quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Nova obra de César Barreto fala do clero sobralense


Escritor, engenheiro e atual superintendente adjunto do Departamento Estadual de Rodovias do Ceará (DER), César Barreto Lima lança hoje seu novo livro. Às 19 horas, ele apresenta no Náutico Atlético Cearense "Sobral de todos os santos".

Como o próprio título entrega, o cenário das histórias contadas é o preferido pelo autor. Da cidade de Sobral, César Barreto recupera as memórias dos sacerdotes católicos que por ali passaram. O trabalho mais de 20 crônicas que recuperam episódios da vida do município que contaram com o protagonismo de padres e outros religiosos. O escritor conduz seus leitores por um texto leve, permitindo-se mesmo contar causos marcados pelo humor. Caso do sacerdote José Inácio Parente, às voltas com um jovem paquerador que estava de olho nas moças na escola por ele dirigida.

A maior parte das histórias que figuram no livro se ambientando nos anos 50, quando Sobral, em sua verve aristocrática, ainda era comum ver as elites preparem seus filhos para uma carreira eclesiástica.

Livro  
Sobral de todos os santos  
César Barreto Lima

Premius
2011
117 páginas
Lançamento às 19 horas, no Náutico Atlético Cearense (Av. Abolição, 2727, Meireles)

Dom Quixote de Baturité

Com narrativa divertida e crítica sobre antigos povos do Ceará, o livro Os Guerreiros de Monte-Mor, de Nilto Maciel, será relançado hoje na Livraria Cultura

O autor passeia pela cultura indígena com ironia e vocabulário rico (MARCOS CAMPOS)

Imagine uma tribo de guerreiros Jenipapos, que séculos atrás viveu nas terras da Vila de Monte-Mor, atual Serra de Baturité. Eram Liderados pelo quixotesco Antônio da Silva Cardoso, grande revolucionário nativista, que inspirava seus descendentes a conspirarem contra o imperador, os portugueses em geral e a Igreja. Essa história divertida, crítica e instigante constitui a narrativa de Os Guerreiros de Monte-Mor, de Nilto Maciel, com relançamento hoje (1º), na Livraria Cultura.

Publicado pela primeira vez em 1988, o livro tem narrativa não-linear e é marcado por uma crítica aguda e pela ironia, permeadas por um rico vocabulário, cheio de expressões e palavras da época, sobretudo da cultura indígena. Nilto conta que, para a atual edição, procurou manter quase intacta a grafia e estrutura originais, fazendo apenas uma ligeira revisão ortográfica e de alguns vocábulos. “Minha ideia inicial era escrever um grande romance de 1000 páginas, que viesse desde os pré-colombianos, mas o José de Alencar já tinha feito coisa parecida, aí resolvi mudar”, conta o autor.

O escritor conta que começou então a ler tudo sobre História do Ceará e resolveu desmembrar em vários livros o que seria seu romance sobre a trajetória de gerações passadas. “Quando fui pra Brasília autoexilado ia todo dia para a biblioteca do Congresso e procurava só coisa velha, sobre povos antigos, principalmente dos personagens mais voltados para o Ceará”, diz Nilto. Porém, ele frisa que não se considera um autor regionalista.

Em Os Guerreiros de Monte-Mor, o que logo chama a atenção do leitor é a figura excêntrica de Antônio, que faz questão de criar o filho dentro da tradição de seus povos, enchendo a mente do menino. “Tem um pouco de D. Quixote, embora eu ainda não tivesse lido D. Quixote quando escrevi, e tem um pouco de Policarpa Quaresma também”, diz Nilto, referindo-se a personagens de Miguel de Cervantes e Lima Barreto, respectivamente. “Meus personagens são todos rebeldes”, destaca, sendo que no livro há referências a eventos como a Confederação do Equador e a Inconfidência Mineira. Natural de Baturité, Nilto diz que o livro: “É uma homenagem à minha terra, aos índios do Brasil e do mundo e a todos os povos que foram massacrados”.

SERVIÇO

Relançamento do livro Os Guerreiros de Monte-Mor
Quando: Hoje (1º), às 19h
Onde: Livraria Cultura (Av. Dom Luiz, 1010 - Aldeota)
Preço do livro: R$ 23
Entrada franca
Outras info.: (85) 4008 0800

Marcos Robério 

Fonte: O Povo

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Museu vai retratar história da Zona Norte

Professor de História está organizando, na Serra da Meruoca, um espaço voltado para a cultura da região Norte

No distrito de Palestina, as peças (piano, imagens sacras, penteadeiras, cômodas, armários, guarda-roupas, que datam do século XVIII) estão sendo restauradas para exposição FOTO: LAURIBERTO BRAGA

Meruoca Contar a história da Zona Norte por meio de objetos. Essa é a ideia do professor aposentado de História, Paulo Emílio. Ele está montando o Museu Histórico da Zona Norte, no Sítio Monte Olimpo, no Distrito da Palestina, na Meruoca.

Numa altitude superior a 750 metros, o novo espaço reunirá peças (piano, imagens sacras, penteadeiras, cômodas, armários, guarda-roupas, utensílios domésticos, cristais, rádios, máquinas de costura, cadeiras, serras manuais gigantes, pressa de queijo, lampiões, chaleiras e adornos), que datam do século XVIII. Todos estão sendo restaurados para exposição. Paulo Emílio está recebendo acervo que pode ser doado ou até mesmo adquirido pelo professor.

Mais de cinco mil objetos estão sendo catalogados. Elas foram pertencentes às famílias de dom José Tupinambá da Frota, Frota Aguiar, Marinho de Andrade e Visconde de Sabóia. "São peças com mais de 200 anos que contam a história da Zona Norte", destaca Paulo Emílio. Há ainda a projeção de um museu biológico com exposição de serpentes e fotos de animais da região. Com todos atrativos naturais da Meruoca, Paulo Emílio toca um projeto de turismo histórico, que está dentro do Plano de Revitalização do Turismo na cidade, hora em desenvolvimento pela Prefeitura e Sebrae.

O projeto do Monte Olímpio abrange anfiteatro, áreas para camping, estacionamento, restaurante, bar, parque infantil, brinquedos de aventura para adultos, cachoeira, adega, dancing (boate), chalés, trilhas, casa de farinha, engenho, casa de taipa, praças, lunário e um acesso via estrada de calçamento. É exatamente esta estrada que Paulo Emílio está reivindicando no Plano de Revitalização do Turismo. "São pouco mais de dois quilômetros que precisam ser calçamentados para dar um acesso melhor ao Monte Olimpo. É um sonho que quero realizar", diz o professor. Bastante entusiasmado com o projeto, ele vai avançando nas obras. O restaurante panorâmico está praticamente pronto. "Nele vamos ter espaços que retratarão nossa história de dominadores e dominados. Quero chocar mesmo, mostrando as realidades de classes sociais. No restaurante teremos mesas sofisticadas com mesas rústicas, como mesas de giral. Como pesquisador da nossa história, quero passar isso para quem chegar a conhecer o nosso espaço", afirma Paulo Emílio.

Mas este turismo histórico ecológico que o professor quer colocar no Monte Olimpo vai muito mais além. Ele organiza um verdadeiro complexo de recepção. "Aqui teremos um estacionamento para 100 carros; restaurante e bar panorâmicos; adega; área de camping familiar e camping individual; casa de farinha; engenho; casa de fazenda; casa de taipa; anfiteatro; dancing; área vip para convenção com auditório de 150 lugares; e muito verde".

Jovens
O professor tem grande apreço pela área para a juventude. "Aqui eles poderão acampar com suas barracas com condição de colocar um som, computador, chapinha e outros aparelhos, pois cada ilha de camping tem uma torre de energia elétrica", informa.

E a preocupação em atrair jovens para conhecer o potencial natural e histórico da Zona Norte do Ceará fez com que Paulo Emílio construísse um anfiteatro para 1,8 mil pessoas. "Aqui poderemos fazer apresentações culturais. Temos a Associação Luar da Serra, que terá sede aqui. Ela é responsável por belas apresentações de quadrilhas juninas, do bumba meu boi e outras manifestações tradicionais nossas", revela.

Iluminação
Toda iluminação do Sítio Monte Olimpo é feita em luminárias a base de garrafões coloridos de vinho. O bar terá arquitetura rústica com cadeiras em madeira bruta (sabiá, pau branco, jurema e angico). "O nosso bar vai obedecer toda legislação ambiental e sanitária. Tanto que os banheiros têm ventilação natural, são individualizadas para homens, mulheres, crianças (com fraldário e mamário) e portadores de necessidades especiais". Toda esta ideia do professor nasceu de declaração de uma sobrinha em 2007. Ela disse: "Tudo isso aqui é lindo". Com isso, ele começou a planejar o Monte Olimpo, sítio herdado da família, para ser espaço de contação de história, resgate cultural e turismo ecológico.

MAIS INFORMAÇÕES

Museu Histórico Zona Norte
Sítio Monte Olimpo
Palestina - Meruoca
Fones: (88) 9642.0654/ 9462.2080

Lauriberto Braga
Repórter

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Editora José Olympio completa 80 anos

Editora José Olympio, responsável pela edição de sucessos como O Quinze, de Rachel de Queiroz, completa hoje 80 anos e promete comemorar com grandes relançamentos 

A escritora cearense Rachel de Queiroz teve grande parte de sua obra editada pela José Olympio (CLÁUDIO LIMA, EM 5/11/2000)

“É, não sei bem como se deu que, editada e editores, viramos irmãos. Não foi planejado, não foi nada repentino e dramático, foi misterioso, insensível. Quando vi já estava chamando J.O de ‘José’”. Foi assim que, há 30 anos, quando a Editora José Olympio completava meio século, a cearense Rachel de Queiroz narrava em sua coluna no O POVO como se deu o encontro, que começou ainda na década de 1930, e o desenrolar da relação familiar com o José e quem mais fazia a editora, que publicou seu O Quinze e outras tanta obras.

Hoje, 29, a José Olympio completa 80 anos, com a alcunha de ser a casa dos clássicos da literatura brasileira, publicando autores como Guimarães Rosa, Carlos Drummond e José Lins do Rego, numa época (nas décadas de 1930, 40 e 50) em que as concorrentes se interessavam mais pelos escritos europeus. Sob o comando da Editora Record desde 2001 e sem o icônico editor José Olympio, falecido aos 87 anos, em 1990, a editora fará reedições e novos recortes de grandes escritores.

São esperados para 2012: um livro de crônicas com facetas menos conhecidas de José Lins do Rego (textos sobre a cidade e o cinema) e Rachel de Queiroz (crônicas políticas); a obra completa reeditada, com novas orelhas, apresentações e cronologia de Ferreira Gullar; o novo romance de Ariano Suassuna, O Jumento Sedutor; Vanguarda européia e o modernismo brasileiro, de Gilberto Mendonça Teles; e Movimentos modernistas no Brasil, de Raul Bopp; o compositor Tom Jobim terá suas letras de música vistas como poesia; além de títulos estrangeiros.

Conhecida pela edição e livros nacionais, nos últimos anos a editora tem diversificado, com títulos estrangeiros, além de oras infantis -exemplo disso é O menino do dedo verde, que já passou da centésima edição e vendeu dois milhões de exemplares.

A ousadia de J.O

O editor paulista começou a vida profissional aos 15 anos como funcionário de livraria (da qual se tornou sócio) e abriu em 1934, com 29 anos, a Livraria José Olympio, a “Casa”, que ficava na rua do Ouvidor, 110, no Rio de Janeiro e foi palco para grandes encontros culturais, narrados pela jornalista Lucila Soares, neta do editor, sob o título Rua do Ouvidor, 110.

Ousado, José Olympio buscava escritores que até então não eram editados, lhes pagava direitos autorais adiantados, quando ninguém mais o fazia. O editor lançava obras com tiragens de milhares de exemplares para autores que se tornaram clássicos, mas que a época ainda eram talentosos desconhecidos.

Outra marca do editor e de seus livros era o apuro gráfico, sendo pioneiro na preocupação com a estética do livro, atraindo grandes artistas como Santa Rosa, Portinari, Cícero Dias, Goeldi, Luís Jardim e Poty.

O amor e o respeito pela literatura fez com que se formasse em torno de José Olympio um círculo de autores-amigos. O que fica claro quando Rachel, em sua crônica quando da morte de J.O., revela o transcender da relação que se tornou de convívio íntimo. “Nós, os que pomos no papel nossos pensamentos, sonhos e imaginações, dependemos do Editor, espécie de mágico, que tem o poder de transformar em livro aquilo que era apenas palavras, palavras. E quando temos o Bom Editor que nos solicita escritos, que põe em nós sua confiança e seu dinheiro, ele vira a própria figura paterna. J.O. editor, preencheu, melhor que nenhum outro, essa função. Os seus editados viravam seus amigos tão íntimos como só irmãos o seriam”, conta.

Domitila Andrade
domitilaandrade@opovo.com.br

Fonte: O Povo

A persistência da memória

Em projeto do MIS cearense, série de livros e DVDs registram memórias de protagonistas da cultura do Estado. Primeira leva conta com mais 20 perfis

Christiano Câmara: o memorialista é um dos entrevistados na série de DVDs do MIS
FOTO: KID JUNIOR

Parte da memória do Estado registrada em entrevistas com intelectuais, artistas e outros personalidades relevantes na história da cultura cearense. Com essa proposta, o Museu da Imagem e do Som do Ceará lançou na última semana o "História MIS", projeto cuja primeira etapa reúne depoimentos de mais de 20 personalidades em quatro livros e oito DVDs.

Sob coordenação do memorialista Nirez, diretor do MIS, a iniciativa contribui para preservar e difundir não apenas as trajetórias dessas personalidades, mas, em última análise, as transformações culturais recentes do próprio Estado.

"Isso é possível porque os entrevistados pertencem a diferentes campos de ação. Há musicólogos, escritores, bailarinos, intelectuais, artistas, filósofos etc. Desde que entrei no MIS planejava fazer um projeto assim", conta Nirez.

Ao todo, a lista de convidados da primeira etapa inclui 23 nomes, a exemplo de Angela Gutiérrez, Gilmar de Carvalho, Christiano Câmara, Ricardo Guilherme, Pedro Salgueiro, Sérvulo Esmeraldo, Oswald Barroso, Tom Barros, Dora Andrade, Virgílio Maia, Batista de Lima, Narcélio Limaverde e Ary Sherlock. Cada livro é acompanhado de dois DVDs, com os depoimentos gravados em vídeo e imagens extras relacionadas às vidas dos entrevistados - muitas pinçadas de seus acervos pessoais.

Mergulho
As entrevistas foram realizadas exclusivamente para o projeto, por diferentes colaboradores. Sânzio de Azevedo, por exemplo, conversou com Angela Gutiérrez; o bailarino Ernesto Gadelha falou com a colega Dora Andrade, e assim por diante.

"Essa primeira etapa foi meio demorada, levamos 14 meses para finalizar. Entrevistamos mais de 30 pessoas. As que ficaram de fora estarão nos próximos volumes publicados, juntamente com outras que continuaremos a fazer conforme a disponibilidade de cada um", adianta Nirez. As próximas publicações devem ser lançadas em 2012.

Na cerimônia de lançamento do "História Mis", o Secretário da Cultura do Estado do Ceará, Prof. Francisco Pinheiro, descreveu o projeto como uma iniciativa de "respeito à memória histórica dos artistas cearenses, que são a grande representação simbólica do Ceará".

Já para Ângela Gutierrez, uma das entrevistadas, "a publicação revela-se como ponte entre o passado e o futuro de todo um legado da história. Cada um de nós, entrevistados, fizemos um mergulho em nossas próprias vidas", comenta.

Em outubro deste ano, foi lançada uma outra parte do projeto, chamada "Memórias Centenárias Cearenses", que reúne depoimentos de outros 10 cearenses notáveis, porém mais velhos do que os da nova leva. O material ficará disponível no acervo do Mis para consulta e também será distribuído a entidades e pessoas interessadas. A Secretaria da Cultura do Ceará (Secult) também fica com uma parte para distribuir entre as bibliotecas estaduais.

MAIS INFORMAÇÕES
Mis - Museu da Imagem e do Som do Ceará (Av. Barão de Studart, 410, Meireles). Funciona de segunda a sexta, de 8 horas às 17 horas. Contato para visitas com grupos e pesquisa ao acervo: (85) 3101.1206

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER