sábado, 21 de maio de 2011
Laurentino Gomes prepara, livro para fechar triologia de sucesso sobre a Independência do Brasil
Com 1 milhão e 100 mil livros vendidos com as obras "1808" e "1822", o jornalista e escritor Laurentino Gomes participa nesta segunda-feira à noite do projeto “Sempre um Papo” na Faculdade São Lucas. Apreciando desde a sexta-feira passada a cidade de Porto Velho, o autor de "1808" e "1822" retrata a fuga da Família Real Portuguesa para o Brasil e o processo de independência brasileiro. Uma terceira obra, 1889, sobre o terceiro reinado fecha a triologia de sucesso, que elevou Laurentino Gomes a categoria de escritores mais lidos e prestigiados do Brasil. O lançamento deve acontecer em 2013. O escritor recebeu o Rondoniagora na manhã de hoje e falou sobre pontos curiosos sobre os dois livros.
Rondoniagora – Enquanto a maioria dos alunos aprende nas escolas que Dom Pedro se apresentou como herói, inclusive com indumentária apropriada, no momento do grito de independência, o senhor desnuda o mito, provando que na verdade, ele tava com dor de barriga e montado em uma égua, sem valor comercial, naquele ato tão solene.
Laurentino Gomes – A História é uma disciplina fascinante porque os acontecimentos e os personagens do passado são reais, não mudam mais. Mas a História continua a mudar o tempo todo da forma como nós olhamos esse passado. Existe uma manipulação do passado, construção e desconstrução que geralmente obedece a necessidade político-ideológica de cada momento que vem em seguida. Dom Pedro I é um caso típico de manipulação do passado. No final da Monarquia, era apresentado como herói épico, pai do D. Pedro II. Depois na época da República, começa o trabalho de desqualificação do personagem, um herói mulherengo e boêmio. Na História recente, o Dom Pedro aparece na pele de Tarcísio Meira (Independência ou Morte) como um herói marcial. Na redemocratização, de novo uma reconstrução do personagem com Marcos Pasquim (Quinto dos Infernos), um inconseqüente, boêmio, etc.. Para o jornalista, o desafio é tirar esse cipoal, as camadas geológicas que se sobrepõe ao personagem real. Observar que existe um mito, como e porque é um mito.
Rondoniagora – O senhor conta com riqueza de detalhes cada aspecto daqueles momentos de libertação do País.
Laurentino Gomes - Sou jornalista há mais de 30 anos de profissão. Tenho experiência em jornais e revistas. Claro que chegar a verdade absoluta dos fatos é complicado. É até uma questão filosófica. O que é a verdade, até Pôncio Pilatos perguntou a Cristo. A reportagem quando consulta vários nomes e documentos, usa o bom senso, o jornalista tem que ser sensato, para não embarcar em canoas furadas. Quanto mais pesquisa, mais perto da verdade você chega. Você precisa ser transparente com o leitor, internauta, revelar quais fontes e métodos da pesquisa. Já existe um estudo grande da academia e universidades sobre fontes. É preciso usar o bom senso e usar como baliza o conhecimento que a academia já produziu sobre o assunto.
Rondoniagora – A sua pesquisa foi tão minuciosa, talvez venha daí a explosão de vendas.
Laurentino Gomes – Verdade. O ‘1808’ vendeu 750 mil exemplares. E o ‘1822’ outros 350 mil.
Rondoniagora - Como chegou a essas fontes? E é possível observar uma diferença entre o primeiro e o segundo.
Laurentino Gomes - Esses detalhes apuramos em cartas e documentos originais da época, além de livros de História de outros escritores. Extraímos informações das cartas do arquivista Real (Luis Joaquim dos Santos Marrocos). Não misturo ficção com não-ficção. É um livro de História do Brasil pela perspectiva do Brasil, uma linguagem mais acessível, explico até números. Quando Joaquim (arquivista Real) fala que comprou um escravo por 98 mil réis, não posso deixar esse número para o leitor decifrar, faço uma comparação com a paridade da Libra Esterlina, que dá entre 10 a 12 mil reais. Em ‘1822’ quando falo da festa de casamento com Leopoldina, que custou 1 milhão de Florins, descobri que um par de sapatos em Viena custava 5 Florins. Com esse dinheiro daria para calçar toda população de 200 mil habitantes. Agora você tem razão. Tem diferença entre os dois livros. O primeiro é bem mais humorado, pitoresco, mais engraçado; o segundo é mais crítico até porque o Brasil ficou mais complexo, polêmico, poderia ter abolido a escravidão, mas não o fez. Dom Pedro tinha um discurso liberal, mas na prática era autoritário, fora os escândalos com a Marquesa de Santos.
Rondoniagora – Inclusive, o senhor faz uma crítica em relação ao analfabetismo que era imposto a grande parte da população.
Laurentino Gomes - São Paulo, por incrível que pareça, o número de pessoas alfabetizadas chegava a 2,5% dos homens adultos. Se extrapolar para população brasileira inteira, 99% do povo era analfabeto naquela época. Enquanto os Estados Unidos até os negros já sabiam ler porque eram obrigados a freqüentar a igreja protestante e ler a Bíblia.
Rondoniagora – E há uma diferença descomunal entre o processo de independência norte-americano e o brasileiro.
Laurentino Gomes – O processo de liberdade dos Estados Unidos é o inverso do nosso. O povo era alfabetizado por causa da Igreja Protestante, que obrigava as pessoas a lerem a Bíblia, inclusive os escravos. As 7 principais universidades já existiam. E tinha a herança anglo-saxônica, acostumada a enfrentar o rei. Foi uma sociedade organizada que rompeu com a metrópole e criou o estado debaixo pra cima. Enquanto no Brasil, 99% do povo é analfabeto, formada por escravos e negros completamente a margem de qualquer oportunidade num cenário de completa dominância do latifúndio com provinciais rivais entre si.
Rondoniagora – Some-se esse quadro nebuloso, a ânsia voraz por riqueza de Portugal.
Laurentino Gomes – Saiu um livro do jornalista mineiro Lucas Figueira, chamado Boa Ventura, a Correria do Ouro no Brasil, que o ouro e o diamante nos transformaria na época numa das nações mais ricas do mundo. Mais de 1mil toneladas de ouro foram levadas daqui. E o curioso é que não ficou em Portugal, comprou com esse ouro riqueza e luxo para uma Corte que queria se parecer com a Corte de Paris e Madri. Esse ouro passou por Portugal e foi para França e Holanda. A coroa Portuguesas, tentando mostrar prestígio, comprou mármore carrara e fez um dos maiores palácios do mundo, o Palácio de Mafre.
Rondoniagora – E o terceiro livro, do que se trata?
Laurentino Gomes - Estou agora pesquisando para lançar o livro ‘1889’ sobre o Segundo Reinando. Pretendo fechar uma triologia de datas para explicar a construção do estado brasileiro no século 19. A conseqüência é ‘1822’, é quase impossível entender a independência do Brasil sem estudar a corte no Rio de Janeiro. A partir daí começa a República. O encontro do discurso com a prática é de 26 anos para cá. É uma república muito jovem. Tenho 2 anos para pesquisar, devo lançar o livro em 2013.
Fonte: Rondoniagora
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Projeto Lamparina de Histórias em Itarema
No dia 18 de maio, o Projeto Lamparina de Histórias esteve no Centro Cultural de Itarema, a abertura pela Banda de Música de Itarema, em seguida Alexandre Mulato-artista plástico falou sobre o evento, foram realizadas apresentaçoes de contadores de histórias, recitação de poesias, cantos, danças, músicas.
Realmente foi uma ocasião de revermos os contadores de histórias e de recordarmos do tempo em que as pessoas sentavam no terreiro de areia branca em frente a casa e ouvia-se histórias diversas, inclusive de trancoso (mal assombradas) que muitas vezes as crianças tinha dificuldades de dormir com medo de alma.
Tempo bom de pureza e inocência, que nos restam agora só lembranças.
Evento realizado pela equipe do Lamparinas de Histórias, Júlia Barros-autora do projeto e dos membros do centro cultural, entre eles Alendre Mulato, Marli Batalha e Sirlândia.Com o apoio da Prefeitura Municipal de Itarema
por Totó Rios
O Projeto
O "Lamparina de História" nasceu a partir de uma experiência da autora. Em uma ida ao sertão, Júlia Barros conta que viu várias lamparinas indo na mesma direção, durante uma noite. Aquela imagem ficou na sua mente martelando e fazendo-a lembrar das noites de debulha, de lua cheia, em que famílias inteiras compartilhavam do momento com muitas histórias, principalmente, as de assombração. Após manter contato com um grupo de idosos, despertou para a necessidade que estes têm em contar o que viveram, partilharam ou inventaram. A partir daí, criou o projeto. "Nasceu justamente da necessidade de conhecer os contadores de histórias tradicionais em cidades cearenses", conta. Fonte: Diário do Nordeste
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| Banda de Mísica de Itarema |
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| Alexandre Mulato-Abertura |
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| Contando histórias |
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| Recitação de poesia |
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| Grupo de Dança de Itarema |
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| Grupo Musical de Itarema |
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| Cantando |
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| Dança Preservação meio ambiente |
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| Poesia |
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| Reizado de Varjota |
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| Contando história |
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| Julia Barros-Autora do Projeto (centro) |
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| Arte-Alexandre Mulato |
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| Centro Cultural de Itarema |
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| Centro Cultural de Itarema |
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| Equipe do Centro Cultural |
Museu Histórico e Memorial da Liberdade ganha catálogo
O exemplar proporcionará a apresentação de vários objetos que perderam sua função de uso para ganhar o valor de documento.
Por: Roberta Farias
O lançamento do catálogo do Museu Histórico e Memorial da Liberdade, em Redenção, intitulado “Africania e Cearensidade”, aconteceu na sede da Secretaria de Cultura do município. A edição do catálogo teve o apoio da Associação dos Municípios do Maciço de Baturité (AMAB), uma realização do Instituto Olhar Aprendiz e patrocínio do Governo do Estado do Ceará.
O objetivo da obra não é o de simplesmente cumprir uma formalidade imposta por lei (Lei Federal nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009 – que diz respeito às diretrizes do Estatuto dos Museus). A ideia é mostrar a diversidade de peças sob a guarda do Museu, integrando a diversidade museológica do Ceará, ainda pouco conhecida pelos cearenses.
Além disso, o catálogo irá proporcionar a apresentação de vários objetos que perderam sua função de uso para ganhar o valor de documento. Desta forma, a população passa a adquirir uma reflexão sobre os modos de vida de gerações antigas e atuais para, assim, fortalecer vínculos com a história do Ceará.
A solenidade contou com a presença da secretária de Cultura da cidade, Lisiê Freire, que também atuou como oradora da solenidade; a Secretária Adjunta de Cultura do Ceará, Maninha Morais; a pró-reitora de graduação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Jacqueline Freire; o vereador Paulo Marcelo, representando a Câmara Municipal de Redenção; a secretária de Ação Social do município, Yolanda Bezerra, representando os secretários municipais; Chiquinho Tavares, representando a AMAB; Roberto Galvão, presidente do Instituto Olhar Aprendiz e mestre em História Social; e a diretora do Centro Educacional Perboyre e Silva, Maria Helena Russo, representando as escolas do município.
Durante o encontro foi destacada a importância do Museu para a cidade, assim como a difícil luta dos líderes abolicionistas do século XVII, para se conseguir a libertação da escravatura. A prefeita Cimar abriu o seu discurso com a seguinte frase “uma cidade sem passado é uma cidade sem futuro”, cuja menção foi direcionada ao destaque histórico e cultural que Redenção possui em relação aos demais municípios brasileiros, e reforçou o pioneirismo da libertação da escravatura no Brasil.
Maninha Morais, em seu discurso, falou da importância dos avanços democráticos dos acervos para se trabalhar a cultura no Ceará. Ela disse ainda que o momento é propício para tratar a memória e identidade do povo cearense. A secretária adjunta aproveitou a oportunidade para anunciar um convite a prefeita Cimar e a secretária Lisiê Freira, para participarem do I Encontro de Gestores Municipais da Cultura, no próximo dia 1 de junho. A reunião visa uma aproximação entre as culturas de cada localidade. Ela conta que no encontro será abordado o Plano Estadual de Cultura, um projeto de autoria da Secult.
Fonte: Ceará Agora
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Recuso a liquidez
Termino de ler “Amores líquidos”, do sociólogo polonês Zigmunt Bauman, de quem já havia lido “Modernidade líquida”, e uma lágrima escorrega vadia dos meus olhos. É que toda fragilidade me comove. Sempre fui intensa e verdadeira nos sentimentos, e vê-los, de repente, feitos laços frouxos, que se desatam à toa, me deu uma imensa tristeza. Ter como estranha uma pessoa com que já se teve muita intimidade é muito doloroso.
Nasci numa época em que se comprava nas bodegas e tudo era anotado num caderninho. A garantia era a palavra. Amizade era uma relação séria, atávica até. Hoje tudo se dissolve num piscar de olhos, por motivos quase sempre banais (ou contornáveis com o diálogo e a compreensão mútua)... ficou machucada essa flor – a amizade – exposta aos espinhos da vaidade, do egoísmo, da incompreensão.
Viver num mundo líquido, quando não se sabe nadar, é dilacerante. Ninguém, ou quase ninguém, escapa do risco de escorrer entre os dedos dos outros, pois estamos todos globalizados na fluidez. Aprendemos, inclusive, a viver de modo estranho, protegidos por relacionamentos a distância. Não gostamos mais tanto de sair nem de receber visitas em casa... dá trabalho!
O que determina essa resistência ao contato físico com o outro? Bauman diz: “seria tolo e irresponsável culpar as engenhocas eletrônicas pelo lento, mas constante recuo da proximidade contínua, pessoal, direta, face a face, multifacetada e multiuso”. Fugimos, na verdade, dos nós apertados, temos medo de nos mostrar em nossas fragilidades, preferimos nos esconder atrás da imagem que criamos.
Sou real, talvez por isso não aceite conviver com a ideia de que somos ‘descartáveis’ como um objeto qualquer. Impressiona-me como as pessoas, com facilidade, perdem o espaço que ocupam na vida do outro, como abrem mão tão simplesmente do que cativaram... (não leram certamente “O pequeno príncipe”)! Recuso-me à liquidez, sobretudo recuso-me a aceitar perder as pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes e, por uma circunstância qualquer, deixaram de ser (ou tiveram que deixar de ser). Não as elimino da minha vida como se extirpa um tumor, sem antes tê-lo diagnosticado como maligno. Não tenho a frieza dos sórdidos nem a dos fracos.
De acordo com as circunstâncias, seguro a impulsividade (benesse da maturidade), reorganizo as posições que as pessoas ocupam na minha vida, inverto as prioridades e fico esperando o mundo dá voltas. Calada. Quieta. Certa de que a vida deve ser reinventada todos os dias, mas o essencial deve permanecer intacto: o amor e a consideração aos sentimentos dos outros, independente do que tenha havido, pois, nesse, às vezes, injusto jogo da vida, nós, os delicados e aparentemente normais, sabemos quem é quem. Eu ainda acredito no ser humano, ainda acredito que nem tudo o que é sólido se desmancha facilmente no ar... definitivamente, recuso a vida líquida!
Nasci numa época em que se comprava nas bodegas e tudo era anotado num caderninho. A garantia era a palavra. Amizade era uma relação séria, atávica até. Hoje tudo se dissolve num piscar de olhos, por motivos quase sempre banais (ou contornáveis com o diálogo e a compreensão mútua)... ficou machucada essa flor – a amizade – exposta aos espinhos da vaidade, do egoísmo, da incompreensão.
Viver num mundo líquido, quando não se sabe nadar, é dilacerante. Ninguém, ou quase ninguém, escapa do risco de escorrer entre os dedos dos outros, pois estamos todos globalizados na fluidez. Aprendemos, inclusive, a viver de modo estranho, protegidos por relacionamentos a distância. Não gostamos mais tanto de sair nem de receber visitas em casa... dá trabalho!
O que determina essa resistência ao contato físico com o outro? Bauman diz: “seria tolo e irresponsável culpar as engenhocas eletrônicas pelo lento, mas constante recuo da proximidade contínua, pessoal, direta, face a face, multifacetada e multiuso”. Fugimos, na verdade, dos nós apertados, temos medo de nos mostrar em nossas fragilidades, preferimos nos esconder atrás da imagem que criamos.
Sou real, talvez por isso não aceite conviver com a ideia de que somos ‘descartáveis’ como um objeto qualquer. Impressiona-me como as pessoas, com facilidade, perdem o espaço que ocupam na vida do outro, como abrem mão tão simplesmente do que cativaram... (não leram certamente “O pequeno príncipe”)! Recuso-me à liquidez, sobretudo recuso-me a aceitar perder as pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes e, por uma circunstância qualquer, deixaram de ser (ou tiveram que deixar de ser). Não as elimino da minha vida como se extirpa um tumor, sem antes tê-lo diagnosticado como maligno. Não tenho a frieza dos sórdidos nem a dos fracos.
De acordo com as circunstâncias, seguro a impulsividade (benesse da maturidade), reorganizo as posições que as pessoas ocupam na minha vida, inverto as prioridades e fico esperando o mundo dá voltas. Calada. Quieta. Certa de que a vida deve ser reinventada todos os dias, mas o essencial deve permanecer intacto: o amor e a consideração aos sentimentos dos outros, independente do que tenha havido, pois, nesse, às vezes, injusto jogo da vida, nós, os delicados e aparentemente normais, sabemos quem é quem. Eu ainda acredito no ser humano, ainda acredito que nem tudo o que é sólido se desmancha facilmente no ar... definitivamente, recuso a vida líquida!
por Aíla Sampaio
Fonte: Literaila
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