O acarauense Luiz Rátis Martins, faz o pré-lançamento em Acaraú, no dia 28, de sua autobiografia, onde relembra fases da carreira militar, da formação jurídica, da política e do ingresso na literatura. Na obra, transcreve ainda dados históricos, econômicos e culturais do município.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Primeiros Carnavais de Acaraú
Banda Tremembé
Se as férias de minha infância tinham o sabor salgado da Gamboa os primeiros carnavais de minha adolescência tiveram lugar no clube social perto do grupo e no Açude Bau.
O carnaval do Acaraú começava ainda na rodoviária do Antônio Bezerra, no ônibus da Redenção, invariavelmente lotado, a rapaziada viajando em pé, dando assento aos mais velhos e às meninas. Alguém imagina que havia reclamação?
Que nada! Ninguém parava quieto, cantava e bebia a viagem inteira, numa confraternização completa, todo mundo acabava se conhecendo, sem falar nas inevitáveis paqueras. O coitado do motorista era a vítima favorita do “Se essa p. não virar, eu chego lá”. Houve uma vez que chegou a parar o ônibus no meio da estrada e ameaçou botar os “arruaceiros” para fora.
Era pura diversão. Quando a gente chegava à cidade dava até vontade de não descer do ônibus. Invariavelmente tinha alguém mandado por Vô Santos para nos ajudar com as malas e antes de continuar a folia tínhamos a gostosa obrigação de pedir sua benção. A noite era uma criança e o Canecão nos esperava, bem como as namoradas em potencial.
De madrugada quando chegávamos a casa encontrávamos nossas redes já armadas no corredor ou na varanda. Pela manhã depois do café reforçado com rosca e leite puro da vacaria do Manoel Roberto, visitámos Vovô no mercado. A visita era rápida, pois o Bau nos esperava para o banho de açude.
Lá encontrávamos o Tio Vicente Javan, um dos maestros do meu carnaval, junto com os primos e amigos. A cerveja se misturava com as piadas e gozações fazendo o dia passar ligeiro.
Aos domingos e terças havia o imperdível Bloco das Bichas, momento mais democrático e irreverente de toda a festa momina. Ao assumirem momentaneamente a nem sempre tão graciosa condição de mulher, velhos e meninos, ricos e pobres se misturavam para celebrar a vida sem preconceitos de sexo ou condição social.
Finda a tarde era a hora do repouso para a noite no clube. Saudade da querida “Casa de Farinha”. Mestre André e sua banda animava a noite com as famosas e eternas marchinhas e sambas. Cansei de subir no palco e, para alívio e descanso do cantor, cantar até a goela secar e ter de reabastecer as baterias.
A bebida preferida era a Cuba Libre, mais barata e de mais pegada. Cerveja era só para hidratar vez ou outra. Foi numa dessas noites que dei minha primeira cheirada em um lança perfume, que acabara de ser proibido. Dois guardas vieram confiscar o produto, mas o Tio Vicente, ou teria sido o Paulo Pinto, avisou ao delegado que, sentado numa mesa vizinha a nossa, vez ou outra se servia do nosso perfume cheiroso.
Prontamente o delegado despachou os guardas dizendo que eles cuidassem dali para lá; para cá era com ele próprio. Quanta loucura que nunca terminava mal. Vez ou outra uma pequena confusão, as eventuais escaramuças entre adversários políticos, tudo sem sérias consequências. Chegávamos com o sol já nascendo, caíamos na rede sonhando com o dia seguinte, invariavelmente igual, rotineiramente alegre e maravilhoso.
O clube e o Bau fecharam e tudo mudou, mas aí é outra história que talvez conta mais tarde.
Fonte: Teúnes Andrade Filho-Blog Acaraú vivendo e aprendendo
O carnaval do Acaraú começava ainda na rodoviária do Antônio Bezerra, no ônibus da Redenção, invariavelmente lotado, a rapaziada viajando em pé, dando assento aos mais velhos e às meninas. Alguém imagina que havia reclamação?
Que nada! Ninguém parava quieto, cantava e bebia a viagem inteira, numa confraternização completa, todo mundo acabava se conhecendo, sem falar nas inevitáveis paqueras. O coitado do motorista era a vítima favorita do “Se essa p. não virar, eu chego lá”. Houve uma vez que chegou a parar o ônibus no meio da estrada e ameaçou botar os “arruaceiros” para fora.
Era pura diversão. Quando a gente chegava à cidade dava até vontade de não descer do ônibus. Invariavelmente tinha alguém mandado por Vô Santos para nos ajudar com as malas e antes de continuar a folia tínhamos a gostosa obrigação de pedir sua benção. A noite era uma criança e o Canecão nos esperava, bem como as namoradas em potencial.
De madrugada quando chegávamos a casa encontrávamos nossas redes já armadas no corredor ou na varanda. Pela manhã depois do café reforçado com rosca e leite puro da vacaria do Manoel Roberto, visitámos Vovô no mercado. A visita era rápida, pois o Bau nos esperava para o banho de açude.
Lá encontrávamos o Tio Vicente Javan, um dos maestros do meu carnaval, junto com os primos e amigos. A cerveja se misturava com as piadas e gozações fazendo o dia passar ligeiro.
Aos domingos e terças havia o imperdível Bloco das Bichas, momento mais democrático e irreverente de toda a festa momina. Ao assumirem momentaneamente a nem sempre tão graciosa condição de mulher, velhos e meninos, ricos e pobres se misturavam para celebrar a vida sem preconceitos de sexo ou condição social.
Finda a tarde era a hora do repouso para a noite no clube. Saudade da querida “Casa de Farinha”. Mestre André e sua banda animava a noite com as famosas e eternas marchinhas e sambas. Cansei de subir no palco e, para alívio e descanso do cantor, cantar até a goela secar e ter de reabastecer as baterias.
A bebida preferida era a Cuba Libre, mais barata e de mais pegada. Cerveja era só para hidratar vez ou outra. Foi numa dessas noites que dei minha primeira cheirada em um lança perfume, que acabara de ser proibido. Dois guardas vieram confiscar o produto, mas o Tio Vicente, ou teria sido o Paulo Pinto, avisou ao delegado que, sentado numa mesa vizinha a nossa, vez ou outra se servia do nosso perfume cheiroso.
Prontamente o delegado despachou os guardas dizendo que eles cuidassem dali para lá; para cá era com ele próprio. Quanta loucura que nunca terminava mal. Vez ou outra uma pequena confusão, as eventuais escaramuças entre adversários políticos, tudo sem sérias consequências. Chegávamos com o sol já nascendo, caíamos na rede sonhando com o dia seguinte, invariavelmente igual, rotineiramente alegre e maravilhoso.
O clube e o Bau fecharam e tudo mudou, mas aí é outra história que talvez conta mais tarde.
Fonte: Teúnes Andrade Filho-Blog Acaraú vivendo e aprendendo
Raulzito, o jacaré - Lançamento de livro infantil
Lançamento de Livro Infantil Raulzito, o jacaré
06 de Maio - Praça do Passeio Público às 9:00 hs
Autora: Aline Bussons
Ilustrações: Marcos Venícius
Expressão Gráfica Editora - 1ª edição - 2011 - 24 páginas.
ISBN 978-85-7563-862-0
Custo: R$ 20,00
Expressão Gráfica Editora - 1ª edição - 2011 - 24 páginas.
ISBN 978-85-7563-862-0
Custo: R$ 20,00
Contação: Rosana Estrela, Chicão Oliveira e César Mota.
Fazendo referência a sucessos musicais do mestre da música brasileira Raul Seixas, Raulzito, o jacaré é um livro que fala de amigos, música e liberdade. De forma lúdica, trata de temas muito presentes na vida da garotada tais como rotina, criatividade e diversão. Vale a pena conferir.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Relógios da Torre da Matriz de Acaraú poderá voltar a funcionar
Técnicos estiveram visitando nesta quarta feira (18), as engrenagens que movem os ponteiros dos quatro relógios da torre da nossa Paróquia.
Devido ao grande tempo de existência do relógio, existem algumas peças que precisam de reparos, segundo os técnicos tudo é uma questão de tempo para que tudo volte a funcionar.
O relógio foi fabricado em Juazeiro do Norte no ano de 1944 e personalizado com o nome da Paróquia de Acaraú e de Monsenhor Sabino, Pároco daquela época.
Fonte: Blog Paróquia de Acaraú
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Memórias de Rita Mendes Fonteles
Memórias de Rita Mendes Fonteles é um registro autobiográfico de uma mulher aparentemente comum, como muitas desse país. Dona Rita, hoje com 87 anos, e mãe de uma familia extensa de onze filhos, uma dona de casa que viveu em função de sua familia, que teve que deixar a escola bem cedo - antes de completar a antiga 4ª serie primária -, que ficou órfã de pai aos cinco anos de idade e que, por ser a mais velha, teve que auxiliar na criação de seus outros cinco irmãos, que perdeu a mãe em plena juventude - aos vinte e quatro anos de idade -, que perdeu filho em acidente trágico e irmãos ainda jovens.
Situações semelhantes foram certamente experimentadas por outras pessoas. Contudo, o que fez e faz a diferença na trajetória desta senhora nascida em uma pequena cidade do interior do Ceará, foi e é aquilo em que ela transformou sua vida cotidiana, ou por outra, aquilo em que ela mesma se transformou ao decidir registrar suas vivências em forma de crônicas, poesias e outros gêneros Iiterários: uma artista de si mesma e de sua própria existência.
Dessa forma, a autora e protagonista dessas Memórias, certamente sem o saber, nos permite vislumbrar um sentido mais claro para uma instigante idéia de Nietzsche, quando o filósofo nos sugere que a vida e a verdadeira obra de arte.
Babi Fonteles
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