinventou a imagem do sertão associado ao flagelo e à seca

Com sua sanfona e sua simpatia, Gonzaga embalou sonhos de partida e de regresso, se movimentando em espaços os mais diversos, tocando e cantando BANCO DE DADOS

Quando o jornalista Pedro Rocha me solicitou, de última hora, um artigo sobre Luiz Gonzaga, para o Vida & Arte Cultura, celebrando seu centenário de nascimento, e acrescentou ser o tema do caderno intitulado “Luiz Gonzaga, um cearense”, três ideias me vieram à cabeça: é com imenso prazer que falo do Rei do Baião; há sempre muito a se dizer sobre ele, principalmente com mais tempo; e, em terceiro lugar, mesmo reconhecendo o grande amor que ele tinha pelo Ceará e pelos cearenses, não consigo circunscrever sua imagem a espaço restrito.

Iniciando seu primeiro grande vôo, em 1947, com “Asa branca”, sem jamais perder de vista o chão de onde saiu, Luiz Gonzaga ultrapassou todas as fronteiras territoriais, quebrando também eventuais recortes sociais e se tornou um cidadão do Brasil, embaixador dos brasileiros.

Nascido no sertão de Pernambuco, a 70 km do Crato, quem sabe seu xodó com o Ceará tenha começado por essa proximidade. Ironicamente, foi também ali que, fugindo de casa, em 1930, ele pegou o trem pra Fortaleza e, depois, “ganhou o mundo”.

No Exu, enfatizava, “onde o velho Januário afinava a sanfona, afinei os ouvidos”; e acrescento: lá, ainda menino, “temperou” sua voz, engolindo poeira nas procissões comandadas pela mãe, Dona Santana. Assim, partindo dessa rica escola a céu aberto, onde aprendeu as primeiras letras e notas musicais, mais tarde se fez grande ator e artista renomado.

Conforme escrevi em outra ocasião, num período em que a Nação aguardava, assustada, eventual entrada na Segunda Guerra Mundial, ao mesmo tempo em que, internamente, experimentava-se, ufanisticamente, uma campanha nacionalista sob a batuta do ditador Getúlio Vargas, na então capital da República Luiz Gonzaga via a cidade crescer de galope e sem condições ou preparo para absorver, como cidadãos, os muitos brasileiros componentes dos contingentes populacionais que ali eram despejados, procedentes de toda parte do País.

Assim, na pisada dos retirantes, entre meados da década de 1940 e metade dos anos 50, Luiz Gonzaga “com sua sanfona e sua simpatia”, embalando sonhos de partida e de regresso, se movimentava em espaços os mais diversos, tocando e cantando, incansavelmente.

Colada no cotidiano de lugares e pessoas, a música de Luiz Gonzaga, que tanto encanta, conta histórias, revive acontecimentos e constrói memórias. Projetavam-se, desse modo, simultaneamente, a sua figura artística e o baião (uso este último termo para me referir ao estilo que inclui, além do próprio baião, xote, marchinhas, arrasta-pé, xaxado, mazurca, etc.).

Nesse intervalo de tempo, seus dois maiores parceiros foram: o advogado cearense, Humberto Teixeira, e o médico pernambucano, Zé Dantas, à época ambos radicados no Rio de Janeiro. Intérprete singular e demonstrando inigualável capacidade de interação com o público, correndo por fora de qualquer instância institucional, com essa música Luiz Gonzaga cumpriu um papel revolucionário. Refiro-me, desta maneira, à criação de uma imagem de sertão e de Nordeste – e, por extensão, também de Brasil – presente no baião. Uma imagem completamente diferente daquela que se encontra em romances, em discursos políticos e na imprensa da época, qual seja, a imagem de flagelo, em grande medida associada a seca.

Nessa revolução, o Rei do Baião arranca da cabeça do retirante o chapéu de palha rasgado, tira-lhe a roupa em farrapos e, no palco festivo, vestindo o gibão – evocação dos heróis-vaqueiros-cangaceiros –, adota como coroa o chapéu de couro. Sua voz ecoa vibrante por todos os rincões e o retirante-cidadão tem o Brasil a seus pés.

Sulamita Vieira é professora da Universidade Federal do Ceará, autora do livro O sertão em movimento, resultado de pesquisa sobre a música de Luiz Gonzaga.

OUTRA IMAGEM

Segundo a pesquisadora Sulamita Vieira, Luiz Gonzaga criou uma imagem de sertão e de Nordeste presente no baião. “Uma imagem completamente diferente daquela que se encontra em romances, em discursos políticos e na imprensa da época, qual seja, a imagem de flagelo”.

Sulamita Vieira

Fonte: O Povo Online

Nova direção para a Academia de Letras

A Academia Cearense de Letras realiza sessão solene em homenagem aos 120 anos de nascimento do acadêmico Otacílio de Azevedo. A agenda também inclui eleição para a diretoria da instituição

Na sede da Academia Cearense de Letras, Nirez e Sânzio de Azevedo, figuras ilustres para a cena cultural cearense, relembrarão traços do pai: o fotógrafo, pintor e poeta Otacílio de Azevedo DEIVYSON TEIXEIRA

A Academia Cearense de Letras (ACL) cumpre hoje, no Palácio da Luz, uma agenda solene. Em comemoração aos 120 anos de nascimento de Otacílio de Azevedo, a instituição homenageia o imortal com a presença de seus dois filhos. Nirez e Sânzio de Azevedo, figuras ilustres para a cena cultural cearense, relembrarão traços do pai. “Ele era fotógrafo, começou pintando paredes e depois virou retratista e paisagista. Tenho uma galeria de pinturas dele em casa”, conta o ensaísta Sânzio, que participa de mesa redonda para rememorar a vida e poesia de Otacílio. O encontro será coordenado pela Diretora Cultural da ACL, Angela Gutiérrez.

“O (memorialista) Edgar de Alencar era meu amigo e disse que houve uma época, na década de 40, em que no Rio de Janeiro todo cearense tinha que ter um quadro do papai. E depois que morreu, um amigo dele me contou algo que eu não sabia. Ele era o homem dos três Ps: pintor, poeta e photógrafo (sic). Quando me entendi por gente, percebi que à época fotógrafo ainda se grafava com ph”, reconta Sânzio sobre algumas das histórias que lembrará hoje na cerimônia.

A diretora administrativa da ACL, Regina Fiúza, também destaca a personalidade polivalente do escritor. “Otacílio foi uma pessoa muito versátil. Desenhista, pintor, poeta e escritor. Era um intelectual muito importante para a história da literatura cearense, para a história da Academia”, reconhece.

Além da homenagem, a ACL realiza eleição de nova diretoria. A atual, presidida pelo escritor Pedro Henrique Saraiva Leão por dois mandatos, abre votação com a chapa única José Maria de Barros Pinho, em menção ao cronista e ex-vereador de Fortaleza, encabeçada por José Augusto Bezerra. Se eleito, José Augusto toma posse no final de janeiro de 2013.

“A Academia é uma instituição fadada a continuar. É a mais antiga do Brasil, tendo sido criada três anos antes da Academia Brasileira de Letras. Estive com muita dificuldade. Os amigos Beto Studart, Ivens Dias Branco e o chanceler Airton Queiroz que têm nos ajudado. Porque o poder público não ajuda. Para mim, foi uma decepção”, afirma Pedro Henrique Leão. “A expectativa para a nova direção é muito boa, mesmo com as dificuldades existentes”.

José Augusto, que foi presidente do Instituto do Ceará, evitou lançar expectativas já que, embora tenha chapa única, a eleição acontecerá hoje. “Caso eleitos, daremos o melhor de nós mesmos, com muita honra de presidir a academia mais antiga do Brasil e de substituir o Henrique, grande poeta respeitado por nós. Será um desafio e um ato de grande confiança da entidade em nosso nome”, anseia.

Lançamento

Aproveitando a solenidade, a Academia Cearense de Letras lança as coletâneas Rachel de Queiroz - Cem anos e Literatura e Viagem. Organizadas por Angela Gutiérrez e Regina Fiúza, os livros incluem textos referentes aos Ciclos de Conferências 2010 e 2011 da ACL. “Sempre que encerramos um Ciclo, lançamos uma antologia com todas as palestras. É importante porque são sempre temas muito interessantes, das literaturas cearense, brasileira e mundial”, explica Regina.

Para além da realização dos ciclos acadêmicos, acontecidos ao longo dos últimos 12 anos, a diretora administrativa ressalta a importância do lançamento destas publicações. “As conferências são disponibilizadas em livro para que as pessoas possam pesquisar. Já trouxemos Moacyr Scliar, Nélida Piñon e Gilberto Mendonça Teles. É um legado que fica para a história da academia e da literatura cearense”.

SERVIÇO

Sessão solene em homenagem a Otacílio de Azevedo
Quando:
Hoje, às 17 horas
Local: Palácio da Luz (Rua do Rosário, n.1 – Centro)
Outras info.: 3226 0326

Fonte: O Povo Online

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Livro traz entrevistas com personalidades literárias pernambucanas

O jornalista e escritor Cássio Cavalcante lança a obra com mais de 50 conversas nesta quinta (6/12), a partir das 19h, no Centro Cultural dos Correios

Foto: Divulgação

Um breve resumo da cadeia literária pernambucana. É isso o que o jornalista e escritor cearense radicado em Pernambuco Cássio Cavalcante faz no novo livro Bate-papo literal (Edições Culturais). Fruto das entrevistas feitas para sua coluna no Gazeta Nossa, que circula na Zona Sul do Recife, a obra ganha lançamento quinta (6/12), às 19h, no Centro Cultural dos Correios.

O livro traz 50 entrevistas com nomes da escrita estadual, indo desde referências nacionais como Ariano Suassuna, Raimundo Carrero, Abelardo da Hora, Gilvan Lemos e Marcus Accioly, Fátima Quintas, presidente da APL e que assina um dos prefácios da obra, e Antonio Campos, da Fliporto. Ainda existem destaque da produção contemporânea como Samarone Lima, Marcelino Freire e Homero Fonseca, para ficar em apenas alguns.

Cada conversa busca funcionar como um breve resumo do pensamento sobre literatura de cada um desses autores – algumas delas, com temáticas específicas do momento em que foram feitas. A ideia do autor é fazer mais 100 entrevistas, a serem publicadas na coluna e reunidas em dois novos volumes.

Fonte: JC Online

Acaraú participará de oficina do Projeto 'Música é Para a Vida'

ApresentacaoResidencia2012_fotoAriadnePimenta_3webApresentação dos participantes do projeto em 2012 Ariadne Pimenta/ Divulgação

O projeto “Música é Para a Vida” está com inscrições abertas para alunos e arte-educa-dores até a próxima segunda-feira, 9 de dezembro. A etapa inicial prevê a seleção de 630 pessoas para as Oficinas de Sensibilização para a Cultura Musical. O projeto é uma parceria da Sociedade Cearense de Jornalismo Científico e Cultural (SCJCC), a Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc) e o Festival de Jazz & Blues.

As cidades que receberão as oficinais da primeira etapa são: Sobral, Tianguá, Acaraú, Camocim, Itapipoca, Canindé, Crateús, Tauá, Maracanaú e Horizonte (5 e 6 de janeiro); e: Baturité, Russas, Jaguaribe, Juazeiro do Norte, Crato, Brejo Santo, Quixadá, Iguatu, Icó, Senador Pompeu e Fortaleza. (12 e 13 de janeiro).

Jazz e Blues

A programação do projeto também inclui participação nas residências artísticas do Festival Jazz & Blues em fevereiro de 2013, com espaço de formação voltada ao aperfeiçoamento técnico-musical. Essa etapa o ocorrerá nos municípios de Pacoti e Guaramiranga entre 2 e 12/02, com a participação dos 100 alunos e 20 arte-educadores selecionados após as oficinas.

Apresentações

Ao final das aulas práticas com instrumentos musicais e teóricas, as participantes do projeto poderão se apresentar no Teatro Municipal Luis Pimenta, em Pacoti; e no palco principal do Festival Jazz & Blues em Guaramiranga. As inscrições podem ser realizadas no site do Festival de Jazz e Blues e os primeiros selecionados serão divulgados no dia 20 de dezembro no site da SEDUC. Para mais informações, 85.3262-7230.

Fonte: O POVO Online

Artista plástico retrata infância e cidade em obras, no Ceará

Desde menino ele é fascinado pela cidade onde nasceu. Ele retrata personagens históricos e de familiares.

O artista plástico Hélio dos Santos, 68 anos, aproveita o talento e retrata sua infância e história de Aracati, a 140 km de Fortaleza. Desde menino ele é fascinado pela cidade onde nasceu que desde o ano 2000 foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio Nacional.

Hélio dos Santos passa a vida entre os casarões de Aracati. E apaixonado pelo carnaval ele se destacou confeccionando bonecos para as festas do Rei Momo. Porém, a arte dele vai muito além disso. Ele se mudou para um casarão que pertenceu ao Monsenhor Bruno há dois séculos e ao som de músicas clássicas constrói bonecos que chegam a demorar 15 dias para ficar prontos. "Aqui nesta casa eu me sinto muito confortável. Para de vez em quando voltar ao passado. Me agrada muito fazer o boneco e depois de vê-lo em cena. É isso que gratifica a gente. Ele dar muito trabalho para ser feito cerca de uns 15 dias", relata o artista.

Personagens históricos e familiares
Os bonecos não são caricaturas. Eles são rostos de pessoas que passaram pela sua vida. "Claro que existem muitos que retratam personagens históricos, da fantasia da criança, mas alguns são personagens que fizeram parte da minha infância, da minha vida", conta. Depois de prontos, os bonecos são manipulados pelas crianças de Aracati.Elas participam de efestas e espetáculos que acontecem todos os finais de semana na cidade praiana.

Santos é responsável por restaurar e pintar as obras sacras da Igreja Matriz de Aracati. "Ele é um orgulho de todos nós. Seria interessante se ele passasse esse conhecimento para outras pessoas", disse o padre Oreliano Barbosa.

Confira: video

Fonte: Nosso Ceará-G1

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Produção de frutas muda vida de agricultores no Ceará

Desde 2004 o DNOCS desenvolve o projeto Tabuleiros. Irrigação benefica 10 mil pessoas entre elas 500 pequenos produtores.

A produção de frutas realizada no Vale do Jaguaribe, interior do Ceará muda a vida de agricultores cearenses. O segredo do sucesso? Graças ao projeto Tabuleiros e muito trabalho de alguns trabalhadores. Desde 2004 o Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) desenvolve o projeto Tabuleiros numa das áreas mais afetadas com a seca.

Projeto atrai pequenos agricultores
E a novidade atraiu muitas gente da cidade para o interior. E hoje, alguns já colhem frutos literalmente. É o caso do técnico de agropecuária, Francisco Marciano, que vendeu algumas cabeças de gado para investir no plantio de uvas, em pleno sertão cearense. "O projeto é bom e você conseguir gerar renda e ao mesmo tempo gerando emprego melhorando o nosso Ceará, o Brasil. Isso foi muito prazeroso", afirmou o pequeno empresário.

O projeto também beneficia a turma que faz o trabalho pesado. Seu Armando, de 60 anos, trabalha nas parreiras e não reclama do serviço braçal. "É muito bom, pois não falta nada para mim. Quando preciso de dinheiro ele está sempre lá a minha disposição", disse.

O projeto de irrigação benefica 10 mil pessoas entre elas 500 pequenos produtores. Se o projeto seguir o bom ritmo a tendência é o Ceará se tornar o maior produtor de frutas secas e todo o País. "Antes nós tínhamos a concorrência de outros estados como o Rio Grande do Norte. Hoje nós já o ultrapassamos. Apesar da infraestrutura que existe em Pernambuco e Bahia. E um desses estados já foi passado para trás pela nossa produção. Acredito que se continuarmos nesse ritmo de trabalho e produção, daqui uns cinco ou dez anos, o Ceará será o maior produtor de frutas frescas do Brasil", afirmou um dos organizadores do projeto Taboleiro.

Aposentado que virou agricultor
O ex-funcionário "Zé Horácio" de 60 anos que se aposentou há pouco mais de cinco meses teve a ideia de plantar bananas. Atualmente ele possui 2 hectares de plantação e fala com entusiamo de quanto vai ganhar com a ideia. "Dos dois hectares que tenho considero uma boa produção. Eu comecei a colher em fevereiro desse ano e eu já vou colher umas 80 toneladas de banana.

Projeto Tabuleiros
O Projeto Tabuleiros teve início no ano de 2004, com a implantação de 2,5 hectares de coco e 6 hectares de acerola, após a introdução dessas culturas veio o experimento com o jaborandi para avaliar seu comportamento na região meio norte, onde vem se desenvolvendo muito bem.

No ano de 2008 foram ampliadas as áreas de acerola para mais 4,5 hectares, que entrarão em produção em 2010. No ano de 2009 foi implantado 1 hectare de cordia e 1 hectare de jambu e no ano de 2010 estão sendo implantados 2 hectares de Neem e ampliado as áreas de coco e cordia.

Vale ressaltar que todo o projeto possui certificação orgânico pelo IBD (instituto de biodinâmica) e a acerola além da certificação de orgânica, está recebendo a certificação de biodinâmica.

Confira: video

Fonte: Nosso Ceará-G1

Grupo 'Libertar' é referência em bordados em Redenção, no Ceará

Grupo é formado por 35 pessoas da cidade de Redenção, no Ceará. Inspiração do grupo é a libertação dos escravos, que aconteceu em 1883.

O grupo Libertar, que reúne bordadeiras na cidade de Redenção, no Ceará, comemora 22 anos em 2012. O grupo foi fundado por por duas amigas da cidade, que começaram a vida profissional na indústria têxtil. O grupo é formado por 35 pessoas. E teve como inspiração a libertação dos escravos que aconteceu em Redenção no ano de 1883. "Nosso artesanato tem o nome de Libertar. É a terra da liberdade e isso é muito importante para gente", conta uma das artesãs e fundadoras do grupo Antônia Lucimar.

Já Maria Elenice Gadelha diz que dentro do grupo o clima não é só de trabalho. Há espaço também para brincadeiras. "Tem um horário de se fofocar. Falar da vida alheia. Faz parte e ajuda a passar o tempo", afirma bem humorada.

O fato que chama atenção no grupo Libertar é que há três gerações da Família Gadelha. Composto de avó, filha e neta. "Eu comecei a ensinar minha filha. Depois a minha neta e ainda hoje eu sei bordar. E tenho muito orgulho disso", diz a artesã aposentada Luciana Rodrigues.

Uma das integrantes divide a paixão de bordadeira com a de radialista. A Jeane do Rádio, como é conhecida, é a mais nova do Libertar, e participa dos bordados há dez anos. Se fosse para escolher qual dos dois ela adotaria para se tornar seu ofício, ela é taxativa: "Não tem como escolher. Eu amo os dois. Adoro o que faço", fala.

Confira: video

Fonte: Nosso Ceará- G1

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A tradição revista

Referência na chamada nova museologia, o francês Hugues de Varine lança livro no Museu do Ceará

Ninguém discorda da importância da "Pietá de Michelangelo", da "Monalisa", de Leonardo da Vinci, ou, em âmbito nacional, de um "Abaporu", de Tarsila do Amaral. Não há como contestar a relevância, por exemplo, do acervo de numismática do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, com suas mais de 146 mil peças, entre moedas, medalhas, selos e outros.

Mas eles podem não dizer muito sobre um pequeno distrito de uma pequena cidade do interior de lugar remoto do País. Sobre como a comunidade desse distrito se formou ou porque encontra-se em determinado estágio de desenvolvimento.

Foi a partir desse tipo de inquietação que o consultor na área de patrimônio Hugues de Varine passou a questionar os fundamentos da museologia tradicional - desenvolvida, na Europa e na América do Norte, no final do século XVIII, e sedimentada, segundo ele, em uma "alta cultura", que não obrigatoriamente representa os diversos tipos de patrimônio de outras parcelas da população.

Incomodava ainda o aspecto restritivo da tríade coleção-prédio-público - elementos sem os quais, segundo a abordagem tradicionalista, um museu não pode existir.

Exemplares cearenses da nova museologia: o Memorial do Homem Cariri, projeto da Casa Grande, em Nova Olinda; e o Museu do Mangue, da Sabiaguaba

Trajetória

Profissional referência da chamada nova museologia, que estabelece novos paradigmas para o papel dos museus, Varine participou, em novembro último, do Fórum Nacional de Museus, como conferencista.

Aproveitando essa visita ao País, e também a turnê de lançamento da edição em português do seu livro "As raízes do futuro - o patrimônio a serviço do desenvolvimento local", um grupo de instituições articuladas no Ceará trouxe Varine para uma série de atividades no Estado.

O grupo inclui o Instituto Brasileiro de Museus, o MinC, a Secretaria da Cultura do Estado, o Museu do Ceará, o Ecomuseu de Maranguape, a Fundação Viva Maranguape de Turismo, Esporte e Cultura, a Rede Cearense de Museus Comunitários, o Projeto Historiando e o Ponto de Memória do Grande Bom Jardim.

Assim como outros profissionais e pesquisadores nas décadas de 1960 e 1970, Varine estava insatisfeito com os paradigmas até então predominantes na área da museologia. Um dos resultados dessa movimentação foi a realização da famosa Mesa de Santiago (Chile), em 1972, organizada pela Unesco e pelo Conselho Internacional de Museus (Icom), que reuniu 12 diretores de museus da América Latina para dividir experiências e reflexões. Varine, à época diretor do Icom, participou ativamente da organização do evento - na ocasião, chegou a convidar o educador brasileiro Paulo Freire, cuja participação, porém, foi vetada por conta de rusgas do brasileiro com o regime militar no País.

A partir da Mesa de Santiago, considerada um marco no desenvolvimento da chamada nova museologia, o museu passou a ser considerado uma "instituição a serviço da sociedade, da qual é parte integrante" - segundo consta no documento lançado após o encontro, a Carta de Santiago.

Também depois dali, a instituição museu seria atrelada ao conceito de desenvolvimento (das comunidades), paralelamente aos conceitos tradicionais de aquisição, conservação e divulgação.
Ao mesmo tempo, a tríade coleção-prédio-público cedia lugar aos conceitos de patrimônio (não apenas no sentido estático, mas vivo, mutante), território e comunidade.

Tais questões, no entanto, já eram abordadas por Varine desde a década de 1960. Durante os dez anos em que ocupou a presidência do Icom (1965 a 1974), viajou por mais de 70 países e conheceu profissionais e instituições de todos os gêneros.
Nesse ínterim, pôde observar a distância frequente entre as práticas da museologia tradicional e as comunidades que enfrentavam problemas decorrentes da pobreza e do subdesenvolvimento.

"Embora necessitemos de uma plataforma básica de conhecimento, comum a todos, cada comunidade tem uma cultura, aspectos específicos de saúde, de educação, entre outros. Dentro dessa cultura, há uma parte que é o patrimônio, não apenas o ´morto´, como aparece nos museus tradicionais, mas vivo, pulsante, parte do cotidiano da comunidade e, por isso, passível de transformações", frisa Varine.

Pioneiros

Formado pela Universidade de Paris, com pós-graduação em História e Arqueologia, Varine fundou o Ecomuseu de Le Creusot-Montceau, considerado uma das principais experiências no mundo no âmbito da nova museologia.

É ainda fundador da Asdic Consultores, entidade especializada em desenvolvimento de comunidades, por meio da qual participa de missões de desenvolvimento cultural, social e econômico de comunidades urbanas e rurais da França e da União Europeia.

O caso do Ecomuseu de Le Creusot-Montceau é um dos apresentados no livro "As raízes do futuro", no qual Varine aborda ainda a trajetória e o desenvolvimento da nova museologia. A obra foi lançada em 2002 na França, mas somente agora chega ao Brasil - talvez um indício de como o assunto, embora discutido há mais de 40 anos, seja algo relativamente novo no Brasil, especialmente em alguns estados do Nordeste, como o Ceará, onde ainda é forte a definição tradicional de museu. Para ilustrar, Varine aponta algumas experiências pioneiras ainda na década de 1960, que lançaram bases importantes para a formatação da nova museologia. Uma delas é a criação dos Museus Nacionais do México, por iniciativa do museólogo Mario Vasquez (outro que participou da Mesa de Santiago).

"Trata-se dos primeiros museus que não seguiam os fundamentos da museologia europeia e norte-americana, e feitos totalmente por mexicanos", explica Varine.
O segundo exemplo é a criação do Museu Nacional de Niger (África), por iniciativa do museólogo e arqueólogo Pablo Toucet, com o objetivo de apoiar a ação do governo em prol da unidade nacional.

Por fim, Varine cita a criação de um "museu de vizinhança" em uma comunidade negra de Washington (EUA), pelo pastor evangélico John Kinard. O equipamento funcionava em um antigo cineteatro e era voltado a expor os problemas da comunidade.

Não por acaso, todos são exemplos de museus idealizados a partir de demandas locais, no sentido de contribuir para o desenvolvimento da comunidade. "No caso de Kinard, por exemplo, foi a primeira vez que algo do tipo aconteceu, um museu permanente de exposições para abordar problemas da população", ressalta o museólogo.

De lá para cá, fortaleceram-se os conceitos da nova museologia e as iniciativas de museus comunitários (também chamados de ecomuseus, termo cunhado por Varine durante um evento na França, em 1971; o nome não explicita uma relação exclusiva com aspectos ambientais, foi pensado no sentido de "museu do homem e da natureza", relativo a um território sobre o qual vive uma população).

"Museus comunitários, ecomuseus, museus indígenas e outros dentro dessa perspectiva, cada um é único, representa sua comunidade e seu território. Embora museus tradicionais também tenham seu papel, hoje felizmente quase todos os países contam com esse tipo de instituição", comemora Varine.

Ceará é rico em experiências na área

No âmbito do fortalecimento da nova museologia no Brasil, o Ceará se destaca pela crescente rede de museus comunitários e indígenas, pontos de memória, além d e outras iniciativas, sempre ligadas ao desenvolvimento sustentável, por meio da apropriação do patrimônio e da memória como ferramentas de afirmação e defesa de territórios e referências culturais.

Somente na programação da visita de Hugues Varine ao Estado foram incluídas três instituições: o Ecomuseu de Maranguape, o Museu Jenipapo-Kanindé e o Ponto de Memória do Grande Bom Jardim, pelas quais foram distribuídas uma série de atividades, desde vivências comunitárias, palestras e apresentações de experiências.

Hoje pela manhã, Varine visita o Museu Jenipapo-Kanindé, na comunidade lagoa Encantada (Aquiraz). Ontem foi a vez do Ecomuseu de Maranguape receber Varine, que contribuiu para a elaboração da "Carta de Maranguape: patrimônio cultural a serviço do desenvolvimento local sustentável", a ser lançada em breve. O museu surgiu a partir da Agenda 21 do distrito de Cachoeira, "provavelmente o único distrito no Ceará a realizar sua própria Agenda 21, em 2004", recorda Nádia Almeida, presidente da Fundação Terra, uma das entidades que compartilha a gestão do museu, ao lado do Centro Comunitário e do Comitê Agrícola de Cachoeira.

"Uma das diretrizes dessa Agenda foi transformar em museu o Casarão Solar da Cachoeira, construído por uma família descendente de portugueses no período colonial de Maranguape", explica Nádia.

Entre as atividades mantidas pelo Ecomuseu está a formação de agentes patrimoniais, a partir da capacitação de jovens da comunidade. A primeira turma se forma em 2013. "Foram esses jovens que contribuíram para a formação do acervo. Ainda em 2006, eles contataram pessoas mais idosas da comunidade, famílias que tinham guardados objetos, fotos e documentos do período colonial, elementos que revelam parte de nossa história, da formação da comunidade", diz.

LIVRO
As raízes do futuro: patrimônio a serviço do desenvolvimento local

Hugues de Varine
Medianiz
2012, 256 páginas
R$ 40

Mais informações

Palestra e lançamento do livro "As raízes do futuro". Hoje, às 18h, no Museu do Ceará (R. São Paulo, 51, Centro). Contato: (85) 3101.2611

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste