terça-feira, 20 de março de 2012

Agostinho Balmes Odisio

Agostinho Balmes Odísio foi oratoriano e aluno da Escola Profissional Domingos Sávio, em Turim, na Itália, e conheceu Dom Bosco. O Santo dos Jovens marcou profundamente a vida do escultor, discípulo de Rodin que deixou a terra natal para espalhar sua arte pelo Brasil. 
 
01Agostinho Balmes Odísio Foto: Divulgação
Animado pelos 70 anos de fundação da igreja matriz da Paróquia do Senhor Bom Jesus do Monte, em Piracicaba, SP, iniciei em 2007 uma pesquisa detalhada sobre sua história. Descobri que o Cristo Redentor da torre da igreja foi esculpido por Agostinho Balmes Odísio, que residia em Limeira, SP. A imagem, de 5m de altura, de cimento armado, começou a ser montada por ele em 19 de abril de 1932 e foi inaugurada entre os dias 5 a 15 de novembro do mesmo ano. Até então, pensava que o autor da obra era um escultor qualquer, de uma cidade vizinha.
02 Foto: Divulgação
As coisas começaram a ficar surpreendentes depois que conheci a neta de Agostinho, Vera Odísio Siqueira, que esteve em Piracicaba em 2007 em busca de informações sobre a obra de seu avô para um livro que estava escrevendo. Recebi em agosto de 2011 um exemplar do livro De Dom Bosco a Padre Cícero, lançado no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, CE, em 19 de julho de 2011.
Confesso que fiquei impressionado com a saga desse ex-aluno de Dom Bosco e com as junções históricas e as coincidências com a Família Salesiana, na Itália e no Brasil. Prova de que Dom Bosco e Maria Auxiliadora agem nas pessoas com a sabedoria que transcende os dias, os anos, os séculos.
Ex-aluno de Dom Bosco - Agostinho nasceu em 1º de maio de 1881, em Turim, Itália. Estudou na Escola Profissional Domingos Sávio, fundada por Dom Bosco; serviu na Companhia dos Bersaglieris e integrou a banda do primeiro Oratório Festivo de Dom Bosco, em Valdocco. Sim, ele conheceu São João Bosco em vida e, aos 7 anos, ele e sua mãe Maria foram ao enterro de Dom Bosco, que faleceu aos 72 anos, em 31 de janeiro de 1888.
03 Vera Odísio Siqueira - Neta de Agostinho Balmes Odísio Foto: Divulgação
Ao deixar a Itália, em 1913, seu destino era Buenos Aires, na Argentina, onde residia seu único irmão. Porém, o navio aportou em Santos, SP, onde Agostinho conheceu Natale Frateschi, imigrante italiano da cidade de Lucca, dono de uma loja de Armador e Marmoraria em Franca. Frateschi logo ofereceu ao já então conhecido artista italiano oportunidade de trabalho. Na cidade de Franca, Agostinho conheceu Dosolina, uma das filhas de Natale, com quem se casou. Da união nasceram sete filhos, dois homens e cinco mulheres.
Franca foi a primeira cidade paulista a ganhar obras de Agostinho. Depois vieram São Paulo, Campinas, Caçapava, Guaratinguetá, Jundiaí, Limeira, Piracicaba, Pindamonhangaba e São José dos Campos, entre outras. No Rio de Janeiro e em Minas Gerais, passou por Camanducaia, Itajubá, Juiz de Fora, Ouro Fino, Pouso Alegre, Santa Rita do Sapucaí, Santos Dumont, Três Corações, Uberaba e muitas outras. Em 1934, mudou-se para o Ceará. Deixou sua obra registrada em mais de 30 cidades, entre elas Juazeiro do Norte (terra de Padre Cícero) e a capital Fortaleza. Pelo Nordeste, circulou ainda nos estados da Paraíba e do Piauí.
Dom Bosco e Padre Cícero - No Brasil, Agostinho tornou-se um dos fieis defensores e seguidores de padre Cícero, conselheiro e guia espiritual do povo do sertão, que destinou seus bens aos Salesianos para que dessem continuidade ao seu trabalho. Dom Bosco e padre Cícero foram duas grandes influências na vida de Agostinho. Na página 19 do livro encontramos a evidência: "Sua formação foi guiada pelos Salesianos e ele sempre manteve uma ligação forte com Dom Bosco, procurando, em toda a cidade que morava ou trabalhava, a família salesiana. Em Fortaleza, sua oficina tinha o nome de Dom Bosco com uma imagem na fachada".
A genialidade de Agostinho ficou mesmo registrada na escultura e na arte sacra. Mas ele atuou também em outras áreas. Como arquiteto e engenheiro, projetou, construiu e reformou igrejas e logradouros públicos. Escreveu ainda peças teatrais e óperas.
Antes de vir para o Brasil, já era um artista reconhecido na Itália. Em 1912, esculpiu o busto de Vittorio Emanuelle II, no Palazzio Venezia (Roma), obra com a qual conquistou o primeiro lugar de um concurso e uma bolsa de estudos na França. Estudou na Escola de Belas Artes e Arquitetura de Paris, onde foi discípulo de Auguste Rodin, um dos maiores escultores da nossa história. Em sua terra natal, deixou belas obras, como o nicho em homenagem a Dom Bosco na Escola Profissional Domingos Sávio e trabalhos na Igreja de São Genésio, magnífico templo da região do Piemonte.
Não tinha o hábito de assinar suas obras, o que, segundo sua neta, dificultou um pouco o mapeamento de sua produção. Agostinho faleceu em 29 de agosto de 1948, deixando importante patrimônio histórico e cultural para o Brasil.
Marcos Antonio Vanceto
Fonte: Boletim Salesiano

terça-feira, 13 de março de 2012

Acaraú, o Rio das Garças

Foto: Divulgação
 
“Acaraú, o Rio das Garças”. Este é o título do documentário, que será lançado na próxima quarta-feira (14), às 19h30, na Universidade de Fortaleza (Unifor). O filme de 50 minutos conta a história do Rio Acaraú, que corta a Zona Norte cearense. “Percorremos cerca de 320 quilômetros para mostrar o Acaraú como um rio de pertencimento da população ribeirinha de muitas cidades cearenses”, afirma o pesquisador e documentarista, Roberto Bomfim, que dirigiu o filme.
 
O produção do documentário chegou a gravar mais de 50 horas de imagens e depoimentos para selecionar os 50 minutos. Bomfim conta que utilizou a história oral e documental para montar o documentário. “São historiadores, habitantes da ribeira, produtores culturais e escritores que contam a história do Acaraú, trazendo o sentimento de pertença a tradições culturais e folclóricas vitalmente importantes na formação e povoamento da Zona Norte do Ceará”, diz Roberto Bomfim.
 
Feito pela Setoceano Filmes, o documentário mostra as várias facetas do Acaraú. “Discutimos no documentário a preservação do rio, de sua mata ciliar e a degradação que ele está sofrendo em alguns municípios”, relata Bomfim.
 
Outra faceta retratada no filme é que o Acaraú tem garças em sua voz e apresenta desenvolvimento com a criação de camarão e peixe. “É um rio que move também a economia da Zona Norte”, cita Bomfim.
 
O Acaraú começa a ter uma importância maior para Zona Norte a partir do Século XVIII. O documentário exibe isso através de depoimentos de pesquisadores. “Nossos depoimentos mostram que estes objetos materiais e imateriais estão cristalizados elementos relevantes à memória do povo cearense”, destaca Bomfim.
 
Passando por Tamboril, Varjota, Cariré, Groaíras, Sobral, Santana do Acaraú, Morrinhos, Marco, Bela Cruz, Cruz e Acaraú. O filme traz depoimentos apaixonados e denunciadores de Lustosa da Costa, Juarez Leitão, Batista de Lima, Francisco Pinheiro e Audifax Rios.
 
O documentário mostra um pouco da história de cada uma das cidades onde foi filmado. “Tivemos esta preocupação de documentar também a história breve de cada um desses municípios onde filmamos. É uma contribuição para destacar a história dessas cidades que o Acaraú corta”, lembra Bomfim.
 
O aproveitamento do Acaraú para as populações ribeirinhas é um ponto que o documentário explora. “Todos dependem do Acaraú, quer do uso de suas águas, quer da produção de peixes ou de camarão ou para manifestar sua cultura através de tradições folclóricas que ainda hoje são preservadas por gerações”, revela Roberto Bomfim.
 
O documentário resgata manifestações como reisados, grupos quilombolas e mestres da cultura. “Resgatamos esta memória imaterial do Acaraú”, festeja Roberto Bomfim.
 
O filme, após o lançamento de Fortaleza será levado até o final do ano para exibição nas cidades onde foi filmado. “Pretendemos exibir o documentário por toda ribeira do Acaraú mediante a convênio e patrocínios. Vamos também distribuir cópias do documentário para bibliotecas, escolas, universidades, entidades culturais, prefeituras e organizações não governamentais”, informa Roberto Bomfim.
 
Depois a idéia é de exibição do documentário mediante convênio com tevês abertas e fechadas. Temos ainda o projeto de tradução para inglês, espanhol e francês para exibição em ONGs da França, Espanha e Portugal.
 
O documentário foi patrocinado pela Fundação Presidente Kennedy por convênio junto à Casa Civil do Estado do Ceará. Ele derivou do projeto “Rio Acaraú, o Gigante do Norte”.
 
 “Este projeto, que teve a chancela da Fundação Educacional Presidente Kennend, de Guaraciaba do Norte; quis dar uma lição da inteligência dos bravos sertanistas, índios e estrangeiros, que conquistaram e valorizaram o Norte do Ceará com suas tradições, costumes e culturas”, finaliza Roberto Bomfim.

segunda-feira, 5 de março de 2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Literatura Cearense - Antenas da raça

Abelardo Montenegro, Moreira Campos e Sânzio de Azevedo serão reeditados pela Secretaria de Cultura

image Sânzio de Azevedo: inéditos em edições lançadas pela Secult FOTO: MARÍLIA CAMELO

Os autores e suas estantes. Estão sempre lá nas fotos de divulgação, perpetuando um clichê impregnado de simbolismos. A princípio, aquelas mesmas prateleiras foram nutridas pelos livros de referência, a biblioteca particular, mas, para os escritores de longa data e dedicação, o acervo que emoldura a fotografia logo passou a ser composto por seus próprios títulos, assim no plural, coroando o triunfo do ofício nato.

Cearenses como Sânzio de Azevedo, que protagoniza a tradicional foto na estante, serão alvos de homenagem e registro neste ano, através de iniciativas da coordenação editorial da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Assim, livros inéditos e relançamentos deverão complementar o setor "Literatura Cearense" de muitas estantes das bibliotecas públicas e das universidades em todo o Estado. Para 2012, uma seleção de gigantes intelectuais, "antenas da raça", como chamava os poetas o escritor norte-americano Ezra Pound.

Homenagem

O primeiro dos livros comemora o centenário de um dos autores que mais publicou e investigou a cultura do Ceará: Abelardo Montenegro. Jornalista, sociólogo e economista, Abelardo dedicou a vida a registrar em livros, entre outros, os típicos personagens sertanejos: o beato, o penitente, o vaqueiro e, em seu derradeiro livro publicado em vida, os profetas da chuva. Pesquisador voraz, Abelardo faleceu em abril de 2010, mas deixou pronto material suficiente para, pelo menos, uma dezena de inéditos.

Entre os 41 títulos de sua bibliografia, produziu um importante ensaio acerca da literatura cearense, conceituando as particularidades do romance desenvolvido em terras alencarinas e destacando principais autores. O clássico "O Romance Cearense" foi a obra escolhida para receber nova edição da Secult.

Segundo o coordenador editorial da pasta, o escritor Raymundo Netto, a proposta de relançar a obra surgiu ainda em 2010, por iniciativa de Gildácio Sá, prefaciador de boa parte dos livros do amigo. "Gildácio é uma das pessoas que mais tem promovido a obra de Abelardo depois do seu falecimento. Conversamos e juntos resolvemos relançar ´O Romance Cearense´ na Coleção Nossa Cultura, na série Memórias", explica Raymundo Netto.

Lançada em meados dos anos 50, a obra foi bastante elogiada pela crítica, sobretudo por conta da pesquisa minuciosa, que disseca os estilos de romance desenvolvidos no Estado (indianista, de seca, psicológico, de costumes, sertanista, proletário...), e pelo registro dos principais romancistas cearenses, partindo do século XIX até o ano da publicação do ensaio, passando por José de Alencar, Franklin Távora, Manuel de Oliveira Paiva, Adolfo Caminha, Rodolfo Teófilo, Antônio Sales, dentre outros.

De acordo com Raymundo Netto, a intenção da Secult é, inclusive, posteriormente, convidar pesquisadores para lançar uma continuidade à pesquisa de Abelardo, a partir dos anos 50. "Seria muito interessante poder montar um material com estudiosos que façam o registro dos outros romancistas cearenses surgidos depois", complementa.

Fortaleza

Outro nome que recebe homenagens neste ano é Otacílio de Azevedo, o pintor e poeta cearense. Natural de Redenção, o escritor, ainda que reconhecido sobretudo no campo das artes plásticas, marcou a literatura de e sobre Fortaleza ao produzir um registro memorialista ainda hoje considerado referência para quem estuda a história da cidade.

"Fortaleza Descalça", lançado em duas edições, mas ambas de baixa tiragem, recebe da Secult uma revisão, com atualização e mais imagens de uma Fortaleza pertencente ao fim do século XX. Esta, aliás, é uma das surpresas da edição: a faceta de retratista do escritor foi explorada no livro, que deve trazer algumas de suas obras.

A previsão do relançamento está marcada para abril: uma homenagem ao aniversário de Fortaleza, que no dia 13 do mês citado comemora 286 anos. "Esta é a primeira vez que está sendo feita uma tiragem maior desse livro, que hoje só deve ser encontrado em raros sebos. Nele, Otacílio de Azevedo comenta sobre pontos principais de uma Fortaleza que ele conheceu e contemporâneos, como Leonardo Mota e Quintino Cunha", descreve Raymundo.

Pesquisa

Os relançamentos, no entanto, só tiveram sucesso por meio de importantes parcerias. E um nome se destaca entre elas: Rafael Sânzio de Azevedo. O pesquisador, poeta e ficcionista foi um dedicado parceiro de Raymundo Netto nas leituras, pesquisas e revisões das obras raras selecionadas. Uma outra em que sua participação foi essencial é não menos cobiçada: "Moreira Campos: obra completa". O compêndio que pretende reunir todo o trabalho de um dos maiores contistas cearenses não poupa esforços.

"Serão três volumes, também parte da Coleção Nossa Cultura, que deverá conter, inclusive, ´A Gota Delirante´, o último livro de Moreira Campos que ele não conseguiu publicar. Ele tentou, levou a São Paulo, mas nunca conseguiu. O livro ficou parado, mas falamos com o Sânzio e com Neuma Cavalcante, que é curadora da obra do Moreira, e conseguimos fazer. A previsão é que saia ainda este ano", revela Raymundo Netto. E, com justiça, também outros dois livros inéditos devem compor a lista de lançamentos de autores cearenses: "Rodolfo Teófilo e a saga de Jesuíno Brilhante", de Sânzio de Azevedo, contemplado com o edital Prêmio Literário Para Autor Cearense, lançado em 2010; e "Os Acangapebas", o primeiro livro de contos de Raymundo Netto, que sai pelo II Edital de Artes da Secultfor, na categoria Criação Literária.

Também em parceria com Raymundo, o ensaio de Sânzio de Azevedo é uma imersão na obra "Os Brilhantes", de Rodolpho Teófilo, centrado na configuração do cangaceiro Jesuíno Brilhante. No romance naturalista, Rodolpho atua como um narrador onisciente, dissecando o comportamento e o caráter dos indivíduos.

No inédito de Sânzio, o cangaceiro gentil é mais uma vez observado. Uma das bandeiras mais fortes do autor é desmitificar a ideia de que o romance se passa no Ceará ou de que Jesuíno teria estado em nossas terras. Sânzio explora questões do cangaço e esmiúça o personagem Brilhante com a intimidade de um quase "parentesco", como define Raymundo. O lançamento está previsto para março.

Já "Os Acangapebas", do próprio Raymundo Netto, é a gestação de um livro que já existia e repercutia muito antes de saltar para o papel. "Há mais de cinco anos que mexo nesse livro e comento sobre ele, então as pessoas me perguntavam quando ia sair. Não me considero essencialmente contista, então estava procurando uma linha que achasse realmente interessante de ser lançada", explica o autor.
Pelo jeito, a vertente procurada foi encontrada e está descrita já no título. Acangapebas, em Tupi-Guarani, significa "os cabeças chatas", uma referência ao afamado apelido dos cearenses. "O livro é composto por histórias de personagens que poderiam ser cearenses, ele fala da nossa tribo", detalha Raymundo.
As obras lançadas pela Secult, incluindo o inédito de Sânzio, deverão ser encontradas em todas as bibliotecas públicas do Estado. Através da parceria acertada com as Edições UFC, acredita-se que uma parte da tiragem das obras completas de Moreira Campos poderá ser adquirida.

SAIBA MAIS

"O Romance cearense", ensaio escrito por Abelardo Montenegro, será relançado ainda neste primeiro semestre. Nele, o autor trata dos tipos de romances produzidos no Estado e dos romancistas cearenses.

"fortaleza Descalça", de Otacílio de Azevedo, está previsto para abril e deve comemorar o aniversário de Fortaleza e os 120 anos do autor, registrou na rara obra a cidade em fins do Século XX.

"Moreira Campos: obras completas", composta por três volumes, tem lançamento previsto ainda para o primeiro semestre do ano. O conjunto de trabalhos do contista cearense deverá incluir o livro inédito "A Gota Delirante".
"Rodolpho teófilo e a saga de Jesuíno Brilhante", de Sânzio de Azevedo, analisa o romance "Os Brilhantes", de Teófilo. A obra tem lançamento previsto para fevereiro ou março.

"Os Acangapebas" é o primeiro livro de contos de Raymundo Netto, vencedor do II Edital de Artes da Secultfor. Previsão de lançamento também entre março e abril.

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Acaraú beneficiado com política para o semiárido nordestino

imageFoto: Divulgação

O Ceará dispõe de novo pleito para negociar com o governo federal: a inclusão de mais 31 municípios na faixa beneficiada com uma série de atrativos oferecidos pela política para o semiárido nordestino. A alteração, se aprovada, poderá ser feita por decreto da presidente da República.

O Estado encontra-se com 85% de seu território encravado na faixa de aridez regional, nela englobando 150 municípios, distribuídos por 148 mil km². Essa classificação foi promovida pelo Ministério da Integração Nacional, em 2005, com base na legislação vigente. Antes das mudanças, 93% das áreas geográficas cearenses se enquadravam como típicas da semiaridez.

Como surgiram novos fundamentos técnicos para enquadrar as regiões afetadas por questões climáticas, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e o Banco do Nordeste promoveram os estudos objetivando propor ao governo federal um novo enquadramento. A delimitação pretendida objetiva corrigir distorções e injustiças.

As regiões semiáridas do Nordeste brasileiro são contempladas com programas de investimentos governamentais, de crédito agrícola com taxas subsidiadas, da concessão de bônus por adimplência e por renegociações da dívida agrícola. Os incentivos fiscais concedidos às indústrias instaladas no semiárido são mais elevados, estimulando a sua opção por essas áreas críticas e mais investimentos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste.

Há, pelo menos, três parâmetros essenciais, fixados pelo Ministério da Integração Nacional para a caracterização de uma cidade inserida no semiárido: a precipitação pluviométrica anual inferior a 800 milímetros; o município ter uma probabilidade de seca maior do que 60%; e a evapotranspiração na cidade ser pelo menos duas vezes maior do que o índice pluviométrico.

O novo estudo da Funceme e do BNB adiciona outros critérios classificatórios, como vegetação, solo, relevo e hidrologia de cada localidade. Esses acréscimos poderão excluir três municípios atualmente figurando na ampla faixa de aridez. São eles: Mulungu, Pacoti e Guaramiranga, situados no Maciço de Baturité.

Eles não se enquadrariam nos requisitos geográficos da classificação, em face de suas condições privilegiadas na região serrana. Ainda assim, a Secretaria de Desenvolvimento Agrário admite a hipótese da adoção de outras soluções para compensar possíveis perdas.
Ampliada a faixa da semiaridez no Estado, os municípios beneficiados sairiam de 150 para 181, neles incluídos Fortaleza; comunidades praieiras como Acaraú, Aquiraz, Barroquinha, Beberibe, Camocim, Cascavel, Eusébio e Fortim; áreas de transição como Maracanaú, Bela Cruz, Granja, Guaiúba, Chaval, Marco; regiões sertanejas como Tururu, Moraújo, São Luiz do Curu; e Viçosa, na Ibiapaba.
A divisão geográfica do Ceará tem exemplos peculiares como Trairi, em torno do qual se localizam praias belíssimas, embora o município seja marcado por uma extensa faixa de aridez. O mesmo fenômeno do tempo se repete em Jijoca de Jericoacoara, município-berço de Jericoacoara, arrolada, internacionalmente, entre as cinco praias consideradas como as mais bonitas.

Ser marcado pela aridez não é vantagem. O essencial, nesse caso, é o esforço governamental para fazer de um problema crucial fator de mudança ambiental. O desenvolvimento sustentável é compatível com regiões marcadas pelas condições desfavoráveis da natureza. Isso é o que se busca com esse enquadramento.

Fonte: Diário do Nordeste