sexta-feira, 15 de julho de 2011

Teatro José de Alencar é o berço da arte em Fortaleza


Espaço para convivência, criação artística e divulgação da cultura, o Teatro José de Alencar, em Fortaleza, é um belíssimo exemplo da arquitetura eclética.

No livro Brasil Imperdível, o músico e compositor Raimundo Fagner, morador ilustre da capital cearense, resgata um fato curioso em relação à sua construção: 

Isso mesmo. O Teatro José de Alencar precisou de matéria-prima importada para ser construído.




"Uma exuberante e caprichosa estrutura de metal vinda da Escócia originou o teatro, inaugurado em 1910″.

De lá para cá, o espaço passou por momentos distintos: da glória inicial até um período de esvaziamento, quando cogitou-se transformá-lo em um estacionamento (veja vídeo ao lado).

Porém, o teatro (cujo nome é inspirado no grande escritor cearense) se manteve firme. Após fechar as portas para uma grande reforma, no final da década de 1980, teve sua área ampliada. Atualmente, conta com outros três palcos menores, além do principal, e possui biblioteca, Centro de Artes Cênicas e salas de ensaios.

O Teatro José de Alencar possui, ainda, um espaço para apresentações ao ar livre em seu jardim, projetado pelo paisagista Roberto Burle Marx.

Fonte: Blog Brasil Imperdível

Fortaleza apresenta-se como ‘Capital dos Eventos’

A prefeita Luizianne Lins foi homenageada pelo trade cearense, com a comenda entregue pelo presidente do Fortaleza Convention e Abav-CE, Colombo Cialdini

Com a ação integrada do poder público e iniciativa privada, mais a participação efetiva do trade turístico, a capital do Ceará segue desenvolvendo um intenso trabalho promocional em sua projeção de destino onde todos os atrativos de lazer  também encaminham para a contínua prospecção de segmentos importantes, como na área de eventos.

Através da sua secretaria de turismo, a prefeitura municipal de Fortaleza em parceria com o Convention Bureau e com o apoio da TAM Linhas Aéreas promoveu nesta quinta (14), a ‘Noite de Fortaleza em São Paulo’, reunindo mais de 500 convidados em uma casa de shows em Pinheiros, zona sul da capital paulista.

Para se mostrar como a quinta capital mais populosa do país, com verão durante a maior parte do ano, hotelaria de destaque, uma ampla e alegre agenda cultural, vida noturna agitada e gastronomia reconhecida, e localidade apta cada vez mais na prospecção de eventos – o setor mais rentável da indústria turística –, o evento de lançamento deste projeto veio direto ao principal emissor de turismo para o Ceará.

‘Fortaleza Capital dos Eventos’ terá uma série sincronizada, um evento a cada mês, por várias capitais – ainda neste ano com o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia e Brasília (em novembro), aí vem a pausa da temporada de verão e reinicia em 2012, Manaus e Belém, Curitiba e Porto Alegre, completando-se em Campinas, com atenção para a região do rico interior paulista. A típica comida regional  do ‘Colher de Pau’ e a música com animação certa da famosa ‘Banda do Pirata’.

Reafirmando que o evento tem direcionamento objetivo para o mercado corporativo, o presidente do Fortaleza Convention Bureau, Colombo Cialdini, destacou que este modelo de evento – coordenado pelo diretor executivo Airton Cabral – tem o perfil com todos os componentes para mostrar o clima de alegria e bem receber que a cidade realça. ‘Apresentando as potencialidades e os novos projetos de modernidade executados pela administração municipal – como a nova  avenida Beira-Mar, a remodelação da praia do Futuro, e do pólo gastronômico do Morro de Santa Terezinha – e no setor estadual, onde os grandes destaques são o centro de eventos da ExpoCeará e o Acquario.

A prefeita Luizianne Lins não escondia sua felicidade pela 'Noite de Fortaleza' e sua repercussão, acrescentando o recebimento da comenda ‘Vela do Mucuripe’, entregue por Colombo Cialdini em nome do Convention e da Abav-CE, bem como dos representados Abih-CE, Skal-CE e Abrasel. A comenda simbolizou o agradecimento do trade  nas parcerias realizadas e executadas pela prefeita em favor do progresso da cidade.

Antonio Euryco

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Uma vida feita à mão

A artista cearense Nice Firmeza chega aos 90 anos e celebra a data com a abertura de uma exposição e com o lançamento de um livro de memórias. O evento acontece, hoje, às 18 horas, no Museu do Ceará


Nice Firmeza é um bom exemplo para desvelar o machismo dissimulado na velha máxima de que, "por trás de um grande homem, sempre há uma grande mulher". Companheira de Estrigas (Nilo Firmeza, artista plástico e crítico de arte), há mais de 50 anos, ela está ao seu lado, compartilhando projetos e ombreando-o em sensibilidade.

No próximo dia 18, ela chega aos seus 90 anos. E comemora da mesma maneira que seu companheiro o fez, há dois anos: com a abertura de uma nova exposição e com o lançamento de um livro de memórias. A comemoração é antecipada, para prolongar a festa. Às 18 horas, no Museu do Ceará, a artista abre a mostra "Bandeiras da Nice" e participa do lançamento de "Conversas com Nice", livro de Alberto Rodrigues Soeiro, escrito a partir de entrevistas feitas com a homenageada.

Bandeira
Ao celebrar seus 90 anos, Nice firmeza comprova sua discrição. O conjunto de pinturas exposto é, ele mesmo, uma homenagem: ao pintor cearense Antonio Bandeira (1922 - 1967).

São 28 trabalhos inéditos, produzidos a partir de 1994. Nessa época, Nice decidiu experimentar uma criação que partisse de uma obra já existente - no caso, um quadro de Bandeira, que consta no acervo do Mini-Museu Firmeza, galeria particular dedicada às artes cearenses, aberta ao público, mantida pela artista e pelo marido, no sítio onde vivem, no Mondubim. Os trabalhos recriam e reinventam as imagens não-figurativas de Bandeira, com a delicadeza do uso de cores que marca o trabalho de Nice Firmeza.

Trajetória
Nice Firmeza nasceu em 1921, em Aracati. O padre a batizou apenas com o nome de Maria (só aceitava nomes de santos), mas o Nice que a mãe tanto queria imperou em casa. Mudou-se ainda jovem para a Capital, onde se interessou pela arte. Em 1950, iniciou seus estudos no curso livre de desenho e pintura da Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), quando conheceu seu companheiro de longa data, o então odontólogo Estrigas.

Delicada e inquieta, Nice não se contentou com os gêneros das artes plásticas. Se fez artista, também, a partir dos saberes da tradição popular. Doceira e bordadeira (faz "pinturas" com formas e cores ricas de suas linhas), foi nomeada Tesouro Vivo/Mestre da Cultura, pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult).

Memórias Conversas com Nice Alberto R. Soeiro
LCR Gráfica
2011
76 páginas
R$ 20

Lançamento do livro e abertura da exposição "Bandeiras da Nice". Às 18 horas, no Museu do Ceará (Rua São Paulo, 51, Centro). Contato: (85) 3101.2606

Reforma do teatro sem previsão de término

Há 15 anos fechado, o espaço está em obras desde o início do ano passado. Está prevista construção de praça

Polo cultural: localizado em um prédio ao lado da Emcetur, o equipamento já foi importante espaço de movimentos em Fortaleza nos idos de 1970. A reforma no prédio é lenta
LIANA SAMPAIO
Importante polo cultural que movimentava a Fortaleza da década de 1970, o Teatro Carlos Câmara, do Centro de Turismo do Ceará (antiga Emcetur), está desativado há 15 anos.

Fundado em 1974 e fechado cerca de 20 anos depois por falta de manutenção, o equipamento hoje está em obras desde o início de 2010. Não há previsão para o término dos serviços.

Laete Fernandes, administrador do Centro de Turismo, afirma que os atrasos se devem ao processo de desapropriação de terrenos vizinhos para que seja feita a reforma do espaço. "O terreno ao lado do teatro, que pertencia a Santa Casa de Misericórdia, está sendo desapropriado para que possamos continuar com as reformas, o que tem levado tempo, por isso ainda não sabemos quando tudo será concluído", explica.

Localizado em um prédio ao lado da Emcetur, na Rua Senador Pompeu, o teatro, além de reformado, será também ampliado com a criação de uma praça e um estacionamento no local. O Museu de Arte e Cultura Popular, que funciona na sede do Centro de Turismo, também passará por mudanças. As intervenções no espaço ainda não têm previsão de início.

Preservação
O Centro de Turismo foi reinaugurado em 2010, pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur). Todo o entorno do local está passando por intervenções para formar, junto com a Estação João Felipe, Santa Casa de Misericórdia e Passeio Público, um dos mais importantes corredores arquitetônicos e históricos preservados na Capital.

Esta foi a primeira reforma realizada no Centro de Turismo do Ceará desde o início do seu funcionamento, em 1973. As obras de melhoria foram iniciadas em janeiro de 2008 e receberam investimentos de R$ 1.976.640, do Tesouro Estadual e Ministério do Turismo.

A reforma incluiu a reestruturação das 104 lojas que funcionam no Centro, além da instalação de um elevador panorâmico no local. Novas estruturas elétricas, hidráulicas, de refrigeração, banheiros, restaurante, lanchonete e quiosque também foram instalados durante as obras.

Embora julho seja um mês de alta estação, o movimento de turistas no polo cultural, nesta temporada, está abaixo do previsto. É o que observa o conselheiro da Associação dos Comerciários do Centro de Turismo (Acentur), Raimundo Quixadá. "Pelo que venho notando, diria que o movimento está cerca de 60% menor do que o esperado".

Esse é também o sentimento de muitos dos lojistas do local. A comerciante Tarcila Silveira, 52 anos, ainda mantém o otimismo e espera que a segunda quinzena do mês seja melhor. "Por enquanto está igual a outras épocas do ano, de baixa temporada. A gente ainda está na expectativa de uma melhora até o fim das férias", diz.

Segundo a Acentur, uma média de dez ônibus de turistas passam por dia pelo local. Raimundo Quixadá acredita que um maior conhecimento da população sobre o espaço é uma das saídas para fomentar as visitas ao Centro.

"Tem que divulgar primeiro para as pessoas da terra para poder trazer turistas aqui. Frequentam muito o Mercado Central e não vêm aqui, que é do lado e tem a mesma variedade e qualidade de serviços. Somos um polo cultural, histórico e comercial que merece mais destaque", afirma Quixadá.

Com o intuito de promover ainda mais Centro de Turismo e aquecer as vendas e visitas ao local, a Acentur realiza apresentações artísticas e culturais, além de passeios por Fortaleza até o final de julho.

Outros projetos para a promoção de festivais artísticos durante todo o ano também foram encaminhados para a Setur para aprovação. O objetivo das ações é movimentar as atividades do Centro de Turismo, estimulando as visitas e as vendas.

"Queremos que o Centro volte a ser um polo cultural e econômico forte no Estado, como foi no início de seu funcionamento, na década de 1970", finaliza o conselheiro da Acentur, Raimundo Quixadá.

FIQUE POR DENTRO
História do Teatro
O Centro de Turismo do Ceará (Emcetur) foi fundado em 1973, pelo então governador César Cals, no prédio da antiga Cadeia Pública, no Centro da cidade. A criação do teatro veio um ano depois, em 1974. O espaço ocupava uma das alas do Centro e, posteriormente, passou a chamar-se Teatro Carlos Câmara, em homenagem ao dramaturgo. Durante a década de 1970, o equipamento era um dos polos culturais mais ativos de Fortaleza. Há 15 anos desativado, o espaço passa agora por reformas.

REGINA PAZ 
ESPECIAL PARA CIDADE

domingo, 10 de julho de 2011

Livro reúne ícones do Cariri

Obra infantil aborda tradições e histórias que povoaram a região, enfatizada por apresentar-se em áudio

Lançamento do livro ofereceu uma identificação com o público infantil, envolvido com as tradições do lugar
Crato. Lançado, nesta cidade, o livro "O Mistério das 13 Portas no Castelo Encantado da Ponte Fantástica", de autoria do médico José Flávio Vieira, com Ilustrações de Reginaldo Farias. A solenidade de lançamento aconteceu no Cine Teatro Salviano Arraes, antigo Cine Moderno, localizado no calçadão da Rua Bárbara de Alencar.

O livro, engenhosamente, faz uma tessitura dos mitos caririenses e acompanha um CD com 15 Músicas e um Áudio-Livro com a exposição da história. A narração do livro na voz de Luiz Carlos Salatiel é destinada a deficientes visuais, justifica o autor, destacando que é o primeiro livro cearense com áudio.

O projeto foi vencedor do I Prêmio Rachel de Queiroz da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult). Na oportunidade, foi promovido um show com a presença de vários músicos e compositores cearenses que participaram do projeto, entre os quais Luiz Carlos Salatiel, Lifanco, Ibbertson Nobre, Luiz Fidelis, Pachelly Jamacaru, Amélia Coelho, Ulisses Germano, Zé Nilton Figueiredo, João do Crato, Leninha Linard, Abidoral Jamacaru, Fatinha Gomes, André Saraiva, Elisa Moura, João Neto, Bonifácio Salvador, Rodrigo e o Coral Mensageiros de Cristo.

Alusão

Zé Flávio faz questão de dizer que a produção contou com a participação de mais de 60 pessoas que deram sua colaboração, a partir de sua neta, Thais, de 13 anos de idade, que leu o livro com o objetivo de indicar se o texto estava à altura do público infantil. Com base nesta leitura, o autor teve que fazer algumas correções antes de liberar o trabalho para impressão.

A obra destinada ao público infantil trata de um Reino Encantado com o nome de Aimará, localizado no pé de uma serra, com árvores grandes e frondosas, cercado de fontes perenes que banhavam o vale. Ali, nasciam flores e cresciam muitas fruteiras. Era o paraíso dos pássaros, entre eles uma ave especial que era o guardiã do Reino e se chamava Soldadinho. Aimará era governada pelo Rei Tristão e a Rainha Bárbara. Com tantas fruteiras e caças, os habitantes não precisavam trabalhar muito. O Reino criado pelo autor é uma alusão à região do Cariri.

Ao lado, havia outro Reino com o nome de "Trono do Altar", governado pelo Rei Joaquim que, ao contrário do Rei Tristão, era guerreiro, perverso e invejoso. Terminou invadindo o Reino de Aimará. Com o tempo, o Reino foi destruído em consequência do pipoco da pedra da Batateira que inundou a região. Os sobreviventes se refugiaram na serra do Horto, onde se encontra a estátua do Padre Cícero, fundador de Juazeiro.

Ao longo da história, o autor lembra as lendas que povoam o imaginário popular do Cariri. Entre elas, uma baleia que morava embaixo da Igreja da Sé, o boi misterioso, a cobra da lagoa encantada, a pedra de Nova Olinda e outras crendices que construíram e povoaram o mundo do Cariri encantado. No trajeto místico em busca de decifrar o mistério que envolveu a destruição do Reino, o autor denuncia os crimes ambientais, o progresso avassalador e a ganância do homem. Por fim, depois de uma longa caminhada, um dos personagens encontra as 13 portas do Castelo Encantado, que são representadas por 13 mitos que escreveram com o seu jeito de ser a história do Cariri.

Maldição

Uma história construída por gente simples como Canena, uma mulher que vendia tapioca com fígado no Crato antigo. Tandô, um moreno metido a cangaceiro que carregava na cartucheira, ao invés de balas, fragrâncias dos mais diversos perfumes silvestres do Reino.

O Rei da Serra, um ermitão que fez da floresta do Araripe a sua morada e única propriedade. Capela, um travesti valente que se tornou o defensor dos injustiçados. Vicente Finim, o filho ingrato que, por maldição da mãe, virava lobisomem nas noites de lua cheia. Maria Caboré, uma serviçal que morreu de peste bubônica, enquanto tratava dos pais. O Príncipe Ribamar da Beira Fresca, que inventou uma fábrica de descaroçar fumaça. Noventa, um chapeado, um profeta que foi alfabetizado enquanto trabalhava. Zé Bedeu, um boêmio que fez das praças do Crato o seu lar. Padre Verdeixa, um missionário irreverente que arranjava um pé-de-briga por onde passava. Zé de Matos, um poeta que vagava, fazendo poesias nas feiras do Crato. O Beato Zé Lourenço, um líder espiritual que foi perseguido pelos poderosos e Jeferson da Franca Alencar, o ecologista que conseguiu salvar alguma coisa do Reio Encantado.

Identidade

O autor justifica que a história de uma região nem sempre é escrita por nobres. Estes mitos que alimentam conversas de mesas de bares, nos alpendres das fazendas e nos terreiros das casas sertanejas são os verdadeiros símbolos da identidade da Nação Cariri.

Com estes personagens, mitos e crendices, o médio José Flávio com a ajuda de músicos e intérpretes regionais, consegue transformar um elenco de lendas numa denúncia contra a devastação da natureza, alimentada pela ignorância de muitos, pela ganância especulativa ou pela cegueira política.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretária de Cultura, Esporte e Juventude do Crato
Centro Cultural do Araripe
Telefone: (88) 3523.2365


ANTONIO VICELMO 
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste