segunda-feira, 21 de março de 2011

Hemetério Segundo relança hoje seu livro "Criador e Criatura"

Foto: Divulgação
O diretor Hemetério Segundo, graduado em Ciências da Computação na Universidade de Fortaleza, relança hoje seu livro "Criador e Criatura", no Teatro Celina Queiroz
A convite da Universidade de Fortaleza, o ator e diretor Hemetério Segundo promoverá, no Teatro Celina Queiroz, o relançamento de seu livro "Criador e Criatura", uma produção científica resultado de seu trabalho de conclusão do curso de Ciências da Computação, na Unifor.

Seguindo uma proposta não-convencional, Hemetério elabora uma metodologia para concepção de personagens teatrais baseada em noções de UML, técnica de construção de sistemas de computadores. O autor lançou o estudo em forma de livro através do Programa BNB de Cultura, em 2010, lançando-o em novembro do mesmo ano. Como contrapartida, a obra foi novamente lançada há uma semana, durante o V Festival de Artes Cênicas do BNB 2011, anexada à programação de lançamentos literários voltados ao teatro.

Produção
A desafiadora pesquisa pretende trazer elementos da informática para o teatro, no que diz respeito à concepção de personagens. De acordo com o pesquisador, os atores recebem o texto e criam seus personagens desconsiderando a sequência de passos importantes para o seu amadurecimento. Repensar essas etapas e, sobretudo, sistematizá-las são procedimentos essenciais para o crescimento profissional dos atores, na compreensão do imaginário que gira em torno de seus papéis e nas possibilidades estéticas inerentes a eles. A falta de reflexão e organização desse plano de ação acaba prejudicando todo o andamento das atividades, comprometendo, inclusive, a qualidade do resultado final.

"Minha motivação ao tema se deve à experiência que tenho na área. Acabei me tornando cúmplice de tal problema, ficando muitas vezes na mão de atores que demonstraram em ensaios a má preparação e a consequente má concepção de seus personagens, ocasionando um ´retrabalho´ sem proporções", afirma Hemetério.

"Os atores, muitas vezes, criam personagens fora da proposta esperada. A nova metodologia, portanto, atua antes mesmo do ensaio, ela força a uma direção participativa. Venho aplicando-a no meu grupo, o Arte de Viver, e temos conseguido bons resultados", explica.

Hemetério reforça que são infundadas as críticas de que informática e artes cênicas não possuem conexões. O diretor acredita que, por ter tido a oportunidade de estudar técnicas e metodologias para criação de aplicativos em sistemas de informação, observou que as artes cênicas estava mais ligadas à informática do que poderia imaginar, uma vez que a metodologia para a elaboração de cenários que se faz para desenvolver um sistema computacional também se adequa à construção de personagens teatrais.

A metodologia que desenvolve e que explica ao longo de "Criador e Criatura" foi intitulada "Criate". Ela busca formalizar o processo de concepção de personagens teatrais utilizando uma técnica de construção de sistemas de computadores, permitindo assim meios reais para o acompanhamento das atividades e a geração de instrumentos administrativos que serão utilizados como recursos, gerando subsídios para a equipe: produção, direção e o próprio elenco.

"A proposta da Criate partiu de um exercício prático aplicado aos trabalhos de um grupo profissional de teatro, composto basicamente de oito fases bem definidas, encadeadas, interativas e validadas por meio de relatórios e debates dos participantes da equipe de trabalho. Nela, pude unir algumas experiências das duas áreas em que trabalho, a informática e as artes cênicas", destaca.

No livro "Criador e Criatura", Hemetério Segundo expõe sua proposta metodológica por meio de uma situação real, por ocasião da montagem de seu espetáculo "Três na Cova". Além disso, o autor apresenta conceitos e definições básicas de elementos teatrais (arte, teatro e métodos interpretativos), e computacionais, como as noções de UML - Linguagem de Modelagem Unificada.

A "Criate" é composta pelas seguintes fases: entender e debater o contexto, contextualizar e debater cenas, contextualizar e debater personagem, laboratoriar e debater personagem. "Cada fase é uma etapa a ser realizada, se compõe de recursos, atividades, sequência de passos e os produtos. As fases são encadeadas, é necessário que seus respectivos produtos sejam validados, para que se inicie a fase seguinte, caso contrário, a fase será refeita e haverá uma nova análise dos produtos para validação", diz Hemetério Segundo. O pesquisador teatral confessa estar lisonjeado com o convite da universidade para seu relançamento.

"A novidade desse lançamento é que me formei aqui e agora estou sendo convidado. É um reconhecimento do meu trabalho e a confirmação de que essa união de informática e teatro é possível", afirma.

MAIS INFORMAÇÕESRelançamento do livro "Criador e Criatura". Hoje às 19h30, no Teatro Celina Queiroz, da Unifor
(Av. Washington Soares, 1321). Contato: (85) 9104.3360

Fonte: Diário do Nordeste

Diálogo de imagens

A partir de amanhã, Pernambuco e Ceará unem talentos da fotografia na mostra coletiva "Pernambuco Convida", que acontece em Recife

Um verdadeiro diálogo imagético, fundamentado na troca de experiências, técnicas, linguagens e projetos estéticas. Com essa proposta, acontece, a partir de amanhã, a exposição "Pernambuco Convida", na Arte Plural Galeria, em Recife. O projeto promove o intercâmbio entre fotógrafos de vários estados do País. Na segunda edição do evento, cinco profissionais pernambucanos juntam-se a cinco convidados cearenses, em uma grande mostra coletiva.

Uma das imagens do ensaio "Os Encourados Na Pega do Boi", do pernambucano Wellington Dantas, realizado em 2010 na cidade de Serrita (PE)
De Pernambuco participam os fotógrafos Gustavo Bettini, Roberta Guimarães, Wellington Dantas, Flora Pimentel e Ivan Alecrim. Que por sua vez, recebem os cearenses Silas de Paula, Celso Oliveira, Aziz Ary Neto, Haroldo Sabóia e Patrícia Araújo. A curadoria ficou a cargo da jornalista e crítica de arte Simonetta Persichetti e do fotógrafo cearense Tiago Santana.

"Além de nomes consolidados na área, a ideia é que o projeto também apresente novos fotógrafos, jovens cujo trabalho ainda não são tão conhecidos", ressalta Santana. Nesse caso, os representantes são Ary Neto, Sabóia e Araújo. "São pessoas com trabalho mais contemporâneo, mais deslocada da fotografia documental, que é tradicional no Ceará. Isso não significa, porém, que o documental não possa ser contemporâneo. Na verdade, o estilo tem passado por uma transformação, e os próprios fotógrafos com mais tempo de carreira estão rompendo conceitos estéticos", detalha Santana. "O mais importante é promover o diálogo e levar esses trabalhos a um público maior, que talvez os desconheça", resume o cearense.

A fotógrafa Flora Pimentel apresenta imagens com aspecto antigo. A autora é uma das cinco profissionais de Pernambuco convidadas para o projeto
Diversidade
A temática da exposição é livre e ficou a cargo de cada participante. A tarefa de constituir uma coerência mínima entre as várias linguagens e estéticas adotadas ficou sob responsabilidade dos curadores, no momento de editar o material recebido. "Já conhecíamos o trabalho de alguns fotógrafos, e os convidamos a partir disso. Pedimos que mandassem ensaios que dialogassem mais com a fotografia contemporânea, considerando que o espaço da exposição é uma galeria voltada a essa coisa ´mais solta´", destaca Santana.

"Eu e Simonetta sentamos e escolhemos as imagens que se identificassem mais com a proposta e com o conjunto de trabalhos. Obviamente contamos com sugestões dos próprios autores. Minha participação foi relativa aos convidados do Ceará, no sentido de ajudar a afinar o diálogo", esclarece Santana.

Explosão de cores na série do fotógrafo Silas de Paula, que retrata a rotina dos mercados públicos aos sábados
"Queremos conversar, convergir para, de alguma forma tentar remontar um panorama da fotografia do País. O que estamos produzindo é muito diferente? É semelhante? Isso importa?", questiona Persichetti. "A vontade é juntar as mais diferenciadas vozes, ser um pólo aglutinador de tendências, experiências e do pensar fotográfico", complementa.

Assim, a variedade de temas vai desde a rotina dos mercados públicos aos sábados, trabalhada pelo veterano Silas de Paula em uma explosão de cores, até as formas geométricas exploradas em imagens lavadas em cinza e branco por Ivan Alecrim.

Já Celso Oliveira decidiu aproveitar quase literalmente a temática livre da esposição, com a série chamada "Fotonada". "São imagens de quando você não tem nada pra fazer e sai para fotografar, com o objetivo de espairecer, relaxar. É uma proposta descontraída, que não segue uma lógica", brinca o fotógrafo. Destaque ainda para Flora Pimentel apresentando fotografias com aspecto antigo e Wellington Dantas com o trabalho "Os Encourados na Pega do Boi", realizado na cidade de Serrita (PE), em 2010, durante a Missa do Vaqueiro.

Mas o inusitado ficou mesmo por conta de Aziz Ary. Ele traz imagens que simulam a levitação sem o uso de fotomontagem. "O efeito da falta de chão, de vertigem, expressa a inquietude das pessoas. Evocam também sentimentos de sonho e liberdade, a vontade de ultrapassar os limites, de ser arrancado da ordem", comenta o autor.

Ao todo, a exposição apresenta 30 imagens - três para cada fotógrafo. Segundo Santana, a mostra completa deve vir para Fortaleza no segundo semestre.

"A primeira edição do projeto teve São Paulo como Estado convidado. Dessa vez, acredito que os organizadores desejaram começar um dialogo com Estados mais próximos. O Ceará é um polo importante de fotografia no País, com ótimos profissionais e participação em grandes eventos na área. Acho que isso motivou a escolha. Mas não há cronograma ou hierarquia definidos", pondera Santana.

O primeiro "Pernambuco Convida" ocorreu em março de 2010. As imagens dos fotógrafos pernambucanos Teresa Maia, Cláudia Jacobovitz, Mariana Guerra, Mateus Sá e Alexandre Belém se uniram aos trabalhos dos paulistas Fernanda Prado, Celisa Beraldo, Marcello Vitorino, Gabriel Boieras, Paula Cinquetti e Luciana Cattani.

MAIS INFORMAÇÕESExposição "Pernambuco Convida". Abertura para convidados amanhã, às 19 horas, na Arte Plural Galeria (Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife - Recife-PE). Visitação de 23 de março a 20 de abril. Entrada franca. Contato: (81) 3424.4431

ADRIANA MARTINS 
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

Livrarias identificam mudança no perfil do comprador de livros

Foto: Divulgação
O perfil do consumidor de livros e frequentador das livrarias brasileiras está mudando. A afirmação é do presidente da ANL (Associação Nacional de Livrarias), Vitor Tavares. Para ele, a crescente inserção da internet na vida da população, bem como a política de distribuição de livros didáticos, a crescente perspectiva de venda de tablets (que permitem a leitura dos e-books) e outros aspectos contribuem para mudança do público-alvo das livrarias.

Mesmo assim, o setor de livrarias está vendendo mais. O crescimento médio em 2010 foi de 9,6%. As protagonistas deste crescimento, principalmente, são as livrarias de grandes redes, cada vez mais procuradas pelo consumidor. Mais de 38% dos estabelecimentos entrevistados por um levantamento da ANL faturam acima de R$ 9,6 milhões por ano.

A explicação para isso, segundo o presidente da entidade, é que essas livrarias se transformaram, deixando de ser meramente ambientes de comércio de livros, estimulando a busca pelos consumidores, que estão cada vez mais exigentes e menos fiéis. “O livreiro de antigamente não cabe mais no mercado atual. O consumidor quer um ambiente criativo, inovador, com proposta de um mundo cultural por trás da venda de livros. Uma livraria que promova encontro da comunidade, que agregue serviços como café, teatro, espaços literários e wi-fi, por exemplo”, cita.

Segundo o levantamento da Associação de Livrarias, 83,87% das livrarias tem na venda de livros apenas 50% de seu faturamento. Prova de que a diversificação de serviços e oferta de espaços diferenciados atrai mais clientes, que passam a encontrar nesses estabelecimentos espaços com múltiplas opções.
Hábito
Outra mudança percebida no comportamento dos consumidores é a diminuição da compra de livros na tradicional “volta às aulas”. “Atualmente, com a oferta de material didático a alunos da rede pública, e a adoção de novos sistemas de ensino pelas redes privadas, a corrida de início de ano para compra de livros diminuiu”, diz Vitor Tavares. Mesmo com algum prejuízo às livrarias, o presidente da ANL reconhece que a iniciativa contribui para a educação e o estímulo à leitura no País.

Já no perfil de clientes das livrarias com Ensino Superior, o que se percebe é a diminuição da busca pelos livros acadêmicos. “Muitas livrarias estão vendendo menos, sobretudo pela facilidade de pesquisa que a internet proporciona, com download de textos pelos alunos. Muitos estabelecimentos até deixaram de comercializar esses itens, só o fazem sob encomendas”, informa Tavares.

Mesmo com essas transformações, Tavares analisa que há uma grande lacuna nesse mercado, o que garante grandes possibilidades de expansão do segmento. “Se você verificar os índices de leitura, temos uma média de 4,7 livros por habitante, mas isso inclui livros didáticos, acesso a bibliotecas e outros meios. Em se tratando de consumo efetivo, a compra é de 1,5 livro por habitante, o que é muito pouco”, diz.

Para Tavares, o baixo índice de compra de livros está associado à cultura média histórica do brasileiro, que não costuma priorizar este tipo de item nas suas intenções de compra. “É preciso incutir na população esse hábito de consumir bons produtos culturais, criar uma política de incentivo ao livro. Não podemos equipará-los a outros produtos comuns. O incentivo deve começar na escola, principalmente fazendo as crianças criarem prazer pela leitura desde cedo”, analisa.

Escolhas
Entre os compradores, a área de infanto-juvenil foi a que mais teve representatividade nas livrarias. A de autoajuda e esotéricos veio em seguida. Depois, estão acadêmicos, literatura geral ficção e literatura geral não ficção.

Já entre as áreas da literatura que mais cresceram em vendas nas livrarias, o segmento de infanto-juvenil também é líder, mas a que vem na segunda colocação é a literatura geral de ficção, acompanhada de literatura geral não ficção. Os livros acadêmicos específicos para área de ciências humanas e os de autoajuda/esotéricos completam a lista.

Fonte: Info Money

Brilho cearense na Cidade Luz

As escritoras Grecianny Carvalho Cordeiro, Joyce Cavalcante e Lêda Maria Souto com o tradutor da antologia Marc Gallan

Grupo de escritoras cearenses, integrantes da Rede de Escritoras Brasileiras, divulga literatura feminina contemporânea no Salão do Livro de Paris, que se encerra hoje, na França

O Brasil ocupou o centro das atenções do Salon du Livre de Paris - 2011, na noite do dia 18. No estande da editora Yvelinedition, a Rede de Escritoras Brasileiras (Rebra) lançou sua antologia "Le Grand Show des ÉcrivainesBrésiliennes", reunindo 62 participantes, entre elas as cearenses Joyce Cavalccante, presidente e fundadora  da entidade, a jornalista e poeta Lêda Maria Souto (colunista do Diário do Nordeste), a contista e advogada Grecianny Cordeiro e a escritora Beatriz Alcântara.

No círculo da intelectualidade presente a opinião sobre a edição primeira em francês, vem revelar a colaboração das mulheres na criação de uma nova linguagem, mantendo um compromisso com a literatura e seu envolvimento com o social e as emoções, muitas relacionadas as mudanças do universo feminino.

Para François Baudez, editor da publicação da antologia da Rebra na França, "a mulher brasileira aqui representada, em versos, contos e narrativas, permite ampliar os laços entre o mundo literário da França e do Brasil, fortalecendo algo que anos atrás foi mais desenvolvido. Nesta antologia, temos emoções reveladas, que vão desde denúncias sobre o mundo feminino, até a dança de emoções reveladoras de uma mulher que sabe amar e se comunicar".

A escritora Joyce Cavalccante, feliz com a promoção, revelava, "aqui em Paris damos um show de talentos, direcionado à expansão e ao conhecimento da língua portuguesa, proporcionando a revelação do pensamento de cada uma das escritoras presentes à antologia, diretamente colaboradoras efetivas, no fortalecimento de nossa associação, comprometida sempre com a produção literária da mulher brasileira".

Valorização
Geo de Carvalho, representando a embaixada brasileira, ressaltava, a contribuição da Rebra para uma divulgação da literatura brasileira. "Chega ao Salão do Livro, um dos maiores eventos anuais de Paris, desvendando o lado belo de nossa literatura acoplado muito bem com as emoções de cada uma das escritoras da Rebra".

Mesma opinião tem Ana Berlin, natalense que integra a equipe da Embaixada do Brasil na Alemanha. Ela foi a Paris somente para o evento da Rebra. "Mais que nunca, precisamos mostrar ao mundo a produção da mulher brasileira, enriquecedora para a imagem do Brasil. Aqui confirma-se essa projeção e ficamos orgulhosos".

O tradutor Mare Galan confessou ao Diário do Nordeste ser grato por ter percorrido a realidade da mulher brasileira da atualidade. "Ela é forte, entusiasta e emotiva. Sabe falar ao mundo e muitos dos seus poemas chegam para colorir as nossas emoções. Foi um trabalho muito gratificante, para mim".

 Todas as participantes presentes ao lançamento, vivenciaram o grande momento e os jornalistas franceses, ao receber a antologia, expressavam sempre "trés belle" . Ninguém duvidava ser a obra a expressão repetida por Diva Pavesi, que representa a Rebra em Paris. "Nesses três anos de representação, o Brasil, através da voz feminina, se impõe como centro de um mundo novo e fraternal. Somos unânimes em afirmar que as escritoras da Rebra, ou as rebrinhas, abrem em Paris uma bela vitrine cultural ao mundo. São 62 textos literários na língua de Molière, permitindo também uma agradável leitura".

Trechos
"...j´ai besoin de ton sang. J´ai besoin du rouge légitime, a-t-il dit en apportant le stylet en un grand bassin./ Il s´est approché./ Je suis sortie en courant jusqu´au jardin, mais je me suis aperçue que j´étais nue. Je suis revenue sur mes pas pour ramasser un vêtement, um chiffon, que sais-je, quelque chose pour me couvrir./ - Alors, tu es revenue? Nous allons continuer notre travail, a-t-il dit avec sadisme". ("Imagination Signée", de Joyce Cavalcante)

"...Si nous sommes chômeurs, nous rêvons du jour où nous trouverons un emploi pour occuper notre temps, et nous nous promettons que nous nous consacrerons intègralement â notre nouveau métier, néanmoins, une fois l´emploi obtenu, nous découvrons alors que c´est fastidieux de se lever de bonne heure tous les jours, d´affronter la circulation et des rester travailler sans avoir le temps de s´amuser et de ne rien faire comme autrefois". ("Temps", de Grecianny C. Cordeiro)

"Je te tends mes bras/Qui, comme des coquilles, te protégeront/Et te sauvegarderont des tempétes, /defais tes noeuds,/donne libre cours â tes larmes, jouis de tes émotions,/rejette la peur,/au son don luth du garçon â moitié nu, qui joue en liberté". ("Cadres Parfaits",de Lêda Maria )

Patativa revisitado

O fotógrafo Tiago Santana e o pesquisador Gilmar de Carvalho lançam hoje, na Livraria Cultura, o livro Patativa do Assaré - o sertão dentro de mim

Delicado álbum, o livro revela a intimidade da poesia de Patativa (TIAGO SANTANA/DIVULGAÇÃO)
Um nasceu na cidade do Crato, acostumado às manifestações populares, foi menino de colo nos braços do maior poeta que o sertão cearense já viu, a quem fotografou diversas vezes depois que escolheu empunhar uma câmera como profissão. O outro dedicou uma extensa obra de jornalista e pesquisador cultural sobre os diferentes aspectos da tradição no Ceará, percorreu milhares de quilômetros pelo Estado, durante uma década foi presença frequente no pequeno município de Assaré (a 520km de Fortaleza). Quase nove anos depois da morte de Patativa do Assaré, em 2002, aos 93 anos, Tiago Santana e Gilmar de Carvalho prestam nova homenagem ao poeta com o livro Patativa do Assaré – o sertão dentro de mim.

“O Patativa entrou na minha vida desde quando eu nasci, porque os meus pais tinham uma relação muito forte com ele. Eu me lembro que o Patativa me botou no colo. Eu comecei a descobrir aquele universo do Cariri vendo o Patativa e sempre tive essa relação meio familiar, de afeto com ele, e quando eu cresci, mergulhei no universo da fotografia”, conta Tiago. “Eu sempre fotografei o Patativa. Cinco anos antes de ele morrer, eu fotografei muito. Eu não tinha essa pretensão de fazer um livro, mas era uma coisa que me encantava. Obviamente muita gente fotografava o Patativa, mas eu queria fazer um ensaio afetivo da minha convivência com ele.”

A partir da proposta do livro, uma espécie de homenagem e carinho ao poeta, o fotógrafo convidou Gilmar de Carvalho para escrever o texto que acompanha as fotos. Profundo conhecedor da obra e vida de Patativa do Assaré, o professor do Departamento de Comunicação Social da UFC se viu diante de uma questão: “Pensei no que eu poderia fazer que já não tivesse feito”. O sertão dentro de mim é o décimo livro do intelectual sobre Patativa. Uma história de admiração e amizade que começou em 1993, quando Gilmar encontrou pela primeira vez com o poeta para entregar uma caixa editada por ele com os folhetos de cordel de Patativa. Está tudo contado no ABC do Patativa.

“Eu pensei na estrutura do ABC. Cada estrofe começa com uma letra do alfabeto. Defini que seria um texto mais impressionista, mais apaixonado, não piegas, mas um texto mais derramado sobre Patativa, em que eu não teria obrigação de citar autor, de fazer nota de roda-pé.”, explica Gilmar. “É sempre muito complicado, porque ao mesmo tempo é prazeroso e doloroso, porque você fica trabalhando a perda, mas nisso tudo tem o prazer. Voltei muitas vezes lá, fui tentando relembrar essas situações, tentando naturalizar, se é que é possível naturalizar uma morte ou uma dor, e construir esse texto. Na verdade é muito mais uma homenagem, uma tentativa de dizer o quanto ele foi importante”.

Editado pelas Edições Sesc SP e Tempo D’imagem – editora de Tiago Santana – , o livro é um valioso documento da história e do legado de Patativa quase uma década após sua morte e dois anos depois das comemorações de seu centenário. O texto de Gilmar de Carvalho percorre com beleza e simplicidade os espaços que o poeta de epíteto passarinho escolheu para pousar suas palavras. As fotos de Tiago Santana transparecem a intimidade com o poeta, sua casa, a feira, cachorros, meninos, e sua sabedoria: “Ele podia não estar enxergando, mas sabia muito bem o que estava acontecendo em torno dele”.

SERVIÇO

PATATIVA DO ASSARÉ – O SERTÃO DENTRO DE MIM
Quando: hoje, às 19h
Onde: Livraria Cultura (Av. Dom Luís, 1010 – Meireles)
Preço: R$95
Mais informações: 4008 0800.

Pedro Rocha
pedrorocha@opovo.com.br

Fonte: O Povo