domingo, 27 de fevereiro de 2011

Central de Artesanato do Ceará-Ceart

Com a reinauguração da praça Luíza Távora e o sofisticado artesanato da Ceart, o Vida & Arte Cultura discute arte, cultura popular e seu consumo

Em 1921, quando o comerciante Plácido de Carvalho ergueu um castelo em plena Fortaleza para trazer da Itália sua amada Pierina, não imaginava o destino de sua declaração de amor: a filha Zaíra, que não chegou a habitar a majestosa construção, acabou por vendê-la na década de 1960 a um grupo comercial cuja intenção era erguer um supermercado. A demolição foi feita, mas o empreendimento, jamais. Endividado, esse grupo entregou o terreno ao Estado. Em 1979, a primeira-dama Luíza Távora aproveitou o local para construir a Central de Artesanato do Ceará, a Ceart.

No último dia 14, a praça foi reinaugurada. Passou por uma recauchutagem geral, ganhou fonte interativa, música clássica ambiente, café dentro do vagão que ali repousa e muitos novos frequentadores. “O artesanato cearense tem agora um lugar extremamente agradável para sua comercialização. Com a reinauguração, nós ganhamos muito em vendas”, conta Amanaci Diógenes, a coordenadora de desenvolvimento do artesanato e economia solidária.

Na Ceart, artesão e loja trabalham com a filosofia do mercado justo. “A Ceart não visa lucro. A gente paga o preço justo para o artesão e agrega à peça os custos de comercialização, de embalagem. A estrutura é mantida pelo Governo do Estado. O recurso da venda vai para o Fundo Estadual para Desenvolvimento do Artesanato, que paga a peça que a gente compra do artesão. É como um capital de giro das sete lojas do Estado”, explica.

Engana-se quem acha que o trabalho da Central é voltado para o turista. Uma das bandeiras da Ceart é a divulgação do artesanato cearense entre os próprios cearenses. “A gente mudou o conceito de comercialização para fazer o cearense entender que pode usar o artesanato na casa dele, não só na varanda da casa de praia. Ele tem valor e vai deixar sua casa e o seu escritório com muito mais requinte”. Hoje são 16 ambientes montados na Ceart da praça Luíza Távora.

Mas, afinal, qual o grande diferencial do artesanato da Ceart? Amanaci explica: “Existe uma diferença entre artesanato e trabalho manual. Nós trabalhamos com foco no viés cultural, aquele que retrata nossas tradições, que as pessoas se veem nele. Isso eleva o valor agregado do produto. A gente analisa também a qualidade do produto, se ele é inovador. Não existem marchands para o artesanato, existem curadores. Do nosso ponto de vista, quanto mais tradicional e cultural for essa peça, mais valor ela tem”. Aí é você que escolhe: que tal uma boneca de barro, toda colorida, por R$ 12,90, ou uma linda escultura de arte popular em madeira por mais de R$ 400? “Artesanato é arte. É arte e é cultura, geração de trabalho e renda, valorização das nossas tradições, uma soma de tudo isso”, finaliza.

Alinne Rodrigues
alinnerodrigues@opovo.com.br

Agulhas no palheiro

Ruy Souza e Silva
Uma conversa rápida com Ruy Souza e Silva e um passeio pela exposição com Pedro Corrêa do Lago nos adiantam como era a relação de Dr. Olavo com as peças e o processo de aquisição de verdadeiras raridades brasileiras.

Segundo Pedro Corrêa do Lago, curador da exposição, "cada peça tem uma história para contar, seja sobre o momento histórico a que pertenceram, seja sobre o modo como foram adquiridas". De fato, a trajetória das peças e os bastidores da aquisição são pérolas à parte. Ruy Souza e Silva, que dividiu com Pedro o "conselho de arte" de Olavo Setubal, é quem revela a postura e os métodos do empresário com relação à coleção. "Ele dizia que comprava obras de arte com três condições: primeiro, ele tinha que gostar de cara, não podia ser algo de que ele iria gostar com o tempo. Ele tinha o olho, quando gostava, comprava no ato. A segunda, era ter onde colocar a peça. E a terceira e última era ter um preço razoável", revela Ruy Souza e Silva.

O empresário dificilmente ia a colecionadores. Estava, no entanto, bastante presente em leilões virtuais, o que lhe garantiu excelentes oportunidades a preços bem menores do que os avaliados. Dessa forma, Ruy e Pedro se tornaram seus conselheiros, garimpando nos antiquários e acervos de colecionadores as melhores peças.

Pedro Corrêa do Lago
Achados

No Espaço Cultural Unifor, os visitantes serão recebidos na nave esquerda por um bom exemplo das raridades encontradas. Uma exuberante tapeçaria de 2,5 por 3,2 metros dá as boas vindas ao Brasil Holandês. A peça data de 1778 e fora produzida pela manufatura francesa Gobelins, baseadas em ilustrações do pintor Eckhout.

Em 1678, o príncipe Maurício de Nassau presenteou o rei Luís XIV da França com pinturas de Frans Post e desenhos de Eckhout baseados na fauna e na flora brasileiras. Especialidade das manufaturas reais, as grandes tapeçarias passaram a receber, por sugestão dos conselheiros do rei, os exóticos temas daquelas terras estrangeiras, saídos das ilustrações de Eckhout. Oito peças foram inicialmente produzidas. Somente por volta de 1735, o pintor François Desportes foi encarregado de criar uma nova leva das imagens já desgastadas feitas pelo holandês. Uma nova série de tapeçarias foi lançada e, destas, uma foi adquirida em 1992 por Olavo Setubal.

Na sala dedicada às cartografias, está exposta uma das coleções mais queridas por Setubal, de acordo com Ruy Souza e Silva. Segundo ele, a presença do empresário em muitos leilões garantia a pechincha de algumas ofertas, que ainda assim não se pode considerar que saiam baratas. O Atlas Blaeu custou uma bagatela avaliada entre meio milhão e um milhão de dólares. "Os atlas geralmente são versões atualizadas de edições anteriores. A riqueza deste é justamente porque não existiu nada antes dele. É o princípio dos registros. Quando fiquei sabendo que esta peça estava em leilão, telefonei para Dr. Olavo e lhe disse que desse um lance, porque era muito valiosa. Como ele era muito assíduo em leilões, conseguiu comprá-lo por um terço do lance dado", explica o colecionador.

Apesar de não figurar como a parte mais numerosa da coleção, as pinturas e ilustrações, ainda sim, estão em grande número. A "Brasiliana Itaú" possui o quarto maior acervo das pinturas e desenhos de Jean Baptiste Debret do mundo. Debret é reconhecido como um dos artistas que mais retratou o Brasil, responsável por um verdadeiro estudo sobre a escravidão brasileira. Diferentemente dos livros, que muitas vezes saiam das salas dos colecionadores, as iconografias provinham não apenas de leilões, mas de locais inusitados. Ruy conta que, em uma cerimônia política, quando ainda era prefeito de São Paulo, Setubal se deparou com um quadro do qual gostou assim que bateu o olho. Acionou seu assessor ao lado e pediu que perguntasse quanto queriam pela obra. O companheiro descobriu que a pintura pertencia a uma artista ainda novata e portanto custaria apenas em torno de cinco mil reais. Dr. Olavo aprovou a compra ali mesmo. Hoje, sabe-se que o óleo da então apresentada inexperiente artista é de autoria da carioca Beatriz Milhazes, uma das maiores ilustradoras da atualidade no Brasil.

Impressos

Na nave direita, estão as obras que representam a maior parte da coleção: documentos e publicações impressas. Na parede do primeiro corredor, um mural de policarbonato nos recebe. Nele está uma simbólica parte da coleção de duzentos manuscritos raros adquiridos por Olavo Setubal: cartas e documentos assinados por todos os chefes de Estado do Brasil, de Dom Manuel a Tancredo Neves.

Em um dos últimos documentos expostos, Pedro Corrêa do Lago nos aponta uma curiosidade: em ofício datilografado, Tancredo nomeia Olavo Setubal como Ministro das Relações Exteriores, em 1985. "O novo presidente podia nomear os ministros depois da posse, mas precisava ter o nome do ministro das Relações Exteriores para receber as delegações estrangeiras. A curiosidade é que, depois de assinado este decreto, Tancredo foi hospitalizado e um mês depois faleceu sem que tivesse assinado mais nada. Ou seja, o documento de Olavo foi o único decreto de Tancredo Neves", explica Pedro Corrêa.

Finalmente, na última sala, entre os livros e documentos, há uma particular coleção com fotografias e objetos de Santos Dumont, herdados por seus sobrinhos. Nesta sala, vê-se uma homenagem ao Ceará a partir das primeiras edições de clássicos da literatura cearense, como Rachel de Queiroz e José de Alencar. Livros raros de diversos escritores brasileiros compõem a maior parte do acervo, além dos chamados livros de arte, que uniam o talento literário dos escritores com a produção de pintores e desenhistas.

Apesar do grande volume de livros brasileiros que compõem a Brasiliana, Ruy Souza e Silva conta que é difícil encontrar bons materiais no Brasil. O mercado não é muito grande e os livros não se encontram bem conservados. Por isso, boa parte do setor de literatura foi adquirido fora do País. "Além do clima úmido do Brasil, que não garante uma boa conservação, o brasileiro não tem a cultura de guardar as coisas, diferentemente dos norte-americanos ou europeus", comenta. Bem-humorado, Ruy exemplifica: "Levei quinze anos para achar ´O Quinze´, de Rachel de Queiroz!".

Para ele, o que faz de uma coleção fantástica é o ato e a arte de garimpar. "O Pedro uma vez me falou algo interessante: antigamente, os reis tinham sua grande diversão na caça, ir atrás de uma raposa, de um pavão, isso era um feito. A coleção de livros é, de certa forma, similar. Caçar livros é uma coisa que nos dá um prazer enorme, visitar os acervos, contatar os colecionadores", compara Ruy.

De acordo com a avaliação de ambos os consultores, a Brasiliana Itaú está praticamente completa, apesar de a família e o banco ainda manterem algumas aquisições, priorizando, desta vez, obras mais contemporâneas. "Destacamos que a coleção está muito completa, e isso porque Dr. Olavo trazia para o exercício de colecionador as mesmas características de administrador que conferia à empresa. Queria algo sério, sistemático e dava a isso total atenção", revela Ruy Souza e Silva.

Fique por dentro

Ceará revisitado

Também ao Ceará é dedicada uma parte das obras. Nos grandes livros ilustrados no período nassoviano, há, entre as paisagens nordestinas, uma linda vista do ainda nomeado "Siará", exposta na coleção que veio a Fortaleza. Entre os manuscritos, por exemplo, está a assinatura do cearense Castelo Branco, primeiro presidente do regime militar. Agora, sobretudo no setor dos livros o Ceará recebe homenagens. Estão entre os impressos, primeiras edições de "Iracema", "O Guarany", de José de Alencar, além de "O Tronco do Ipê", "O Sertanejo", e curiosas edições não-autorizadas de "Ubirajara, lenda tupi". Há ainda a primeira edição de "Os Sertões", de Euclides da Cunha, uma bem preservada produção de 633 páginas, com mapas desdobráveis e gravuras. Também Rachel de Queiroz está incluída no compêndio de famosos livros nordestinos, com diversas primeiras edições de suas obras.

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Juazeiro-Milagre provoca reconhecimento da vila de Joaseiro


Juazeiro ainda era uma pequena vila quando, a partir de uma comunhão, dada por Padre Cícero, passou a ser reconhecido
Juazeiro do Norte. Com uma população de quase 250 mil habitantes, a cidade de Juazeiro do Norte comemora o seu centenário, no dia 22 de julho deste ano, como o mais importante centro comercial do interior do Estado do Ceará. O antigo Sítio Tabuleiro Grande, distrito da então aristocrata cidade do Crato, transformou-se no maior centro de romarias do Nordeste, com um fluxo de 2 milhões de visitantes por ano. O "estopim sagrado", que deu origem às romarias, foi um suposto "milagre", quando a hóstia consagrada dada pelo Padre Cícero transformou-se em sangue na boca da beata Maria de Araújo. 122 anos depois deste acontecimento, a cidade não depende mais do "milagre". Porém, a maioria da população precisa da fé no Padre Cícero para manter as suas convicções religiosas, políticas e sociais. A cidade é objeto de estudos em diferentes fóruns.

Comunhão inusitada

Juazeiro do Norte, 1º de março de 1889. O vilarejo com menos de 10 mil habitantes se prepara para mais um dia de oração e trabalho. O capelão da pequena igreja da vila de Joaseiro, Cícero Romão Batista, dá início à primeira missa do dia, depois de uma noite de vigília em desagravo ao Coração de Jesus. No pé do altar, um grupo de beatas, entre as quais Maria Magdalena do Espírito Santo de Araújo, conhecida, mais tarde, como Maria de Araújo. Seria mais um dia normal na vida do povoado, se não fosse esse fato inusitado. Na comunhão, a hóstia consagrada que, para os católicos, é "o corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo", se transformou em sangue na boca da beata Maria de Araújo.

Sangue de Jesus

O fato repetiu-se dezenas de vezes. Os católicos do vilarejo interpretaram o fenômeno como um novo derramamento do sangue de Jesus, sendo, portanto, um milagre, mais tarde aceito também pelo Padre Cícero e outros sacerdotes da redondeza. Assim, o povoado, antes insignificante, passou a ser alvo de grande visitação popular. Quando ainda era uma vila pertencente ao Crato, de acordo com a alegoria feita pela artista plástica Assunção Gonçalves, Juazeiro não passava de um aglomerado de casas de taipa e algumas de tijolos convergindo para uma capela dedicada à Nossa Senhora das Dores. O vilarejo nasceu na sombra de três frondosos juazeiros em frente a uma pequena capela, à margem da antiga estrada que ligava os Municípios de Crato e Missão Velha. Era o entreposto de viajantes que se dirigiam ao Cariri. A notícia do milagre se espalhou em todo o Nordeste. Começaram as romarias. A primeira delas ocorreu no dia 7 de julho, sob o comando do reitor do Seminário São José do Crato, monsenhor Francisco Monteiro, que organizou procissão de cerca de três mil pessoas que saíram de Crato para Juazeiro, a fim de observar a transformação da hóstia em sangue. O ato litúrgico terminou com uma homilia do monsenhor Monteiro exaltando o "milagre".

Padre Cícero, cauteloso, solicitou a formação de uma comissão de profissionais de saúde integrada por Marcos Rodrigues Madeira (médico formado no Rio de Janeiro), Ildefonso Correia Lima (médico e professor da Faculdade do Rio de Janeiro), Ignacio Arruda, de Fortaleza, Joaquim Secundo Chaves (farmacêutico), e, ainda, diversos padres da região.

Fique por dentro

Edições especiais

Até o aniversário do centenário do Município de Juazeiro do Norte, que será comemorado em 22 de julho deste ano, o Caderno Regional vai publicar edições mensais especiais. O objetivo é contemplar os momentos históricos que tranformaram a cidade num dos maiores centros de romarias do País. Nesta primeira edição, as reportagens abordam o "milagre", envolvendo o Padre Cícero e a beata Maria de Araújo, e seus desdobramentos. A despeito do fato ter sido verdadeiro ou não e do questionamento da Igreja Católica, é inegável que o fenômeno desencadeou o desenvolvimento de Juazeiro como centro de romaria e comércio. É um dos principais acontecimento da história da "terra do Padim". Muitas dúvidas e discussões giram em torno deste tema que, por muitos anos, foi repreendido pela Igreja Católica. Entretanto, com o crescente número de romeiros, que transforma o Padre Cícero em santo popular, a própria Igreja inicia processo para reabilitação do sacerdote da vila de Joaseiro.

Antônio Vicelmo
Repórter

História privilegiada


A partir de 1º de março, o Espaço Cultural Unifor oferece um presente aos amantes da arte e da história. A exposição "Brasiliana Itaú" proporciona o acesso a um dos acervos mais completos sobre a história do País

Seguindo a linha de grandes mostras que ocupam o Espaço Cultural Unifor, a exposição "Brasiliana Itaú"faz justiça ao seu nome. Uma "brasiliana" consiste, em suma, numa coleção documental e/ou visual de obras e peças que ajudam a contar a história do País, registrando seus momentos mais destacados. A mostra contempla 500 anos da história, da memória e da cultura do povo brasileiro.

São quadros, mapas, brasões, pinturas, ilustrações, livros, esculturas, documentos e objetos. E a enumeração de todos esses elementos ainda não é suficiente para descrever a riqueza do acervo, que fica aberto à visitação pública no Espaço Cultural Unifor até o início do mês de maio.

A exposição "Brasiliana Itaú" foi uma das mais comentadas no ano de 2010, quando passou por capitais do Sudeste. Ocupou pelos espaços nobres da Pinacoteca de São Paulo, do Palácio das Artes em Belo Horizonte e do Museu Nacional das Artes, no Rio de Janeiro. Depois da exposição em Fortaleza, ela passará por apenas outras duas capitais do País, até ser fixada em São Paulo.

Segundo o curador da exposição, o bibliófilo Pedro Corrêa do Lago, apenas fotografias e pinturas não-documentais ficaram de fora do acervo. "A maioria são papéis importantes. Documentos com assinaturas de presidentes e imperadores, papeis de compras de escravos, mapas antigos, primeiras edições de livros brasileiros. Além disso, se destacam ilustrações e aquarelas", detalha.

História

A abrangente coleção, composta por cerca de cinco mil peças, começou de forma despretensiosa. Em 1971, o banco Itaú adquiriu um óleo sobre tela de autoria do holandês Frans Post (1612 - 1680), o primeiro pintor da paisagem brasileira. Post adotou o Brasil como um tema recorrente em suas composições depois de viver sete anos no País, entre 1637 e 1644. A obra pertencera à coleção do paulista Octales Marcondes Ferreira, formada nas décadas de 50 e 60, e anteriormente havia integrado o acervo particular do galerista holandês Frederik Muller, de Amsterdã. O próprio Olavo Setubal, proprietário do Itaú, propôs a aquisição da peça, aprovada pela empresa, que ainda não vislumbrava a possibilidade de tornar-se detentora de um acervo histórico.

Foi, no entanto, na década de 90 que o político, industrial e banqueiro Setubal decidiu dedicar seus esforços à aquisição de obras relacionadas a uma sua paixão: a história do Brasil. Através do banco, começou a adquirir livros, álbuns e conjuntos documentais que constituíram a chamada "Coleção Banco Itaú de Iconografia Brasileira".

Mas não era o bastante. Nos últimos dez anos, já afastado de parte de suas obrigações como empresário e político, Olavo Setubal iniciou sucessivas aquisições de conjuntos documentais e coleções inteiras. Para tanto, o executivo contou com o apoio de dois importantes nomes: Pedro Corrêa do Lago, colecionador, editor e ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional, e Ruy Souza e Silva, seu ex-genro, empresário, colecionador e também homem das artes.

Em cinco anos, o acervo havia se ampliado tanto que já valia a pena mudar de nome. "Foi quando comentamos com Dr. Olavo que a coleção tinha uma abrangência notável, de poucas lacunas. Ele respondeu: ´Se existem lacunas, vamos preenchê-las!´. A partir daí, a montagem do acervo se tornou mais sistemática, em prol de catalogar algo que possuísse, de fato, uma ordem, uma lógica", explicou Corrêa do Lago.

Foi desse modo que o colecionador reuniu aproximadamente 5 mil obras antes de falecer, em 2008. Setubal ainda conseguiu ver publicado o volumoso livro de 708 páginas, pela editora Capivara, que registra a coleção integralmente e escrever a apresentação do volume.

"Exposições como essas impõem várias dificuldades: de transporte, de montagem, de acondicionamento e até de soluções estéticas, o modo como as obras devem ser expostas. Mas o que posso ressaltar é que, para além delas, tive muitos privilégios: de ajudar na aquisição das obras, na edição do livro e agora de coordenar essas exposições itinerantes. Tudo isso é muito gratificante", pontua.

Diante de tão rico acervo, o que se pode dizer é que não apenas para a curadoria a exposição fora um privilégio. Também os que visitarem a mostra no Espaço Cultural Unifor poderão dizer que tiveram uma visão privilegiada da cultura e da história do Brasil.

MAIS INFORMAÇÕES

Exposição "Brasiliana Itaú". No Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321). De 2 de março a 1 de maio. De terça a sexta das 10h às 20h e sábados e domingos das 10h às 18h. Grátis. Contato: (85) 3477.3319 e www.unifor.br

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

Juazeiro-Documentos inéditos são temas de livros

FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

Uma série de atividades foram elaboradas para a comemoração dos 100 anos de Juazeiro

Juazeiro do Norte. Uma das mais importantes coleções relacionadas ao Padre Cícero e os milagres de Juazeiro será lançado, em julho deste ano, durante a semana comemorativa do centenário da cidade. São mais de 2 mil documentos inéditos, entre telegramas, cartas e fotografias que estarão disponibilizadas também na internet. Junto com a coleção "Padre Cícero Romão Baptista e os Fatos de Joaseiro", será produzido um documentário sobre a produção dos dois volumes, a ser lançado em DVD, com depoimentos de pesquisadores que também vão fazer parte dos livros, com artigos específicos. O lançamento deve acontecer no dia 20 de julho, dois dias antes da data dos 100 anos de emancipação.

O projeto está sendo coordenado pelo padre Francisco Roserlândio de Souza que, até o mês de maio, deve estar com os dois volumes prontos para serem levados à gráfica. Serão 1.000 edições. São cerca de 600 páginas em cada volume. O primeiro deles teve a coordenação do historiador e estudioso dos fatos de Juazeiro, professor Renato Casimiro, e o segundo da antropóloga, socióloga e escritora, professora Luitgarde Barros.

O grupo que está organizando o segundo volume esteve reunido semana passada. Os estudiosos traçaram as principais etapas para o desenvolvimento deste segundo volume. O primeiro processo de desenvolvimento do trabalho foi em Fortaleza, quando foram definidos os membros participantes deste segundo volume. "Determinamos a vinda a Juazeiro para conhecer o material em telegramas e o Roserlândio mandaria as cartas para a revisão paleográfica".

Com as cartas e telegramas, foram divididos os assuntos. Todo o material é estudado minuciosamente por cada articulista, que irá enfocar temas específicos. O segundo volume, segundo a coordenadora dos trabalhos, é coletânea. "Telegramas que consideramos importantes para incluir no livro, usamos os respectivos artigos, que são sobre a Guerra, padre Manuel Macedo e outros pontos que serão enfocados", diz ela, ao acrescentar que a definição do seu artigo virá depois que essa primeira etapa estiver concluída.

Os documentos primários para o segundo volume estão relacionados à questão da independência de Juazeiro. O primeiro volume já estará mais restrito ao milagre de Juazeiro, protagonizado pela beata Maria de Araújo, com o Padre Cícero, em 1889, e todo o processo que transcorreu a partir desse fato.

A escritora destaca a importância do lançamento desse trabalho, ressaltando o primeiro centenário de Juazeiro do Norte. "A cidade já conta, nestes 100 anos, com um número grande de universidades e tem a obrigação de se pensar e registrar esse pensamento, visando não só o estudo do Juazeiro no próximo século, como uma revisão do segundo centenário", diz. Esta será, conforme ela, a produção de Juazeiro até o ano de 2011. "As gerações futuras também terão oportunidade de contar com um documentário de Juazeiro com comentários de pensadores sobre o primeiro centenário de autonomia.

A professora, segundo o padre Roserlândio, tem visão abrangente do processo político que se deu em Juazeiro. Uma das grandes pesquisadoras da história de Juazeiro escreveu o livro "Juazeiro do Padre Cícero - A Terra da Mãe de Deus", com segunda edição, revisada e ampliada, lançada em 2008. A primeira edição foi lançada com o título "A Terra da Mãe de Deus", e só na segunda foi acrescentada a primeira parte do título. Desse projeto voltado aos 100 anos serão lançados 100 exemplares às autoridades e outra parte para guardar. Terá publicação em brochuras, que serão distribuídas às bibliotecas, disponibilizadas aos estudantes, pesquisadores e interessados.

Os documentos a serem publicados, em sua integralidade, são referentes a manuscritos do Padre Cícero e outros protagonistas da história de Juazeiro. Envolvem o período de 1889 até 1937. O projeto foi lançado no ano de 2009, por meio de parceria entre o Sesc, Senac, Fundação Waldemar Alcântara, Prefeitura de Juazeiro do Norte e Fundação Padre Ibiapina.

Mais obras
A proposta de editar e reeditar livros importantes sobre a história de Juazeiro deverá se concretizar até o fim do ano. Até julho, serão 20 edições lançadas, e mais uma pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Será um clássico da história, que é o "Patriarca de Juazeiro do Norte", de padre Azarias Sobreira, e mais 10 reeditados e 10 inéditos. Exposições de fotos e artes plásticas estão no cronograma, como a que começou no dia 26, no Centro Cultural do BNB, em Juazeiro, com obras do artista Barrica. Serão investidos cerca de R$ 600 mil em exposições e lançamentos. O presidente da Comissão do Centenário, Geraldo Barbosa, disse que é o momento de unir parcerias, por ser festa não só de Juazeiro, mas de toda a região, conclamando a participação de todos. "Juazeiro tem um nome nacional a defender, dentro de uma oportunidade única, da festa do centenário". Para ele, a festa tem que ter o reflexo do Município, com toda sua importância em nível nacional e internacional.

MAIS INFORMAÇÕES

Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e RomariaPraça do Cinquentenário, S/N, Socorro Telefone: (88) 3511.4040


Elizângela Santos
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste