quarta-feira, 1 de junho de 2011

Francisco Pinheiro volta a Secult-Ce

Afastado desde fevereiro de suas funções como titular da Secretaria da Cultura do Estado, Francisco Pinheiro volta ao órgão hoje - ele já esteve à frente do cargo em janeiro e promete colocar em prática novos projetos, que deverão ser concretizados nos próximos três anos e meio

Pinheiro despediu-se, ontem, da Assembleia Legislativa
FOTO: FÁBIO LIMA (13/10/2008)
Seis meses depois de ter sido indicado pelo governador Cid Gomes para a Secretaria da Cultura do Estado (Secult), o ex-vice-governador Francisco Pinheiro (Professor Pinheiro) assume, em definitivo, hoje, o cargo. Ele chegou a atuar como secretário no último mês de janeiro, mas ficou pouco mais de 30 dias na função. No início de fevereiro, ele licenciou-se do cargo para assumir como suplente de deputado na Assembleia Legislativa, deixando em seu lugar a secretária adjunta, Maninha Morais.

No discurso de despedida na AL, ontem, ele foi breve. Falou da boa convivência com os colegas, "apesar das diferenças ideológicas". Ele pediu que seus projetos, ainda em tramitação no legislativo, fossem acompanhados por seus colegas de partido. Pinheiro elogiou, ainda, o processo democrático que elegeu a professora Otonite Corteza reitora da Universidade Regional do Cariri (Urca) e destacou a importância de discussões em torno do desenvolvimento sustentável.

Sobre a nova (ou velha) função, Pinheiro se disse tranquilo e aproveitou para afirmar que "há má vontade e desinformação" entre os que afirmam que a pasta da Cultura não tem trabalhado. "Tudo o que deveria ter sido feito foi devidamente cumprido, como os editais, que foram todos lançados", declarou o atual secretário.

De acordo com Pinheiro, no próximo sábado, todas as secretarias, incluindo a da Cultura, apresentarão ao governador novos projetos estruturantes para serem colocados em prática até o fim do seu mandato, em 2014. "Apesar de afastado do cargo, participei ativamente e acompanhei de perto a elaboração destes projetos", garantiu ele.

O primeira promessa diz respeito a criação da Pinacoteca do Estado, que deverá ser montada nos galpões da antiga Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA), no centro histórico da Capital.

Outro projeto é de criação do Sistema Estadual de Arquivo e Documentação do Ceará. De acordo com Pinheiro, o acervo histórico do Estado está sendo perdido e, por isso, pretende criar arquivos municipais, onde todo este material será catalogado e mantido de acordo com as normas mundiais de conservação. Além disso, tudo será digitalizado e, "com exceção de documentos sigilosos", poderá ser consultado por qualquer pessoa através da internet.

Além disso, adiantou o secretário, a ideia da Secult é criar uma rede de centros culturais semelhantes ao Dragão do Mar, de Fortaleza, pelo Interior. "Seriam grandes centros de difusão da cultura funcionando em prédios que já existem e seriam reformados para esta função", explicou.

Pinheiro declarou também que não tem qualquer intenção de modificar a equipe que compõe a Secult. "Todos os gestores e assessores dos equipamentos culturais do Estado já foram confirmados ou substituídos quando passei um mês como secretário. Tudo já vem funcionando normalmente", ressaltou.

O secretário acrescentou que projetos importantes, como os de incentivo à leitura, terão continuidade. Outros, sofrerão algumas modificações. É o caso da política de editais, que tem sido mantida, mas terá a fiscalização ampliada. "O professor Auto Filho (ex-secretário) implantou esta política, mas daremos um passo adiante, verificando se os projetos estão sendo executados a contento", avisou.

Ele destacou que os recursos destinados para a pasta serão redefinidos e que buscará junto ao Governo Federal suporte financeiro para executar, principalmente, os projetos de arquivo e documentação. "Esta é uma área bastante importante".

Impasse
A crise na Secult teve início no dia 2 de fevereiro, data marcada para a posse dos candidatos eleitos deputados estaduais no pleito de 2010. Na ocasião, Francisco Pinheiro, iria assumir o cargo de secretário da Cultura do Ceará. Até aquela data, ele esteve durante todo o mês de janeiro em atividade na Secult. Contudo, por figurar na lista dos deputados eleitos (com 38.581 votos), Pinheiro teve que deixar a secretaria para assumir o mandato de deputado estadual. Para seu espanto, ao chegar às dependências da Assembleia Legislativa, onde deveria acontecer a posse dos eleitos, ele foi surpreendido com a notícia de que não seria mais titular da vaga de deputado. A Justiça Eleitoral havia feito alterações no quadro de eleitos, e, a partir daquele momento, Francisco Pinheiro passou a ser primeiro suplente. E o historiador não foi empossado.

Assim, naquele dia, em razão da saída dos deputados eleitos que ocupavam cargos nas secretarias, o então Secretário da Cultura foi convocado para assumir a Assembleia como suplente. Em entrevista ao Caderno 3, concedida no dia 16 de abril deste ano, ele explicou, que no dia da posse surgiu uma liminar em que o Partido Trabalhista Cristão (PTC) ganhou uma vaga na Assembleia e tirou uma vaga da coligação PSB, PT e PRB.

"Estamos trabalhando no sentido de reverter essa situação, tendo em vista que o partido que ganhou a vaga, o PTC, não fez coeficiente eleitoral. Entramos com uma ação sete dias depois, que hoje está tramitando no Tribunal Regional Eleitoral e, de lá, segue para o Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. Temos que aguardar a decisão, mas estou certo que o bom direito vai prevalecer", destacou na época.

Pinheiro, que disse, ontem, ainda aguardar uma decisão da Justiça Eleitoral, chegou a revelar, ainda, que a lista dos novos gestores dos equipamentos culturais do Estado só seria confirmada após seu retorno à Secult. A medida é uma das mais importantes para o setor, e seu adiamento parece ter colocado a Secretaria em um hiato. O único nome que havia sido confirmado foi o de Isabel Cristina Fernandes, nomeada diretora de Ação Cultural do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC).

Desde então, quem assumiu a titularidade da pasta da cultura foi Francisca Andrade de Morais, Maninha Morais. Ex-presidente do Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC). Ela foi nomeada secretária adjunta da Cultura do Estado, em janeiro, e passou a acumular as duas funções. Na época, ela também conversou com o Caderno 3. "A secretaria está funcionando. Estamos recebendo todas as demandas, temos uma pauta imensa de audiências. Estamos lançando os editais no período que tem que sair, aliás, acabamos de lançar o Edital da Paixão, e o Edital dos Pontos de Cultura fechamos agora com 399 projetos inscritos, para escolha de 100 pontos. Com relação aos projetos que vamos desenvolver, estamos fazendo reuniões com todas as coordenações, fazendo um balanço mesmo. Muitas questões foram pensadas no mês de janeiro, quando Professor Pinheiro estava aqui, e estamos considerando todas as demandas e dando os devidos fins. Estamos antenados, trabalhando junto. Quando essa situação for resolvida, apenas daremos continuidade aos trabalhos", revelou Maninha.

FILIPE PALÁCIO/ANA CECÍLIA SOARES
REDATOR/REPÓRTER

terça-feira, 31 de maio de 2011

Literatura-Leia-me, se for capaz

O escritor Pedro Salgueiro lança amanhã uma coletânea de autores cearenses apenas sobre contos fantásticos: causos, lendas e histórias para ninguém dormir

Xilogravura de Sebastião de Paula
Na boca da noite, quando a lua cheia chegava e a escuridão já não era mais contida pela parca luz dos postes da Light, vinham com ela as muitas histórias misteriosas, contadas ao breu das velas, recriadas pelos adultos com o intento sem-vergonha de assustar meninos pequenos.

Ah, mas não era só isso. Contar histórias fantásticas sob a luz da vela de cera era a manutenção de uma tradição virtuosa, da qual boa parte dos cearenses, até onde penso, usufruíram.

E nem é preciso ir assim tão longe no tempo. Porque mesmo na cidade grande, longe das paragens do interior, quando simplesmente faltava luz, toda criança já ouviu do pai, da mãe, do avô ou mesmo do irmão mais velho, uma dessas histórias de arrepiar.

Era ali, pertinho da vela, na mesa ou no chão da sala, enquanto se olhava de rabo de olho para a lâmpada vermelha da TV (à procura de um vestígio de eletricidade), que se buscava nos bornais da memória os causos contados muito dantes. Quais delas você ouviu? Eu ouvi a da pedra acorrentada que ia se soltar de cima da serra e destruir a cidade inteira; a do rio que sussurrava anunciando que ia morrer gente afogada; a da pick-up preta que carregava os moleques e outras tantas, lendas urbanas ou sertanejas.

Para o escritor Pedro Salgueiro, natural de Tamboril, as histórias ouvidas eram "cavalos sendo misteriosamente açoitados em estradas escuras, luzes vistas debaixo das oiticicas na beira de rios, machados cortando carnes durante a madrugada no mercado fechado e meninos que apareciam e desapareciam em jardins e camarinhas...", como descreve o próprio.

De tanto ouvir tais causos, Pedro investiu na produção do romance fantástico e, de escritor, passou a pesquisador do assunto. Em cerca de três anos de pesquisa, Pedro conseguiu, com a parceria de alguns outros escritores, reunir em torno de 130 contos fantásticos desenvolvidos por autores cearenses, desde obras de Juvenal Galeno, escritas na década de 1830, até livros inteiros dedicados ao gênero, produzidos por jovens escritores como Alan Santiago e Robson Ramos.

"O Cravo Roxo do Diabo: o Conto Fantástico no Ceará", que será lançado amanhã no Sesc Senac Iracema, foi fruto desse mergulho no insólito, escrito aqui mesmo, no Ceará, ambientando muitas vezes ali, na esquina daquela rua pela qual você passa todos os dias.

Gênero
Apesar das histórias de deuses, da Antiguidade Clássica, o fantástico se consolidou a partir do Romantismo e, desde então, transformou-se ao longo dos anos. Por isso, não se pode dizer que haja uma característica própria apenas da produção cearense. Segundo Pedro Salgueiro, no entanto, algumas particularidades permanecem, garantindo a harmonia do gênero.

"Até o século XX, predominavam as histórias fantásticas fantasmagóricas, mas isso vem mudando. Hoje, entre os modernos, os escritores mais jovens, há um pouco de tudo: lendas urbanas, ficção científica. O fato é que o conto fantástico é aquele que aborda aquilo que não pode ser explicado racionalmente e esse conceito, de certa forma, une essas produções". Acrescenta ele que muitas dessas histórias atuais são ligadas ao cotidiano e os eventos misteriosos acontecem, inclusive, à luz do dia.

Os três anos de pesquisa demonstraram como o gênero é, de fato, relativamente novo no Nordeste. Apesar de vários autores cearenses terem escrito algo de fantástico em suas obras, produções integralmente pertencentes ao gênero são recentes porque, de acordo com Pedro, o Nordeste é uma região convencionada como realista.

"Essa região era vista assim por conta das histórias de lutas do homem contra as intempéries do clima, as secas... Essa pesquisa também surgiu desse desafio, de mostrar que há no nosso Estado muita produção fruto da imaginação e não só literatura voltada para o social", defende Pedro.

Pesquisa
Vencer o edital que viabilizou a produção do livro foi até fácil, difícil mesmo foi a compilação de tantos textos, encontrados por indicações de autores e principalmente por investigações dignas de Sherlock Homes.

Para tanto, Pedro Salgueiro contou com a parceria do professor do Departamento de Letras da Universidade Federal do Ceará, Sânzio de Azevedo, e do professor de filosofia Alves de Aquino, conhecido como o Poeta de Meia-Tijela, que desafiou Pedro a incluir na coletânea uma outra vertente do gênero fantástico: a poesia. Deste modo, as quase 700 páginas de "O Cravo Roxo do Diabo" guardam 130 contos, 60 poesias e ainda 17 fragmentos de romances.

Entre os autores selecionados, destacam-se nomes como José Alcides Pinto, Carlos Emílio Corrêa Lima e Dimas Carvalho, alguns dos que privilegiaram o gênero em suas obras. Muitos dos outros autores o implantaram em seus escritos muito mais como um desafio, uma fuga da escrita realista, uma experimentação motivada por uma boa história que o povo conta.

Até o próprio nome que intitula o livro tem os seus dois pés no gênero. "O Cravo Roxo do Diabo" é o título de uma obra de Alvaro Martins (1868-1906), uma das primeiras a ser pesquisada para o compêndio e a única que simplesmente desapareceu. Isso mesmo, juro. O tal texto estava publicado em uma edição da revista Iracema, cuja coleção está integralmente preservada na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Ou ao menos estava. Faltava uma. A bendita (ou maldita?).

Até Jorge Brito, bibliófilo cearense, foi escalado para a busca e, pasmem, sequer ele tinha posse do conto ou sabia onde localizá-lo. Aí, não tem jeito, se Jorge não sabe, ninguém sabe. Resolveu-se, contudo, deixar a obra como título da coletânea, afinal já se havia mexido com o nome do "capiroto", então era melhor não contrariá-lo.

Quem sabe um dia, quando estranhamente faltar luz na sua rua, você escute que o próprio Alvaro apareceu um dia, em carne e osso, entregando a edição da revista a uma bibliotecária. Aquela que, inclusive, mora no seu condomínio. Vai saber.

Romance fantástico
"O Cravo Roxo do Diabo": o conto fantástico no Ceará  
Pedro Salgueiro
Expressão Gráfica, 2011, 673 páginas, R$ 30,00


O livro será lançado, amanhã, às 19h, no Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90c), integrado ao projeto Bazar das Letras. Promoção de lançamento: levando dois títulos, paga-se R$ 50,00

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Tudo o que não é realismo

O lançamento da coletânea O Cravo Roxo do Diabo: contos fantásticos no Ceará chama a atenção para nossa tradição literária fantástica e o cenário da produção contemporânea


O escritor Pedro Salgueiro anda receoso, empregando extrema perícia em atividades aparentemente simples, tais como atravessar uma rua. Nas últimas semanas, pequenos contratempos têm se encarrilhado de forma sinistra. Não se podem descrever precisamente as engrenagens que articulam seus efeitos, mas tudo indica que a publicação de seu último livro, no qual assume o humilde posto de organizador, está por trás dos tenebrosos fatos.

Primeiro, ele havia contado 170 textos selecionados para integrar a obra, uma coletânea de contos fantásticos de escritores cearenses, do século XIX até os dias atuais. Outras pessoas autenticam a idoneidade dos números. Ao finalizar o arquivo, não mais do que 130 foram contabilizados. Outro dia desses, os mil exemplares do calhamaço de quase 700 páginas já estavam encadernados na gráfica quando um desvio da norma foi detectado, o inominável havia baldeado a lógica do software de última geração responsável pela coincidência entre as páginas do livro e as indicações do sumário.

“Por precaução, eu não estou mais nem chamando o livro de... só de O Cravo Roxo”, confidencia Pedro Salgueiro. O título do livro pode guardar o motor desses sobressaltos dos últimos tempos.

O Cravo Roxo do Diabo, de Álvaro Martins (1868-1906), foi um dos primeiros contos a serem pesquisados para a coletânea de contos fantásticos cearenses. No entanto, resistiu a todas as tentativas de lhe quebrarem o encanto. Não estava em nenhuma das bibliotecas particulares visitadas, eminentes bibliófilos não souberam de seu paradeiro. Apesar de ser mencionado na História da Literatura Cearense, de Dollor Barreira, integrando um dos volumes da revista Iracema, do Centro Literário, que circulou em 1895, justo o número da coleção estava ausente das estantes da Biblioteca Nacional.

Depois de três anos de busca, o conto – não encontrado – dá título à coletânea. O Cravo Roxo do Diabo: o conto fantástico no Ceará será lançado na próxima quarta-feira (1°/6), dentro da programação do projeto Bazar das Letras, no Sesc Iracema, reunindo, além de mais de uma centena de contos, 17 trechos de romances e 60 poemas. A pesquisa é a maior jamais feita sobre o gênero na literatura cearense e contou com a ajuda de Alves de Aquino, o Poeta de Meia-Tigela, e o professor do Departamento de Letras da Universidade Federal do Ceará, Sânzio de Azevedo. O projeto foi patrocinado pela Secretaria Estadual de Cultura através de edital.

“Um dos meus primeiros desafios foi a questão de que a literatura do Nordeste, do Ceará em específico, é realista. Por conta da força da luta do homem com a terra, com o clima, se convencionou isso. Quando eu fui lendo, fui vendo que não era bem assim. Acho que é predominantemente isso, mas tem muito mais”, considera o organizador. O volume de textos coletados não deixa dúvidas, aponta para a possibilidade de se incrementar a tradição de uma literatura fantástica no estado e mesmo no país.

Na coletânea estão desde escritores cearenses formados no século XIX ou da primeira metade do XX, a exemplo de Juvenal Galeno, Oliveira Paiva, João Clímaco Bezerra, Rachel de Queiroz, Moreira Campos, até contemporâneos como Gilmar de Carvalho, Ronaldo Correia de Brito, Ana Miranda, Jorge Pieiro e Demitri Túlio. Destaque especial para José Alcides Pinto, talvez o que mais abrigou o fantástico em sua obra e figura na coletânea com o conto A Imaginada e um trecho do romance Os Verdes Abutres da Colina (1974). A linhagem da literatura fantástica cearense é analisada a seguir em artigo de Nilto Maciel.


SERVIÇO

Lançamento O Cravo Roxo do Diabo: o conto fantástico no Ceará
Quando: dia 1º de junho, às 19 horas
Onde: Sesc/Senac Iracema (Rua Boris, 90 – Dragão do Mar)
Quanto: R$ 30 (o livro)

Pedro Rocha
pedrorocha@opovo.com.br

Fonte: O Povo

Por uma vida melhor-Livro não será adotado no CE

Para o Ensino Médio, o Estado fez aquisição de livros com recursos próprios para atender os alunos em 2010 e 2011

A publicação defende a escrita sem concordância de expressões orais populares, o que causou polêmica
FOTO: DIVULGAÇÃO
O livro “Por uma Vida Melhor”, que contém erros de concordância, distribuído pelo Programa Nacional do Livro Didático para a Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação, não será adotado pelas escolas cearenses municipais e estaduais. Na publicação, são usadas frases como: “nós pega o peixe” e “os menino pega o peixe”. Segundo as secretarias municipal e estadual de Educação do Ceará, o motivo da escolha de outros livros não foi os erros de concordância.

O livro didático distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) a 4.236 escolas brasileiras que defende a escrita sem concordância de expressões orais populares, apoiado nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), ressalta que não há só uma forma correta de falar o português brasileiro.

Segundo a Secretaria Municipal de Educação (SME), a escolha dos livros didáticos é feita, no fim do ano letivo, por meio de enquetes entre os professores da rede municipal.

Conforme a Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc), entre os livros escolhidos pelos professores da rede estadual, para o 6º ao 9º ano, da Educação de Jovens e Adultos, também não está incluso “Por uma Vida Melhor”. Ainda segundo a assessoria de imprensa da Seduc, no que diz respeito ao Ensino Médio, o Estado fez aquisição de livros com recursos próprios para atender os alunos matriculados em 2010 e 2011.

Para o psicólogo e mestre em educação, Marco Aurélio de Patrício Ribeiro, todo processo de inclusão precisa ser valorizado na educação. E nesse aspecto, devem estar incluídas também as pessoas que têm um berço cultural diferente do padrão “adequado”. Segundo ele, a preocupação do MEC é de grande relevância para que todos se sintam acolhidos na escola.

Exagero
Por outro lado, Marco Aurélio acredita que houve um certo exagero na adoção desse livro paradidático pelo MEC. Ele ressalta que, considerando a forma popular como correta, a escola começa a perder o sentido que é de ensinar o que foi definido como padrão linguístico.

“Uma coisa é você aceitar aquele aluno falando as expressões populares originárias da sua cultura, outra coisa é aceitar que essas expressões sejam usadas como corretas”, diz. Segundo ele, a melhor forma de incluir esses alunos é explicando, em sala de aula, a origem dessas palavras, sem esquecer de usar o padrão linguístico adequado. O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que o governo não vai mandar recolher o livro, caso contrário o Ministério estaria fazendo censura.

Karla Camila
Especial para Cidade


Fonte: Diário do Nordeste

Secult realiza I Encontro Estadual de Gestores Municipais de Cultura


O governo do Estado, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, realiza no próximo dia 1 de junho no Centro de Convivência dos Servidores, do Centro Administrativo do Cambeba, às 8h, no I Encontro dos Gestores Municipais de Cultura, com objetivo de retomar as discussões sobre a a elaboração dos planos municipais de Cultura, na perspectiva de ampliar o debate que vai culminar com a formulação do Plano Estadual da Cultura. Participam do Encontro membros do Conselho Estadual de Cultura, presidentes dos Fòruns de Cultura e diretores dos equipamentos culturais do estado.

Durante a programação, que acontecerá durante todo o dia, haverá apresentação da estrutura funcional da Secult, ministrada pela secretária em exercício Maninha Moraes, apresentação das diretrizes da Política Cultural do Estado.

Confira a programação
Serviço:
Encontro Estadual de Gestores Municipais da Cultura
Local: Centro de Convivência do Servidor Público, do Centro Administrativo do Cambeba
Data: 01 de junho
Hora: Abertura às 08h  

Jorn. Sonara Capaverde
Mtb 6553/RS
Coordenação de Comunicação da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará

Fonte: Secult-Ce