sábado, 9 de julho de 2011

Revista Corsário-Navegar é preciso

O poeta Augusto de Campos, expoente da vanguarda concreta no Brasil, comparece na revista Corsário, em entrevista inédita e na tradução estática de um vídeo-poema
EDUARDO SIMÕES/PERSPECTIVA
Selo independente Corsário lança revista literária e projeto Rota das Especiarias, para a comercialização de obras de escritores cearenses

Há muito as editoras converteram-se em empresas, adotando um modelo econômico em que a qualidade literária e a ousadia de revelar novos autores não é valorizada. O catalão Enrique Vila-Matas escreveu, na forma de um romance-ensaio, um longo lamento pela extinção deste tipo engajado e apaixonado de editor.

Sem querer ressuscitar os motos, um selo editorial local tem reinventado esta postura. Com poucos anos de atividade, a Corsário partiu das águas da internet (onde surgiu, como site e revista virtual) para ganhar a forma de livros. Já foram lançados 10 - em projetos gráficos particulares e nada preguiçosos, que evocam o conteúdo das obras (em prosa e poesia).

À frente da Corsário está o casal de escritores Mardônio França e Katiusha de Moraes, dupla inquieta que se divide entre a criação literária, a reflexões sobre suas novas formas e os canais a serem abertos e o incentivo a autores cearenses ainda não consagrados.

As duas novas ações deste empreendimento, carregado de uma ideologia pró-literatura de invenção, são o lançamento de uma revista literária, em que cabem ficções, poemas, fotografias e ensaios, e a criação de um projeto de circulação e comercialização das obras de autores independentes.

Campo aberto

O primeiro número de Corsário (76 páginas, R$ 10), a revista, será lançado hoje, às 18 horas, no projeto Navegações Transversais, do Centro Cultural Banco do Nordeste. O tema que dá coesão ao material publicado é "Literatura e seus extensões". No lançamento, Katiusha de Moraes palestra sobre o diálogo entre a literatura contemporânea e os diversos suportes midiáticos. Fala, sem dúvida, próxima de seu artigo presente na revista - "Jingle bells, jingle bells... acabou o papel", em que autora reflete sobre o tão alardeado fim do livro convencional, como objeto de papel.

Com três números programados, a revista estreia com colaborações de Augusto de Campos, expoente da Poesia Concreta, que comparece em uma entrevista inédita; do editor baiano Edson Cruz, do referencial portal literário Cronópios (www.cronopios.com.br); do pesquisador de cinema Henrique Dídimo (escrevendo sobre vídeo-poesia); dos escritores Pedro Salgueiro, Léo Mackellene Poeta de Meia-Tigela, dentro outros. A revista foi contemplado na categoria Edigar Alencar (revista literária/cultural), do editral do Prêmio Literário para Autores Cearenses, da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult). Os textos de Corsário também podem ser lidos gratuitamente na internet, no site da editora (www.corsario.art.br).

Enquanto faz os acertos finais nas próximas duas edições da Corsário, Mardônio e Katiusha preparam o projeto Rota das Especiarias - Temperos Literários. Inspirado nas antigas feiras medievais, eles pretendem transformar escritores em mercadores de sua própria arte. O projeto prevê oficinas e a organização de três feiras, em Messejana, no Benfica e na Cidade 2000. Informações e inscrições pelo site www.rotadasespeciarias.art.br

MAIS INFORMAÇÕES:
Lançamento da revista literária Corsário. Às 18 horas, no
Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941 - Centro). Contato: (85) 3464.3108

Academia Sobralense de Letras-Homenagem a Sobral e Personalidades de destaque

Os homenageados com o Presidente e a Vice-Presidente da Academia.
Da esquerda para a direita: Mestra Anísia Rocha, Prof. Colaço Martins, Mons. Sadoc de Araújo,
Profª. Maria José Santos Ferreira Gomes, Prof. José Luís Lira, Profª. Tereza Ramos e o
Dr. José Clodoveu de Arruda Coelho Neto.
  
José Lira,Tereza Ramos e Totó Rios
Confira Matéria no Blog do Totó Rios: aqui

Academia Sobralense de Letras-Homenagem a Sobral e Personalidades de destaque

Vereador João Alberto Adeodato Júnior, Mons. Gonçalo Pinho, Prof. Antonio Colaço Martins, Mons. Sadoc de Araújo, Profª. Maria José Santos Ferreira Gomes, Prof. José Luís Lira, Profª. Tereza Ramos, Dr. Clodoveu Arruda, Profª. Izolda Cela e Prof. Raimundo Aragão.

Foi das mais significativas a sessão solene em homenagem ao Município de Sobral com entrega de títulos honoríficos. Com a presença de personalidades representativas da sociedade sobralense e da própria Academia, a solenidade foi presidida pelo Acadêmico José Luís Lira que logo na abertura de sessão explicou a importância do evento para Sobral, sua História e o reconhecimento das personalidades que seriam homenageadas na noite.

A mesa dirigente dos trabalhos, montada no palco principal do Theatro São João contou com a presença do Acadêmico José Luís Araújo Lira – Presidente; da Acadêmica Tereza Ramos – Vice-Presidente; do Dr. José Clodoveu de Arruda Coelho Neto – Prefeito Municipal de Sobral; da Dra. Izolda Cela – Secretária de Estado da Educação do Ceará; do Dr. João Alberto Adeodato Júnior – Presidente da Câmara Municipal de Sobral; do Dr. Antonio Colaço Martins – Reitor da Universidade Estadual Vale do Acaraú; da Profª. Maria José Santos Ferreira Gomes – homenageada; do Mons. Gonçalo de Pinho – Vigário Geral da Diocese de Sobral, representando o Sr. Bispo Diocesano; do Mons. Francisco Sadoc de Araújo e do Subsecretário de Cultura do Município, Dr. Raimundo Aragão. A Mestra Anísia Rocha foi considerada compondo a mesa, embora estando no auditório.

Abertos os trabalhos o Presidente passou a palavra ao Mons. Francisco Sadoc que, de improviso, fez uma bela homenagem ao Município de Sobral. Na sequência, o Presidente proclamou: “Chegou a hora de homenagear personalidades que, com suas atuações, contribuíram para o progresso da nossa Sobral. Os títulos honoríficos são aqueles concedidos pelos feitos, pela honra do homenageado e convidou a Acadêmica Tereza Ramos para fazer saudação aos novos sócio-honorários e à homenageada com o diploma de mérito cultural”.

A Acadêmica Tereza Ramos fez belíssima saudação aos homenageados, iniciando com texto de sua mãe, Dinorah Ramos, referindo-se ao aniversário de Sobral. Dirigindo-se aos homenageados, Tereza Ramos lembrou que ao redor do bolo de aniversário de Sobral estavam quatro professores: Luciano Arruda, Maria José Santos Ferreira Gomes, Antônio Colaço Martins e Mestra Anísia Rocha. Prosseguindo, foram entregues os diplomas de Sócio-Honorário ao Dr. Luciano de Arruda Coelho, representado pelo seu filho, Dr. José Clodoveu de Arruda Coelho, diploma entregue pelo Acadêmico Valdeci Vasconcelos; o Diploma da Professora Maria José Santos Ferreira Gomes foi entregue por sua ex-aluna Acadêmica Tereza Ramos. A Acadêmica Glória Giovana Saboya Mont’Alverne Girão, fez entrega do Diploma de Sócio-Honorário ao Professor Antonio Colaço Martins. O Diploma de Mérito Cultural à Mestra Anísia Rocha foi-lhe entregue onde ela estava pelo ex-Presidente, Acadêmico Evaristo Linhares Lima. Mestra Anísia, fez comovente agradecimento.

De moto-próprio da Presidência da Academia foram outorgados diplomas de reconhecimento ao Município de Sobral, recebido das mãos do Mons. Gonçalo de Pinho pelo Prefeito Municipal Clodoveu Arruda, e ao Mons. Francisco Sadoc de Araújo, que recebeu seu diploma das mãos do Presidente José Luís Lira. Usando, oficialmente, a palavra o Presidente demonstrou seu contentamento em promover a solene sessão comemorativa dos 238 anos de Sobral e de reconhecimento aos homenageados.

Finalmente, o Prefeito Municipal Clodoveu Arruda fez seus agradecimentos, demonstrando sua emoção de aquela sessão se realizar no tão tradicional Theatro São João que parecia unir passado e futuro no presente que se vivia naquele instante. Além dos Acadêmicos citados, compareceram Rebeca Viana, Gabriel de Assis, Arnaud Cavalcante, Hebert Rocha, Aloísio Ponte e João Edison de Andrade. Giovana Saboya representou o Presidente de Honra, Acadêmico José Teodoro Soares,Totó Rios de Acaraú.Após a sessão foi servido coquetel aos presentes.

Fonte: Academia Sobralense de Letras 


Mesa Diretora dos Trabalhos

Mons. Sadoc de Araújo, orador oficial

Tereza Ramos fazendo saudação aos homenageados

Clodoveu Arruda e Valdeci Vasconcelos

Tereza Ramos e Maria José Santos Ferreira Gomes

Antonio Colaço Martins e Giovana Saboya

Evaristo Linhares, Mestra Anísia e Aloísio Ponte

Mons. Gonçalo e Clodoveu Arruda

José Luís Lira e Mons. Sadoc de Araújo

Mestra Anísia agradecendo

José Luís Lira fazendo pronunciamento

Clodoveu Arruda fazendo pronunciamento

Acadêmicos e convidados.

Os homenageados com o Presidente e a Vice-Presidente da Academia.
Da esquerda para a direita: Mestra Anísia Rocha, Prof. Colaço Martins, Mons. Sadoc de Araújo,
Profª. Maria José Santos Ferreira Gomes, Prof. José Luís Lira, Profª. Tereza Ramos e o
Dr. José Clodoveu de Arruda Coelho Neto.

José Lira,Tereza Ramos e Totó Rios

Colaço Martins, Mons. Sadoc e José Lira

Dra. Imaculada Adeodato, Mestra Anísia e Aloísio Ponte

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A poesia entra em cena

O veterano ator cearense Ary Sherlock cruza canto, poesia e (claro) teatro, em espetáculo que fica em cartaz por todo o mês de junho, no palco do Teatro do Via Sul

Ary Sherlock é um dos maiores nomes da dramaturgia cearense
FOTO: MARÍLIA CAMELO

Oitenta anos de vida, 60 de cena. O sobralense Ary Sherlock é um dos mais experientes e respeitados atores do teatro cearense. E o tempo dedicado à arte da interpretação não parece ter cansado o artista, mais um exemplo daqueles que não separam vida e obra e para quem o palco é sagrado.

Prova desta vitalidade é o espetáculo "Coisas - Palavras e Canções", que Ary Sherlock encena, todas as sextas-feiras de julho, no Teatro do Via Sul Shopping. Nele, vida e obra não se distinguem. Vão além: confundem-se e entrelaçam-se. Ao contrário de seguir um texto dramático convencional, o ator articula poemas, músicas e histórias por ele vividas.

Por isso, a cena é um tanto solitária. O centro das atenções é o ator - que, ao contrário que se possa imaginar, entra em cena acompanhado, ladeado por um time tão discreto quanto competente de músicos: Flávio Sherlock (voz e sax); Flávio Soares (violão); Rodrigo dos Santos (percussão) e assistência de Lucas de Souza.

O corpo e a voz
Conhecido por seus dotes de declamador, Ary Sherlock faz questão de esclarecer que o espetáculo não pode ser confundido com um recital de poesia. "Minha ideia neste espetáculo não é a de apenas recitar os poemas. Como é teatro, o ator interpreta estes versos, vivendo e recriando personagens que estão presentes neles", explica Ary Sherlock.

Em 1h10 de peça, o ator revisita algumas de suas memórias, escolhidas dentre muitas de sua longa trajetória. Em canto e em verso, são evocados episódios do sertão (que cerca sua Sobral natal), de Fortaleza, repassa lembranças da capital francesa, Paris, dos amores, dos personagens que encarnou e das viagens que fez.

MAIS INFORMAÇÕES
Coisas - Palavras e Canções - Todas as sextas-feiras de julho, às 21 horas, no Teatro do Via Sul Shopping (Av. Washington Soares, 4335, Sapiranga). Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia), na bilheteria ou pelo site http://www.ingresso.com.

Contato: (85) 3404.4027

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Estação Cordel da FLIT traz para o Tocantins os maiores repentistas do Brasil


Uma das novidades da FLIT – Feira Literária Internacional do Tocantins nesta sua primeira edição será a Estação Cordel, que trará para os amantes da arte popular recitais e apresentações de repentistas renomados como Moacir Laurentino, Severino Feitosa, Sebastião da Silva e Geraldo Amâncio, considerados ícones da cultura popular brasileira. A FLIT será realizada em Palmas, na Praça dos Girassóis, de 25 de julho a 3 de agosto.

A peleja de versos entre dois cantadores começará no dia 26 de julho, às 20h30, com a apresentação dos poetas populares Moacir Laurentino e Geraldo Amâncio. Laurentino é paulista, reside atualmente em Campina Grande, Paraíba, tem 45 anos de carreira e um legado composto por 16 CDs e 3 DVDs gravados. Ele já foi vencedor de mais de 200 festivais, desafios e competições do repente.

Já Geraldo Amâncio nasceu no Ceará, venceu mais de 150 festivais, é autor de duas antologias de cantadores e participou de encontro dos países de língua portuguesa a convite do Museu Nacional de Etimologia, em Lisboa, e da X Mostra Internacional de Improvisadores de Maiorca, na Espanha. Ministrou cursos sobre cordel e cantoria na Universidade de Coimbra, em Portugal.


“Cantador canta ligeiro, evolui no pensamento, tocando o seu instrumento, sem mudar o seu roteiro”, dessa forma Geraldo Amâncio expressa a arte do repente e a sua vida.

Outra dupla de sucesso que estará na FLIT é Severino Feitosa e Sebastião da Silva, para apresentação no dia 2 de agosto, às 21 horas. Severino Feitosa é natural de Pernambuco, reside atualmente em João Pessoa, é músico, repentista e radialista.

Sebastião da Silva começou a cantar aos 15 anos e, com o passar do tempo, tornou-se um dos mais conhecidos repentistas do país. Em 1995, ele publicou o livro “Estrofes da minha vida”, onde há o registro de sua trajetória contando as 32 vezes que ficou em primeiro lugar nas competições de repente.

Também estará na FLIT a dupla José João dos Santos, o Mestre Azulão, e Miguel Bezerra. Mestre Azulão é paraibano, reside no Rio de Janeiro e é um dos fundadores da Feira de São Cristóvão. Tem uma banquinha de Literatura de Cordel no pavilhão da feira e é ponto de venda dos folhetos Tupynanquim Editora.

Mestre Azulão é autor de mais de 300 títulos de cordel e entre os seus títulos está o folheto “O homem do arroz e o poder da fortuna”. Ele é considerado um poeta com excelente domínio das técnicas de versificação. Miguel Bezerra, por sua vez, é cantador, repentista e compositor, foi destaque na Rede Globo com o improviso de versos sobre a novela “Cordel Encantado” e o Jornal Nacional.

Manoel Monteiro
Outro poeta popular que estará na FLIT é Manoel Monteiro, um pernambucano que reside em Campina Grande e que é o principal mentor do movimento conhecido como Novo Cordel, que vem inserindo o cordel nas escolas brasileiras como um instrumento de aprendizagem. Manoel é autor de uma coleção chamada “Paraíba, sim senhor”, patrocinada pelo Banco do Nordeste, e de um livro sobre Augusto dos Anjos que foi transformado em documentário pela TV Cultura.

Manoel Monteiro é considerado o cordelista com maior produção no Brasil, que inclui diversas áreas de atividades humanas. Dentre a sua produção estão “O milagre do algodão colorido” e “Um menino de engenho chamado Zé Lins do Rego”. Ele é membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

“As minhas asas, para levantar voo do ninho paterno, foram os folhetos de cordel. E tão bem coladas foram estas asas que ainda hoje eu continuo voando...”, versos de Manoel Monteiro.

Expectativas
A servidora pública do Tocantins Marta Helena Araújo, já está curtindo a programação da Estação Cordel. Ela cresceu no interior da Paraíba ouvindo os seus pais, Adiel Barbosa e Inês Araújo, declamando cordéis. Mesmo residindo em Palmas, Marta se comunica com os repentistas de sua terra, participa das atividades na Casa do Cantador, do Clube do Repente e dos Encontros de Violeiros.

“O cordel é a expressão máxima da cultura nordestina. Ao som da viola, o repentista tira o verso no improviso de forma harmoniosa e surpreendente. Agradeço aos organizadores da FLIT pela iniciativa da Estação Cordel, que será uma forma de divulgar os grandes nomes da cultura popular brasileira”, disse.

Origem do cordel
O cordel surgiu na Europa, na Idade Média, época em que os livros eram raros e inacessíveis. Um dia por semana, as pessoas se reuniam na feira e lá existiam os cantadores que recitavam ou cantavam em forma de versos os fatos reais ou históricos, as crendices e os causos. O cordel veio para o Brasil por meio dos colonizadores portugueses. (Informações da Secom