sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Sítio de Rachel de Queiroz é transformado em reserva particular do patrimônio natural

O município de Quixadá, no Ceará, ficou famoso por ser o local escolhido pela escritora Rachel de Queiroz para a produção de seus livros. Parte do sítio onde ela passava os dias foi transformado em reserva particular do patrimônio natural.




Fonte: Globo Rural

Artesãos homenageiam a escritora Rachel de Queiroz em exposição

Obras estão expostas no Salão Municipal de Fortaleza até 4 de novembro.
Artesãos se inspiraram na vida e nas obras da escritora cerense.

Artesãos elaboraram peças inspiradas na vida e nas obras da escritora Rachel de Queiroz
(Foto: TV Verdes Mares/ Reprodução)

A vida e as obras da escritora cearense Rachel de Queiroz inspiraram telas, rendas e bordados produzidos pelos 71 artesãos selecionados para participar da sexta edição do "Salão Municipal de Fortaleza", que teve 89 inscritos na edição deste ano.

O resultado dos trabalhos expostos surpreendeu os organizadores do evento. “É impressionante a força de vontade deles, porque muitos não tem nem sequer instrução, nem estudaram Rachel Queiroz, mas eles leram, foram atrás e pesquisaram na internet pedindo ajuda dos filhos, o que enriqueceu o evento”, diz a gerente da célula de artesanato do Salão municipal de Fortaleza, Vânia Pinheiro.

A artesã Maria das Graças participa pela primeira vez da exposição e fez um bordado em homenagem às "Três Marias", obra da escritora que ela mais gostou de conhecer. Ela também bordou a cortina que conquistou o primeiro lugar em apenas três semanas. “Consegui ler 'O Quinze', mas me apaixonei mesmo foi pela obra 'As Três Marias', e daí surgiu a ideia de fazer a peça inspirada nesse tema.

A artesã Angelice Santos Custódio se inspirou na força dos retirantes que enfrentaram a seca do ano de 1915, uma referencia à história mais conhecida de Rachel de Queiroz. Em uma das telas expostas, está a imagem da Fazenda Não Me Deixes, onde a escritora costumava passar as férias, em Quixadá. Outra tela traz a consagração, quando pela primeira vez uma mulher conquistou a vaga na Academia Brasileira de Letras.

Serviço
Espaço Cultural Viajando nos livros
Shopping Benfica (Av. Carapinima 2200)
10h às 22h
até 4 de novembro
Ingressos: grátis.

Fonte: G1 TV Verdes Mares

Fotografia-Olhar coletivo

A exposição "A carne nossa de todos os dias", dos fotógrafos Carlos Gibaja e Sérgio Carvalho, traz um registro de espaços onde acontece o abate de animais. Os dois circularam por cidades do Nordeste à procura desses locais

A exposição é a primeira etapa do projeto de pesquisa realizado pelos fotógrafos Sérgio Carvalho e Carlos Gibaja
Imersos numa pesquisa densa e, pelo menos até agora, sem data certa para terminar, os fotógrafos Carlos Gibaja e Sérgio Carvalho trabalham juntos há cerca de um ano percorrendo feiras populares e matadouros, localizados em algumas cidades dos estados do Ceará e Piauí.

Os dois buscam captar imagens de ambientes precários onde acontece o abate de animais, em seu sentido mais cru. Segundo os fotógrafos, as condições dos locais são as piores possíveis e, muitas vezes, munidos de higiene necessária para tal. "A carne é cortada no chão em meio a sangue e fezes. O cheiro é forte, repugnante. Provoca náuseas, embrulha o estômago", explicam eles.

Primeira etapa
A exposição "A carne nossa de todos os dias" tem abertura prevista para amanhã, às 10 horas, no Sobrado Dr. José Lourenço, no Centro. Ela consiste na primeira etapa do projeto idealizado pelos fotógrafos.

Sérgio Carvalho conta que uma das questões exploradas, ao longo da pesquisa, e que norteou a própria temática da exposição era mostrar quem são as pessoas por trás desse trabalho.

"Essa é uma profissão anônima, em exercício há tempos na sociedade, mas por algum motivo fingimos não ver. A nossa pesquisa ainda está em andamento, pretendemos estender a visita a outras cidades do País. Criamos um blog (acarnenossadetodososdias.com/) e uma página no Facebook (http://www.facebook.com/event.php?eid=148849308543776) para a exposição, a fim de ter um diálogo com o espectador, afinal, a fotografia só se realiza quando é vista".

Em seguida completa: "esse é um trabalho em conjunto, independente de quem esteja na câmera, as fotos são de nós dois. É um olhar coletivo. Tanto que não assinamos as imagens que estarão expostas, pois não há um só autor".

Para Carlos Gibaja, a experiência lhe proporcionou uma série de reflexões que circundam em torno da relação do homem com a carne. "A maioria de nós comemos carne, mas não temos o hábito de matar o animal, relegamos essa responsabilidade a outra pessoa. Mas, a gente esqueceu esse processo, afastamos de nossa realidade e daí, quando vemos imagens sobre esses ambientes, nos surpreendemos", diz.

Apesar da dramaticidade da exposição "A carne nossa de todos os dias", ela apresenta um olhar plástico e de uma estética refinada. São 24 fotos de onde sobressaem os mais diversos personagens: carrascos, vítimas e beneficiadores, às vezes famílias completas. E, como numa encenação, os personagens se confundem no mais básico dos instintos: a sobrevivência.

O projeto foi contemplado no Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia do Edital de Incentivo as Artes 2010, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), e no III Edital de Concurso Público Prêmio de Fotografia de Fortaleza 2010, da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor).

A exposição faz parte da programação do II Encontro Internacional da Imagem Contemporânea promovido pela Universidade Federal do Ceará (UFC).

FIQUE POR DENTRO
Perfil de dois
Carlos Gibaja é peruano e atua como fotógrafo desde 1995 desenvolvendo ensaios fotográficos no Brasil e no Peru. Professor universitário de diversas instituições educativas nestes dois países, especializado no ensino de fotografia. Viaja ao Brasil no ano de 2000 para estudar e trabalhar com fotografia e audiovisual, cria o primeiro encontro de fotografia universitária em Fortaleza, do qual é curador permanente. Sérgio Carvalho nasceu em Teresina(PI), em 1969. Começou a fotografar em meados da década de 90. Desde o inicio desenvolve a fotografia como expressão artística documental. Realizou diversas exposições, com participação em salões de arte e festivais de fotografia. É membro-fundador do Instituto da Fotografia do Ceará. Ganhou o Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia em 2005, com o documentário coletivo "Gente do Delta" e em 2009, com o ensaio "Barbearia do Tempo". Recentemente , o fotógrafo publicou o livro "Barbearia do Tempo".

MAIS INFORMAÇÕES:
Abertura da Exposição "A carne nossa de todos os dias", dos fotógrafos Carlos Gibaja e Sérgio Carvalho. Amanhã, às 10 horas, no Sobrado Dr. José Lourenço (Rua Major Facundo, 154, Centro). Entrada gratuita. Visitas de terça-feira a sábado, das 9 horas às 19 horas, e, domingo, das 10 horas às 14 horas. Contato: (85) 3101.8826 ou 3101.8827.

Arco do Triunfo está depredado em Sobral

Pichações, fios elétricos soltos, reboco caindo são alguns dos problemas apresentados pelo cartão postal

Parte do Reboco do monumento está caindo. O principal cartão postal da cidade de Sobral precisa de recuperação. Prefeitura promete reformar o local imediatamente
LAURIBERTO BRAGA

Sobral. O Arco de Nossa Senhora de Fátima, principal cartão postal da cidade, está depredação. Foi construído há 58 anos por dom José Tupinambá da Frota, na administração do prefeito Antônio Frota Cavalcante (1951-1954), para marcar a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Sobral, em 1º de novembro de 1953. O monumento foi projetado pelo arquiteto Falb Rangel e executado pelo engenheiro Francisco Frutuoso do Vale.

O Arco já passou por duas grandes intervenções na segunda gestão do prefeito Cid Gomes (2001-2004), hoje governador do Estado. Em 31 de maio de 2001, Cid Gomes, com ajuda do então bispo diocesano, dom Aldo di Cillo Pagotto, e do secretário de Desenvolvimento Urbano, o hoje ministro dos Portos, Leônidas Cristino, inaugurou uma moderna iluminação para o Arco e melhorou sua infraestrutura. Já em 21 de dezembro de 2004, na sua despedida da Prefeitura de Sobral, Cid Gomes inaugurou o Boulevard do Arco com um passeio largo, na Avenida Doutor Guarany, em volta do monumento.

A beleza do Arco está sendo desgastada com pichações (inscrições de nomes de casais de namorados e das palavras do Estado São Paulo); fios elétricos soltos; ligação elétrica improvisada; reboco caindo na parte de cima e nas quinas das colunas; luminárias penduradas por fios, sem as amarrações adequadas; e paredes e calçadão muito sujos. Além disso, a pintura do arco está desfigurada e as placas de homenagem (três) estão sem lustre.

Pichações também estão prejudicando o monumento, construído há 58 anos por dom José Tupinambá da Frota

Banheiro
A dispensa do Arco, na parte debaixo de uma das colunas, está com a fechadura do portão quebrada. O que seria um espaço para guardar material de limpeza está entulhado de coisas velhas e servindo de banheiro para algumas pessoas. O local acaba favorecendo a proliferação de ratos e baratas. Até as flores ao redor da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na parte superior do Arco do Triunfo, estão secas.

Outro problema é a manutenção do Boulevard. A irrigação do jardim é feita religiosamente à tardinha, mas o sistema hídrico está vazando para os esgotos da Avenida Doutor Guarany, que acabam enchendo, provocando o transbordamento de água nas proximidades do padaria Companhia do Pão.

Terço
Os sobralenses têm muito orgulho do Arco e cobram a manutenção permanente dele. "Têm muitos anos que não dão manutenção no Arco. Faz uns quatro a cinco anos que não estão mexendo nele", reclama o aposentado Raimundo Cavalcante, de 69 anos. Segundo ele, "o Arco agora só serve para negócio de show". Raimundo recorda que "Dom José, quando fez o Arco, foi para todo mundo vir rezar o terço toda noite. Isso nos anos 1950 e 1960. Hoje, ninguém respeita mais isso. É um ambiente completamente poluído", lamenta. Morador de Cariré, na Zona Norte, e visitando Sobral, o operário Francisco Hudson, de 37 anos, não gostou do que viu no Arco. "Acho que deveria recuperar para não cair na cabeça de ninguém. E uma reforma assim não custaria muita coisa", sugere. O prefeito de Sobral, Clodoveu Arruda, disse que vai mandar recuperar imediatamente toda estrutura danificada do Arco. "É nosso principal cartão postal e vamos fazer tudo que for preciso para torná-lo mais bonito", prometeu.

Clodoveu Arruda destaca que o Arco já tem uma fiação subterrânea, como determina o Patrimônio Histórico da União. Ele anuncia que, no próximo dia 23, às 19 horas, no anfiteatro da Margem Esquerda do Rio Acaraú, vai assinar convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com o Governo do Estado do Ceará para fazer subterrânea toda fiação elétrica do Centro Histórico sobralense.

Pioneira
"Vai ser a primeira cidade do Interior do Brasil a ganhar esta fiação. Vamos assinar a ordem de serviço no valor de R$ 12,5 milhões e meio para tornar o Centro mais bonito, seguro e adaptado para pessoas com deficiências. Com isso, toda fiação aérea da parte central será subterrânea", promete, não informando o tempo para conclusão da obra.

Demora
"É uma obra mais demorada, mas que já vai começar dia 23 próximo e tornar Sobral mais bonita ainda. Hoje, pelo que sei, nenhuma cidade do Interior do Brasil tem esta fiação subterrânea. São Luís, do Maranhão, e Olinda, em Pernambuco, são as únicas cidades metropolitanas que têm este ganho cultural no Nordeste", finaliza o prefeito.

Veveu Arruda informou que a solenidade será encerrada com um show do cantor e compositor Zeca Baleiro e contará com a presença do governador Cid Gomes.

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura Municipal de Sobral, Rua Viriato de Medeiros, 1250
Centro - Sobral
Telefone: (88) 3677.1100


Lauriberto Braga 
Repórter

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Discurso de Steve Jobs para os formandos de Stanford


Em seu discurso histórico para os formandos da Universidade de Stanford, na Califórnia, em junho de 2005, Steve Jobs garantiu que "lembrar que você irá morrer é a melhor maneira que conheço para evitar o pensamento de que se tem algo a perder".




Leia o discurso

"Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Que a verdade seja dita, eu nunca me formei na universidade. Isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos. Eu abandonei a Universidade Reed depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: 'Apareceu um garoto. Vocês o querem?' Eles disseram: 'É claro'.

Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. Este foi o começo da minha vida. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha ideia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz.

No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam muito mais interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: a Universidade Reed oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa.

Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante. Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois. De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Porque acreditar que os pontos vão se ligar em um momento vai te dar a confiança para seguir seu coração, mesmo que te leve para um caminho diferente do previsto, e isso fará toda a diferença.

Minha segunda história é sobre amor e perda. Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares com mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação – o Macintosh – e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém, que achava que era muito talentoso, para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir…

Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. Então aos 30 anos, eu estava fora. E muito escandalosamente fora. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Packard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. As coisas que aconteceram na Apple não mudaram isso em nada. Eu havia sido rejeitado, mas continuava amando.

Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.

Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte. Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: 'Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia você certamente vai acertar'. Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: 'Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?' E se a resposta é 'não' por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa. Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo – expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar – caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Lembrar que você irá morrer, é a melhor maneira que conheço para evitar o pensamento de que se tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração.

Há cerca de um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 meses. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas – que é o código dos médicos para 'preparar para morrer'. Significa dizer aos seus filhos tudo o que você pensou que teria os próximos 10 anos para dizer, em apenas poucos meses. Significa ter certeza de que tudo está no lugar, para que seja o mais fácil possível para a sua família. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade. O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e ótimas noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: “Continue com fome, continue bobo”. Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos. Muito obrigado a todos".

Fonte: Jornal do Brasil