terça-feira, 19 de abril de 2011

Escritora vai ao "Beco da Poeira" lançar livro-reportagem ilustrado

A jornalista Mayara de Araújo relançará seu livro "Histórias de Beco" no próximo dia 28, a partir das 15 horas, no tradicional "Beco da Poeira", celeiro de suas inspirações para essa obra. A cerimônia ocorrerá no local onde muitos dos personagems do livro estarão em plena atividade.

Mayara escreveu o livro em forma de crônica e responde pelas ilustrações e diagramação (Divulgação)
O livro foi resultado de dissertação de término de curso de Jornalismo na Universidade Federal do Ceará. Mayara escreveu o livro em forma de crõnica e responde pelas ilustrações e diagramação.

A secretária regional do Centro, Luiza Perdigão, foi convidada para o lançamento da obra.

Histórias antes da transferência

O livro-reportagem ilustrado reproduz em contos, crônicas, matérias e desenhos a memória do Beco da Poeira antes da transferência. O livro foi lançado no dia 8 de abril, no Museu de Artes da UFC.

O projeto venceu o Prêmio Expocom Regional e Nacional da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação), sendo considerada a melhor produção acadêmica de livro-reportagem do País em 2010.

Foi ainda contemplado com o edital Prêmio Literário de Autores Cearenses, promovido pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, por meio do qual está sendo publicado.

Fonte: O Povo

Jovens tardes de domingo no Ceará

Admiradores das criações de Roberto Carlos se reúnem sistematicamente em Fortaleza, no Recanto do Rei, homenagem ao artista, feita pelo fã Odival Limeira Lima

Odival lima no estúdio do Recanto do Rei, espaço criado em 1994, onde se reúne nos fins de semana com amigos e admiradores para escutar as composições de Roberto Carlos
FOTOS: GEÓRGIA SANTIAGO

O cantor, compositor e músico capixaba Roberto Carlos, um dos artistas mais populares de todos os tempos na música brasileira também possui um séquito de admiradores em Fortaleza. Parte deles se encontra regularmente no tradicional "Recanto do Rei", inaugurado em 19 de abril de 1994, capitaneado pelo colecionador Odival Limeira Lima.

Nascido em Juazeiro do Norte, ele começou sua coleção há décadas e hoje, segundo estimativas dos frequentadores e conhecedores da obra de Roberto Carlos, possui o maior acervo do artista, composto por fotos, posters, cartazes, discos de cera, viniis, CDs e DVDs.

Roberto Carlos em estátua de bronze, criada pelo escultor sobralense João Bosco do Vale ao lado da placa que celebra com palavras de carinho por Odival Lima, sua admiração pelas músicas do Rei

Recanto do Rei
Além desses ítens, é possível ter acesso no Recanto do Rei à réplicas de um calhambeque e um triciclo, utilizados por Roberto Carlos em suas fotos de divulgação de discos promocionais e também, numa proporção menor, uma construção que imita originalmente a casa que o artista nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Também existe no espaço, uma estátua de bronze em tamanho natural, idealizada pelo conceituado escultor sobralense João Bosco do Vale, , o autor do busto do empresário Edson Queiroz, da Praça da Imprensa.

No domingo passado, a reportagem do Caderno 3 esteve num convescote no Recanto do Rei, que começou meio-dia e se alongou até 20h. Inicialmente foi exibida numa grande televisão de alta definição, a apresentação do Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija Flor do carnaval carioca de 2011, cujo enredo homenageava Roberto Carlos. Entre privilegiados, crianças, adolescentes e adultos, todos atentos ao desfile, principalmente quando o Rei aparecia na tela. Depois, foi exibida também uma série de vídeo-clipes, em que Roberto Carlos se apresentava em duetos com outras grandes vozes e artistas da música popular brasileira, além de trechos de programas especiais produzidos com o Rei, nos finais de ano pela Rede Globo. A mostra só foi interrompida quando Odival Lima recebeu a visita de uma equipe de TV para uma entrevista sobre os 70 anos do autor de "Como é grande o meu amor por você".

Futebol
Aproveitando a saída de Odival, que comandava as exibições dos clips por controle remoto, como ia começar o jogo do time Fortaleza contra o Quixadá, alguém sugeriu parar as apresentações televisivas do Rei, para assistir o embate futebolístico, enquanto em outro ambiente também tocava música de Roberto Carlos.No retorno, Odival que torce pelo Leão do Pici, assistiu pacientemente a partida que, no final, teve a vitória do seu clube por 3 X 2.

Durante o desenrolar do jogo, chegou no Recanto do Rei, Carlos Augusto Braga, que em seu cartão se anuncia "Cover Show Roberto Carlos". Devidamente equipado com seu equipamento de som compacto e com direito a microfone com pedestal, assim que terminou a transmissão do jogo, foi iniciada a sua apresentação.

Munido de playback instrumental de sucessos do Rei começou sua exibição cantando clássicos como "Não vou ficar", "O Portão", "Amada amante", "Como vai você", "Custe o que custar" e "As curvas da estrada de Santos", entre outras. Como os presentes faziam coro, sempre que terminava alguma música, Carlos Augusto Braga estimulava a plateia para cantar no microfone, pois, segundo ele, estava rouco por conta de já ter feito antes, no dia, dois shows de aniversários.

Alguns mais afoitos combinaram as músicas com o artista e soltaram suas vozes, sendo também acompanhados pelos outros. O cover do Rei aproveitou a oportunidade, bebeu água natural e instigou o repórter para que cantasse também uma música do repertório de Roberto Carlos. Convite feito, convite aceito e atacamos de "Negro gato".

NELSON AUGUSTO
REPÓRTER 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Livro e leitura em promoção!

No Dia Nacional do Livro Infantil, o Pas- seio Público é sede do lançamento da II Feira do Livro Infantil de Fortaleza, no qual se apresenta uma prévia do que será o evento em setembro

A primeira edição da Feira do Livro Infantil de Fortaleza mobilizou, de acordo com seus organizadores, cerca de 45 mil pessoas.
As ações vão além da tradicional venda de títulos, abrindo espaço para atividades lúdicas com crianças de escolas públicas

Em setembro do ano passado, uma parceria entre a editora Casa da Prosa e a Prefeitura de Fortaleza viabilizou a criação de mais uma feira de livros no Estado: a Feira do Livro Infantil de Fortaleza. Composta de debates, contações de história, shows e comercialização de livros, a programação durou quarto dias e mobilizou cerca de 45 mil pessoas.

Hoje, ao se comemorar o Dia Nacional do Livro Infantil, os organizadores promovem o lançamento da segunda edição da Feira do Livro Infantil, das oito da manhã até as três da tarde, no Passeio Público. A programação de hoje é uma prévia do que serão os quatro dias do evento, que acontece oficialmente apenas em setembro.

Contação de histórias foi uma das atividades que fizeram parte da programação da edição 2010 da feira e que voltam a acontecer este ano
Agenda

Cedo da manhã, às 8h30, o Grupo Era Uma Vez abre a programação com contação de histórias. O dia segue com oficinas de Criação Literária, ministrada pelo escritor Almir Mota (coordenador geral do evento), e de Desenho, com o ilustrador Ramon Cavalcante. Às 10h30 acontece o Leituras no Passeio, atividade em que os escritores cearenses se revezam em leituras de seus livros para o público.

Logo depois, às 11h da manhã, acontece, de fato, o lançamento da II Feira do Livro Infantil, ocasião em que serão apresentadas as editoras selecionadas para ocupar os estandes. A agenda matinal é repetida durante a tarde, para que todos tenham acesso às atrações.

Novidades

"O mercado livreiro no Ceará precisa de uma ajudinha e as feiras são excelentes oportunidades de se escoar a produção a preços acessíveis", teoriza o coordenador do projeto, Almir Mota. Segundo ele, como a feira é apoiada por meio de leis de incentivo, definiu-se que os estandes não serão vendidos, mas ofertados a editoras que aceitarem os termos de contrapartida da feira: comercializar livros com 30% de desconto. "Dessa forma, não vai ser nada difícil para os visitantes encontrarem livros a R$ 10 e com excelente qualidade", salienta o coordenador da feira .

Este ano, a grande novidade é a distribuição de quatro mil vale-livros, nos valores de R$10 e R$15 reais. "Com esse vale, a criança vai poder ir à feira e resgatar o livro que queira e que esteja nessa margem de preço", explica Almir Mota. Além dos cupons, será ainda ofertado a crianças matriculadas em escolas públicas municipais o transporte até o local do evento. Capital e municípios da Região Metropolitana serão contemplados com esses benefícios.

Um dos destaques da primeira edição da feira foi a quantidade de convidados: escritores, contadores de histórias e músicos. Nesta segunda edição, a proposta de uma programação multicultural continua e alguns nomes estão sendo confirmados. Entre eles, o escritor, dramaturgo e autor de novelas Walcyr Carrasco e o também escritor Vitor Ramil, cantor e compositor gaúcho. Para o time dos contadores de histórias estão escalados Gidu Saldanha, Rosana Mont´Alverne e o grupo Canto do Rio.

Balanço

"A feira é como um produto que você lança no mercado. Ela tem que ter credibilidade e dar condições de compensar as despesas do editor, que sai do seu estado para comercializar seu produto em outro. Recebemos o retorno de um editor da Hugo Homem, da Bahia, que disse ter voltado para casa sem nenhum livro. Ele já não se lembrava da última vez que tinha ido a uma feira e voltado assim, de caixas vazias. Para nós é uma satisfação", revela o coordenador.

De acordo com os números disponibilizados pela organização do evento, cerca de 15 mil pessoas compareceram aos shows durante os quatro dias, seis mil crianças visitaram a feira levadas por suas escolas e cerca de 1.500 pessoas, entre estudantes e educadores participaram de oficinas. Quanto ao volume de vendas, estima-se que em torno de cinco mil livros tenham sido comercializados.

LITERATURA NA PRAÇA

Manhã
 8h30 - Contação de histórias com o Grupo Era Uma vez

9h30 - Oficina de Criação literária com o escritor Almir Mota

9h30 - Oficina de Desenho com o ilustrador Ramon Cavalcante

10h30 - Leituras no Passeio

11h - Lançamento Feira do Livro Infantil de Fortaleza - com divulgação das editoras selecionadas.

12h às 14h - Almoço Poético - leituras e apresentação de contação de histórias

Tarde
14h - contação de histórias com o Grupo Era Uma vez.

14h30 - Oficina de Criação literária com o escritor Almir Mota

15h30 - Oficina de Desenho com o ilustrador Ramon Cavalcante

EDITORAS SELECIONADAS

Os estandes da II Feira do Livro Infantil de Fortaleza serão ocupados pelas seguintes empresas:

Aletria - MG

Armazém da Cultura - CE

Autêntica editora - MG

Barsa Planeta - CE

Base editorial LTDA - PR

Biruta - SP

Caixa de Brinquedos - CE

Casa da Prosa - CE

Conhecimento editora - CE

Cuca Fresca - SC

Dedo de Moça - CE

Edições UFC - CE

Feira do livro - CE

Fundação Demócrito Rocha - CE

Ideia Editora - PB

Imeph - CE

Jr Max Brasil - CE

LMiranda Publicações - CE

Moderna - CE

Nova Alexandria - SP

Pallas editora - RJ

Paulinas - CE

Paulus - SP

Peter Rohl - CE

Premius Editora - CE

R&F editora - GO

Smile - CE

Uni Duni Editora de livros LTDA - MG

Tupynanquim - CE

Vieira & Lent Casa Editorial - RJ

MAIS INFORMAÇÕES
 Lançamento da II Feira do Livro Infantil de Fortaleza. Hoje, das 8h30 às 15h30, no Passeio Público. Grátis. Contatos: (85) 3252.3343

MAYARA DE ARAÚJO
 REPÓRTER

História das charqueadas

Uma das principais rotas do charque no Ceará está registrada em imagens feitas por pesquisadores no interior

FILMAGENS Do documentário na Fazenda Castanhão, em Nova Jaguaribara. Equipe vivenciou enredo
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Fortaleza "Rapaz, bote um cavalo aqui agora que eu corro atrás de boi. Ontem mesmo sonhei que selava um cavalo pra ir atrás de um". Os quase 100 anos e as sequelas de uma vida de agruras não arrefeceram em Zé das Araras o gosto pela vida de correr atrás de boi. O vaqueiro de Nova Jaguaribara perdeu parte de um dedo e o movimento de outro, mas ainda sonha com caatingas e reses ariscas. Este e outros depoimentos fazem parte do documentário "Charqueadas", que será lançado no próximo dia 3 de maio, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza.

O início das filmagens foi tema de matéria exclusiva do Caderno Regional, no dia 16 de janeiro. Agora a equipe está finalizando a edição do material, que retrata uma das principais rotas do charque do Ceará, seguindo o curso dos rios Salgado e Jaguaribe. O diretor do documentário, Roberto Bomfim, optou por vivenciar "na pele" o cotidiano dos vaqueiros, fazendo partes da travessia a cavalo. "Em alguns momentos, por conta das condições das estradas e passagens molhadas, nós que íamos a cavalo conseguíamos chegar primeiro que os carros", recorda o diretor.

Declínio
A ideia original era que o documentário também tivesse cenas em Pelotas (RS). Foi para lá que o charqueador português José Pinto Martins, inicialmente instalado em Aracati, se mudou para fugir da grande seca de 1777. Pinto Martins levou a técnica da salga da carne para aquela região. As variações climáticas e a concorrência com o produto do Sul provocaram o declínio da primeira atividade econômica cearense.

"Se conseguirmos verba para lançar o documentário na Europa, vamos nos deslocar para Pelotas e fazer uma segunda versão do documentário. Acho muito importante incluir Pelotas, não apenas para mostrar como foi o declínio da charqueada no Ceará, mas também mostrar as similitudes entre o gaúcho e o nosso vaqueiro. Pessoas muito ligadas à terra, bairristas, valentes, enfrentando condições extremas", afirma Roberto Bomfim.

Aos depoimentos de historiadores e memorialistas, que fazem um balanço do impacto da pecuária extensiva e das oficinas de charque para a ocupação do interior cearense, somam-se as recordações e vivências de vaqueiros, ribeirinhos, comerciantes e fazendeiros no caminho entre Icó e Aracati. Pessoas que testemunham um mundo em plena transformação com a tecnologia e as "modas" da juventude. Roberto Bomfim diz que muitos lamentam o fato de os filhos e netos não seguirem a atividade, que aos poucos está se perdendo.

A equipe ainda está procurando apoios para fazer o lançamento do documentário nas cidades por onde a expedição passou, como forma de agradecer toda a disponibilidade que encontraram pelo caminho. "O que mais me marcou foi a pureza e a simplicidade desse povo. Depois de fazer esse documentário, eu me sinto mais cearense do que nunca. São pessoas que abrem as portas das suas casas, nos ajudaram em tudo que fosse possível. Nunca vou me esquecer do tambaqui de cinco quilos que o seu Luís, fazendeiro que vive a 25km de Icó, mandou fazer cozido no leite. Gostaria que todo cearense se dispusesse a fazer uma aventura", finaliza.

Hipótese
A charqueada foi o primeira atividade econômica de relevo no Ceará. Não existe um consenso sobre quem teria trazido a técnica da charqueada ou se ela foi desenvolvida na própria capitania. O pesquisador Geraldo Nobre, no livro "As Oficinas das Carnes do Ceará" (1977), levanta a hipótese de a charqueada ter sido trazida pelos descendentes do holandês Joris Garstman, que comandava o forte dos Reis Magos (RN).

Eles teriam ocupado a ribeira do Jaguaribe e de lá espalhado a técnica. O fato é que as oficinas aqui encontraram um ambiente propício. O vento constante, a baixa umidade do ar e o acesso a fontes salinas permitiam a boa secagem do produto.

Os portos eram privilegiados pela proximidade dos pontos consumidores. Com o declínio da carne do Ceará por conta das secas e da concorrência com o charque do Sul, deu-se início ao ciclo do algodão.

MAIS INFORMAÇÕES
Lançamento do documentário "Charqueadas", Dia 3 de maio, às 19h30, Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota - Fortaleza)

Karoline Viana
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste 

Do Blog: Em Acaraú a partir da metade do Século XVIII  existia a atividade das Charqueadas (fabrico de carne seca, prensada moderadamente salgada e desidratada ao sol e ao vento por tempo determinado à sua conservação.

Fonte: As Charqueadas-Valdelice Carneiro Girão

São Luiz é comprado por R$ 2,2 milhões

Após vários meses de negociações, o Governo do Estado e a família Severiano Ribeiro chegaram a um acordo sobre a venda do Cine São Luiz, no Centro de Fortaleza

Ainda não foi definido o destino do cinema, mas sabe-se que será dedicado a iniciativas voltadas para a cultura: dois projetos arquitetônicos estão sendo analisados
Fogos! Alegria! Salve! Os cearenses já podem comemorar! Não existe mais perigo do Cine São Luiz se transformar em templo religioso, shopping center ou simplesmente ser demolido, como aconteceu com todos os outros belos cinemas que adornavam o Centro da cidade de Fortaleza.

Por R$ 2,2 milhões, o prédio do Cine São Luiz foi vendido, pelo Grupo Severiano Ribeiro, ao Governo do Estado do Ceará, após longos oito meses de negociações. "Acabamos de adquirir o cinema, o negócio está fechado, martelo batido", garantiu o deputado estadual Professor Pinheiro, que foi nomeado para o cargo de secretário da Cultura e, em seguida, afastado, para assumir a vaga de deputado estadual para a qual foi eleito nas eleições de outubro de 2010.

"Na quarta-feira passada, dia 13, uma das pautas com o governador Cid Gomes foi a liberação do MAP (Monitoramento das Ações Prioritárias) da compra do São Luiz, para que possamos efetuar o pagamento. Isso deve acontecer até o final dessa semana", completou Pinheiro.

Desde quando as negociações para compra e venda do Cine São Luiz começaram, em agosto de 2010, ocasião em que estiveram em Fortaleza, reunidos com o então secretário da Cultura, Auto Filho, dois legítimos representantes do clã Severiano Ribeiro, Beatriz Severiano Ribeiro e Luiz Henrique Severiano Ribeiro Baez, o Diário do Nordeste vem acompanhando o desenrolar dessa história que, graças, teve final feliz.

Em nossa mais recente visita ao São Luiz, em fevereiro de 2011, adentramos as dependências do prédio histórico, fundado em 1958, tombado desde 1991, e que, durante todo esse período de indefinição, esteve fechado. Naquele momento, em que reportamos os danos causados pelas chuvas, originados pela simples falta de manutenção na calha, ficou clara a urgência no desfecho da negociação.

De acordo com a secretária de Cultura interina, Maninha Morais, toda a negociação foi feita através da Casa Civil. "O cinema foi comprado, o dinheiro está na conta, mas todo esse processo aconteceu através do gabinete do governador, a secretaria da Cultura é responsável somente para intermediar o pagamento".

Agora sim!
"Ninguém se conformava com aquele letreiro da fachada, tão característico e tradicional, sem as letras vermelhas anunciando o filme do dia. Agora, com essa compra, vamos ver se o destino desse cinema muda de rumo. Aqui na Praça está todo mundo feliz e esperançoso com o que vai acontecer", diz seu Francisco das Chagas, 77 anos, e quase isso de Praça do Ferreira.

Maninha Morais adiantou que as obras de restauro serão iniciadas imediatamente após o pagamento. "Está tudo certo, o contrato está na Procuradoria do Estado e, de lá, virá para a Secretaria da Cultura para empenhar e pagar, a questão, agora, é só burocrática. Aquele prédio está no coração da cidade, teremos a secretaria funcionando lá, o projeto da Secitece também e agora vamos analisar as duas propostas que foram elaboradas para o São Luiz, uma de Fausto Nilo e outra de Pepe (arquitetos). São trabalhos maravilhosos e será feito imediatamente. Já foi autorizado", garante Maninha.

De acordo com o Professor Pinheiro, a mudança da Secult para o prédio no qual está localizado o Cine São Luiz deve acontecer já no próximo mês - atualmente funciona no Cambeba. "Estamos terminando o restauro e, nesse momento, construindo dois elevadores e uma escada de incêndio externa ao prédio. Mas falta pouco", acrescentou o deputado.

Família
O superintendente de Patrimônio do Grupo Severiano Ribeiro, Luiz Henrique Baez, disse que, desde o início das negociações, não foram colocadas quaisquer barreiras para a realização da venda. Ele ressaltou, ainda, que o cinema está sendo entregue totalmente preservado - "a duras penas".

Luiz Henrique revelou que espera apenas ser acionado pelo Governo do Estado para que venha até Fortaleza e assine a documentação que oficializa a transação. "Estamos muito felizes com a venda porque temos a certeza de que o local, que tem um valor emotivo inestimável para nós, terá um destino ligado a projetos culturais. Nem precisamos fazer nenhuma exigência neste sentido", declarou.

Segundo o superintendente, o Grupo Severiano Ribeiro disponibilizou um engenheiro próprio, especializado na recuperação de cinemas pelo Brasil, para atuar na restauração do Cine São Luiz, caso seja da vontade da Secult. "Sem nenhum custo", garantiu ele.

O Grupo também já repassou para o Estado um filme feito na inauguração do cinema, com tomadas aéreas da Capital e uma fala do fundador da empresa, Luiz Severiano Ribeiro, na qual fala da gratidão aos cearenses e que se sentirá recompensando, se o povo fizer do local a sua "segunda casa". Bem, agora, sem o risco de fechar as portas, fica mais fácil sentir-se em casa no velho e bom Cine São Luiz.

NATERCIA ROCHA /FILIPE PALÁCIO
REPÓRTER E REDATOR