quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Leitura e mitos da cultura popular são levados a três cidades do Ceará


Serão beneficiados alunos de 4º e 5º anos das escolas de Caucaia, Aquiraz e São Gonçalo do Amarante.


Por: Roberto Nascimento


Nos dia 17, 18 e 19 de agosto, contadores de histórias levarão o mundo mágico da leitura e da contação de histórias aos alunos de 4º e 5º anos das escolas de Caucaia, Aquiraz e São Gonçalo do Amarante e das comunidades do entorno. O objetivo é despertar nos alunos o desejo de criar as próprias narrativas e levá-las à reflexão sobre seu papel na história da cidade e seu entorno.


Será uma sessão interativa por dia, realizada nas escolas Cel. Raimundo de Oliveira, Laís Sidrim Targino e Leorne Belém para cerca de 160 crianças. A iniciativa é uma das ações do “Contadores de Histórias Encantadas”, projeto apoiado pela Endesa Brasil.


Durante o mês de agosto, as contações de histórias serão realizadas em 11 cidades do país. No total, mais de 3 mil escolas do Brasil estão participando do “Contadores de Histórias Encantadas”.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Museu de Arte Contemporânea de Sobral, no CE, está fechado há 2 anos


Equipamento foi fechado após enchente do Rio Acaraú danificar estrutura.
Prefeitura de Sobral diz ter projeto para reabrir museu, mas sem previsão.

O Museu de Arte Contemporânea de Sobral (Madi), na margem esquerda do Rio Acaraú, no Ceará, está fechado, desde 2009, quando ocorreu uma enchente no rio. As águas invadiram o prédio e, segundo a prefeitura, comprometeu a estrutura do equipamento.

Para a professora Samara Costa, é uma pena que o acervo ainda esteja inacessível para o público. “Vim com meus alunos conhecer o espaço. Ficaram todos curiosos para conhecer o prédio, mas ele continua fechado”, diz Samara. A empresária Vânia Praxedes também lamenta que o prédio continue fechado. “São obras do mundo todo e ninguém tem acesso”, diz a empresária.

De acordo com o Secretário de Cultura e Turismo de Sobral, Campelo Costa, já existe um projeto em fase inicial de desenvolvimento. A ideia é ampliar o prédio, criando um primeiro pavimento com uma estrutura metálica. “No primeiro pavimento vão ficar as peças da exposição. No térreo, pretendemos fazer exposições temporárias e um trabalho de educação com as crianças que vierem ao museu”, diz o secretário.

Segundo Campelo, ainda não há previsão para a conclusão do projeto, mas ainda este ano o projeto da nova estrutura será apresentada a população.

Fonte: Do G1 CE, com informações da TV Verdes Mares
 

Encontro destaca cultura e desenvolvimento do litoral

O local faz parte da Rede Cearense de Turismo Comunitário. A Reserva Extrativista tem cerca de 200 famílias
FOTO: JULIANA VASQUEZ
A difusão das tradições culturais pelos mestres vai beneficiar novas gerações e pesquisadores
 
Todos os aspectos ligados aos povos que sobrevivem do mar serão debatidas no I Encontro Sesc Povos do Mar, que acontecerá entre os dias 18 e 21 de agosto, na Colônia Ecológica Sesc Iparana, localizada no Município de Caucaia. Debates sobre a cultura, do artesanato à prática de saúde ancestrais, o desenvolvimento do turismo nas cidades praianas, questões socioambientais e etnicidade mobilizarão pescadores, artesãos, quilombolas, indígenas e 100 pesquisadores cearenses, entre biólogos, geógrafos e assistentes sociais. O evento reunirá 400 pessoas.

O encontro será também um momento de socialização entre membros de 44 comunidades participantes, oriundas de 12 Municípios cearenses. Danças regionais, música experimental, artesanato, como rendas, bordados e garrafas desenhadas com areia colorida e outras manifestações culturais, vão divertir os participantes, resgatar e difundir a tradição cultural dos povos das comunidades litorâneas cearenses. Como tema de debates e rodas de conversa, a cultura desses povos também servirá de estímulo à inclusão socioeconômica.

Memória oral
As falas e expressões socioculturais de mestres e representantes das comunidades de pescadores, de quilombolas e de indígenas ganham destaque em oficinas, minicursos e apresentação de vídeos que também acontecem durante o evento. Suas experiências e vivências resgatarão histórias, memórias, identidades étnicas e servirão de exemplos aos mais novos, além de material para pesquisadores.

O representante do Estevão, comunidade de pescadores de Canoa Quebrada, no Município de Aracati, Assis Honorato, quer usufruir o máximo desse encontro. "É uma troca de saberes. Vamos conhecer projetos de sucesso e tentar implantar ideias que ajudaram a vida das pessoas em outras praias".

Um grupo de jovens do Estevão apresentará a Dança do Coco. O pescador Aluísio Pereira dos Santos, de 70 anos, acompanhará o grupo para disseminar seus saberes e histórias aos participantes do evento.

"Este evento promove a reflexão, a criação e a difusão de formas sustentáveis de abrangência territorial e cultural", resume a diretora regional do Serviço Social do Comércio (Sesc-Ceará), Regina Leitão.

Turismo sustentável
Além de promover as tradições culturais, o encontro apresentará projetos de desenvolvimento sustentável, como o da Prainha do Canto Verde, localizada no Município de Beberibe. Criada em junho de 2009, a Reserva Extrativista (Resex), com cerca de 200 famílias, vive da pesca artesanal da lagosta e do turismo comunitário.

Uma reserva extrativista tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura das populações tradicionais e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais do lugar. Diferente do turismo convencional, no turismo comunitário a população distribui equitativamente a renda entre os moradores. Eles articulam e constroem a cadeia produtiva. Criou-se uma cooperativa, por meio da qual os turistas participam de roteiros de visitação com trocas culturais com a população local, além de trilhas voltadas para a preservação do meio ambiente.

"O modo de vida, o convívio, os acessos à praia e a garantia de que a natureza, apesar de explorada, é preservada são as vantagens de viver nesse paraíso", orgulha-se o pescador José Alberto Ribeiro, há 22 anos na profissão e que cria três filhos na Prainha do Canto Verde.


Fique por dentro
Criação
Desde 1997, os moradores da Prainha do Canto Verde lutavam pela criação da Reserva Extrativista. Uma batalha judicial, que se arrastou por longos 17 anos, contra uma imobiliária que tentou expulsar a comunidade das terras onde vivia, foi vencida, em março de 2006, quando em julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) foi reconhecido o direito das famílias a permanecerem em suas terras. Hoje, 610 hectares de terra estão garantidos para a atual e as futuras gerações que queiram manter o modo de vida da população e preservar o meio ambiente do lugar.

MAIS INFORMAÇÕES
1º Encontro Sesc Povos do Mar. Colônia Ecológica Sesc Iparana, cidade de Caucaia
Inscrições: (85) 3452.9082

Isabel Albuquerque
Especial para o Regional

Colégio Imaculada Conceição comemora 146 anos

Foto: Reprodução
Fundado em 15 de agosto de 1865, o Colégio da Imaculada Conceição, pertencente à Rede Vicentina de Educação, completou ontem 146 anos. O espaço voltado para atividades na área educacional e na formação humana e cidadã de crianças e jovens foi um dos primeiros a serem fundados na Capital com esses objetivos.

Localizada, hoje, na Avenida Santos Dumont, no Centro de Fortaleza, a instituição de ensino faz parte da história da cidade e da sociedade cearense, tanto no que diz respeito à educação e à transmissão de valores aos seus alunos quanto na contribuição para o resgate e para a construção da memória da cidade seja por meio da sua exuberante arquitetura seja pela sua própria história.

No início, o local recebia apenas meninas que tinham a oportunidade de serem educadas e de aprenderem diversas funções consideradas importantes. A ideia da instituição naquela época era oferecer uma educação formal para a realização pessoal e familiar de suas alunas.

Hoje, o colégio tem como algumas de suas principais missões realizar uma educação integrada, pautada nas vivências pessoais e coletivas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Literatura de cordel ganha espaço em São Paulo


São Paulo - Com a maior concentração no país de nordestinos fora da região de origem, a cidade de São Paulo terá este mês dois grandes movimentos culturais que tentam preservar uma das maiores tradições brasileiras: a literatura de cordel. Até o dia 6 de outubro, ocorre o 1º Festival de Cordel, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), com oficinas, saraus, cinema e palestras, além de um concurso para premiar os 20 melhores trabalhos.

No próximo dia 27, o Movimento Caravana do Cordel vai reunir especialistas para debater o tema no 1º Fórum do Cordel em São Paulo, no auditório da Ação Educativa, no bairro de Vila Buarque, na região central. Mais do que levar cultura e entretenimento, os coordenadores desses dois eventos querem que eles sirvam para chamar a atenção dos educadores sobre a importância do ensino desse gênero literário nas escolas de ensino fundamental e médio.

Ao pé da letra, cordel significa corda pequena. Seu uso para a classificação da literatura vem do costume, introduzido no Brasil pelos portugueses, de pendurar as cartilhas com os escritos em barbantes nos locais onde as obras eram colocadas à venda. Comumente impressos em papéis rústicos, os exemplares ganharam ilustrações em xilogravura entre o final do século 19 e o começo do século 20.

Curador do 1º Festival de Cordel de São Paulo, o jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo informou que a ideia de levar o tema para as salas de aula já se tornou realidade no Ceará e no Piauí, e, agora começa a se espalhar pelo estado do Pernambuco.

Ângelo lembra que, antes de chegar ao Brasil, o dramaturgo português Gil Vicente (1465-1536) tornou-se uma referência do cordel. Entre os primeiros nomes de poetas brasileiros consta o do paraibano Leandro Gomes de Barros, que morreu em 1918. Ele inspirou Ariano Suassuna a escrever a peça O Auto da Compadecida. Além de ser publicada em livro, a obra foi para as telas do cinema e da televisão.

Segundo o especialista, a estrofe mais comum do cordel é a de seis versos, cada um deles com sete a 11 sílabas. As rimas não podem faltar. Para Ângelo, é preciso acabar com o preconceito que ainda existe em torno dessa tradição. “Muitos pensam que é uma atividade de analfabetos quando ela inclui, por exemplo, pelo lado erudito, Castro Alves e, pelo lado popular, Patativa do Assaré, que se estivesse vivo estaria hoje com 102 anos”, observou ele.

Patativa do Assaré, nome popular do poeta cearense Antonio Gonçalves da Silva, é autor, entre outros, de poemas como Caboclo Roceiro e Triste Partida, cantada na voz de Luiz Gonzaga em gravação de 1964, e Vaca Estrela e Boi Fubá, musicada na voz de Raimundo Fagner, em 1980.

Já o poeta baiano Castro Alves tem entre os escritos mais famosos o Navio Negreiro, que aborda episódios do sofrimento dos povos africanos trazidos para serem escravizados no Brasil. Um dos trechos diz: “Auriverde pendão de minha terra/Que a brisa do Brasil beija e balança/Estandarte que a luz do sol encerra/E as promessas divinas da esperança.../Tu que, da liberdade após a guerra/Foste hasteado dos heróis na lança/Antes te houvessem roto na batalha, que servires a um povo de mortalha!”

Outro poeta que em alguns momentos recorre a elementos do cordel é Gonçalves Dias. Em Canção do Exílio, ele exalta a riqueza da fauna e flora brasileira: “Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá/ As aves que aqui gorjeiam/ Não gorjeiam como lá”.
Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil