terça-feira, 12 de abril de 2011

Primeira obra de Jorge Amado completa 80 anos

Há 80 anos, o escritor Jorge Amado (1912-2001) publicava seu primeiro livro, "O País do Carnaval", relançado neste mês pela Companhia das Letras.

Com 18 anos, produziu um romance com pouco do colorido e da brasilidade que marcariam sua obra futura, mas inaugurou ali uma produção literária que mudaria para sempre o mercado editorial brasileiro.

Ao longo da carreira, com 45 livros publicados, a maioria romances, vendeu 20 milhões de exemplares no Brasil e foi traduzido em 55 países, onde, estima-se, tenha vendido 60 milhões de livros.

Isso fez dele o escritor brasileiro de maior público, só superado por Paulo Coelho.

Apesar do feito, Amado nunca conseguiu romper a resistência da crítica especializada e sobretudo do meio acadêmico.

Dez anos após sua morte, e a um ano do centenário de nascimento, o descompasso entre seu sucesso com o público e a resistência da crítica permanece.

"Em 35 anos de magistério, só conheci um professor que se ocupou dele. Também ignoro a existência de teses ou dissertações sobre sua obra. Caiu sobre ele aquele anátema do 'não li e não gostei'", diz o crítico literário e membro da ABL (Academia Brasileira de Letras) Antônio Carlos Secchin.

Além da desconfiança recorrente no meio acadêmico em relação aos escritores de sucesso, duas críticas grudaram em sua obra.

Uma, de que a primeira fase de sua produção, que vai de "O País do Carnaval" a "Os Subterrâneos da Liberdade" (1954), período de sua militância comunista, seria excessivamente engajada, o que tornava os livros muito esquemáticos, fragilizando a composição.

A outra, de que sua segunda fase, inaugurada com "Gabriela" (1958), acabou derivando para uma literatura simplista, de pouca densidade psicológica.

Maranguape do humor

(FOTO SARA MAIA)
Para aproveitar a força que ganhou o nome Maranguape depois que Chico Anysio passou a falar da cidade (e ele sempre falou muito dela em suas entrevistas ao O POVO), a prefeitura montou o Festival Nacional de Humor. 2011 é a vez da terceira edição, que ano passado aconteceu em maio. Em anos anteriores, em 2009 e 2010, houve premiação para três categorias: individual, duplas e trios. Os candidatos ou faziam a agora famosa stand up commedy (comédia em pé), ou lançavam mão da pantomima (mímica) ou dos palhaços.

A cidade vira um burburinho quando o festival acontece. As apresentações em escolas, praças, na rodoviária e no mercado, as exibições de filmes de comédia no Teatro Pedro Gomes de Matos, as palestras educativas nas escolas contribuem para essa movimentação. Em 2010, a população pode ainda participar de oficinas de Caricatura, Charge e Cartum, ministrada por Weaver Lima; Criação de Personagem, por Bené Barbosa (Papudim); Expressão do Riso, por Karla Karenina (Meirinha); e Confecção de Adereços para Humor com Sucata, ministrada por Ana Alice.

Chico foi o homenageado da abertura da segunda edição, com troféu levando seu nome. E quando o nome de Chico Anysio é lembrado, sua participação no festival logo vem à tona em Maranguape. A Praça Capistrano de Abreu ficou lotada, de homem, menino e mulher. Uma festa só.


Fonte: O Povo

Chico Anysio recebe homenagem com humor

O Dia do Humorista há oito anos homenageia Chico Anysio. Desta vez, uma semana de atividades e risadas. A programação inclui ainda o Dia da Sogra (28)
Apresentação do Dia do Humorista na Praça do Ferreira, em 2010 (DIVULGAÇÃO)
Jader Soares bateu mais uma vez o pé na parede, a rede ia e vinha, e as ideias também. Lembrou do Dia da Sogra, não se sabe bem porquê, e lembrou também que a própria profissão estava esquecida quanto ao mérito. Levantou-se dali e sentou-se na mesa do computador. Redigiu um ofício, convocou os colegas e logo estavam todos discutindo quando seria instituído o Dia do Humorista. “Quem não pode ir confirmou a escolha por telefone”. O Dia homenagearia Chico Anysio, que já dava nome ao Teatro onde ficava o escritório: 12 de abril, portanto, aniversário de um dos mais bem sucedidos humoristas brasileiros.

Esse já é o oitavo ano que a Associação do Humoristas, da qual Jader é presidente, organiza a semana. Serão sete dias, de hoje ao dia 18, de muita risada. Hoje a brincadeira começa na Praça do Ferreira, às 16 horas, com mais de 40 humoristas se revezando até as 21 horas (a programação também faz parte das comemorações aos 285 anos de Fortaleza). Na quarta-feira (13) em diante eles fazem graça nas outras regionais, da I à IV. Desta vez, apenas cinco apresentações, e mais tempo para desenvolver o show (todos começam às 19 horas e seguem até as 22 horas).

Dia 28 – o tal Dia da Sogra – também entra na programação: no Teatro Chico Anysio, do qual Jader é diretor, 10 humoristas contarão apenas piadas sobre a sogra. “Nós não exigimos, mas orientamos que de que as pessoas tenham cuidado, é um espaço aberto, espaço público”, detalha Jader sobre piadas a serem contatas ao longo do evento. As tais orientações tomaram lugar nos encontros da Associação, toda segunda-feira, no teatro Chico Anysio, de já 20 anos. Os galanteios, portanto, durante a semana, levariam em conta as crianças, os idosos, as diversas crenças etc., presentes na plateia. “Mas não é uma obrigação”, ressalta o presidente.

O Teatro Chico Anysio, onde funciona o Escritório do Riso, no Benfica, é um dos polos agregador de humoristas, segundo Jader Soares, que interpreta o Zebrinha. “É lá que se reúne a produção para escolher os humoristas que vão pro Show do Tom (Record), pra Rede Globo”. Ainda este ano, prevê Jader, será inaugurado o museu do Humor Cearense, em julho. (Júlia Lopes)


SERVIÇO


DIA DO HUMORISTA
Onde: abertura hoje na Praça do Ferreira, às 16 h. Evento segue em outros bairros
Quanto: Acesso livre
Mais informações: (85) 3255 8300


PROGRAMAÇÃO

Hoje (12)
Praça do Ferreira, Centro
De 16h às 21h

Amanhã (13)
Praça Valdir Campos – Conjunto Polar
De 19h às 22h

Quinta-feira (14)
Praça do Mirante
De 19h às 22h

Sexta-feira (15)
Praça do Bairro João XXIII
De 19h às 22h

Sábado (16)
Praça do Jardim América
De 19h às 22h

Domingo (17)
Campo do Jonnathan (Tv. Álvaro Chaves, 300, Mundubim Sul)
De 19h às 22h

Segunda-feira (18)
Quadra do Conjunto Rosa Luxemburgo
De 19h às 22h

Fonte: O Povo

O ninho de Chico

80 anos cheios, completos, e com a saúde revigorada: Chico Anysio aniversaria hoje e o Vida & Arte comemora a data fazendo uma visita à sua Maranguape, que guarda mais lembranças recentes que antigas do humorista

Chico Anysio deixou Maranguape com oito anos, mas sua fama Brasil afora impregnou a cidade de lembranças e histórias (FOTO SARA MAIA)
O viajante que a sorte encarregou de levar pelas bandas de Maranguape pode perguntar a qualquer um na calçada, na bicicleta ou levando os meninos para casa: onde morou um dos seus filhos mais ilustres, Chico Anysio? “Pode ir reto, dobra lá na frente e depois vai direto”. A casa fica perto do cemitério, região que alguns maranguapenses gostam de identificar como Preguiça, dado à malemolência dos residentes da área. Depois do muro branco, um terreno largo e generoso, verde e cheio de silêncio, guarda a casa ampla, sem forro. Nenhum outro móvel daquela época resistiu. Foi ali onde nasceu, há 80 anos, o comediante Chico Anysio.

Do outro lado da rua, o velho Gerardo Dias de Souza, já agora com a vista turva e escurecida, descreve aquele tempo, quando o irmão mais velho de Chico Anysio, Elano de Paula, levava os meninotes todos na caçamba da camionete. Era fim dos anos 1930, não seria apenas uma carroça? A pergunta fica sem resposta. Com 83 anos recém-feitos, o retrato que guarda dos vizinhos é de pura presepada, marmota, mungango, gaiatice. Na cadeira posta à porta de casa, rodeado pelas muriçocas, ele fala das muitas visitas que a casa recebia, da vida que pulsava ali, dos cafés da tarde. “Era um pagode mais lascado do mundo”.


No tempo do talvez
Célio Cavalcante, 77 anos, aposentado, bota panos quentes na efusividade de seu Gerardo. No bar do Xavier, onde ele encontra a turma toda terça, lembra que Chico talvez tenha tomado banho de açude, talvez tenha visto a maravilha que era a manobra do trem, talvez tenha participado das brincadeiras dos meninos, como quando colocaram uma mesa de madeira em cima da cabeça do Capistrano de Abreu, outro filho nobre de Maranguape. “Ele foi embora daqui muito pequeno, mas já naquela época era gaiato”. O humorista contava oito anos, e o pai tinha perdido a riqueza familiar num incêndio. “Ele vinha depois, nas férias. Mas era a mãe quem mais dava notícia dele”.

Há quem diga que Capistrano tenha batido uma bota na outra para dali não levar nem a poeira. E que Chico Anysio tenha feito o mesmo. À primeira pergunta da reportagem, se seu Chico Façanha, dono de mercadinho de frente para uma praça, conheceu o xará, ele responde de pronto: “Mas preferia não ter conhecido”. E deu a falar de como o humorista não faz nada pelo Maranguape. “Minha madrinha é até tia ou prima dele, a dona Maria Paula. É um bom artista, mas poderia fazer algo pela terra natal”. O segurança Francisco Augusto, 66, reconhece o conterrâneo por ter feito história. “Acho ele engraçado, tem muitos personagens, todo mundo conhece”.

Os recentes problemas de saúde fizeram Chico Anysio sair de cena. É a esposa dele, Malga di Paula, quem dá conta da saúde do humorista, pela rede social Twitter: está preparando “algo especial para ele”. Não especificou qual seria a surpresa. Mas garantiu: “Claro que vamos comemorar durante todo o ano”. Lá em Maranguape, há quem faça a previsão: próximo busto de praça – das muitas que Maranguape tem – é dele. Muito justo!


Quando

ENTENDA A NOTÍCIA

Após passar 110 dias internado, entre dezembro de 2010 e março de 2011, quando passou por uma angioplastia e sofreu uma pneumonia, Chico Anysio volta para casa e dá início ao processo de recuperação. Recebeu familiares e amigos, mas não voltou para suas atividades. É nesse contexto que ele comemora hoje 80 anos.


Júlia Lopes
ENVIADA A MARANGUAPE

julialopes@opovo.com.br


Fonte: O Povo

Um recomeço para Chico

No dia em que comemora 80 anos, o Caderno 3 traz uma reportagem exclusiva com o mestre do humor cearense. Recuperando-se dos problemas de saúde que o prenderam por quatro meses em um hospital, Chico Anysio recebeu o Diário do Nordeste em sua casa para uma conversa franca sobre os momentos difíceis da doença e o sofrimento pelos rumos do time do coração, o Ferrim

Chico Anysio: "Estou bem, fazendo fisioterapia para o músculo me segurar, comendo tudo, só me falta andar, porque as pernas ainda estão fracas. Quatro meses de cama é uma lenha!"
FOTOS: FOLHA PRESS
Chico Anysio encheu os olhos d´água quando viu a baciada de cajá umbu e pitomba que transitou de Fortaleza para o Rio de Janeiro, como parte dos presentes que o Diário do Nordeste, em nome dos cearenses, enviou para homenageá-lo em seu aniversário de 80 anos.

Ficou até nervoso. "É cajá?" Ergueu-se um pouco da cadeira de rodas, espichou com o rabo do olho e repetiu desconfiado. "É Cajá? Cajá mesmo?". Afastou a sonda do nariz e foi comendo cajá e quebrando com o dente a casquinha da pitomba. Enquanto roía o caroço, bem devagar e com cara de criança levada, ria-se dos porquês das frutas não estarem tão frescas e até um pouco amassadas. "Imagino a aventura de vir de tão longe cuidando desse pacote tão grande, menina", disse com carinho, cheirando as atas, goiabas e acerolas que também foram de presente para minimizar a saudade da terrinha.

O torcedor
 "Estou sabendo que no Ceará todos estão torcendo por minha saúde", entrecortou Chico, com voz grave. "O Ceará é sempre querido, sempre faz parte dos meus planos. Acho Fortaleza uma cidade divina, sem contar que as praias são insuperáveis. O único problema de lá é o Ferroviário...Ferrim, meu time do coração, podendo me dar essa alegria! Se eu acertasse na mega-sena, ajudava o Ferrim".

Quando falou no Ferroviário, deu para sentir um certo pesar. Chico murchou na cadeira. Até pensei que viesse uma brincadeira, mas ele emendou. "Eu, criança, meu pai presidente do Ceará, e eu torcedor do Ferrim, sozinho lá em casa... O único da família que não torce Ceará sou eu". E apareceu na testa aquela tez enrugada, que todo torcedor fanático-amargurado-desesperançoso tem. E acho que ele estava falando sério mesmo!

Com sonda e oxigênio a reboque, Chico está com movimentos lentos, mas a voz continua a mesma...o vozeirão de sempre. E o corpo cansado não corresponde à avidez por se expressar, denunciadas por alguns instantes de olhar firme.

"Estou bem, fazendo fisioterapia para o músculo me segurar, comendo tudo, só me falta andar, porque as pernas ainda estão fracas. Quatro meses de cama, dois meses só de UTI, é uma lenha! E sem poder beber água? Só tomava oito pingos na boca. É isso, entrei na quarta vida, agora só me restam três", diz sorrindo com o canto da boca.

A celebração
Feliz aniversário, ´Amado Mestre´! E Chico se apruma na cadeira quando vê saindo mais presentes da sacola. Dessa vez, duas imagens advindas do município de Canindé, especialmente para nosso gênio do século XX. Na primeira caixa veio São Francisco de Assis, xará e seu santo de devoção, devidamente trajado em tecido de saco tingido de marrom, com terço ornando o corpinho de 30 centímetros e claro, o cordão amarrado na cintura.

A amiga inseparável, Santa Clara, mais linda ainda, veio em outra caixinha do mesmo tamanho, com o hábito marrom também de saco, mantilha preta na cabeça, tercinho no corpo, igualzinho aos trajes das Irmãs Clarissas, que vivem enclausuradas e em contemplação no Mosteiro do Santíssimo Sacramento, e que são responsáveis pela estilização das imagens.

Chico colocou as duas mãos no peito, meio rindo, meio emocionado, e ouviu atento à narração da "via sacra" que o casal de santos percorreu até chegar às suas mãos, no belo apartamento de varanda envidraçada de ponta a ponta, com vista belíssima para a Lagoa da Barra, lugar onde mora há pouco mais de um ano com a mulher, Malga di Paula.

"Essas imagens são produzidas dentro do Convento das Irmãs Clarissas", expliquei. "Por sorte, ficamos sabendo que duas freiras vinham de Canindé para Fortaleza na quarta-feira, 6, dia seguinte ao senhor ter confirmado por telefone que poderia me receber para uma visita de aniversário no sábado à tarde, dia 9". E ele comendo pitomba. "Elas chegaram às cinco da manhã, trouxeram a encomenda de seus presentes, juntamente com esse CD de músicas sacras, e mandaram dizer que sua saúde está na intercessão da clausura. Depois as deixei em um hospital ali, na Aldeota, motivo pelo qual estavam na Capital".

"Você se livrou de um peso danado agora... Que aventura! Mas obrigado, obrigado por tudo, pelas frutas, CD, imagens, livros, pela lembrança, obrigado mesmo".

O fumo
"Chico", indago, logo depois de Malga encerrar a conversa e dar o sinal para que as enfermeiras afastem a cadeira de rodas para trás, onde ele retomaria a conversa com Daniela Escobar, "minha vizinha do 15", brincou Chico, a atriz que também estava lá de visita. "Chico, sei que, por diversas razões, o senhor não pode conceder entrevista, mas preciso saber se o senhor acredita que tudo isso que está acontecendo tem a ver com cigarro?"

"Se eu acho? Eu tenho certeza! Tudo isso que eu passo é por conta do cigarro. Se eu fosse ter de novo uma vida, faria tudo que fiz, até errado o que errei, só não fumava mais. Fumei durante 40 anos, quatro carteiras por dia, mas não se iluda, tanto faz uma como quatro, o mal é igual. Um dia resolvi parar, porque se você quiser parar, você para! Mas para mim foi tarde demais. Quando decidi, o enfisema já estava aqui."

Beijei sua mão, pedi sua bênção e fui para a sala contígua à varanda, aliás, ampla, elegante e impessoal como o ambiente anterior. Lá, Malga di Paula aguardava para uma breve conversa. E a entrevista deu certa dimensão do que vem acontecendo nos últimos meses com nosso Chico Anysio.

ENTREVISTA
Malga di Paula*

Malga di Paula
"Vários dias me disseram que o Chico (Anysio) não ia sobreviver"
Chico Anysio está novamente em casa depois de quase quatro meses internado. Como será de agora em diante?
Olha, eu que tô cuidando... Sinceramente? Não pensei em muitas coisas para o futuro. Porque o mais importante naquele momento era salvar a vida dele, era tê-lo vivo. O que desencadeou tudo isso foi um problema cardíaco que ele teve, numa artéria. Aí teve de colocar um stent (espécie de tubo condutor). Só que colocando esse stent, deu errado, furou a artéria, vazou sangue para dentro do pericárdio, foi um horror.

Isso aconteceu em dezembro?
Foi em dezembro. Aí, depois disso, foi uma luta, porque ele pegou infecção, teve um monte de problemas, foi uma batalha. Várias coisas aconteceram. Várias coisas ruins aconteceram. Vários dias me disseram que o Chico não ia sobreviver e tal.

Ele mudou de médico nesse processo, não foi?
Ele tinha um médico que estava cuidado dele, o Luiz Cesar Cossenza, mas eu não estava gostando da conduta dele, eu não estava satisfeita com ele fazia um tempo. Demorei mais tempo para trocar porque a família não concordava, filhos, irmãos, todo mundo. Mas aí tive que enfrentar sozinha e trocar de médico, sozinha, contra todo mundo. Depois de 56 dias que Chico estava lá (no Hospital Samaritano) troquei de médico. Foi no meio do processo mesmo, Chico estava no CTI. Aí chamei o doutor Luiz Alfredo Lamy e a equipe dele. Porque antes só tinha um médico que cuidava dele. Depois que entrou toda uma equipe, ele melhorou. Porque, até então, era uma cacetada atrás da outra. Um conselho que eu dou é que você nunca tenha medo de pedir a opinião para outro profissional. Tem hora que a decisão certa é trocar e foi o que fiz. Foi uma luta, contra todo mundo, mas deu certo, graças a Deus.

Você está com Chico Anysio há quanto tempo?
Vai fazer 13 anos. Quando o conheci, eu tinha 28 anos, agora estou com 41. Eu era cantora e vim fazer uma entrevista com ele sobre Dolores Duran, porque eles foram parceiros, ela gravou muitas músicas dele. Na época, consegui uma entrevista na casa dele! E doze dias depois nos casamos.

Doze dias? Foi rápido, né?
Quando fez nove dias que a gente se conhecia, fui embora para Porto Alegre, porque tinha minha vida lá. Daí ele ficou falando: "volta, volta, volta". Quero ver se esse cara tá falando sério mesmo. Daí, falei: "ah, se você quer que eu volte, vem me buscar". Ele pegou o primeiro avião e foi me buscar.

*Cantora e esposa de Chico Anysio

NATERCIA ROCHA
ENVIADA AO RIO DE JANEIRO