sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Elicio Pontes lança livro de poesias


Os Olhos do Tempo é o segundo livro do poeta Elicio Pontes e foi lançado no 17 de agosto, no Martinica Café.

Elicio Pontes nasceu em Nova Russa, Ceará. Em Crateús, para onde se mudou aos cinco anos, escutava cantadores e poetas populares na feira da cidade. À noite, lia romances de cordel para ouvintes não leitores; ganhava aplausos (e, às vezes, algumas moedas).
Aos 13 anos foi para Fortaleza, onde mais tarde tornou-se jornalista e radialista. Formou-se em Pedagogia pela UFC. É mestre em Educação pela USC, de Los Angeles, EUA, e doutor pela Uned de Madri, Espanha. É professor da Universidade de Brasilia.
Publicou, em 2001, Corpos Terrestres, Corpos Celestes (Poesia).

Fonte: Blog Luci Afonso

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Momento de celebração do Projeto Tudo de Cor para Fortaleza


A Praça General Tibúrcio, mais conhecida como Praça dos Leões, foi escolhida para receber o projeto Tudo de Cor para Fortaleza, uma parceria entre Governo do Estado do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará(Secult) e Akzonobel/Coral. Hoje o projeto será marcado pela celebração e apresentação de ícones da cultura cearense na praça dos Leões, com maracatú e show do Fagner na Praça do Ferreira, às 19:30h.

O Projeto Tudo de Cor para Fortaleza, tem por objetivo levar cor para a vida das pessoas, despertando o senso de preservação da população das cidades por onde passa, oferecendo ainda treinamento de iniciação à pintura com o intuito de despertar o gosto por uma profissão técnica. A Akzonobel/Coral entrou com as tintas, a mão-de-obra e a capacitação dos pintores envolvidos no Projeto foi ministrada pela Escola de Artes e Ofícios Tomaz Pompeu Sobrinho.

A revitalização dos prédios históricos de Fortaleza circunda um dos corredores culturais e comerciais mais antigo da capital cearense, a Praça do Leões, agregando as edificações históricas e tombadas como a Assembleia Provincial (Museu do Ceará), o Palácio da Luz (antiga sede do Governo, atual Academia Cearense de Letras) e a Igreja do Rosário (primeiro templo religioso da cidade), além da primeira estátua pública (a do General Tibúrcio) e também a estátua da escritora Rachel de Queiroz. Um trecho da Rua Floriano Peixoto, entre o Museu do Ceará e o restaurante Lescale, foi incluso na proposta, bem como dois prédios da Rua Conde D'eu e a Casa do Estudante (rua Nogueira Acioly).

Segundo a diretora do Museu, Cristina Holanda, dentro do projeto o Museu do Ceará ganhará pintura externa completa e participará da gravação da parte promocional do evento, incluindo o chamado time lapse.

O Projeto conta também com as parcerias da Prefeitura de Fortaleza por meio da SERCEFOR (Secretaria do Centro da Cidade de Fortaleza), SEMAM (Secretaria do Meio Ambiente) e SECULTFOR (Secretaria da Cultura de Fortaleza); o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional); e a COELCE (Companhia Energética do Ceará). Foram várias reuniões e ações envolvendo essas instituições e os lojistas e diretores dos equipamentos situados na área do projeto.

Serviço: Projeto Tudo de Cor para Fortaleza

Programação:

Mutirão de pintura na Parça dos Leões
Hora: 15:30
Local: Praça dos Leões

Descerramento da placa comemorativa
Hora: 17h
Local: Praça dos Leões

Apresentação de Maracatú
Hora: 18h
Local: Praça dos Leões

Show Fagner
Hora: 19:30h
Local: Praça do Ferreira

Fonte: Secult-Ce

O sertão dentro de nós

Se tudo que venha da literatura e da arte merece alguma atenção, Patativa do Assaré é uma espécie de avô absoluto daquilo que se possa querer sugerir em termos de vida, de leveza, de autenticidade. Bem por isso, o poeta cearense de tempos em tempos faz uma aparição mencionada por aqui. E a razão de seu retorno, agora, em agosto, é mais do que significativa: acaba de ser lançado, por iniciativa de uma parceria entre a Tempo d’Imagem, de Fortaleza, e o Sesc SP, o belíssimo (simplesmente belíssimo) volume Patativa do Assaré: o sertão dentro de mim  (capa abaixo). São 144 páginas, em papel couche, acabamento gráfico de luxo e capa dura com sobrecapa, tudo do bom e do melhor como o querido Patativa teria feito por merecer em cada instante de sua vida. E vale, pelo amor de Deus, cada centavinho do investimento.


A motivação para esse novo álbum forjado no entorno da vida, da obra, da rotina e do modus vivendi do mais ilustre filho de Assaré, ou do Sertão de Santana, é por si só incomum: quem assina as fotos é o fotógrafo Tiago Santana (abaixo), cuja competência cada uma das dezenas de imagens em preto-e-branco não cansará de reafirmar. O que nos surpreende, causa vertigem, é o que surgirá nas duas últimas fotos do conjunto: na penúltima, Patativa aparece sentado com uma criança, um nenezinho, no colo.


O texto “O retrato do Sertão dentro de mim”, na página ao lado, à direita, revela o contexto: aquele menininho no colo do poeta é ninguém menos que Tiago, a quem Patativa viu nascer, em 1966, e a quem até ajudou a cuidar, de algum modo.
As famílias de ambos se conheciam e se visitavam. Assim, Tiago cresceu convivendo, vendo, ouvindo Patativa e ouvindo sobre Patativa, o que, como não poderia mesmo deixar de ser, resultou num respeito, num carinho, numa admiração, numa amizade e num amor absolutos. Bem por isso, porque Patativa também simpatizou desde sempre com o menino, jovem e fotógrafo Tiago, ao longo do tempo foi permitindo e propiciando e aceitando o registro fotográfico de uma rotina e de um cotidiano como praticamente ninguém mais o poderia fazer.



Na últiima foto do álbum, assim, aparece diante de nós Patativa em primeiro plano, e logo adiante aquele mesmo menininho da foto anterior já com a câmera, eternizando o bardo, em imagens como a acima e a abaixo, que constam desse acervo montado ao longo dos anos, até a morte do poeta, em 2002. Tiago e Patativa, e as pessoas das relações de Patativa, conviviam com extrema naturalidade, e assim temos, diante de nós, o escritor como nunca se poderia esperar, realçado ainda mais por depoimentos e por um texto primoroso do professor Gilmar de Carvalho.


É um volume que, ao passo em que se lê a poesia de Patativa, a gente não cansa de folhear e de admirar um momento sequer. Livro não para ficar na estante. Livro para ser carregado consigo, para onde quer que se vá: para  chácara, para a praça, numa viagem, para uma ilha. Obra-prima. Nada menos que isso.

por Rudolfo Beling - romarbeling@yahoo.com.br

Os encantos de Jeri

Impossível chegar em Jericoacoara, ou simplesmente Jeri, como é carinhosamente chamada, e não se apaixonar. Ter vontade de morar lá. Comprar um negócio como os vários estrangeiros fizeram e nunca mais dar as caras na grande metrópole.




Foto: Divulgação
Se você tiver ‘sorte' de chegar quando a energia elétrica tiver acabado na vila, prepare-se para, além do banho frio, ver uma infinidade de estrelas num céu inesquecível. A bagagem para Jeri é muito simples, chinelos e roupas confortáveis. Ao andar na rua a impressão que dá é que estamos em plena orla, já que a areia faz parte das vias do local.

Localizada a 305 quilômetros de Fortaleza, para chegar até Jericoacoara é preciso seguir para Jijoca. A estrada acaba ali e depois é preciso deixar o carro e seguir de bugue, jardineira ou veículos com tração nas quatro rodas. Prepare-se para chacoalhar bastante, além de encarar as atoladas do carro na areia com muito bom humor. Fatalmente você terá de descer e empurrar. O acesso complicado ajudou a preservar Jeri, o que é uma ótima notícia para quem preza pela natureza selvagem.

Mas tudo vale a pena em Jericoacoara. É lá que fica uma das dunas com a vista mais bonita do Brasil. Diariamente turistas e moradores se enchem de fôlego para subir os 30 metros de areia fofa (a impressão que dá é que nunca se chegará ao topo, já que o pé afunda com certa frequência). Mas logo vem a recompensa: o sol que se põe lindamente no mar. Por isso não deixe de visitá-la no fim de tarde. Além disso, é possível apreciar a vila encantadora, restaurantes e barzinhos cada vez mais transados.




Foto: Divulgação
A maior parte dos 20 quilômetros que separam Jijoca e Jericoacoara ficam entre dunas, sem caminho bem definido. Ir de automóvel mesmo pelas praias vizinhas é arriscado - e carros são desnecessários numa vila pequena. A dica é estacionar em Jijoca e embarcar nas caminhonetes ou jardineiras que vão até Jeri. Para quem vem de Fortaleza a melhor maneira é pegar a CE-085 até Barrento, depois pegar a BR-402, via Itapipoca, até o trevo de Acaraú, onde a CE-085 é retomada até Jijoca.





Foto: Divulgação
Praias

Para quem gosta de andar à beira-mar, aproveite para chegar até a Pedra Furada, considerado o segundo cartão-postal de Jeri. Na maré baixa, bastam 40 minutos de caminhada pela praia; pela direita não esqueça de mergulhar nas águas mornas e tranquilas da praia Malhada no caminho. Na maré alta o acesso é pela trilha do Morro do Serrote, a mais longa.

A praia do Preá fica a 12 quilômetros ao Leste de Jeri e é uma das mais acessíveis para quem está na vila. Mas vale dizer que é preciso ir pela praia, na maré baixa.

Sentir o vento no rosto e o cheiro da maresia são motivos para investir num passeio imperdível: ir de bugue pelos 20 quilômetros de areia a Oeste da vila, seguindo para Camocim. No caminho será possível encontrar Mangue Seco, antigo mangue hoje convertido em estranhas formações de areia; Tatajuba Velha, vila soterrada pelas dunas, em ruínas há mais de 20 anos; e Tatajuba Nova, para onde os moradores desalojados da primeira se mudaram.

Faça uma parada estratégica na lagoa Torta, onde é possível comer frutos do mar bem fresquinhos e ainda descansar curtindo a deliciosa brisa em redes sobre a água.




Foto: Divulgação
E as belezas não param por aí. As lagoas Azul e do Paraíso, localizadas na vila de Jijoca de Jericoacoara - na verdade são dois cantos diferentes da mesma lagoa, a da Jijoca -, são os melhores lugares para mergulhar e tomar sol na região. As águas cristalinas e calmas são um convite para não ir embora tão cedo, pelo menos até o sol se pôr.

Depois de todos os passeios, basta retornar à vila, tomar um bom banho, calçar os chinelos e ir em busca de um menu diferenciado - os restaurantes oferecem crepes, pizzas, frutos do mar, entre outros. Com certeza depois de tudo isso será impossível conter o desejo de ficar para sempre na encantadora Jeri.

Praia com arrasta-pé

Mar quentinho e praias de tirar o fôlego, forró, frutos do mar, bom humor, adrenalina, rendas... Não faltam atributos para colocar Fortaleza como um dos mais bonitos destinos do Nordeste brasileiro.

E não é à toa que se auto-intitula A capital da alegria. O Estado, que abriga humoristas de nascimento como Tom Cavalcante, Chico Anysio, Didi Mocó, Falcão, faz questão de receber os turistas de braços abertos e, claro, com um sorriso no rosto.




Praia do Futuro    Foto: Divulgação
Na cidade onde o verão dura o ano inteiro - com temperatura média de 27ºC, as praias são grandes atrativos. A do Futuro é uma das mais conhecidas. Lá o banho de mar está liberado, pois a água não é poluída. Praia larga, com orla reta e muito vento, abriga várias barracas muito bem equipadas, que servem desde caranguejo (não saia de Fortaleza sem apreciar alguns) e o tradicional pargo assado no sal grosso.

A praia de Mucuripe é ótima para observar as jangadas que trazem peixes fresquinhos ao mercado à beira-mar. É lá que está localizada a estátua de Iracema, construída para homenagear um dos seus mais ilustres conterrâneos, o escritor José de Alencar. O romance de Iracema conta, de forma poética, o amor quase impossível entre um branco, Martim Soares Moreno, pela bela índia Iracema, a virgem dos lábios de mel e de cabelos mais negros que a asa da graúna.




Estátua de Iracema     Foto: Divulgação
A de Meireles é ponto de encontro durante o dia para caminhar no calçadão. À noite, é a vez de conhecer a feirinha de artesanato com 3,5 quilômetros de extensão. A de Iracema é repleta de bares e casas noturnas, além de possuir um píer muito procurado para ver o pôr do sol.

Cultura e Arte

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura é um ótimo passeio para um fim de tarde. O complexo abriga museus como o Memorial de Cultura Cearense e o Museu de Arte Contemporânea do Ceará.




Centro Dragão do Mar    Foto: Divulgação
Construído entre 1908 e 1910, com estrutura metálica importada da Escócia, o Theatro José de Alencar é o mais importante marco arquitetônico da capital cearense. Com vitrais art nouveau, tem jardim lateral projetado pelo paisagista Burle Marx. O palco, móvel, se desloca para a frente, para cima e para baixo. Cada camarote tem o nome de uma obra do escritor, homenageado também por uma pintura do artista cearense João Vicente no arco do palco.




Teatro José de Alencar   Foto: Divulgação
Já o Museu do Ceará conta com cerca de 7.000 peças, incluindo o acervo do padre Cícero e textos originais do poeta Patativa do Assaré.




Museu do Ceará    Foto Divulgação
Rendas, rendas e mais rendas. Fortaleza é famosa pela variedade delas, que vão desde a renascença, passando pela labirinto até a de filé. Introduzida pelos portugueses, a de bilro é um bordado que não se usa agulhas. Impossível não se deixar hipnotizar pela destreza das mãos das rendeiras, que habilmente vão construindo belíssimas peças. É também improvável não voltar com a mala mais pesada carregada de tanta arte.




Rendeiras   Foto: Divulgação
Em Maranguape, a 30 quilômetros de Fortaleza, os amantes da branquinha vão se deliciar no Museu da Cachaça, que conta com um vasto acervo de documentos, fotos, garrafas e tonéis de bálsamo. Em meio à paisagem serrana, o local mantém curiosidades como o maior tonel de madeira do mundo, com capacidade para 374 mil litros (registrado no Livro dos Recordes, e um parque com área para esportes radicais.




Museu da Cachaça   Foto: Divulgação
Memórias do pai de Iracema

A Viuvinha, O Guarani, Lucíola, Iracema, Senhora. Essas e outras relíquias só remetem a um único nome da literatura brasileira: José de Alencar. E é ele o homenageado na casa que leva seu nome, situada em Sítio Alagadiço Novo, no bairro Messejana.

Com a frase Divas, senhoras e sertanejos, sejam todos bem-vindos o visitante vai se deparar com um espaço verde que respira tranquilidade e cultura, bem no meio da movimentada Avenida Washington Soares.




Casa de José de Alencar   Foto: Divulgação
Em 1825 o local foi adquirido pelo padre José Martiniano de Alencar, pai do escritor cearense José de Alencar. Durante nove anos o espaço serviu de moradia para um dos principais nomes da literatura nacional, cuja obra foi fortemente influenciada pelas belezas naturais do Estado do Ceará.

Em 1965, durante a gestão do reitor Antonio Martins Filho, a Universidade Federal do Ceará adquiriu o sítio e o manteve até hoje. Passeando pelos espaços, o visitante pode aprender sobre a obra do escritor, ver a história do livro CF51Iracema/CF contada por imagens e saber mais sobre escravidão e cultos afro-brasileiros.

Construído no século 18, o local tem, além da simples casinha que mantém seu desenho original, uma biblioteca, a pinacoteca, um restaurante, ruínas históricas e museus. Dentre o acervo é possível ver a coleção Arthur Ramos, composta por fetiches, atabaques, trabalhos de feitiçaria e outros itens que se referem às manifestações religiosas afro-brasileiras, como a macumba e o candomblé, incluindo peças africanas de grande valor etnográfico, bem como outras relacionadas com a escravidão no Brasil.

Há ainda a coleção de Renda Luiza Ramos e, na pinacoteca Floriano Teixeira, 32 quadros - telas a óleo e desenhos - do pintor maranhense, que retratam personagens da obra romanesca de José de Alencar, como Iracema e Martim, Peri, Lúcia, Aurélia, Arnaldo, Emília.

Além de ter visitação gratuita, a Casa José de Alencar conta com monitores que se distribuem em dois turnos e acompanham os visitantes, fazendo explanações sobre o acervo e os espaços.