sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As sete irmãs

Pode-se afirmar que grande parte das famílias sobralenses descende das Sete Irmãs.
Brites de Vasconcelos que foi trineta do nobre holandês Arnaud de Holanda e de sua mulher Brites Mendes de Gois e Vasconcelos, casou-se com Francisco Vaz Carrasco e deste casamento nasceu Manuel Vaz Carrasco que casou-se em Goiana com Luzia de Sousa, aproximadamente em 1705.

Manuel Vaz Carrasco ficou viúvo e mudou-se para a Ribeira do Acarau, casando-se em segundas núpcias e faleceu em Granja, local onde se acham sepultados ele e a sua segunda esposa.
Manuel Vaz Carrasco é conhecido como o Pai das Sete Irmãs e dele descendem várias famílias em Acaraú,Bela Cruz, Sobral, Santana do Acaraú, Palma, Santa Quitéria, Granja, Ipú,Tamboril e outras cidades. Casou-se Manuel Vaz Carrasco duas vezes, conforme já vimos.

Do seu primeiro matrimônio nasceram : Manuel Vaz da Silva, Maria de Gois de Silva e Sebastiana de Vasconcelos.

Ao falecer a sua primeira esposa, Manuel Vaz Carrasco casou-se com Maria Madalena de Sá e Oliveira, que era viúva e filha de Nicácio de Aguiar de Oliveira, de origem espanhola, e de sua mulher Madalena de Sá.

Deste segundo casamento nasceram: Nicácio de Aguiar de Oliveira (Neto), Maria Madalena de Sá e Oliveira (Filha), Inês Madeira de Vasconcelos, Rosa de Sá e Oliveira, Brites de Vasconcelos (Neta), Sebastiana de Sá e Oliveira e Ana Maria de Vasconcelos. Na realidade seriam oito irmãs, e não sete, de acordo com o que escreveu o genealogista Jarbas Cavalcante de Aragão em seu livro " Os Ximenes de Aragão no Ceará ".
Em sua excelente Obra intitulada CRONOLOGIA SOBRALENSE, vol. 1, pág. 32, Pe. Francisco Sadoc de Araújo escreve: "A família Carrasco é de bom sangue e possui brazão de armas do século XVII, sinal de nobreza e alta linhagem. As bases genéticas de grande parte da população branca da Ribeira do Acaraú, através dos Carrasco, tem ligação direta com a nobreza da Holanda, Portugal e Espanha. Quais sete colinas romanas, foram as Sete Irmãs o terreno fecundo em que se assentaram os alicerces sanguíneos da civilização nobre e cristã desta pequena porção da gleba cearense."
Realmente, se analisarmos melhor a afirmação acima, podemos concluir o quanto Pe. Sadoc foi feliz ao fazê-la.

De Maria Madalena de Sá (3a das Sete Irmãs) descendem os Ferreira da Ponte pois Maria Madalena casou-se com Francisco Ferreira da Ponte, falecido a 1o de novembro de 1758 com 61 anos de idade e que era filho do primeiro matrimônio de Gonçalo Ferreira da Ponte(Cachaço) com Maria de Barros Coutinho.

De Inês Madeira de Vasconcelos (4a das irmãs), descendem os Saboia, os Linhares e os Figueira de Melo (ramo sobralense da família).

De Rosa de Sá e Oliveira (5a das Sete Irmãs) provêm os Xerez, haja vista que Rosa foi casada com o Capitão José de Xerez da Furna Uchoa.

De Brites de Vasconcelos (6a das Sete Irmãs), falecida em 1814 com 90 anos de idade e que foi casada com José de Araújo Costa a 31/07/1747, descendem os Gomes Parente pois sua filha Francisca de Araújo Costa casou-se a 24/11/1777 com o Capitão Inácio Gomes Parente, nascido em Lamego, Portugal, no ano de 1742 e falecido em Sobral a 12/04/1838.

De Ana Maria de Vasconcelos, que casou com Miguel do Prado Leão a 01/11/1753, descende a família Prado de Sobral e Granja.

Como se pode constatar facilmente, a maioria dos sobralenses descende da Sete Irmãs e tiveram, portanto, um ancestral comum.

Existem outras famílias tradicionais de Sobral que, por outro lado, não descendem diretamente das Sete Irmãs, como é o caso dos Paula Pessoa cujo patriarca veio de Portugal e casou-se com uma Pinto de Mesquita, cujas origens estão em Santa Quitéria; os Figueiredo, que descendem do pernambucano José Antônio de Figueiredo e que foi casado com Antonia Geracina, filha do Senador Paula e outras.

Fonte: A Família Ferreira da Ponte
Daniel Caetano Figueiredo

Origem da Família Lopes Araújo (Silveira)

Para documentar a origem genealógica dos LOPES ARAUJO, de Lagoa do Mato, transcrevemos, a seguir, trechos de CRONOLOGIA SOBRALENSE e de OS LINHARES, obras de elevada importância, no gênero, escritas pelos eminentes linhagistas Cônego Francisco Sadoc de Araujo e Mário Linhares, respectivamente:

1673 - Nasce em Ipojuca, Pernambuco, Manoel Vaz Carrasco e Silva, primogênito do casal Francisco Vaz. Carrasco e Inês de Vasconcelos, tronco de inumerável descendência e em toda a Ribeira do Acaraú. Emigrou para o Ceara, fixando residência na Fazenda Lagoa Seca, perto do local onde hoje se encontra a cidade de Bela Cruz.

Manoel Vaz Carrasco e Silva e o pai das célebres Sete Irmãs, de cuja fecundidade maternal provém grande parte da família sobralense, como aliás de toda a Ribeira do Acarau.

Em sua excelente Obra intitulada CRONOLOGIA SOBRALENSE, vol. 1, pág. 32, Pe. Francisco Sadoc de Araújo escreve: "A família Carrasco é de bom sangue e possui brazão de armas do século XVII, sinal de nobreza e alta linhagem. As bases genéticas de grande parte da população branca da Ribeira do Acaraú, através dos Carrascos, tem ligação direta com a nobreza da Holanda, Portugal e Espanha. Quais sete colinas romanas, foram as Sete Irmãs o terreno fecundo em que se assentaram os alicerces sanguíneos da civilização nobre e cristã desta pequena porção da gleba cearense."

Pela importância genealógica das Sete Irmãs, transcrevemos aqui o que delas podemos colher, em longas pesquisas, nos textos originais de registros religiosos do Curato da Ribeira do Acaraú, bem como em outras fontes de segunda mão.
Manoel Vaz Carrasco casou-se duas vezes, nascendo-lhe três filhos do primeiro matrimônio e sete do segundo.

Do primeiro matrimônio de Manoel Vaz Carrasco com Luzia de Sousa, filha de Sebastião de Vasconcelos e Inês de Sousa, nasceram os seguintes filhos:

1. MANOEL VAZ DA SILVA, nascido em 1713, casou-se em primeiras núpcias, com Maria Bezerra Montenegro. Sobre o segundo casamento sabemos apenas que foi com "uma sobrinha do Padre Gonçalo, senhor do Engenho de Mussupy", conforme reporta Vitoriano Borges da Fonseca na "Nobiliarquia Pernambucana".

2. MARIA DE GOES VASCONCELOS C. c. Nicácio Aguiar de Oliveira, filho de Nicácio Aguiar de Oliveira e Madalena de Sá. Nicácio, seu marido, faleceu a 3 de novembro de 1761, com 65 anos, "pobre que vivia de esmola" e foi sepultado na Capela de Santa Cruz, segundo atesta o registro de óbito.

3.SEBASTIANA DE VASCONCELOS C.C. João da Soledade, também chamado João Dias Ximenes de Galegos, filho de Domingos de Santiago Montenegro e Lourença de Aguiar Dias Ximenes". (CRONOLOGIA SOBRALENSE,I V., pags. 32/33)

Do 2º matrimônio de M. Vaz Carrasco com Maria Madalena da á Oliveira nasceram:

- NICÁCIO AGUIAR OLIVEIRA, que se casou, na freguezia de Granja, com D. Micaela da Silva, filha de Tomaz e de sua mulher, D. Nicácia Alves Porto, donde vem a família Porto de Granja.

- D. MARIA MADALENA DE SÁ OLIVEIRA, que se casou no sertão do Acaraú com Francisco Ferreira da Ponte, que foi Coronel do Regimento de Cavalaria desta Ribeira. Era filho de Gonçalo Ferreira da Ponte e de sua mulher, D. Maria de Barros. Dai procedem os Ferreira da Ponte.

- D. INEZ MADEIRA DE VASCONCELOS, que se casou com o Sargento-mor Antônio Alves Linhares, filho do Capitão Dionísio Alves Linhares e de D. Rufina Alves Linhares. Dionísio era natural do Rio Grande do Norte, Cavalheiro da Ordem de Cristo e por todos considerado de muito boa nobreza, o que confirma a sua patente de Capitão-mor, registrada no livro das Miscelâneas da Ouvidoria Geral de Pernambuco, e descendente de uma nobilíssima família portuguesa. Dai os Linhares.

- D. ROSA DE SA E OLIVEIRA, que se casou com seu parente Capitão-mor José de Xerez Furna Uchoa, autor da Genealogia da família Rolanda Cavalcante e da qual descendem multas outras famílias.

- D. BRITES DE VASCONCELOS, que se casou, em 31 de julho de. 1747, com o capitão-mor José de Araújo Costa que residia na Ribeira do Acaraú, natural de Santa Lucrécia de Barcelos, Arcebispado de Praga, em Portugal, filho de Pedro de Araujo e de D. Maria de Sá.

Desse matrimônio nasceram:

1º Anselmo de Araújo Costa, que deixou descendência;

2º Diogo Lopes de Araújo Costa, homem notável pela sua perspicácia médica: dizem as tradições que ele via através das cores branca, encarnada, preta e azul. Dele se contam curas admiráveis; era um verdadeiro discípulo de Hipócrates;

3º Francisco Xavier de Sales, que viveu na vila de S. Gonçalo da serra dos Cocos; dele se originam os Sales os Araújo Costa, de Tamboril;

4º Maria Madalena de Sá;

5º Ana Tereza de Jesus, que se casou com seu parente João de Sousa Uchoa, filho de Luiz de Sousa Uchoa e de Ana Tereza de Albuquerque, dos quais descende 0 Sr. Bispo de Sobral, D. José Tupinambá da Frota;

6º D. Francisca de Araujo Costa, que se casou com o capitão-mor Inácio Gomes Parente, de nacionalidade portuguesa; desse matrimônio procedem as Gomes Parente;

7º Antônia da Purificação Araujo Costa, que se casou com Paulo Joaquim de Medeiros, da freguezia de Granja;

8º D. Rita Tereza de Jesus Araújo, que se casou com o capitão-mor José Alves Linhares;

9º D. Maria Quitéria de Jesus Araújo Costa, que se casou com Otávio Ferreira da Ponte. (Os Linhares, 2ª Edição, 22/23)

Vicente Lopes de Araujo Costa

Vicente Lopes de Araujo Costa nasceu na fazenda Lagoa do Mato, do hoje município de Bela Cruz, no ano da graça de 1819, filho natural de Capitão Diogo Lopes de Araujo Costa e de Maria Cicíaca da Fonseca. Era neto do Capitão-mor português, Jose de Araújo Costa e de d. Brites de Vasconcelos, (uma das Sete Irmãs),

Colhemos as datas de seu nascimento e falecimento nos autos de seu inventário, feito no 1º Cartório de Acarau, em 1905/6.
Após a morte de seu pai, ocorrida em 1838, Vicente Lopes foi morar com seu irmão, Capitão João de Araújo Costa, com quem o ano de 1844.
Aos 25 anos de idade uniu-se, pelas lagos matrimoniais, à sua prima Angélica Francisca da Silveira, nascida em 1821 e falecida em 1906, filha do patriarca Jose da Silveira Dutra, abastado proprietário nesta Ribeira.

Para documentação, transcrevemos, a seguir, o termo de seu casamento, respeitando a ortografia usada naquele tempo: "Aos dois dias do mês de Septembro do anno de mil e oitocentos e quarenta e quatro, na Capella de Santa Cruz, da Freguezia da Barra do Acaraú, pelas cinco horas da tarde, receberão-se em Matrimônio os nubentes Vicente Lopes de Araujo Costa, filho natural de Maria Cicíaca da Fonseca, com Angélica Francisca de Jesus, filha legitima de José da Silveira Dutra e Francisca de Araújo Costa; em minha presença e das Testemunhas João de Araújo Costa e José Lopes de Araújo Costa; no que tudo precedeu das formalidades de costume; logo lhes dei a Benção do R.R.; do que, para constar, fiz este que assigno.
Pro Pároco João Francisco Dias Nogueira"
(L.2. Fl. 23v)

Depois do casamento, Vicente Lopes situou-se no Alto da Lagoa do Mato, em terra herdada de seu pai. Ali construiu casa de morada, aviamento para fabricação de farinha de mandioca e outras benfeitorias. E ali viveu da pecuária, da agricultura e da indústria de cera de carnaúba, o que lhe garantiu boa situação econômica, para sua maior projeção no seio da Comunidade em que vivia.

O Capitão Diogo Lopes dizia que a melhor escola da Vida era o trabalho honesto. E Vicente Lopes soube aproveitar as lições do homem que lhe dera a vida.

De seu casamento nasceram 13 filhos, sendo 7 homens e 6 mulheres. A todos ele mandou ensinar a ler, no então povoado de Santa Cruz, com os Mestres Aureliano Pessoa e Manoel Jorge Vieira, sucessivamente. E quase todos tiveram marcantes posições no setor político-social da Comunidade, e faleceram em idade avançada. Vicente Lopes, porém, que tinha Posto de Alferes, na Guarda Nacional de Acaraú, sempre foi modesto, embora disposto a ajudar a quem dele necessitasse. Era profundamente religioso, de modo que, ao pé de um grande oratório, repleto de imagens de santos, umas em estampas emolduradas e algumas esculpidas em madeira ou cerâmica, todos os anos rezava, pontualmente, as novenas da Virgem de Maio, de São Sebastião, e outras. Ele mesmo lia as orações e cantava os benditos e ladainhas, acompanhado, em coro, pelos seus familiares.

As imagens em vulto ou esculturas, posteriormente foram expostas à veneração dos fiéis, na capela de São João Batista, construída, em 1902, na povoação de Tapera, pelo seu genro, Capitão Sabino Costa, o qual muitos anos depois, as ofereceu ao Pe. Sabino de Lima, então Vigário da Paróquia de Acaraú, para o Museu Diocesano, de Sobral. Quanto ao oratório, ainda existe, na cidade de Bela Cruz, em casa de dona Ritinha Lopes, viúva do Capitão José Lopes da Silveira, filho de Vicente Lopes.

Em 1901 o Alferes Vicente Lopes de Araujo Costa sofreu um derrame que abalou profundamente sua saúde, a qual sempre fora perfeita. Por isto mesmo conseguiu resistir, mas perdeu o uso da fala, isto é, apenas tartamudeava palavras incompreensíveis. No entanto ainda durou quatro anos, vindo a falecer em 1905. Logo um ano depois, isto é, em 1906, também fechou os olhos para sempre sua veneranda esposa, dona Angélica, Francisca da Silveira. Ambos legaram aos seus descendentes o precioso exemplo da união conjugal e do trabalho honesto. Seus corpos foram sepultados no cemitério de Santa Cruz (hoje Bela Cruz). Os bens deixados pelo casal, foram inventariados no 1º Cartório de Acaraú, de 1905 a 1906 - vol. n.o 25.

RELAÇÃO DOS FILHOS DE VICENTE LOPES DE ARAUJO COSTA
E ANGÉLICA FRANCISCA DA SILVEIRA:

F 1 - Maria Filomena de Araújo
F 2 - João Lopes de Araújo
F 3 - Diogo Lopes de Araujo Neto
F 4 - Francisca Romana de Araújo
F 5 - Jose Lopes da Silveira
F 6 - Maria do Carma de Araújo
F 7 - Francisco Xavier de Araújo Costa
F 8 - Manoel Lopes da Silveira
F 9 - Maria da Penha L. Araujo
F 10 - Antonino Lopes de Araujo Costa
F 11 - Beatriz Ibiapina de Araújo
F 12 - Maria José de Araújo
F 13 - Miguel Lopes de Araújo Costa

BEATRIZ IBIAPINA E ARAÚJO

Nasceu na fazenda "Lagoa do mato", a 10 de outubro de 1862 e faleceu a 30 de novembro de 1954. Casou-se a 17 de julho de 1883, na capela de Santa Cruz, com seu primo Sabino Lopes de Araujo Costa, o qual integrava a Guarda Nacional de Acarau, com o posta de Capitão. Foi celebrante da solenidade matrimonial o Padre Antonio Xavier Maria de Castro, que então exercia o múnus paroquial na Freguesia de Acaraú. Sabino Lopes, que já era possuidor de terras no lugar São João de Tapera, ali construiu casa residencial, quartos para comercio e se estabeleceu, com loja de tecidos e miudezas, associado ao seu irmão Carolino Lopes de Araujo Costa, sob razão social de Sabino Lopes & Irmão. Comprando algodão, cera de carnaúba e couros e peles, para a firma Raimundo Oliveira & Irmão, da cidade de Granja, o comércio de Sabino Lopes prosperou rapidamente, sendo sua casa comercial talvez a mais bem sortida do interior do município de Acaraú. Homem abastado e pai de numerosa família, o Capitão Sabino tinha marcante influência dentro de sua comunidade.

Em 1902. com o objetivo de atender os apelos daquele povo e por ser homem de fé, construiu, vizinha a sua residência, uma capelinha, em honra de São João Batista, cuja festa, celebrada anualmente, era extraordinariamente concorrida. A capelinha ali permaneceu até 1966, quando, já um tanto deteriorada, foi demolida e reconstruída no povoado de "Celsolândia", pelo Monsenhor Odécio Loiola Sampaio, Vigário da Paróquia de Bela Cruz. Em data de 23 de maio de 1940 fechou os olhos para sempre o Capitão Sabino Lopes de Araújo Costa, que em vida constituiu o tipo do homem de bem.

Rita Alzira de Araújo ( Ritoca ), Nasceu em 06.10.1906 e faleceu em 1992 proprietária em "Celsolândia" C. c. Francisco Celso Silveira nasceu 28.7.1901 - faleceu 24.2.1950.

Bn 31 - lnácio Arimar Silveira, comerciante e agropecuarista
em Acarau. C.c. Maria Gizela Rios. Prof. Normalista
do Estado

Tn 88 - Lucivan Rios Silveira. (Totó Rios) Formado em Licenciatura do Português é Comerciante C.c Maria de Fátima Freitas Silveira

Tt-Lorena Freitas Silveira

Fonte: Descendência de Meus avós - Nicodemos Araújo

Origem da Família Rios-2

De Portugal chega o CAPITÃO MANOEL FERREIRA FONTELES, Nasceu em 07 de março de 1687, no lugar Fontelo, freguesia de Meixomil, região de Entre Douro e Minho, Portugal.
No idos de 1720 à ribeira do Acaraú e se instala na localidade de Tucunduba, hoje Panacuí, distrito de MARCO. Vereador na Câmara de Aquiraz, ali criou raízes e seus descendentes foram ao longo do tempo povoando as redondezas.

FRANCISCO FERREIRA FONTELES, bisavô de Antônio Rios, instalou sua fazenda de criar e plantar no local onde hoje se ergue a “barragem” sobre o rio Acaraú, em Marco. Porto das canoas é passagem obrigatória pela casa grande junto ao leito do rio. O que motivou o povo a chamá-lo de Chiquinho do Rio. Francisco Ferreira Fonteles resolveu adotar “Rios” como sobrenome de Família.

Observação: a preocupação com o levantamento de suas raízes levou o tabelião Sales Rios a um minucioso trabalho de pesquisas genealógica. Infelizmente não concluído. Na reprodução acima uma variante feita a partir de seu nome. (Note-se na terceira geração desaparece o sobrenome de “Rios”.) (Do impresso genealógico de Dion Rios). Aos 03 de Agosto de 1990.

De acordo com estudos efetuados por um renomado genealogista cearense, Padre Francisco Sadoc de Araújo, o primeiro Fontelles que chegou no Brasil chamava-se Manoel Ferreira Fontelles.
Nasceu em 07 de março de 1687, no lugar Fontelo, freguesia de Meixomil, região de Entre Douro e Minho, Portugal.

Era filho de Domingos Velho da Cruz e Maria Ferreira Pinto, sendo seus avós paternos João Velho e Maria Antônia ( caseiros da Casa de Fontelo desde 1646 ) e maternos Domingos Ferreira e Maria Antônia ( homônima da paterna ).

Seus pais casaram em 07 de Janeiro de 1683, em Meixomil, tendo por testemunhas Antônio Pinto Carneiro, Reitor de Pena Maior, o Pe. Luis Ferreira, Baltazar Barbosa e o Pe. Pedro Velho; conforme assento feito no dia seguinte por Antônio da Silva.
( Liv. Misto No.2, 1652-1707, fl.108 ).

Vale salientar que o Pe. Luis Ferreira era irmão da noiva e o Pe. Pedro Velho era irmão do noivo.

Conforme pesquisa do citado Padre cearense, este casal teve os seguintes filhos:

1-Antônio Ferreira, nascido em 24-11-1683 ( Ib.fl.35v);
2-Maria Velha, nascida em 13-05-1685 ( Ib.fl.37v);
3-Manoel Ferreira Fontelles, nascido em 07-03-1687 ( Ib.;
4-Domingos Ferreira Pinto, nascido em 04-04-1689 ( Ib.fl.44v);
5-Maria Ferreira, nascida em 26-04-1691 ( Ib.fl.41v);
6-João Ferreira, nascido em 16-12-1692 ( Ib.fl.51);
7-Ana Ferreira, nascida em 09-04-1695 ( Ib.fl.57v);
8-Vicência Ferreira, nascida em 07-11-1697 ( Ib.fl.64).

Pois bem, Manoel Ferreira Fontelles e Domingos Ferreira Pinto migraram para o Brasil, onde constituíram numerosa prole.

Gostaria de saber se alguém poderia me informar algo mais acerca destes dados, bem como esclarecer se existe alguma ligação familiar com os Ferreira Pinto Basto ( " Família que descende por legítima varonia de Manuel Ferreira Pinto e de sua mulher Jerónima Alves, moradores em meados do século XVIII na freguesia de São Jorge do Couto de Abadim, no concelho de Cabeceiras de Basto. Foram os pais de Domingos José Ferreira Pinto Basto (1741-1820),importante negociante no Porto ..."; conforme divulgado neste sítio ).

Aliado a isto, existe no Brasil a idéia que Fontelles seria uma corruptela de Fontelo, porém já identifiquei diversos Fontelles na Espanha, mas notadamente na região da Catalunha.

Estou propenso a acreditar que alguns Fontelles tenham migrado para Portugal no período em que estes dois países estavam sendo governados pelo mesmo rei:

O sonho de dominar todo o continente africano conduzirá à tragédia de Alcácer Quibir (1574), onde morre o rei D. Sebastião - sem estar ainda casado - e, com ele, grande parte da nobreza.
Por falta de descendentes directos em Portugal, a sucessão do trono recai nos reis de Espanha e Filipe II concretizará assim o sonho antigo de unificar toda a Península sob um único ceptro.
O domínio espanhol manter-se-á por 60 anos (1580-1640) até ser derrubado por um golpe palaciano que coloca no trono o 8º duque de Bragança, D. João, parente próximo da Casa de Aviz por descender do Mestre de Aviz, o rei D. João I, dando origem a uma nova dinastia - de Bragança.

Fonte: Alexandre Fontelles Pereira

Origem da Família Rios-1

O português Manoel Ferreira Fonteles foi o antigo povoador mais prolífico da ribeira do Acaraú. No ano de 1987 transcorreu o tricentenário de seu nascimento, motivo suficiente para que seu nome seja lembrado pelos milhares de descendentes, entre os quais estou incluído, e a oportunidade para que se aprofundem os estudos sobre as origens históricas da formação das primeiras famílias que se estabeleceram nesta parte do Ceara, que tem atualmente a cidade de Sobral como pólo de desenvolvimento. Sua primeira fixação na região e a enorme descendência de que e origem o caracterizam como o verdadeiro Adão do Vale do Acaraú.

Manoel Ferreira Fonteles nasceu, a 7 de março de 1687, no lugar Fontelo, freguesia de Meixomil, região de Entre Douro e Minho.
http://www.meixomil.pt/

A matriz de Meixomil tem por orago o Divino Salvador. É sede de uma das dezesseis freguesias que compõem o concelho de Paços de Ferreira, de onde distam dois quilômetros: A vila de Paços de Ferreira, sede do concelho de igual nome, dista 30 km da cidade do Porto que é a capital do Distrito.


Casa do Fontelo

A 2 km da Matriz de Meixomil está situada a Casa do Fontelo, hoje pertencente à família Carneiro Leão. O nome provém da existência de pequeno ribeiro, com tal nome, a escorrer da freguesia vizinha de Penamaior.

As terras circundantes são férteis e apropriadas às atividades agropecuárias.

A casa antiga era assim descrita: Uma casa torre de sobrado telhada e, ao cabo de si, uma casa terreira colmaça e uma cortina pegada ao paço velho; mais uma cozinha pequena e palhaça pegada ao palheiro; uma devesa com sua eira no meio, com terra pouca e lavradia. Era confrontante Baltazar Barbosa. Ai nasceu o maior povoador das margens do Acaraú. Hoje, restam da antiga construção, direi que leves vestígios, em face de completa remodelação por que passara em 1901, anote-se um dintel nos baixos da cozinha, com a era de 1713.
A descrição detalhada da arquitetura dessa velha casa rural portuguesa serve para aquilatar a influência na construção das casas de fazenda Vale do Acaraú.

Matriz de Meixomil

Do ponto de vista histórico, a pequena matriz do Divino Salvador de Meixomil é uma preciosidade, por co elementos de valor artístico e conservar muitos laços da construção original. É um templo de pequenas proporções, mais típicas das capelas rurais portuguesas que, as partir dos séculos X e XI, foram sendo construídas, com expressão românica, embora com os acréscimos dos séculos XVII e XVIII nas partes laterais e ao fundo (sacristia).

É sede de paróquia desde o século XIII e pertence à Diocese do Porto. Possui livros de assentos paroquiais a partir de 1578, todos bem conservados no Arquivo Distrital da mesma cidade do Porto.
Nesse Matriz tornou-se cristão o Adão do Vale do Acaraú.

Concelho de Paços de Ferreira

Meixomil é freguesia do concelho de Paços de Ferreira. Comparativamente ao Brasil, freguesia correspondente a distrito e concelho, a município.

A Vila é pequena, mas acolhedora. Está situada entre morros de pouco relevo, dos quais sobressai, ao norte, o monte de Sanfins, coroado pelas ruínas da antiga Citânia, expressiva estação arqueológica pré-histórica de Portugal.

O casamento dos pais

Em documentos paroquiais deste Curato do Acaraú constam que os pais de Manoel Ferreira Fonteles Chamavam-se Domingos Velho da Cruz e Maria Ferreira Pinto. Foi graças a estes dados informativos, que me foi possível encontrar, no Arquivo Distrital do Porto, mais precisas notícias sobre os ascendentes desse nosso ancestral. O primeiro informe preciso foi o termo do casamento de seus pais realizado, a 7 de janeiro de 1683, na matriz de Meixomil.
Para a Ribeira do Vale do Acaraú vieram, especialmente, camponeses do Minho e pescadores das póvoas da hoje chamada Costa de Prata.

A 14 de outubro de 1702, o Capitão-mor Francisco Gil Ribeiro concedeu extensa sesmaria, nas margens do rio Acaraú, preenchendo os vazios não ocupados por Manoel de Góes e seus companheiros que haviam recebido terras a 20 de setembro de 1683. Essa nova sesmaria foi concedida a Maria de Sá, mulher do Capitão Felix da Cunha Linhares, e a Nicolau da Costa Peixoto, medindo duas léguas de comprido e uma légua de largo, sendo meia légua para cada banda do rio Acaraú. Maria de Sá era também cunhada de Nicolau da Costa Peixoto que, por sua vez, era filho de Antonio da Costa Peixoto que foi vereador da primeira câmara municipal de Aquirás.

Parte desta sesmaria foi, posteriormente, vendida a Manoel Ferreira Fonteles, onde se estabeleceu e instalou a fazenda Tucunduba, perto da serra do mesmo nome, em território hoje pertencente ao município de Marco, distrito de Panacui.

Não sabemos em que ano, exatamente, Manoel Ferreira Fonteles emigrou para o Brasil. 0 certo é que não chegou ao Ceara antes de 1715. Anteriormente, esteve em Pernambuco, onde desembarcou em Olinda conheceu um seu patrício, de nome Francisco Ferreira Brandão, com quem mantinha fortes laços de amizade. Este tinha uma filha de menor idade, chamada Maria Pereira. Tendo que viajar para o Ceara, o jovem Manoel combinou com seu amigo que casaria com sua filha, logo esta alcançasse a idade núbil. No tempo oportuno combinariam a data do casamento, quando então, se encontrariam na Vila de Aquirás para realizar a cerimônia do matrimônio religioso. Estando tudo assim acertado, Manoel embarcou para o Ceará em busca de terras e trabalho.

A Fazenda Tucunduba

Por volta de 1725, Manoel Ferreira Fonteles recebeu carta do patrício residente em Pernambuco, na qual comunicava que estava a preparar viagem ao Ceará, em companhia da filha Maria, com o fim de realizar o casamento.

Uma vez casados, Manoel Ferreira Fonteles e Maria Pereira vieram para a ribeira do Acaraú. A fazenda, cujo nome lembra abundancia de tucum ou palmeiras, media meia légua de terra, de comprido, com meia légua de largo, tudo de uma só banda do rio Acaraú, à margem esquerda, e confina ao norte com as fazendas Salgado e, ao sul, com as fazendas Raiz e Várzea Redonda. Conforme levantamento feito pela Câmara Municipal de Sabra em 1788, a Tucunduba possuía os seguintes bens semoventes: 28 cabeças de gado de açougue, 100 vacas parideiras, 10 potros, 30 novilhos, 25 garrotes, 70 cabras e 46 cabritos.

Possuía mais 2 escravos, uma engenhoca, 3 machados, duas enxadas, duas foices e um cavador. Quanto à produção agrícola, dispunha de 5.000 covas de mandioca, 100 mãos de milho de colheita e 25 braças de terra plantadas de algodão, onde colhia 6 arrobas em caroço por safra.
Estes dados demonstram que Manoel Ferreira Fonteles chegou a possuir um bom patrimônio, o que o fez conseguir proeminência social na região, tendo exercitado influência política e chegado ao posto de

Tente do Regimento de Ordenanças. O que havia aprendido na Casa do Fontelo procurou aplicar no Vale do Acaraú, de cujas atividades agropecuárias foi um dos pioneiros nos primórdios de nossa colonização.
O tenente Manoel Ferreira Fonteles teve também projeção no campo religioso, pois muito ajudou na construção da capela de Santana do Acaraú, cuja benção se realizou no dia 9 de agosto de 1739.
Foi Juiz Ordinário da Câmara de Fortaleza, no ano de 1741. A 26 de julho de 1745 foi eleito juiz ordinário da ribeira do Acaraú, com posse a 22 de abril do ano seguinte.
Na Tucunduba, o tenente fundou também uma escola, que foi a primeira a funcionar nos sertões do Vale do Acaraú. Foi Juiz Ordinário da Ribeira do Acaraú, com juramento e posse a 22 de abril de 1746.

A Prole Legítima

Do casamento de Manoel Ferreira Fonteles com Maria Pereira, nasceram seis filhos, a saber:

1. Maria Ferreira Fonteles, nascida em 1729 e casada com o português Capitão Mateus Mendes de Vasconcelos, filho de Mateus Mendes e Ana Carvalho, naturais de Travanca, concelho de Amarante, a 19 de setembro de 1743. Faleceu a 2 de julho de 1795. Seu marido Mateus faleceu a 7 de janeiro de 1793. Tronco das numerosas famílias Mendes e Vasconcelos.

2-Ana Ferreira do Espírito Santo, nascida em maio de 1732, casada com o português ajudante Francisco de Farias Almeida, filho de Francisco de Farias Almeida e Emerência de Jesus Magalhães, a 22 de julho de 1753. Tronco das famílias Santos, Farias e junção com a família Sousa.

Os outros quatro filhos casaram com filhos do capitão Ângelo Dias Leitão e Rosa Maria Ferreira, paraibanos e moradores no Cocó, arrabalde de Fortaleza, a saber:

3-MANOEL FERREIRA FONTELES FILHO, nascido em maio de 1740 c.c. Ana Maria da Conceição, filha do citado Ângelo, a 12 de novembro de 1755. Faleceu a 18 de julho de 1795. Ana Maria faleceu a 19 de fevereiro de 1818. É o tronco mais petrolífero da família.

4-BIBIANA FERREIRA, batizada em dezembro de 1742, c.c. Quintiliano Dias Leitão, filho do mesmo Ângelo, a 20 de agosto de 1756. Quintiliano faleceu a 23 de fevereiro de 1815 e Bibiana, a 9 de agosto de 1805.

5-TOME FERREIRAFONTELES, gêmeo, nascido a 28 de dezembro de 1747, de cujo parto faleceu a mãe. Casou com Maria José de Verçosa filha do mesmo Ângelo e Rosa Maria, a 27 de novembro de 1764. Maria José faleceu a 1º de maio de 1785.

6-FRANCISCO FERREIRA FONTELES (RIOS), gêmeo com o precedente, nasceu e casou nos mesmos dias que o irmão Tomé. 0 1º matrimônio foi com Inácia Ferreira de Verçosa, filha do citado Ângelo. 0 2º, com Ana Quitéria de Jesus, filha de João da Fonseca Álvares e Maria Teresa de Jesus, a 4 de agosto de 1796. Faleceu a 18 de julho de 1815. Tronco da família Rios.
O alferes Ângelo Dias Leitão, sogro desses quatro filhos, foi Juiz Ordinário da Câmara Municipal de Fortaleza em 1742.

São estes os seis filhos do primeiro matrimônio de Manoel Ferreira Fonteles, o Adão do Vale do Acaraú. Tendo falecido sua primeira mulher Maria Pereira, a 28 de dezembro de 1747, do parte dos dois gêmeos, casou, em segundas núpcias, com Rosaura Maria de Mendonça, a 28 maio de 1752, viúva de Bento de Barros, falecido a 7 de janeiro de 1752
Deste segundo matrimônio não houve descendência.

O distante Manoel Ferreira Fonteles passa por ser o fomentador da criação do povoado de Sobral- hoje esplendorosa cidade - a par da Ribeira do Acaraú, no nordeste litoral do Brasil.
Bem sei que a desejo de resgate da memória do Tenente Manoel Ferreira Fonteles, manifestado pelo ilustre jornalista português da gazeta ferreirense, e o mesmo dos seus inumeráveis descendentes brasileiros que habitam esta Ribeira do Acaraú.

Felizmente, por iniciativa lúcida e benemerente do engenheiro. Ângelo Carneiro Leão, atual proprietário da Casa do Fontelo, a memória do ignorado patrício começou a ser retomada. Realmente, no dia 14 de agosto de 1988, com a presença das principais autoridades do concelho de Paços de Ferreira, do cônsul do Brasil no Porto, e de muitos familiares e amigos do Dr. Ângelo Carneiro Leão, foi aposta uma placa marmórea, na entrada principal da Casa do Fontelo, com os seguintes dizeres: Aos sete dias de março do ano da Graça de 1687, nasceu nesta casa Manuel Ferreira Fonteles que, desperto pela gloriosa vocação lusíada, foi pioneiro e povoador da cidade e região brasileiras de Sobral - Ceara. Em sua memória colocou-se esta lápide com a presença do seu ilustre descendente, Reverendo Doutor, Francisco Sadoc de Araújo, atual Reitor da Universidade de Sobral. Fontelo, aos 14 de agosto de 1988.

Como ele muitos outros portugueses fincaram profundas raízes no processo civilizatório da nação brasileira e continuam ainda esquecidos no Brasil, como em Portugal. A justiça da história exige que o exemplo da comunidade de Meixomil seja imitado, para o brilho da verdade e ressarcimento da lesa gratidão.

Asscendência Materna-Lucivan Rios (Totó)

--> Heptavós peternos-João Velho C.c Maria antônia
Heptavós materno-Domingos Ferreira C.c Maria Antônia
Hexavós materno-Domingos Ferreira C.c Maria Antônia
Hexavós paterno-Domingos Velho da Cruz e Maria Ferreira Pinto
Pentavós-Manoel Ferreira Fonteles C.c Maria Pereira
Tetravós-Francisco Ferreira Fonteles (Rios) C.c 1ª Inácia Ferreira de Verçosa e 2ª Ana Quitéria de Jesus
Trisavós-Manoel Ignácio Rios C.c Ana Joaquina Rios
Bisavós-Antônio Ignácio Rios C.c Antônia Rufina Rios
Avós-Ignácio Eduardo Rios e Alzira Pereira dos Santos
Pais-Inácio Arimá Silveira C.c Maria Gisela Rios Silveira
Lucivan Rios Silveira (Totó) C.c Maria de Fátima Freitas Silveira
Filha-Lorena Freitas Silveira

Fonte: Raizes Portuguesas Vale do Acaraú
Pe. Francisco Sadoc de Araújo

sábado, 18 de julho de 2009

Maria Magdalena Silveira Gomes


Minha Avó Ingratidão ou tristeza cai bem para dizer como nunca me lembrei de escrever nada sobre a vovó! Logo ela que teve tamanha importância e mérito em minha vida. Talvez a consciência acuse, e Freud não saiba explicar _ eu mesma sou quem tenho de encontrar a resposta para esta (falta de) atitude. Entretanto, hoje, senti vontade de falar da Senhora Maria Magdalena Silveira Gomes, minha avó.

Em conversas com amigos ou parentes, sempre me refiro a ela como “santa”, por ter sido uma mulher virtuosa, bondosa, inocente. De fato, a vovó era assim mesmo, e eu ainda acrescento para ela o adjetivo de fraca, porque sempre se deixou vencer pelo mais forte, por não ter autoridade para impor sua vontade e seus pontos de vista, por não tem fortaleza de ânimo, força de vontade... Vovó era a verdadeira “Amélia” do Ataulfo Alves, e desempenhou este papel sem reclamar, mas certamente cheia de frustrações, embora dissesse que “a vida era assim mesmo...” Vó, por quê você não reagiu a tanta coisa que lhe fez mal, que quando relembro certas passagens de sua vida, uma descarga de adrenalina toma conta de mim, por isso vou deixar as amarguras de lado. Ademais, de vó, o que fica mesmo feito tatuagem na alma da gente, é o carinho, o amor, as peraltices que a gente faz, e que elas sempre dão um jeito de remendá-las...

Praticamente vivi minha vida, e especialmente a infância com a vovó. Dormia junto com ela no mesmo quarto. Ainda hoje lembro e conservo, alguns ensinamentos que ela me fez: dormir com um pano no ouvido, “para não entrar algum besouro”... Se acordo assustada à noite, sempre chamo por ela... Ela era costureira e eu aprendi a costurar em sua máquina, pequena ainda, o que muito me envaidecia. Tinha bonecas e brinquedos guardados na casa dela e ela fazia bonecas, que a gente chamava “bruxa de pano” para mim. A comida dela, não tinha mais gostosa! Ela tudo fazia para me agradar! E como agradava mesmo! Viajava com ela para casa do tio Vicente, em Sobral, para a casa do Tibeca no Itapagé, me comprava presentes, enfim , ela fazia de mim uma “princesinha”! Lembro também que vovó, (como eu), tinha muita enxaqueca e sofria bastante com isso. Eu fazia chás para aliviá-la e ficava assustada do “alvoroço” que ela fazia quando “provocava”...

O tempo foi passando e como eu já estava mocinha, mamãe e papai resolveram que eu teria que dormir em casa. Sofremos eu e ela com essa separação... Vovó era vaidosa, andava sempre bem arrumadinha com casacos e saias de bons tecidos e muito cheirosa, o cabelo bem cortado e arrumado. Quando ficou mais idosa, achou que deveria deixar o cabelo crescer para usar coque, um penteado feminino que consistia em enrodilhar os cabelos de trás da cabeça. O tempo foi minando sua saúde.

Começou a sofrer de artrose, doença degenerativa que lhe deixou numa cadeira de rodas... Foi outro sofrimento muito grande... Ela tinha muita vontade de ficar boa, mas só piorava, e eu não gosto de falar nestas coisas. Me vêm um sentimento de impotência, ou de que poderia ter feito mais para que ela fosse um pouco feliz. Infelizmente, isto é impossível porque ela já não nos pertence. Porém acho que ela deve está num lugar feliz, providenciado por Deus. Guardo dela como lembrança e com carinho, um crucifixo de madeira com bronze que ela guardava em seu santuário, lugar onde rezava suas orações. Vovó, se me fosse possível, eu sentaria em seu colo, como quando menina, e te daria todos os beijos que deixei de dar... Te amo. Marta Regina Fortaleza, 17 de Julho de 2003 (Trecho do meu livro PASSANDO O TEMPO... OU... PENSANDO O TEMPO? em fase de quase conclusão.) 123 Marta Regina A VIDA?!