terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O valor inestimável dos Sertões dos Inhamuns

Documentário produzido pelo Polo Audivisual de Santa Rita, em Quiterianópolis. O Projeto Clube do Saber deveria ser referência para todo o Estado, pelo notável trabalho que desenvolve. www.poloaudiovisualdesantarita.blogspot.com




 Fonte: Blog Meu Ceará


Projeto envolve jovens e adultos na preservação do bioma Caatinga, através do audiovisual e da troca de vivências

Filmagem de documentário sobre a falta de água, em Quiterianópolis, envolve jovens e idosos
FOTOS: SILVÂNIA CLAUDINO
Quiterianópolis. Criança, adolescente ou idoso. Não importa a faixa etária, escolar ou experiência de vida. Basta querer participar e preservar a caatinga. Aqui, a 6km da sede deste Município, na Vila de Santa Rita, o Polo Audiovisual homônimo atua envolvendo toda a comunidade, buscando ser uma grande rede de ação nas áreas ambientais, preservação e documentação da cultura regional. Desde maio do ano passado, quando foi fundado, registra a realização de documentários, eventos, oficinas de artes, música e capoeira, além de cursos. Todas essas ações com um objetivo: preservação da caatinga.

Crianças e adolescentes aprendem técnicas de filmagem e edição, durante mini-cursos ministrados no Polo de Audiovisual Santa Rita. Depois do aprendizado, eles partem para a prática
O polo atende mais de 300 jovens e adultos em oficinas e cursos como: produção e edição em vídeo, artes cênicas, dramaturgia, além de aulas de capoeira, cultura popular, vídeo digital e multiplicadores em educação ambiental. Promove apresentações de grupos de cultura popular e exposições fotográficas itinerantes sobre as belezas do Bioma Caatinga. Entre elas: Flores da Caatinga e Elementos Naturais do Penha.

"A ideia nasceu a partir do monitoramento ambiental, da necessidade de preservação das Cachoeiras do Penha", diz o diretor do polo e idealizador de todo o projeto da ONG, Valdo Vale. A Vila de Santa Rita foi agraciada pela natureza com um patrimônio ambiental riquíssimo em sua região, na localidade de Cacimbas, onde estão situadas as Cachoeiras do Penha, que proporcionam aos visitantes um belo espetáculo, com vegetação típica da caatinga. Quatro quedas d´água desembocam destacando-se entre os paredões de pedra. O resultado é uma rara paisagem.

O Polo Audiovisual de Santa Rita faz parte do Projeto Mata Branca, uma parceria entre os governos do Ceará e da Bahia, para empreender ações de preservação da caatinga. Com recursos do Governo Federal e doação do Fundo Internacional do Meio Ambiente, através do Banco Mundial, foram liberados os recursos para compra de equipamentos e capacitação de jovens e adultos na Vila de Santa Rita e comunidades vizinhas. "O nosso foco é produzir conteúdos audiovisuais com temáticas ambientais e culturais, trabalhando estes conteúdos como elementos de sensibilização acerca dos cuidados que devemos ter com o meio em que vivemos", diz o diretor. As ações são desenvolvidas por voluntários, que destinam parte do seu tempo no final de semana.

Compromisso
Com foco centrado nestas questões, o polo tem se notabilizado na região nestes 18 meses de funcionamento pelo compromisso com as causas ambientais. Um exemplo deste comprometimento é o trabalho dos monitores ambientais, os "Anjos da Caatinga". Formado por jovens que voluntariamente realizam coleta de dados sobre a fauna e flora regional, além de participarem de campanhas e eventos que visem à melhoria da qualidade de vida da comunidade, respeitando as questões ambientais. Eles realizam um trabalho de defesa e preservação da área, que inclusive sofreu degradação ambiental por muito tempo e cuja denúncia foi veiculada neste Caderno Regional.

Com base nas coletas de dados, pesquisas e estudos, os Anjos da Caatinga produzem conteúdos audiovisuais para serem repassados para a população da Vila e das comunidades vizinhas, ressaltando a importância do patrimônio natural ali existente. "Buscamos conscientizar a população e os proprietários de terra da região sobre a importância de preservamos o nosso bioma, tanto para o nosso bem e do ambiente, como para as futuras gerações", diz o diretor do polo, que coordena todas as ações desenvolvidas. Ao todo, 10 monitores atuam na região como Anjos da Caatinga.

"O polo trouxe vida nova para todos nós, trouxe um mundo que não conhecíamos", comemora Rodrigo Ferreira, de 18 anos, jovem da comunidade que participa dos projetos. Para ele, a partir da participação nas oficinas e projetos, começou a perceber realidades antes desconhecidas, como a beleza do bioma caatinga.

Projeto Mata Branca
Trabalhando com as comunidades que vivem nos municípios localizados próximos às nascentes dos rios Poty e Jaguaribe, aqui no Ceará, o Projeto Mata Branca de Conservação e Gestão Sustentável do Bioma Caatinga atua nesta região dos Inhamuns nos municípios de Crateús, Tauá, Novo Oriente, Quiterianópolis, Parambu e Independência. Tem como objetivo contribuir para a preservação, conservação e manejo sustentável da biodiversidade do bioma caatinga, melhorando simultaneamente a qualidade de vida de seus habitantes através da introdução de práticas de desenvolvimento sustentável.

Para Tereza Farias, coordenadora do Projeto Mata Branca, o Polo Audiovisual de Santa Rita promove a preservação do bioma caatinga, bem como vários outros projetos desenvolvidos com o apoio do Mata Branca. "Existem projetos riquíssimos na região do semiárido com foco na preservação da caatinga e o Polo é um deles, que com o envolvimento da comunidade através do audiovisual e transformando a maneira como as pessoas viam o bioma. Agora elas passam a compreender a necessidade de conservação da caatinga", diz.

Temática
"O nosso foco é produzir conteúdos audiovisuais sobre temáticas ambientais e e também culturais"
Valdo Vale
Diretor do Polo Audiovisual Santa Rita, em Quiterianópolis

MAIS INFORMAÇÕES
Pólo Audiovisual de Santa Rita - Vila de Santa Rita - Quiterianopólis - tel(88) 3657.1400
http://www.projetomatabranca.org.br/

AÇÃO INTEGRADA
Projeto valoriza cultura e pessoas
Polo de audiovisual desenvolve atividades para preservação da história do lugar, das pessoas e do bioma
Quiterianópolis. Muito mais do que preservação, o Polo Audiovisual de Santa Rita busca a valorização das pessoas e da cultura local. "A conservação da caatinga e sua identidade é a nossa busca", diz Valdo Vale. Para ele, quando se fala em preservação, direciona-se muito para a fauna e flora. "E nós estamos indo além destas questões, temos as figuras humanas e o polo surgiu para dar voz a essas pessoas, a essa cultura, fazendo com que elas sejam protagonistas de suas próprias histórias".

Diz, ainda, que o êxito do polo mostra a força do audiovisual como ferramenta de inclusão social. E como prova destas palavras, nada melhor do que o famoso "Câmeras, luz e ação". O polo, nesses pouco mais de um ano e meio de fundação, já produziu três documentários, uma série e em janeiro inicia a gravação do filme "Angicos", que vai retratar na visão de um garoto de 10 anos sobre a beleza e os desafios de se viver no bioma caatinga.

Estreia
Primeira produção do Polo Audiovisual, o filme "Os caretas" mostra as apresentações, depoimentos e canções do Grupo de reisado de mesmo nome, liderado pelo Mestre Tunico Lacerda, um dos maiores representantes da cultura regional nos sertões dos Inhamuns. "Foi uma homenagem prestada a este saudoso nome da cultura popular da nossa região", afirma o diretor Valdo Vale.

A produção "Mulheres de Valor", documentário que enfocou através de depoimentos a vida de seis mulheres que nasceram, criaram suas famílias com dificuldade, passando por várias secas e até hoje vivem na caatinga. Um retrato de uma época que não oferecia as vantagens e facilidades de hoje.

"A Senhora do Poço Preto" é outro filme produzido pelo polo e mostra o dia a dia de Dona de Lourdes, uma senhora de 89 anos, que mora em um lugar esquecido pelo tempo. Uma mulher que com sua trajetória de luta, garra e determinação é um exemplo de sobrevivência no sertão nordestino.

A série "A Guerra da Água" é outra produção da ONG. Aborda em três capítulos, utilizando o bom humor, a questão do desperdício de água e suas consequências em uma pequena cidadezinha do interior do Brasil chamada Cafundó.

Realização de sonhos
Para Diego Santos, de 16 anos, a produção de documentários e gravações eram apenas sonho. Não acreditava na realização. "No começo não acreditei muito, já imaginou fazer filmes aqui? Mas resolvi embarcar no sonho do pessoal e hoje sei que com esforço e trabalho as coisas acontecem". João Felipe, de 15 anos, também demonstra sua alegria com a realização das produções e trabalhos desenvolvidos: "tudo isso foi possível porque acreditamos, é uma alegria danada ver que tudo deu certo".

Outras ações
Eventos também fazem parte das ações do Polo Audiovisual Santa Rita, movimentando o Município e a região em torno da dinamização da cultura e preservação ambiental. Este ano foram realizados dois Festivais e um Fórum Ambiental no mês de maio, por ocasião dos festejos da padroeira Santa Rita. O Festival de Arte e Cultura agrega as mais variadas manifestações culturais da região.

O Festival de Cinema e Vídeo de Santa Rita exibiu vídeos, documentários e filmes abordando a questão ambiental em âmbito global, privilegiando, porém, os problemas e discussões específicos da região. A primeira edição ocorreu este ano.

Já o Fórum Ambiental reúne, anualmente, ambientalistas, comunidade, técnicos e pessoas que se interessam pelo tema. Tornou-se um espaço em que a comunidade pode discutir e conhecer as experiências que estão somando para a melhoria da qualidade de vida no planeta.

SILVÂNIA CLAUDINO REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Sou do Ceará - Ricardo Gondim.

Ser do Ceará é mais do que nascer no Ceará, é conseguir reconhecer, à distância, uma cabecinha redonda, um sotaque cantado, uma orelha de abano, um jeito maroto de encarar a vida.

Ser do Ceará é saber a estação certa de colher um sapoti, conhecer os vários tipos de manga e nunca comprar ata verde demais; é dar sabor a um baião de dois com queijo coalho.

Ser do Ceará é gostar de cocada, de suco de tamarindo, de sirigüela vermelha, de água de coco docinha.

Ser do Ceará é engolir o final dos diminutivos - cafezinho vira cafezim; Antônio vira Toim; bonzinho vira bonzim. Lá se fala aperreio na hora do sufoco; o apressado é avexado; o triste fica de lundu; quem cria problemas, bota boneco.

Ser do Ceará é morar onde os muros são baixos; quer dizer, lá todo mundo sabe dos outros. A melhor conversa entre cearense é fofocar sobre a vida alheia. Aparecer em coluna social é o máximo; os que pertencem a uma família com pedigree, fazem parte dos eleitos. Os Studarts, os Frotas, os Távoras, os Jeiressatis são considerados o supra-sumo.

No Ceará não se compra casa do lado do sol; isto é, ninguém valoriza uma propriedade com a frente voltada para o poente. O sol não perdoa; é inclemente, ardido, feroz, cansativo. Lá quem não souber lidar com o astro rei, não dura muito tempo. Entre dez da manhã e cinco da tarde, o sol deixa todo mundo melado; não existem peles secas no Ceará, todas são oleosas.

Ser do Ceará é aprender a dormir de rede, a gostar do cheiro de lençol limpo, a tomar banho frio, a valorizar a brisa do mar. Lá o perfume de sabonete tem outro valor. No Ceará as mulheres não usam meias finas, os homens não toleram gravatas e as crianças não sabem o que é uma blusa de lã.

Ser do Ceará é ter orgulho de afirmar que pertence à terra de José de Alencar, Patativa do Assaré, Fagner, Eleazar de Carvalho, Clóvis Bevilácqua. Lá amam-se as artes; cria-se repente com facilidade, conversa-se com rima.

Ser do Ceará é lidar com umidade, com camisas molhadas de suor, com mofo, com moscas aos milhões, com muriçocas impertinentes, com baratas avantajadas, com viroses brabas, com desidratações súbitas. Lá os fracos morrem rapidamente; o darwinismo com sua teoria da sobrevivência dos mais fortes se prova com facilidade. No Ceará nuvens negras são prenúncio de bom tempo e relâmpago, uma bênção. Em dia chuvoso ninguém gosta de sair de casa.

Ser do Ceará é rir por tudo. E tudo vira piada; lá sobra humor até para vaiar o sol quando interrompe a chuva.

Os cearenses são antes de tudo uns fortes; ao mesmo tempo deliciosamente bons e perversamente maus. Lá é terra de pistoleiro e de santo; de revolucionário e de coronel caudilho; de guerreiro e de preguiçoso.

Sou cearense. E por mais que tenha tentado, não consegui apagar o meu amor por esse chão que me acolheu no mundo. Lá nasci, casei e tive filhos. No Ceará despertei para o mundo e infelizmente, sepultei o restim de esperança que nutria pela humanidade. O Ceará foi o meu ninho e é o meu túmulo; maior alegria e pior desgraça.

Contudo, apesar de tudo, continuo enamorado do meu berço. Não consigo desvencilhar-me de ti, loira desposada do sol.

Soli Deo Gloria.

Um Feliz Natal e um Ano Novo arretado de bom!!

Um ano novo bem arretado pra vocês tudim !!!!

Conselhos de uma cearense para um 2011 bem pai d’égua.
    
Sobre as suas metas para o Ano Novo

•    Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.
•    Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e   nem esmoreça. Peleje.
•    Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.
•    Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando.

Sobre o amor

•    Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe
•    Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você.  Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.
•    Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.
•    Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um  chapéu de touro.
•    As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi da sua bitola.

Sobre o trabalho
 
•    Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.  
•    Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agüenta mais aquele seu  chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar.
•    Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.
•    Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol.
Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.

Sobre a sua vidinha

•    Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.
•    Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.
•    Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.
•     Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.

Arrumação motivacional

•    No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.
•    Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.
•    Prá começar o ano dicunforça:
•    Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.
•    Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto:

Sai mundiça !!!

Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2011, afinal de contas você é cearense.
E para os que não são da terrinha, mas são doidim prá ser,
nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.
 
Peeeeennnnse num ano que vai ser muito bom.
Respeite como vai ser pai d’égua esse 2011.

E se os filmes fossem traduzidos pro "cearês" ??????

Velocidade máxima ---------------------------------------AVUADO !

Os bons companheiros ----------------------------------Os Cumpadi !

O paizão ----------------------------------------------- O Corno Réi !

Eu, a patroa e as crianças ------------------ Eu, a Muié e os Bruguelin !

A morte pede carona ------------- Arriégua Maxo, Tú Vai Papocá Ó !

Ghost -------------------------------------------------------- Visage !

O poderoso chefão ---------------------------------------------Tasso.

O exorcista -------------------------------------- Arreda Coisa Ruim!

Táxi driver -------------------------------------------- O Véi do Táxi.

Corra que a polícia vem aí -------Sebo nas Canela q lá Rem o Ronda!

O senhor dos anéis --------------------------- O Comedor de Baitola.

Janela indiscreta ------------------------------- O Tarado tá te Rendo.

Velozes e furiosos ----------------------- Os Cabra Maxo e Avexado.

Esqueceram de mim! ------------Deixaram o Cumedozin de Rapadura.

Forrest gump -------------------------------------------Diabéisso????

Clube da luta ---------------------------------------- Butiquin da Peia.

Cidade de Deus --------------------------------------------- Canindé.

O que é isso companheiro! ------------- Abéisso Maxo? Tá Vacilano?

A casa caiu. ------------------------------------- Dirrubaro o Barraco.

O fim dos dias ---------------------------------------------- Lascô-se.

Mamma mia ----------------------------------------------- Ô Main !!!

Turista -------------------------------------------- Os Gringo na Praia.

2012 -----------------------------------------------------Doismilidozi.

Guerra dos mundos ----------------------- A Xibata Vai Rolá é Solta !

Assim caminha a humanidade --- Prá Donde Rai Essa Ruma de Gente ?

O justiceiro -------------------------------------------------- Lampião.

João e Maria --------------------------- O Tripa Seca e a Perna Torta.

Homem aranha --------------------------------- Se Caí tá Lascado !!!

No Nordeste se fala assim

 No Nordeste se fala assim
i1

“No Brasil pra se expressar
Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala
Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala
i2


Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro
i3


Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego
Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga
i4


Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado
O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
i5


E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto
Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente

É assim que a gente fala
i7


Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar
Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira
Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
i8


E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar
Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado
Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada
Frente de casa é Terreiro
i9


Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala
i10


Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada
i11


E pão-duro é Amarrado
Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado
Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar
Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
i12


Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada
Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
i13


E o folgado é Folote
É assim que a gente fala
Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
i14


Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda
Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabulos
o
Insistente é Pegajoso
i15


Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha
Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!
i16


Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala
A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
i1


Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega
Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega
Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
i17


Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado
Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
i18


Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala
Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
i19


Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar
A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
i20


Tic nervoso é Munganga
Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala
i21


Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
 i22











E coisa pouca é Tiquim
Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha
Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
i23


Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala
i24


Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
i25


Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha
Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala.”

Fonte: Ismael Gaião da Costa, Condado-PE
Blog Jornal da Besta Fubana