terça-feira, 24 de maio de 2011

Saberes e Sabores une literatura e gastronomia

A maior atração é a palestra proferida pelo dramaturgo e escritor Ariano Suassuna, no sábado, às 16 horas

Dezenas de atrações culturais gratuitas, movimentando cerca de 15 mil pessoas, é o esperado durante os dias de festival
FOTO: DIVULGAÇÃO
Pacatuba Na próxima quinta-feira, 26, tem início o III Festival de Literatura e Gastronomia - Saberes e Sabores neste Município. Até o sábado, 28, a cidade contará com dezenas de atrações culturais gratuitas, movimentando cerca de 15 mil pessoas, segundo os organizadores. A maior atração é a palestra sobre Movimento Armorial, proferida pelo dramaturgo Ariano Suassuna, no sábado, às 16h, em um espaço literário criado no Portal de Turismo e Cultura.

"O lugar tem espaço para cerca de 400 pessoas. Quem não conseguir entrar, poderá assistir a palestra pelo telão", informa a secretária de Turismo e Cultura, Marluce Rodrigues. O Saberes e Sabores é realizado pela Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), Serra da Paixão, com apoio da Prefeitura local, por meio da Secretaria de Turismo e Cultura (Funtec).

Não surpreende Pacatuba realizar um festival desse porte. É lá que ocorre há 37 anos a maior encenação da Paixão de Cristo do Ceará. Na programação, que envolve vários espaços na Sede do Município nos turnos manhã, tarde e noite, estão previstas oficinas de literatura e gastronomia; feiras de artesanato com trabalhos de artesãos locais; presença de restaurantes temáticos de Pacatuba, Fortaleza e Região Metropolitana; publicação de livros de poesia e de cordel; contação de histórias, shows com repentistas, emboladores, sanfoneiros, cortejos de grupos e teatro. Entre as várias atrações musicais constam Messias Holanda, Banda Cabaçal - Irmãos Aniceto, entre outros.

Para o prefeito Zezinho Cavalcante, o festival possibilita o fortalecimento das raízes populares. "O Saberes e Sabores vem movimentando pessoas de todas as idades e setores. É empolgante ver todo mundo se preparando para fazer bonito no festival. Isso mostra um sentimento forte de pertença", avalia. Que o diga a estudante Deiviliane Soares, 13 anos, aluna da 8ª série do Ensino Fundamental, que, pela Funtec, e juntamente com outros 20 alunos da rede pública, está escrevendo um cordel para ser lançado no evento. "O cordel faz a gente viajar. É bem dinâmico, engraçado. É fácil desenvolver as histórias", disse.

Novos livros
Signo proeminente do universo sertanejo, a Literatura de Cordel vem ganhando espaço em Pacatuba. Prova disso é que outros livros já foram publicados por alunos do Município, pela Secretaria de Educação, e por poetas da região. "Para mim, é uma grande oportunidade. Fiz dois livros de Cordel, ambos publicados graças à Funtec. O primeiro é: ´Ao Sopé da Aratanha´, que eu fiz com os amigos Igor Chaves e Edna Maria, e o segundo chama-se ´Poetas da Aratanha", ressalta o escritor local Luís Viana. O secretário executivo da Funtec, Emanuel Monteiro, destaca que a ideia é "aproximar os estudantes e a comunidade desse poema popular tão característico das nossas raízes".

Para afinar os formadores de opinião da região, a Prefeitura realizou na última semana palestra prévia sobre o Movimento Armorial para os representantes do corpo docente pacatubano. Na ocasião, o integrante da Academia Cearense de Retórica, Barros Alves, palestrou para um público de cerca de 200 pessoas, aumentando ainda mais a expectativa para a participação de Ariano Suassuna. "A gente viaja nesse processo do resgate das raízes nordestinas. A maioria das pessoas pode até negar ou não vivenciar isso, mas sabe que os elementos do Movimento Armorial fazem parte da nossa história", avalia o secretário executivo de Educação, Carlos Vasconcelos.

Manifestação que marcou a cultura brasileira por sintetizar elementos e figuras da cultura do povo nordestino, o Movimento Armorial surgiu no limiar da década de 1970, quando o Brasil vivia sob regime militar com sérias restrições para a liberdade de imprensa. Todavia, os intelectuais sempre conseguiram driblar a censura ditada pelo governo dos generais. De acordo com Barros Alves, as artes sempre tiveram papel preponderante nesse drible e o Movimento Armorial, oriundo de uma ideia brilhante do escritor Ariano Suassuna, surgiu como uma maneira sutil de expressão de resistência do povo nordestino em face daquela situação opressiva. Era um escoadouro de anseios e ansiedades.

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Cultura (Funtec)
, Município de Pacatuba. Telefone: (85) 3345.2317 ou no www.pacatuba.ce.gov.br

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Aluna representa Ceará no Parlamento Juvenil do Mercosul no Paraguai

  Foto: Divulgação
A aluna Francisca Valkíria Gomes de Medeiros, da Escola Enéas Olímpio da Silva, no município de Iracema, representou o Ceará em Assunção, no Paraguai, durante a realização do Projeto Parlamento Juvenil do Mercosul, de 11 a 14 de maio último. Ela integrou o grupo de brasileiros, formado por mais dois estudantes dos Estados do Rio Grande do Norte e do Sul, escolhido para participar do evento. A unidade de ensino está sob a abrangência da 11ª Coordenadoria Regional de Desenvolvimento da Educação (Crede), com sede em Jaguaribe.

Durante o encontro, foram comemorados os 200 anos de Independência da República do Paraguai denominado "Compartiendo el Bicentenario de la Independencia del Paraguay - Una Mirada a nuestra Historia con los Jóvenes del Bicentenario". A coordenação das atividades do Encontro ficou a cargo do Ministério da Educação e Cultura da República do Paraguai.

No ano passado, Valkíria representou os estudantes brasileiros durante o Parlamento Juvenil do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai, com outros 109 jovens da Argentina, Brasil, Bolívia, Uruguai, Colômbia e Paraguai. A aluna foi escolhida para ser relatora brasileira e assim, ouvir anseios, expectativas, problemas, soluções e propostas dos participantes.

Fonte: Portal Seduc-Ce

Comissão de Educação debaterá o programa Cultura Viva

A Comissão de Educação e Cultura promove debate na próxima quinta-feira (26) sobre o Projeto de Lei 757/11, da deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), que institui o programa Cultura Viva. Vinculado ao Ministério da Cultura, o programa já existe desde 2005. Segundo a autora da proposta, o objetivo é torná-lo uma política cultural permanente de Estado, garantindo recursos para a sua execução.

Feghali, que solicitou a audiência pública, está preocupada que os crescentes cortes orçamentários no setor também atinjam as verbas do programa, considerada por ela como “a política pública mais democrática já implementada no País”. Ela lembrou que somente neste ano os cortes já atingiram 55% do orçamento previsto para a área de cultura.

“Muitas fundações e entidades estão enfrentando graves dificuldades para sobreviver e manter as suas atividades”, explica. A parlamentar, que é presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, acredita que a discussão da matéria é fundamental para que se atenda ao objetivo de promover uma política pública que garanta a todos o pleno exercício dos direitos culturais e o acesso às fontes de cultura nacional, assegurados pela Constituição. Ela promoveu consulta pública sobre o projeto em seu site até 20 de maio.

Objetivos do programa
O Programa Nacional de Cultura, Educação e Cidadania – conhecido como Cultura Viva – engloba diversos projetos como os Pontos de Cultura (articula trabalhos culturais locais); os Pontos de Mídia Livre (desenvolve novas mídias e ferramentas de comunicação compartilhadas e colaborativas); a Ação Griô (valoriza a tradição oral); e o Cultura Digital (desenvolve plataformas de produção e difusão cultural em ambientes da internet e suportes audiovisuais); entre outros. O público prioritário do programa é a população de baixa renda e moradores de áreas com baixa oferta de serviços públicos e de regiões com grande relevância para a preservação do patrimônio histórico, cultural e ambiental brasileiro.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), citados pela deputada, nos últimos seis anos, o Cultura Viva reconheceu, potencializou e conectou em rede cerca de 4 mil organizações culturais do Brasil através dos Pontos de Cultura. Cerca de 8 milhões de brasileiros foram beneficiados.

Apoio
O Cultura Viva foi idealizado pelo historiador Célio Turino, que foi secretário de Cidadania Cultural no Ministério da Cultura. Turino, que é um dos convidados para a audiência pública, considera positiva a iniciativa de instituir o programa por lei. “A lei garantirá que todas as conquistas não se percam com mudanças de governo”, afirma.

A Comissão Nacional dos Pontos de Cultura também já manifestou apoio ao projeto de lei. Na quarta-feira (25), os pontos de cultura realizarão marcha em Brasília em apoio ao programa e à transformação do Cultura Viva em lei. O objetivo da marcha também é pedir ao ministério prioridade para o programa, com garantia de pagamento de todos os editais e premiações já realizados e de abertura de novos editais este ano. O representante do Movimento Nacional dos Pontos de Cultura na comissão nacional sobre o tema, Geraldo Britto Lopes, também será ouvido na audiência.

No dia 12 de maio, o Ministério da Cultura publicou comunicado informando que honrará os Restos a Pagar dos anos de 2009 e 2010, relativos a convênios e prêmios dos Cultura Viva. A secretária de Cidadania Cultural do ministério, Marta Porto, vai explicar na audiência pública como os pagamentos será feitos.

Também serão ouvidos:
- o professor Giuseppe Cocco, da Rede Universidade Nômade do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ;
- o coordenador dos Projetos Grão de Luz e Griô e Ação Griô Nacional, Márcio Griô; e - o artista e educador comunitário Francisco Simões de Oliveira Neto (Chico Simões).
O debate ocorrerá às 10 horas no Plenário 12.

Íntegra da proposta:

Reportagem – Lara Haje
Edição – Paulo Cesar Santos

domingo, 22 de maio de 2011

Livro em respeito à diferença

Livro infantil, da psicóloga Luciana Leite, tenta tratar as diferenças como uma maneira de respeitar as diversidades


As ilustrações do "semeadores da vida" foram feitas por Juarez Soares, aluno da Apae de Juazeiro do Norte. Trata do "reino da alegria"
FOTO: DIVULGAÇÃO
Fortaleza "Semeadores da vida" é a primeira obra literária da psicóloga Luciana Coelho Leite Sampaio, ilustrada por Juarez Soares, aluno da Apae de Juazeiro do Norte. É um livro que cabe como luva dentro da literatura infantil moderna, abordando com sensibilidade e profundidade a descoberta de um mundo mais bonito baseado no respeito à diversidade e no auto-conhecimento.

A história se passa no Reino da Alegria, governado pela Rainha Amada e banhado pelo Rio Vida, que tomado pela Feiticeira Miragem, transforma-se no Vale da Solidão. Neste, só a dor, o sofrimento e a tristeza tinham espaço e a única forma para as pessoas que lá viviam sentirem-se felizes era consumindo os Grãos de Ilusão, fabricados pela feiticeira. No Vale existia a escola "Saberes do Tempo" e nela estudava um grupo de jovens que buscava, junto com a Tutora Empatia, uma forma de trazer a alegria de volta ao reino. Quando tal grupo se depara com uma criança especial, chamada Vida, inicia uma viagem pela Ponte da Sabedoria Interior que lhes revelará o segredo para sentirem-se felizes novamente. " ´Semeadores da Vida´, por meio de seus personagens encantados, nos remete aos arquétipos mais profundos da nossa personalidade, nos transporta para o mundo do ´era uma vez´ e nos faz sonhar com um ´feliz para sempre´. Seu conteúdo questiona ética, moral, valores, exclusão social, drogas, preconceitos; exalta a diversidade, a arte, a busca pelo autoconhecimento como fonte de alegria, de união e respeito pelo outro, pelo diferente", diz Luciana.

A escritora trabalha na docência do Ensino Superior há oito anos e, há três, leciona algumas disciplinas no curso de Psicologia da Faculdade Leão Sampaio. "Para minha grande satisfação, fui responsável por orientar um grupo de dez estudantes deste curso na Apae de Juazeiro do Norte". A trajetória destes jovens na referida instituição foi tão positiva que, ao final do período de estágio, ela resolveu narrar, em forma de conto infantil, todo o processo de amadurecimento pessoal e profissional do grupo despertado pelos alunos da Apae. O trabalho foi apresentado dentro e fora da Faculdade, recebendo inúmeras manifestações de apoio, estimulando o desejo de passar os ensinamentos adquiridos desta experiência para aqueles que ainda não conhecem o verdadeiro significado de ser "especial". O grupo de estagiários continuou sob sua supervisão na Apae, agora fazendo parte de um projeto de extensão já chamado "Semeadores da Vida". Daí a ideia de transformar o conto em livro.

MAIS INFORMAÇÕES
"Semeadores da vida"
Autora, psicóloga, Luciana Coelho Leite Sampaio
Telefone: (88) 9961.6141

Arte do Ceará na Alemanha

Os bonecos gigantes de Aracati, feitos por Hélio Santos, vão visitar a Europa, no "Carnaval das Culturas"

Bonecos cearenses farão sucesso internacional
Limoeiro do Norte Há pelas ruas de Aracati um colorido para além do azulejo dos casarões antigos. Têm pernas, braços e cabeças bem grandes. Têm alegria e movimento. Os "cabeçudos", bonecos gigantes feitos pelo artista plástico Hélio Santos, agora vão colorir as ruas de Berlim, na Alemanha. Com mais de 50 anos de carreira, o ´mestre´ dos bonecos não para de produzir em seu ateliê, e embora seja um dos protagonistas da história cultural de Aracati, ainda é sustentado pelo que suas próprias mãos são capazes de fazer.

Alguns dos bonecos produzidos por suas mãos vão atravessar o Oceano Atlântico até o velho continente. Participar do "Carnaval das Culturas", uma festa que reúne mais de 100 grupos folclóricos de vários países do mundo. O Brasil sempre tem seus representantes, e daqui vai parte do bloco dos cabeçudos, com seu "universo negro", uma homenagem à negritude brasileira que está em negros, índios e brancos. Para Hélio, é como se as cores de pele e traços étnicos fossem baldes de tinta. O seu trabalho começa quando terminam as diferenças. Tudo se mistura e colore.


Autodidata
Hélio Santos, 66 anos, é daqueles homens que dedicam sua vida à arte e vive de um tostão. A vida inteira na mesma cidade, faz de tudo um muito, afinal, artista não se dá ao luxo de limitar o significado do termo: autodidata, ainda criança gostava de pintar, e criava seus próprios brinquedos. Com 15 anos já pintava com óleo sobre tela, e ali já retratava seus anseios de menino do Aracati. Suas ideias plásticas também deram origem a bandeiras, estandartes, esculturas, cenários e bonecos.

"Quando era mais jovem diziam que fazer arte não iria me dar dinheiro. Mas eu queria era fazer o que me dava vontade. Continuo pobre, mas fazendo o que eu quero", relembra Hélio Santos. O teatro de bonecos é uma de suas vertentes mais originais. É o que lhe dá reconhecimento, enquanto fazer restauração de imagens de santo é o que lhe dá sustento.

Roda o Estado do Ceará, solicitado para recuperar os ´santos´, resgatar o semblante de novo. Também tem ficado conhecido pela produção de réplicas dos casarões de Aracati, onde moraram importantes personagens da História do Ceará. O destaque fica para réplicas de detalhes das casas, como os vitrais, janelas e varandas.

Figurinista
E a criatividade com bonecos de papel machê foi levada para o Grupo de Teatro Lua Cheia, também de Aracati, atuando como cenógrafo e figurinista. Ao fundar o Teatro de Bonecos Francisca Clotilde, Hélio Santos ganhou cadeira cativa na oficina do lúdico infantil. E os bonecos são tão queridos, sejam os gigantes "cabeçudos" ou os de manipulação direta, que protagonizam espetáculos musicais.

Para o "Carnaval das Culturas" só irá pouco mais da metade do seu bloco de 30 bonecos. A Alemanha não é bem ali, e o translado demanda custo. Encabeçados pelo apoiador cultural e médico Valdir Menezes, a comunidade aracatiense foi envolvida na campanha para fazer "dar certo" a viagem de Hélio e seus bonecos. Para isso tanto vale pedir a "gente de posse" que conhece o trabalho do artista plástico como realizar bazares aos fins de semana.

Ateliê
Enquanto não chega a hora de ir para Berlim, Hélio segue trabalhando todos os dias no seu ateliê. "É uma bagunça só, se você for lá fotografar eu preciso dar uma arrumadinha", diz do seu próprio cenário. Mas seu ateliê não é bagunçado, é humilde, feito o dono. Para lhe extrair uma informação biográfica, "tenha zé", pois ainda tenta passar a ideia de que não faz nada incomum, como se fosse para qualquer um apresentar seus bonecos no carnaval da Avenida Domingos Olímpio, em Fortaleza, bem como o teatro de bonecos no Dragão do Mar e no Theatro José de Alencar. Com 50 anos de carreira, nos mais diversos segmentos das artes plásticas, vivendo em sua casinha, recuperando imagens sagradas, pintando réplicas dos casarões, criando em seu ateliê e dando oficinas para crianças e jovens, Hélio Santos não deseja ficar rico. "Eu só quero viver muito sempre fazendo o que gosto". Arte!

Fique por dentro Intercâmbio
O "Carnaval das Culturas" foi criado em 1996 pela Werkstatt der Kulturen (WdK, em português, oficina das culturas). Na sede no Bairro de Neukölln, a instituição oferece espaços de trabalho para profissionais da música, dança, teatro e literatura de diferentes origens. Ali, cidadãos alemães e de outras nacionalidades, culturas e religiões se encontram para desenvolver projetos que busquem promover o intercâmbio e a expansão cultural dos povos imigrantes na capital alemã. Música, dança, teatro, acrobacia, artesanato, esporte, comidas típicas e vários idiomas marcarão a 16ª edição do "Carnaval das Culturas", que todos os anos atrai um milhão e meio de pessoas. O maior destaque do evento é o desfile com carros alegóricos e trajes folclóricos, cerca de 4,5 mil pessoas representando 70 nações. É lá que Brasil, Ceará e Aracati estarão representados.

MAIS INFORMAÇÕES
Artista plástico
Hélio Santos
Telefone: (88) 8809.6567
Município de Aracati

ORGULHO
Moradores apoiam e incentivam viagem
Aracati Não só a comunidade artística como moradores da Rua Coronel Alexanzito, a "Rua Grande", empresários e comerciantes apoiam Hélio Santos e os bonecos cabeçudos do bloco Universo Negro no "Carnaval das Culturas", mês que vem na Alemanha. A festa reúne mais de 100 grupos, blocos e cordões de dezenas de países. O Brasil será representado por três blocos, e os bonecos de Aracati integrarão o "Sapo Caiu no Samba". O evento celebra o Dia de Pentecostes.

Nove de junho será o grande dia. Os brasileiros que moram na Alemanha terão como ilustres convidados Hélio Santos e seus bonecos. Num dia de confraternização dos povos, celebrando o Dia de Pentecostes, o "Carnaval das Culturas", em Berlim, capital da Alemanha, é um encontro de nacionalidades, credos e cores. Berlim é a cidade Alemã com maior número de estrangeiros (quase meio milhão), e foi desta diversidade étnica e cultural que nasceu a ideia da festa.

Grupos, blocos e cordões de dezenas de países desfilarão num percurso de sete quilômetros. É uma forma de destacar os usos, costumes, ritmos e tradições de boa parte do mundo. É uma "festa da tolerância" já consolidada no calendário do povo alemão. Hélio não sabe falar alemão, ou inglês, mas vai falar com clareza e dar o seu recado pelo ritmo cadente de seus bonecos gigantes, ele próprio vestido em um e outros amigos nos demais. Na tez das cabeças, esculpidas e pintadas, as cores do povo brasileiro. Mas até que chegue o grande dia, todos os outros são de campanha para arrecadar fundos para viagem.

A divulgação está encabeçada pelo médico Valdy Menezes, que teve a ideia de levar os bonecos para o evento. "Já falei com muitos amigos, pessoas que têm interesse em apoiar, e vamos unindo forças, até lá vamos conseguir". Dono de um casarão na "Rua Grande" que de tão enorme cedeu todo o espaço do térreo para o "Teatro Hélio Santos" e o Núcleo de Animação de Aracati (Animaraca). Lá são produzidos filmes em desenho animado e massinha pelos próprios jovens de Aracati. No teatro, tem apresentação com atores "de verdade" e bonecos de manipulação. Sem se anunciar, o casarão virou centro cultural.

"Tem muita coisa interessante e importante que sai das mãos e da cabeça dos artistas locais, mas não há apoio do poder público, falta valorização", diz Menezes, que embora more em Fortaleza (é diretor do Hospital César Cals) vai todo fim de semana para o casarão.

Melquíades Júnior
Colaborador